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Como superar os desafios da aprendizagem e do ensino híbrido

By | Educação inovadora | No Comments

É certo que teremos um longo caminho para a recuperação do processo de aprendizagem, ocasionado pela pandemia da Covid-19. Durante a pandemia,  temas que estavam sendo debatidos anteriormente ganharam notoriedade e a necessidade de inserção na educação.

Um deles, sem dúvida, é a consolidação da modalidade híbrida, por todos os benefícios e contribuições com o ensino em frentes importantes!

A primeira medida é a mescla da aprendizagem presencial e o escalonamento dos estudantes, para manter os protocolos de higiene e segurança necessários neste momento, prevendo rodízios e aulas remotas e respeitando o ritmo de aprendizagem na busca pela personalização do ensino.

A segunda medida visa contribuir com o processo cognitivo e a recuperação da aprendizagem, aumentando a jornada de estudo dos estudantes com atividades que podem ocorrer no contraturno das aulas e no formato remoto.

A primordial característica das metodologias ativas é oportunizar ao estudante estar no centro do processo de aprendizado, tornando o ensino personalizado por meio das suas modalidades e de ações que respeitem os diferentes tempos e ritmos cognitivos. Além do mais, essa forma de abordagem estimula o trabalho a partir de resolução colaborativa de problemas que contribui para o desenvolvimento de habilidades e competências, como: o pensamento crítico, a criatividade, cooperativismo, autogestão, autocuidado e o protagonismo juvenil.

Assim, as metodologias ativas na educação contribuem (e muito) no desenvolvimento da dimensão cognitiva e socioemocional dos estudantes ao fazer que troquem, compartilhem e exponham opiniões, lidando com emoções, frustrações e aprendendo a lidar com a diversidade.

Superando desafios

São muitos os desafios a serem superados, desde a garantir infraestrutura e conectividade até consolidar uma nova cultura de pertencimento e de inclusão a nossa Educação. A seguir, vamos conversar um pouco sobre os desafios e forma de superá-los.

1) Infraestrutura e conectividade

Um dos maiores desafios da nossa educação em que se faz necessário investimentos e políticas públicas que minimizem impactos e que visem a melhorias e impactos no processo de ensino e aprendizado.

É preciso que as redes de ensino realizem uma avaliação diagnóstica e o nível de adoção em tecnologias que prevê dimensões do uso das tecnologias (em visão, infraestrutura, recursos digitais e formação) e níveis a serem alcançados (básico, intermediário e avançado) e, a partir disso, realize um planejamento e ações contemplando reduzir os impactos aos estudantes mais vulneráveis.

Sobre a autora do post

Débora Garofalo

Débora Garofalo

Colunista

Débora Garofalo é formada em Letras e Pedagogia, com especialização em Língua Portuguesa pela Unicamp, Mestra em Educação pela PUC-SP e FabLearn Fellow, Columbia, EUA. Professora há 16 anos da rede pública de SP, sendo idealizadora do trabalho de Robótica com Sucata que se tornou uma política pública. Atualmente é Coordenadora do Centro de Inovação da Secretaria Estadual de Educação do Estado de São Paulo e colunista do blog Redes na coluna Edução Inovadora na Editora Moderna.

Integrante da comissão de Direitos Humanos da Cidade de São Paulo e Palestrante em grandes eventos Nacionais e Internacionais entre eles, Latinoware, Campus Party, Bett Educar, Harvard, EUA, Oxford em Londres, Buenos Aires na Argentina, Ecole Polytechnique, França. Pelo trabalho realizado na Educação Pública, recebeu diversos prêmios importantes, entre eles: Professores do Brasil 2018, Desafio de Aprendizagem Criativa do MIT 2019, Medalha de Pacificadores da ONU 2019 e considerada uma 10 melhores Professoras do Mundo pelo Global Teacher Prize 2019, Nobel da Educação.

A inspiração em cases de sucesso contribui para novos caminhos. Estudos recentes realizados pela Varkey Foundation e a British Council trazem os impactos das escolas fechadas e boas práticas nos países da América Latina, servindo de aprendizado para este momento.

