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Plataformas adaptativas – O que são e como podem (ou não) contribuir para recuperação da aprendizagem

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Com o avanço da pandemia é preciso pensarmos em maneiras e formas de manter o ensino remoto ou híbrido E como eles podem apoiar a recuperação da aprendizagem 

 Após um ano ministrando aulas no formato remoto, temos pesquisas e literaturas sobre o assunto, como o recente livro lançado pelo Professor Fernando Reimers, da Universidade de Havard Leading Education Through Covid-19 (que ainda não possui tradução para o português), em que o autor aponta que a inovação e a colaboração são chaves para o sucesso educacional 

 A pesquisa revela que somente uma aula ao vivo não é eficaz para contribuir com a aprendizagem. O que já sabemosuma vez que nada substitui as aulas e o contato presencial de estudantes e professores 

 A tecnologia deve ser utilizada sempre como propulsora ao processo, com objetivos e propósitos clarosPara não corrermos o risco de voltarmos a antigos modelos de aprendizagem tendo o professor como transmissor de conhecimento e não como o mediador do processo. 

 Estes são pontos essenciais na hora de escolher uma tecnologia ou uma plataforma adaptativa que devem ser acompanhadas de novas abordagens de ensino que visam contribuir com o processo e com o desenvolvimento de habilidades elencadas no planejamento do professor.  

Para além da Tecnologia 

 O uso da tecnologia possui relevância para a educação se vier acompanhada de novas abordagens ativas de ensino, principalmente porque um dos aprendizados deste período é a importância de cultivar as habilidades no desenvolvimento da autonomia competências digitais para professores e estudantes. 

 Neste quesito, as metodologias ativas e o ensino híbrido podem (e devem) contribuir para a eficácia deste processo ao compreender que ela parte de problemas reais, aprendizagem por projetos e que podem ser trabalhadas em diferentes modalidades como a sala de aula invertida que atua em três momentos – antes, durante e depois na busca da personalização de ensino, protagonismo juvenil, além de potencializar os momentos de aula síncrona.  

 A pandemia vem aumentando as desigualdades sociais e o grande desafio é encontrar formas de recuperar o aprendizado com eficácia na aprendizagem, garantindo uma participação efetiva dos estudantes diante dos diferentes ciclos de escolarização, que neste momento vem sofrendo com consequências diretas na aprendizagem e indireta devido a crise econômica e social das famílias. É neste cenário que as plataformas adaptativas podem atuar e contribuir com o processo de recuperação da aprendizagem, desde que considere uma série de fatores. 

 Para não cair em armadilhas 

Como vimos as plataformas adaptativas podem contribuir para a aprendizagem, mas não basta apenas dar acesso aos estudantes, é preciso analisá-la, avaliar o seu conteúdo e verificar se existe sinergia com o currículo e com a proposta pedagógica do professor em curso, cuidando para que seja relevante aos estudantes e não apenas seja utilizada como testes de múltiplas escolhas.  

 Para eficácia é necessário a compreensão de que as plataformas adaptativas apoiam a aprendizagem em curso e não o processo inicial de um conteúdo do zero, por isso, é necessário boa gestão, formação profissional e garantir que todos os estudantes consigam ter acesso aos softwares 

 Plataformas adaptativas  

 As plataformas adaptativas são softwares inteligentes através do uso do Big Data, que podem ou não utilizar da gamificação para propor atividades diferenciadas para os estudantesrespeitando diferentes etapas de ensino e fases de conhecimento na busca por autonomia e personalização do processo cognitivo 

 Assim, o professor pode avaliar e fazer uso de plataformas diferenciadas que auxiliem os estudantes em suas dificuldades, pois, a maioria utiliza algoritmos que analisam o desempenho em tempo real e sugerem conteúdos que variam de vídeos, games, exercícios, leituras, entre outros, de forma específica e individualizada aos alunosSeparamos algumas sugestões para que possam conhecer e usar em sala de aula.  

A Geekie Games é uma plataforma brasileira de ensino adaptativo, que oferece ensino personalizado por meio de jogos para ajudar estudantes a se prepararem para o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Depois que cada estudante realiza os simulados on-line, os algoritmos identificam suas necessidades e dificuldades e a melhor maneira de ensiná-lo, além de apresentar essas informações para que o professor também possa adaptar suas aulas 

 A plataforma opera na versão gratuita e na versão paga, entretanto na versão gratuita é possível ter acesso a todo o conteúdo de videoaulas e aos simulados. Para isso, basta pesquisar uma palavra-chave no campo de busca ou filtrar pela disciplina.  

