Coluna Educação Inovadora

Cultura Digital: o que é e como trabalhar em sala de aula

A cultura digital é aquela atrelada à era digital, originária da abertura do ciberespaço e da linguagem da Internet, que busca integrar a realidade com o mundo virtual e ganhou grande importância na educação com a homologação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), devido às mudanças sociais significativas, advindas do avanço tecnológico da informação e da comunicação e do crescente acesso a elas pela facilidade de dispositivos como computadores, celulares, tablets e outros.

Os jovens têm se engajado como protagonistas da cultura digital, envolvendo novas formas de interação multimidiática e multimodal e de atuação social em redes como Facebook, Instagram, Whatsapp e Twitter.

A escola exerce um papel essencial, uma vez que essa nova cultura tem apelo emocional e induz ao imediatismo de respostas e informações, privilegiando análises superficiais, diferentes dos modos de dizer e argumentar da vida escolar.

Todo esse contexto impõe para a educação novos desafios em relação ao papel e à formação destas novas gerações, sendo importante estimular a reflexão e a análise, contribuindo para que os estudantes tenham atitudes críticas em relação ao conteúdo e as multiplicidades de ofertas digitais.

É essencial incorporar ao currículo as novas linguagens e seu funcionamento, desvendando as possibilidades de comunicação e uma participação consciente na cultura digital, reinventando novos modelos de promover a aprendizagem, com interação e compartilhamento de significados entre professores e alunos.

Saiba mais – Como a BNCC contempla a cultura digital?

“Contempla a cultura digital, diferentes linguagens e diferentes letramentos, desde aqueles basicamente lineares, com baixo nível de hipertextualidade, até aqueles que envolvem a hipermídia”

(BNCC, 2018).

Ferramentas e atividades que podem ser utilizadas em sala de aula

A cultura digital é vasta e contempla uma diversidade cultural advinda dos multiletramentos, que mesclam diferentes mundos e culturas, muitas vezes originárias do mundo impresso, incorporadas às redes para garantir uma ampliação de repertório e uma interação.

Os novos gêneros digitais e práticas de linguagem, próprios da cultura digital passaram por transmutação e ou reelaboração dos gêneros impressos em função das transformações tecnológicas. Observe abaixo um exemplo desta mudança:

Vivenciar esses gêneros na escola é fundamental para desenvolver uma compreensão ativa, reflexiva e responsiva dos textos, almejando sua compreensão e interpretação.

Fique por dentro

A BNCC não contempla ferramenta digital, mas é possível utilizar inclusive o celular, permitindo empatia, colaboração e interatividade para as aulas.

A seguir, fizemos um apanhando de algumas ferramentas que podem potencializar o aprendizado da cultura digital para dentro da sala de aula. Vamos lá?

  • Blogs: É um gênero textual digital veiculado da internet que serve como meio de comunicação virtual. O termo é uma abreviação da palavra inglesa weblog que surge da união dos vocábulos web (teia) e log (diário de bordo).

Para trabalhar com este gênero, é possível criar um especifico que contenha a multimodalidade e que possibilite a integração de foto, texto e vídeo, indicando ao professor muitas possibilidades de trabalho em sala de aula; entre eles, podemos destacar a criação de um diário, um jornal interativo ou a realização de um documentário sobre um determinado assunto, entre outros. Entre os programas se destacam temos o WordPress, o Tumblr e o Blogger, todos gratuitos.

  • Meme/charge digital: Este gênero atrai muitos os jovens pela forma irreverente. O termo é bastante conhecido e utilizado na internet, referindo-se ao fenômeno de “viralização” de uma informação, ou seja, qualquer vídeo, imagem, frase, ideia ou música, que se espalhe entre vários usuários rapidamente, alcançando muita popularidade. Pode ser criado a partir de ferramentas gratuitas e intuitivas, como o Canvas e o Meme mania.

O professor pode trabalhar com esses gêneros de diferentes maneiras, como charges e memes de humor, tirinhas sobre determinados assuntos, criação de histórias em quadrinhos, tirando os alunos da situação de consumidores para produtores.

  • Vídeo-minuto: Os alunos se identificam muito com este gênero, pela possibilidade de internalizar e oralizar acontecimentos. Além dos disponíveis pelo aplicativo do celular, também é possível trabalhar com o Windows Movie Maker, que é bem simples e intuitivo e possui ferramenta de edição.

O professor pode trabalhar com animações, curtas e até documentários, não importando a disciplina e a série, com ações de engajamento com a turma.

  • Fanfic: É um gênero voltado para leitura e escrita de histórias; para tornar mais prazeroso, pode ser realizado através do Playfic, um site com uma programação simples, que possibilita o desenvolvimento de habilidades de leitura e escrita, onde usuário pode criar sua narrativa e possibilitar que os leitores escolham o final da história. Vale a pena explorar os gostos pessoais dos alunos para criar histórias fantásticas.

Mobilizar práticas de cultura digital em diferentes linguagens, gêneros, mídias e ferramentas digitais é importante para expandir e produzir sentidos no processo de compreensão e produção, refletindo sobre o mundo e realizando diferentes projetos autorais, onde o aluno participa ativamente como protagonista da construção do conhecimento.


E você, querido professor, como está trabalhando com a cultura digital em sala de aula? Quais atividades você já desenvolveu com os alunos e quais ferramentas já utilizou? Conte aqui nos comentários.

Um abraço,

Sobre o(a) autor(a)

Artigos

Formada em Letras e Pedagogia, com especialização em Língua Portuguesa pela Unicamp, Débora é Mestra em Educação pela PUC-SP e FabLearn Fellow, Columbia, EUA. Professora da rede pública, idealizou o trabalho Robótica com Sucata, que se tornou uma política pública. É coordenadora do Centro de Inovação da Secretaria Estadual de Educação do Estado de São Paulo. Atualmente, assina a coluna Educação Inovadora no blog Redes Moderna e é autora do livro Robótica com sucata (Moderna, 2021).

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.