Coluna Educação Inovadora

A importância de ensinar o pensamento computacional nas escolas

Em muitos países, o pensamento computacional já é ensinado como uma segunda língua, pelos benefícios que oferece ao processo de ensino-aprendizagem.

Para alguns professores, só ouvir a palavra “programação” causa espanto; foi assim também comigo, por isso adianto que não é algo de outro mundo. Em algumas situações, você nem precisa utilizar o computador. Para perder o receio e encorajá-lo a dar os primeiros passos, vamos abordar a importância de ensinar o pensamento computacional na escola, que traz como benefícios o desenvolvimento de habilidades como raciocínio lógico, autonomia, pensamento crítico, colaboração, trabalho em equipe, empatia e capacidade de resolver problemas complexos.

Mas por que ensinar a programar na escola?

Estamos vivendo uma revolução digital que influencia diversos aspectos da nossa sociedade, onde precisamos além de estar preparados, preparar as próximas gerações para se apropriar e utilizar todo potencial que a tecnologia tem a nos oferecer.

Quando ensinamos a programar nas escolas com programas específicos, estamos contribuindo para a formação de crianças e jovens, capacitando-os a usar criativamente o computador, ao aprender a usar as máquinas como ferramentas, exercitando o pensamento computacional, fundamental na resolução de problemas, que podem ser desde uma solução simples de melhoria de processos a desenvolver um sistema que vá beneficiar muitas pessoas.

É oportunizar que nossos jovens não sejam somente consumidores de conteúdo, fazendo-os compreender de forma prática que a tecnologia é criada e produzida, deixando de ser consumidor e passando a ser produtor de recursos digitais; mesmo que não sejam produtores, isso faz com utilizem a tecnologia de forma mais consciente e que estejam preparados para o mundo digital, conhecendo e entendendo os dados por trás dos programas.

A programação deve ser vista como uma linguagem que está na nossa sociedade, presente praticamente em todos os recursos digitais. Ao trabalhar com programação, o professor oferece uma nova possibilidade de comunicação e interação.

Como utilizar a linguagem de programação

A programação pode estar presente nas escolas de diversas formas e em qualquer disciplina; o professor pode utilizá-la para a produção de recursos didáticos, desenvolvendo e aplicando-os, ou trabalhando com os alunos para que produzam seus conteúdos, exercitando conhecimentos a partir da linguagem de programação.

Ao ser ensinada de forma contextualizada, a linguagem de programação pode ser uma grande aliada para o processo de aprendizagem. Por exemplo, vamos imaginar que a aula seja sobre sustentabilidade; com a linguagem de programação, posso pedir aos alunos para criar uma história animada, um jogo e ou desenvolver algo sobre o tema com robótica.

Um professor de matemática, por exemplo, pode utilizar a programação no campo das formas geométricas e das operações aritméticas; já um professor de língua portuguesa pode usar a programação como suporte na alfabetização ou em produção de textos, tendo em vista uma nova forma de abordagem, que aproxima o envolvimento do aluno com o conhecimento e sua interação com o objeto de estudo.

Recursos disponíveis para trabalhar com os alunos

  • Atividades desplugadas

São atividades realizadas sem a ajuda do computador, nas quais é possível vivenciar a programação de forma concreta, estimulando a convivência e criatividade e antecipando fatos que vão auxiliar posteriormente em programação com softwares específicos.

Para iniciar a linguagem de programação com estudantes, uma sugestão é iniciar pelo Programaê, uma plataforma gratuita que visa ensinar os primeiros passos na programação de forma lúdica e interativa, a partir de desafios com personagens que os estudantes já conhecem. A plataforma possui planos de aula e sequência didáticas que auxiliam o professor, inclusive em atividades desplugadas.

  • Softwares

Para ensinar programação, o professor não precisa ser programador, basta ter interesse e vontade de aprender. Hoje temos ferramentas que foram desenvolvidas para o ensino de programação de crianças e jovens, gratuitas, intuitivas e com muita interação. O Code.org tem o objetivo de desmistificar e democratizar o aprendizado de programação. Para isso, possui uma série de atividades, justamente para professores que desejam ensinar programação, permitindo que os alunos possam dar continuidade neste aprendizado em casa, fora do ambiente escolar, realizando uma extensão da sala de aula, podendo criar clubes de programação com os colegas.

Com o Scratch, qualquer professor, mesmo sem conhecimento prévio, pode ensinar programação para crianças de forma simples e intuitiva. Por meio de blocos de comandos que se encaixam, o Scratch permite a criação de jogos, animações e histórias interativas que podem ser facilmente disponibilizadas no site do projeto e compartilhadas com crianças de outras escolas. A ferramenta ajuda a dar forma à imaginação e pode ser trabalhada de maneira offline.

Scratch 3.0: Para os professores que já conhecem e trabalham com o Scratch, a novidade é a versão 3.0. Ela tem como objetivo expandir a forma como as crianças podem criar e compartilhar e como os professores podem fomentar a aprendizagem. É possível incluir imagens, novos suportes e capacidades de programação, funcionando sobre uma larga variedade de dispositivos, incluindo tablets.


E você, querido professor, como trabalha como a linguagem de programação com os alunos? Conte aqui nos comentários e ajude a fomentar práticas docentes.

Um abraço,

Sobre o(a) autor(a)

Artigos

Formada em Letras e Pedagogia, com especialização em Língua Portuguesa pela Unicamp, Débora é Mestra em Educação pela PUC-SP e FabLearn Fellow, Columbia, EUA. Professora da rede pública, idealizou o trabalho Robótica com Sucata, que se tornou uma política pública. É coordenadora do Centro de Inovação da Secretaria Estadual de Educação do Estado de São Paulo. Atualmente, assina a coluna Educação Inovadora no blog Redes Moderna e é autora do livro Robótica com sucata (Moderna, 2021).

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