A DreamBox Learning é uma plataforma adaptativa de matemática para o ensino fundamental (anos iniciais), que utiliza a lógica da gamificação. O site está em inglês é possível a tradução e ou ainda ser usado para o ensino bilíngue.

A ScootPad é uma plataforma adaptativa para estudantes do ensino fundamental (anos iniciais e finais) desenvolverem habilidades de leitura e matemática. Com planos gratuitos, o site oferece informações em tempo real para os professores e aprendizado por meio de jogos, tem parcerias com o Google in Education, o Edmodo e a Schoology Platform. A plataforma está aberta para apoiar o ensino neste momento de pandemia 

Plataforma Adaptativa de Matemática (PAM) é voltada para estudantes do ensino fundamental e médio e oferece um sistema de avaliação integral com relatórios de desenvolvimento para alunos e professores que conta com 100 mil exercícios, além de glossários, arquivos de textos e quizzes, promovendo a personalização tanto individual como para um grupo de estudantes, de acordo com as semelhanças de suas necessidades, conhecimentos e desenvolvimentos de habilidades.  

Um abraço e até a próxima!

Débora

Sobre a autora do post

Débora Garofalo

Débora Garofalo

Colunista

Débora Garofalo é formada em Letras e Pedagogia, com especialização em Língua Portuguesa pela Unicamp, Mestra em Educação pela PUC-SP e FabLearn Fellow, Columbia, EUA. Professora há 16 anos da rede publica de SP, sendo idealizadora do trabalho de Robótica com Sucata que se tornou uma política pública. Atualmente é Coordenadora do Centro de Inovação da Secretaria Estadual de Educação do Estado de São Paulo e colunista das Redes Inovadora na Editora Moderna.

Integrante da comissão de Direitos Humanos da Cidade de São Paulo e Palestrante em grandes eventos Nacionais e Internacionais entre eles, Latinoware, Campus Party, Bett Educar, Havard, EUA, Oxford em Londres, Buenos Aires na Argentina, Ecole Polytechnique, França. Pelo trabalho realizado na Educação Pública, recebeu diversos prêmios importantes, entre eles: Professores do Brasil 2018, Desafio de Aprendizagem Criativa do MIT 2019, Medalha de Pacificadores da ONU 2019 e considerada uma 10 melhores Professoras do Mundo pelo Global Teacher Prize 2019, Nobel da Educação.

Como levar o ensino do pensamento computacional para sala de aula

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O ensino do pensamento computacional ainda é um grande tabu que precisa ser superado para ser acrescido ao currículo da educação básica e nas escolas brasileiras. Em muitos países o mesmo já é visto como uma segunda língua, devido aos benefícios proporcionados ao processo de ensino e aprendizagem.

Este universo pode ser incorporado de muitas maneiras e formas que se iniciam no movimento maker que desencadeia premissas da programação desplugada e plugada até a robótica.

A linguagem de programação é uma forma linguística de conversar com as máquinas.  Para muitos o desenvolvimento de softwares é algo que causa espanto, devido ao uso de códigos, mas essa realidade vem se transformando e atualmente o desenvolvimento de computadores é mais simples.

Na educação temos softwares educativos que são visuais, que trazem blocos de montar, em que mais do que programar existe todo um trabalho pedagógico desenvolvido com a relação da lógica de programação que trabalha o cognitivo essencial a aprendizagem.

Para levar o ensino de programação a sala de aula

Muitos são os caminhos que podem ser escolhidos para levar o ensino de programação a sala de aula (mesmo durante as aulas remotas) e alguns precisam serem desmistificados, como o ensino de programação pode ser levado a qualquer etapa da escolarização e qualquer área de conhecimento, relacionando ao conteúdo em que irá trabalhar, porque sua potencialidade está no raciocínio lógico e na resolução de problemas. Assim, uma aula de geografia e ou história pode ser tornar uma aula de programação com a criação de narrativas digitais em que o lúdico estará presente o tempo todo.

Professor mediador

É necessário que o professor seja o mediador de conhecimento e faça relações ao trabalhar com o pensamento computacional com o cotidiano dos estudantes. Utilizamos muito conceitos de programação na nossa vida, seja para estudar, trabalhar e se organizar. A todo momento estamos trabalhando com conceitos de abstração, decomposição, algoritmo e reconhecimento, pilares do ensino da linguagem de programação.

O professor, para ensinar programação, não precisa ser programador, basta ter interesse, vontade e realizar a mediação do conhecimento. Atualmente temos ferramentas que foram desenvolvidas para o ensino de programação de crianças e jovens, algumas gratuitas, intuitivas e interativas.

Programação desplugada

É importante que o início do trabalho ocorra no formato desplugado, com experiências concretas, em os estudantes resolvam problemas, que podem ser a partir de charadas, um caça tesouro, dinâmicas, ao utilizar números binários e descobrir mais sobre a linguagem dos computadores.

Programação Plugada

Após a vivência prática, os estudantes podem ter acesso a plataformas gratuitas, que visa, ensinar os primeiros passos de programação de forma lúdica e interativa, em que o desenvolvimento do aprendizado ocorre a partir de desafios e com o auxílio de personagens.

Dicas de Softwares gratuitos

Scratch  – permite a qualquer professor, mesmo sem conhecimento prévio, ensinar programação para crianças e jovens de forma simples e intuitiva.

Por meio de blocos de comandos que se encaixam análogo ao lego, o programa possibilita a criação de jogos, animações e histórias, narrativas interativas, que podem ser facilmente disponibilizadas no site do projeto e compartilhadas com crianças de outras escolas. A ferramenta ajuda a dar forma à imaginação e pode ser trabalhada de maneira off-line.

O mesmo ainda possui uma comunidade em que os estudantes podem ter acesso a trabalhos de todo o mundo e remixar os mesmos, dando crédito ao trabalho original para desenvolver novos projetos.

Outra qualidade da mesma é a possibilidade de trabalho com o Scratch Jr para crianças que não são alfabetizadas na faixa de 05 a 07 anos e o Scratch S4  que permite a programação simples da plataforma de hardware aberto, para gerenciar sensores e atuadores conectadas a placas programáveis como o Arduíno.

Code.org – tem por objetivo desmistificar e democratizar o aprendizado de programação. Para isso, possui uma série de atividades para professores que desejam ensinar programação, permitindo que os alunos possam dar continuidade nos aprendizados em formato remoto.

Programaê   – é uma iniciativa da Fundação Telefônica Vico, que contribui para o aprendizado e disseminação da lógica de programação, que possui práticas pedagógicas de pensamento computacional (programação plugada e desplugada) para os professores trabalhar em sala de aula.

A importância do ensino de programação

Com a quarta revolução industrial será comum a necessidade de profissionais preparados para lidar com este novo mundo e segundo pesquisa realizada pelo Google for Education, a programação é considerada uma das oito habilidades mais importantes a educação do futuro, em que 92% dos empregos futuros necessitarão de habilidades digitais e 93% de professores norte-americanos relatam que os estudantes da educação básica desenvolvem a capacidade de solucionar problemas e se aprofundam sobre o conhecimento em algoritmos. Acesse aqui para o relatório global.

E você professor(a) como trabalha com o pensamento computacional? Conte aqui e contribua para que outros educadores dê o primeiro passo em suas aulas.

Um abraço e até a próxima!

Débora

Sobre a autora do post

Débora Garofalo

Débora Garofalo

Colunista

Débora Garofalo é formada em Letras e Pedagogia, com especialização em Língua Portuguesa pela Unicamp, Mestra em Educação pela PUC-SP e FabLearn Fellow, Columbia, EUA. Professora há 16 anos da rede publica de SP, sendo idealizadora do trabalho de Robótica com Sucata que se tornou uma política pública. Atualmente é Coordenadora do Centro de Inovação da Secretaria Estadual de Educação do Estado de São Paulo e colunista das Redes Inovadora na Editora Moderna.

Integrante da comissão de Direitos Humanos da Cidade de São Paulo e Palestrante em grandes eventos Nacionais e Internacionais entre eles, Latinoware, Campus Party, Bett Educar, Havard, EUA, Oxford em Londres, Buenos Aires na Argentina, Ecole Polytechnique, França. Pelo trabalho realizado na Educação Pública, recebeu diversos prêmios importantes, entre eles: Professores do Brasil 2018, Desafio de Aprendizagem Criativa do MIT 2019, Medalha de Pacificadores da ONU 2019 e considerada uma 10 melhores Professoras do Mundo pelo Global Teacher Prize 2019, Nobel da Educação.

Cinco passos para promover a gestão da aprendizagem no ambiente remoto e híbrido

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Com a diversidade brasileira e a pandemia da COVID-19, temos situações adversas na Educação. Enquanto alguns Estados e Municípios retomaram o processo de ensino no modelo híbrido, que mescla o presencial e o remoto (com rodízios entre os estudantes), outros ainda permanecem somente no formato remoto.

Diante deste cenário, é comum nos questionarmos. Como manter os estudantes motivados a usar o ambiente remoto de aprendizagem? Este é um desafio real das unidades escolares por diversos motivos que são plurais, com realidades e necessidades diferenciadas e motivados por diversos fatores.

E para promover a gestão da aprendizagem em um ambiente remoto e híbrido, podemos seguir caminhos, que contemplem a atratividade para que os estudantes possam se envolver e contribuir com sugestões. A seguir alguns passos úteis nessa jornada.

  1. Cuidado ao planejar as aulas

O ensino remoto não deve ser realizado apenas com aulas online. A gestão da aprendizagem deve considerar novas formas de ensinar, indo além do cotidiano e se adequando ao contexto de cada realidade escolar e dos estudantes.

Para planejar as aulas é necessário considerar recursos que os estudantes possuem disponíveis em casa, como Internet, materiais, espaço para estudar, entre outros. Para o ensino híbrido é importante identificar pontos dos momentos presenciais com os remotos de forma combinada, pensando como dividir a classe e quais conteúdos são adequados a cada momento.

Explorar novas maneiras de aprendizagem com interações e que estimulem o processo criativo e a curiosidade, adaptando avaliações e realizando projetos diferenciados, contribuem com aulas dinâmicas.

2. Orientação de Estudo

A gestão da aprendizagem requer comunicação. O primeiro passo é orientar os estudantes sobre o ambiente, os recursos, as disciplinas, prazos e tarefas. Combinar com eles estes aspectos é um importante caminho, uma vez que no formato presencial o estudante tem liberdade de procurar o professor, sanar dificuldades e expor problemas que muitas vezes possuem receio de fazê-lo no formato remoto.

Estamos há muito tempo lidando com a pandemia e com o distanciamento social sendo necessário começar devagar, não gerar situações que os estudantes se sintam constrangidos a realizar, como abrir a câmera. Muitos não se sentem à vontade com a exposição e preciso respeitá-los e manter diálogo neste momento.

3. Humanizar a experiência nas aulas remota

Diante de aulas mediadas pela tecnologia é possível humanizar a experiência.  Uma maneira de contribuir para isso, são trazer exemplos e dados concretos, como conversar sobre as expectativas dos momentos remotos e o professor explanando seus anseios e desafios.

Escolha plataformas que permitam o acompanhamento de atividades, tempo de permanência, interações, pesquisas de opinião, leituras realizadas entre outras.

Se a plataforma não tiver esses recursos, pode ser criado um documento colaborativo para que o estudante possa preencher e colocar os dados, emitir opiniões em busca de uma escuta ativa e autônoma em que professor tenha um papel ativo e possa intervir na aprendizagem.

4. Desafio Docente

Como professores temos muitos desafios, é um deles não é apenas inserir ferramentas tecnológicas no processo de ensino, mas adaptá-las ao ambiente remoto de aprendizagem. Assim, é possível apostar nos formatos e trazer diversos tipos de interação de acordo com a turma desde trabalhos colaborativos, jogos digitais até circuitos gamificados.

5. Dicas de como escolher as Ferramentas digitais

A escolha de ferramentas digitais requer olhar para condições de acesso dos estudantes e compartilho dicas que podem auxiliar neste processo.

Aplicativos de realidade virtual e gamificação –Temos uma infinidade de vídeos em dimensões aumentadas e jogos digitais gamificados que podem ser aplicados para trabalhar diferentes conteúdos e situações de aprendizagem.

Gestão escolar – algumas plataformas auxiliam o professor a acompanhar o desenvolvimento e frequência dos estudantes. A learning analytics (que é a utilização de dados de aprendizagem para fazer análises sobre o desempenho educacional dos estudantes) é um exemplo com indicadores de avaliação a partir dos objetos e planejamento.

Ambientes colaborativos – O G Suite, Google sala de aula são pacotes de serviços disponíveis que permitem colaboração e o uso das metodologias ativas, registrando o percurso, interação, podendo ser usado em diferentes aparelhos tecnológicos.

A gestão da aprendizagem requer o protagonismo docente no papel de mediação do processo de ensino em que a tecnologia e abordagem pedagógica pode contribuir com o engajamento dos estudantes.

Um abraço e até a próxima!

Débora

Sobre a autora do post

Débora Garofalo

Débora Garofalo

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Débora Garofalo é formada em Letras e Pedagogia, com especialização em Língua Portuguesa pela Unicamp, Mestra em Educação pela PUC-SP e FabLearn Fellow, Columbia, EUA. Professora há 16 anos da rede publica de SP, sendo idealizadora do trabalho de Robótica com Sucata que se tornou uma política pública. Atualmente é Coordenadora do Centro de Inovação da Secretaria Estadual de Educação do Estado de São Paulo e colunista das Redes Inovadora na Editora Moderna.

Integrante da comissão de Direitos Humanos da Cidade de São Paulo e Palestrante em grandes eventos Nacionais e Internacionais entre eles, Latinoware, Campus Party, Bett Educar, Havard, EUA, Oxford em Londres, Buenos Aires na Argentina, Ecole Polytechnique, França. Pelo trabalho realizado na Educação Pública, recebeu diversos prêmios importantes, entre eles: Professores do Brasil 2018, Desafio de Aprendizagem Criativa do MIT 2019, Medalha de Pacificadores da ONU 2019 e considerada uma 10 melhores Professoras do Mundo pelo Global Teacher Prize 2019, Nobel da Educação.

Mudança de Mindset para uma Educação Inovadora

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Mudar a maneira e a forma que ensinamos não é uma tarefa fácil. Principalmente pelo processo de formação docente, falta de infraestrutura das unidades escolares, ausência de formação docente em serviço e constantes mudanças nas políticas públicas.  

 Para realizar uma mudança na maneira de conceber a educaçãoé necessário romper com velhos paradigmas e anos de uma abordagem pedagógica pautada na transmissão de conhecimento, dando lugar a mudança de mindset e novas formas de conceber a educação inovadora.  

Neste sentido, a palavra mindset pode ser compreendida como um conjunto de atividades mentais e ganha força ao desenvolver novas competências, habilidades e formas para o professor assumir o protagonismo e emergir novas abordagens pedagógicas como um mediador do conhecimento e parceiro do estudante.  

Para saber mais 

 Existealgumas formas de mindset que podem nos fazer ser otimista e ou pessimista, nos âmbitos profissionais e pessoais, descritos através de pesquisas realizadas pela Dra. Carol Dweckph.D em seu livro, Mindset – a nova psicologia do sucesso. 

Na obra, a autora descreve alguns tipos de mindset como os fixos que são pessoas que não acreditam e determinadas capacidades, em que desafios são vistos como oportunidades de julgamento. E de crescimento que são pessoas otimistas, que acreditam em seus talentos e possuem resiliência frente a desafios. 

A chave do sucesso de uma educação inovadora, começa com a atitude em nós professores. Neste sentido, para iniciar o processo de mudança de mindset na educação é necessário darmos este passo, acreditando em nosso potencial, praticando a empatia, definindo metas tangíveis e pensando fora da caixa.  A seguir, compartilho algumas dicas e reflexões que poderão ajudar nesta mudança.

Tematização docente 

A tematização docente está diretamente relacionada com o perfil do professor enquanto pesquisador da sua prática, autoavaliando em sala de aula. Para isso, ele pode combinar com os estudantes e seus familiares que irá gravar algumas aulas para sua autorreflexão. É importante ter o apoio dos familiares e estudantes e realizar um termo de consentimento para esta ação. 

Ao realizar essa gravação, o professor poderá rever suas ações, tomadas decisões e principalmente compreender se está no caminho certo com a turma. Enquanto docente, fiz muito este processo e alguns casos percebi que estava sendo diretiva em minhas ações de forma involuntária e ou ainda deixado de intervir em algumas situações pedagógicas com receio dos estudantes não darem suas contribuições. Enquanto profissionais, somos todos aprendentes e devemos rever nossas rotas! 

Outra forma são as rubricas de avaliação, que além de avaliar o processo, com a participação dos estudantes podem e devem avaliar o professor e seu trabalho, criando uma nova cultura de aprendizado e de escuta ativa. 

Novas abordagens de ensino 

Romper com velhos paradigmas também significa permitir novas formas de aprendizagens. As metodologias ativas são um bom exemplo disso, porque podem ser trabalhadas em suas diferentes modalidades na busca da personalização e no respeito aos diferentes ritmos de aprendizagem, ao despertar os estudantes a uma nova cultura em que o professor será parceiro na construção da autoria e do protagonismo juvenil. 

Ambiente de aprendizagem 

 O ambiente de aprendizagem tem uma grande importância ao ensino. Para trabalhar com novas abordagens é essencial cuidar do espaço que deve trazer valores e aspectos de segurança, mas também elementos de uma educação integral, favorecendo a colaboração, empatia e trazendo recursos que possam personalizar este ambiente.  

Inclusão de uma educação inovadora 

Possibilitar novas formas de ensino requer possibilitar a inserção da inovação na sala de aula e no processo de ensino em frentes que possibilitam vivências significativas como a cultura maker, cultura digital, gamificação, programação (que permite o trabalho com narrativas digitaisstorytelling, jogos), robótica, entre outros, em que o estudante assume o centro do processo de aprendizagem e o professor exerce o papel central de apoiar novos caminhos. 

Incentive o mindset de crescimento dos estudantes 

 É necessário ressaltar, enaltecer e incentivar as habilidades dos estudantes. São pequenos gestos que podem transformar vidas e deixá-los mais seguros e acreditarem em si e em todo o seu potencial. 

Um grande abraço e até a próxima,

Débora

Sobre a autora do post

Débora Garofalo

Débora Garofalo

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Débora Garofalo é formada em Letras e Pedagogia, com especialização em Língua Portuguesa pela Unicamp, Mestra em Educação pela PUC-SP e FabLearn Fellow, Columbia, EUA. Professora há 16 anos da rede publica de SP, sendo idealizadora do trabalho de Robótica com Sucata que se tornou uma política pública. Atualmente é Coordenadora do Centro de Inovação da Secretaria Estadual de Educação do Estado de São Paulo e colunista das Redes Inovadora na Editora Moderna.

Integrante da comissão de Direitos Humanos da Cidade de São Paulo e Palestrante em grandes eventos Nacionais e Internacionais entre eles, Latinoware, Campus Party, Bett Educar, Havard, EUA, Oxford em Londres, Buenos Aires na Argentina, Ecole Polytechnique, França. Pelo trabalho realizado na Educação Pública, recebeu diversos prêmios importantes, entre eles: Professores do Brasil 2018, Desafio de Aprendizagem Criativa do MIT 2019, Medalha de Pacificadores da ONU 2019 e considerada uma 10 melhores Professoras do Mundo pelo Global Teacher Prize 2019, Nobel da Educação.

Como planejar as aulas com o ensino híbrido

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O ano de 2020 foi desafiador a todos e a Educação! A Unesco recentemente divulgou o relatório mundial que mostrou preocupação com o fechamento das unidades escolares em que o Brasil faz parte do grupo que está há mais tempo com escolas fechadas. Atualmente 101 países mantêm as escolas em funcionamento e 48 países de maneira parcial.

Passado o susto inicial e ambientação com as aulas mediadas por tecnologia, chegou o momento de planejar 2021 considerando as dificuldades do ano de 2020 e contemplando o ensino híbrido com experiências ainda não vivenciadas por nossos alunos através da criação de uma nova cultura.

O primeiro passo compreende em saber que o ensino híbrido mescla o ambiente presencial e o online, podendo e devendo ser adaptado conforme a necessidade escolar. Neste sentido, um importante aliado ao processo cognitivo, por permitir a mescla de estudantes em divisões por grupo, no formato presencial e outro com aulas mediadas por tecnologia para respeitar os protocolos de distanciamento social e combate a COVID-19.

Num segundo momento, este formato tende a contribuir com o processo da recuperação da aprendizagem, que já sabemos que devido ao longo período de aulas mediadas com o auxílio de tecnologias, não foi possível a participação de todos os estudantes e quando foi realizado, deixou lacunas e déficits no processo de ensino.

O ensino híbrido deve ter o foco no ambiente de aprendizado flexível, ativo e pautado no desenvolvimento de competências e habilidades que visam atividades por projetos e entre times. Este trabalho, antes imaginado somente na esfera presencial é possível de ser realizado na esfera online e com qualidade. O que precisamos é mesclar, experimentar estas possibilidades e dar ao estudante a oportunidade de ser protagonista e participar ativamente da construção do seu processo de aprendizagem. A seguir, apresentarei alguns caminhos que necessitam estar contemplado no planejamento docente.

Sobre a autora do post

Débora Garofalo

Débora Garofalo

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Débora Garofalo é formada em Letras e Pedagogia, com especialização em Língua Portuguesa pela Unicamp, Mestra em Educação pela PUC-SP e FabLearn Fellow, Columbia, EUA. Professora há 16 anos da rede publica de SP, sendo idealizadora do trabalho de Robótica com Sucata que se tornou uma política pública. Atualmente é Coordenadora do Centro de Inovação da Secretaria Estadual de Educação do Estado de São Paulo e colunista das Redes Inovadora na Editora Moderna.

Integrante da comissão de Direitos Humanos da Cidade de São Paulo e Palestrante em grandes eventos Nacionais e Internacionais entre eles, Latinoware, Campus Party, Bett Educar, Havard, EUA, Oxford em Londres, Buenos Aires na Argentina, Ecole Polytechnique, França. Pelo trabalho realizado na Educação Pública, recebeu diversos prêmios importantes, entre eles: Professores do Brasil 2018, Desafio de Aprendizagem Criativa do MIT 2019, Medalha de Pacificadores da ONU 2019 e considerada uma 10 melhores Professoras do Mundo pelo Global Teacher Prize 2019, Nobel da Educação.

Planejando ações híbridas

Para o Professor José Moran da USP, o ensino híbrido está na essência das ações docentes que preza por contribuições na visão ecossistêmica. Por isso, planejar ações requer desenhar combinações que integrem espaços, tempos, metodologias e tutoria para ofertar experiências que melhor atenda as necessidades e possibilidades aos estudantes.

             1. Currículo flexível

É necessário planejar em busca de um currículo flexível que considere a avaliação diagnóstica como ponto de partida e que contemple projetos integradores que visam integrar áreas do conhecimento, atividades, projetos, games em grupos ou individuais, de modo colaborativo ou personalizado.

Para realizar o ensino híbrido é preciso que o processo de aprendizagem seja contínuo e que os estudantes possam perceber e se envolver nesta construção.

            2. Escuta Ativa

Mesclar e diversificar propostas são fatores chaves e é preciso apostar nas que sejam  abertas e que permitam a escuta ativa, como por exemplo, realizar tempos combinados; itinerários e trilhas de aprendizagens personalizadas; utilizar outros espaços e  ambientes escolares, além da sala de aula; e fazer combinações e combinados com espaços virtuais na busca por  repensar o currículo através das metodologias ativas; adaptar e trabalhar com a diversidade de espaços por melhorias no processo avaliativo e na construção de conhecimento.

            3. Modelos síncronos e assíncronos

Os processos síncronos e assíncronos merecem um destaque especial no planejamento, através de um formato que busque a personalização do ensino e que contribua com o processo de ensino-aprendizagem. Modelos expositivos precisam sair de cena nos modelos presenciais, pois um dos papeis é formar os estudantes para serem curadores e atuarem de maneira central no desenvolvimento da cultura da participação ativa, ao acessar materiais, ler e reler quantas vezes forem necessárias, para que possam usufruir e potencializar os momentos presenciais aproveitando ao máximo estas novas experiências.

            4. Papel Docente

No ensino híbrido o papel docente ganha benefícios e destaque, como ter a possibilidade de dedicar mais as dúvidas dos alunos, realizar um acompanhamento mais próximo e individual em que consegue visualizar, coletar e analisar dados e intervir no processo de maneira mais assertiva. Para isso, é importante investir nas diferentes modalidades como a sala de aula invertida.

            5. Modalidades de Ensino

As modalidades híbridas permitem buscar a interação do ensino e também ousar nos modelos trazendo integração entre as aulas presenciais e a aulas mediadas por tecnologia, assim temos – a aula invertida, rotações por estações, rotações individuais e modelos personalizados como o modelo flex que permitem a construção de roteiros adaptados, na modalidade online, em que professor atua como o mediador. E o modelo a la carte que permite trilhas virtuais em que a hibridização dependerá da idade e do avanço do estudante ao currículo e da proposta pedagógica a ser ofertada.

O ensino híbrido é um caminho sem volta e que tende estar mais presente na educação básica por todos os seus benefícios e pelas oportunidades de estarmos avançando por igualdade, equidade e valores integrais que visam a criatividade.

E vocês queridos (as) professores (as), quais dicas podem acrescentar ao planejamento dos colegas? Não deixem de compartilhar aqui nos comentários e contribuir com práticas exitosas a Educação.

Um abraço e até mais!

Débora

Um panorama da educação brasileira

By | Educação inovadora | No Comments

Em um ano atípico, podemos falar que fizemos história na Educação! 

Quem poderia imaginar que algum dia, teríamos que ministrar aulas por um período tão longo na história,  mediadas com o uso da tecnologia e uma pandemia que iria nos obrigar a realizar quarentena e cumprir um distanciamento social. 

Com muitas dificuldades e em um cenário de acertos e erros, conseguimos realizar e promover uma educação, não nos moldes que esperávamos, mas de maneira emergencial e com o foco nos estudantes. 

Em todo o Brasil, vimos Estados e Municípios prosseguindo com a educação, algumas Secretarias criaram estratégias específicas como São Paulo, com o Centro de Mídias São Paulo, um aplicativo com dados patrocinados para que o estudantes pudessem assistir aulas e o Paraná com o aplicativo aulas Paranás  e outras utilizando tecnologias conhecidas, que fazem parte do nosso cotidiano, como rádio e impressão de materiais didáticos. Acompanhamos as autoridades da Saúde, em possível retorno presencial e experiências brasileiras, como no Estado do Amazonas retornando as aulas presenciais, seguido de forma gradual pelo Estado de São Paulo.

Dentro deste cenário, podemos afirmar com toda a certeza que nada substitui as aulas presenciais e que teremos que lidar com grandes desafios pela frente, como evasão escolar, recuperação deste período e a certeza que teremos um longo caminho para frente.

Em outros aspectos, conseguimos aprovar o novo FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), com ampliação de recursos, essenciais ao sistema público de ensino, em que vale ressaltar que 86% dos estudantes brasileiros estudam em escolas públicas, mas falta a regulamentação em que essa agenda se faz urgente. E algumas políticas nacionais ficaram na contramão do esperado como a de alfabetização e de inclusão, em que se faz necessário um debate com quem realmente faz a educação acontecer no chão da sala de aula, professores e estudantes.

No  entanto, nos emocionamos com as histórias de professores, se reinventando e mostrando toda a força de seguir com a Educação. Entre tantas histórias, vimos o Professor Luis Felipe Lins, vencedor do Educador Nota 10 com o projeto Geometria e Construção, Professora Doani Emanuela Bertan, top 10 no Global Teacher Prize, considerada ao Nobel da Educação, com o trabalho de inclusão e ensino de libras. 

Além disso, vivenciamos algo que era esperado por todos, a valorização da família junto a Educação! Mas também, convivemos de perto com as desigualdades devido a ausência de políticas públicas para conectividade e infraestrutura, em que novamente não faltou criatividade e o desenvolvimento de competências digitais, com inclusões de metodologias ativas e o ensino híbrido sendo muito utilizado.

Sobre a autora do post

Débora Garofalo

Débora Garofalo

Colunista

Débora Garofalo é Assessora Especial de Tecnologias da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo (SEE SP) e professora da rede pública de ensino de São Paulo. Formada em Letras e Pedagogia, mestranda em Educação pela PUC-SP, vencedora na temática Especial Inovação na Educação no Prêmio Professores do Brasil, Vencedora no Desafio de Aprendizagem Criativa do MIT e considerada uma das dez melhoras professoras do mundo pelo Global Teacher Prize, o Nobel da Educação.

E diante de tudo, o que podemos esperar para a Educação em 2021?

Entender que este panorama com todos os acertos e dificuldades nos fazem ser mais assertivos e traçar um melhor planejamento, centrado em foco nas soluções dos problemas educacionais.

E que este momento é que devemos manter a tranquilidade e nos encher de esperança para viver 2021! Sabemos que será um ano para superarmos desafios e esperamos estarmos mais seguros para voltar as aulas presenciais, mas sem se esquecer dos muitos aprendizados deste ano, em que aqui reunimos alguns.

A tecnologia chegou para ficar

A tecnologia chegou para ficar, mas ela sozinha não possui poder para transformar e impulsionar a educação, é essencial sempre nos lembrarmos do papel dela em sala de aula, mas que ela precisa vir acompanhada de inovação, metodologias ativas, ensino híbrido que são meios eficazes para promover o protagonismo juvenil e a autoria e que no processo de aprendizagem é necessário trabalhar com resoluções de problemas, colaboração, empatia. 

Educação integral

É necessário promovermos uma educação integral, com valores integrais, promovendo uma escuta ativa com os estudantes e rompendo assuntos que são tão essenciais a educação, como uma educação antirracista, com inclusão de todos e o envolvimento do território educativo. 

Foco na comunidade Aprendente

Vimos a família reconhecer e valorizar  a Educação, cultivar esse laço é essencial, sendo necessário resgatar uma comunidade aprendente que envolve todo território educativo, em ações de pertencimento e que lembre que a Educação é responsabilidade de todos.

Habilidades Socioemocionais

Todos sofremos com o distanciamento social, é será necessário intensificar o trabalho com as habilidades socioemocionais, para que possamos trabalhar com emoções e sentimentos e ter a oportunidade de vivenciar na educação diversas situações que serão exigidas na vida em sociedade. 

Superar desafios

Teremos muitos desafios a superar, como déficit de aprendizagens, evasão escolar, falta de recursos e de infraestrutura, devido a crise econômica e que será necessária um planejamento que contemple esses pontos e que seja realizado trabalhos interdisciplinares e transdisciplinares com uma escola que faz sentido às nossas crianças e jovens, em um ambiente que traga desafios, e a criatividade como uma premissa a todos.

Um abraço e até 2021, 

Débora