2) Plataformas Adaptativas e trilhas avaliativas

Outro aspecto importante é a inserção de plataformas adaptativas que permitam que os estudantes se engajem com as atividades e se interessem em realizá-las. Sabemos que a pandemia trará consequências à evasão escolar, criar incentivos e formas de evitar que isso ocorra é primordial neste momento.

Investir na gamificação pode trazer grande envolvimento dos estudantes por meio da experiência com jogos, estimulando-os e motivando-os a serem críticos, trabalhar com o raciocínio lógico, além de inserir o lúdico nas aulas.

As trilhas avaliativas devem ter o foco no percurso formativo que contemple o processo avaliativo, para que o professor tenha como tomar decisões, e possa interferir e rever as rotas do processo pedagógico. Este é um bom momento para rever processos e investir em portfólios e rubricas que contribuam com a prática docente.

3) Engajamento dos estudantes

Um dos pontos fortes do ensino híbrido é manter os estudantes engajados. Para issoo, o foco deve estar na integração e articulação do currículo, através de projetos integradores e abordagens ativas e na diminuição de modelos expositivos, que deixam os alunos no papel passivo.

As modalidades do ensino híbrido são essenciais para envolver os estudantes com dinâmicas, como sala de aula invertida, laboratório rotacional ou estações por rotações, entre outras. Lembre-se que toda regra pode ser adaptada!

4) Formação Docente

É essencial que toda mudança venha acompanhada de formação docente. O professor precisa ter a oportunidade de vivenciar as metodologias ativas, ensino híbrido e o seu papel dentro desse processo.

Para atuar neste modelo, o professor precisa experimentar novos modelos e realizar troca entre seus pares. A formação é parte do processo e contribuirá para a superação de desafios, avanços de novos modelos na educação, prezando pela integralidade, qualidade, equidade e personalização do ensino.

Um abraço,

Débora

Com a boca no trombone: a hora e vez da fala e escuta em sala de aula!

By | OLHARES | No Comments

Como está o diálogo em sala de aula? É consenso que precisamos ouvir e dar vez às vozes das nossas crianças, adolescentes e jovens, mas isso realmente está acontecendo?  

A aprendizagem demanda interaçõestrocas, confronto de hipóteses, construções colaborativas e coletivasentre tantos outros elementos essenciais que só ocorrem com diálogocom abertura para participação de todos e alunos no centro do processo de aprendizagem. Por issoprecisamos compreender que oportunizar tempo e espaço de fala e escuta devem ser ações permanentes em nossas aulas e planejamento. E tudo isso exige uma mudança de postura e de atitude enquanto professores. Afinal nosso papel é mediar e facilitar todo o processo de aprendizagemcriando condições e situações favoráveis para que os alunos aprendam e e se desenvolvam da melhor maneira possível. 

Mudança de postura 

Essa mudança de postura diz respeito às nossas convicções e ações no nosso dia a dia em sala de aula. Muitas vezes, nós, professores, falamos muito e escutamos pouco, mas também não basta abrir participação ativa e direta dos estudantes apenas em momentos determinados. É preciso que em todos os momentos as salas de aulas sejam ambientes para o debate, de forma ética e respeitosa, onde as nossas crianças desde bem pequenas, adolescentes e jovens, se sintam apoiados e acolhidos e fiquem à vontade para perguntar, dar suas respostas, apresentar suas hipóteses e propostas, estudos e pesquisas e expressar seus sentimentos e opiniões, ou seja, construir juntos o conhecimento e um espaço acolhedor. Assim, não cabe mais o “professor como detentor do conhecimento”, só ele fala e decide. 

Práticas e metodologias para o diálogo e participação de todos em sala de aula 

  • Disposição dos espaços em sala de aula. Carteiras organizadas em círculo, em formato de meia lua ou em grupos, de forma que todos possam se ver e ouvir, olho no olho, frente a frente, que favoreça as interações e trocas.
  • Rodas de conversa. Atividade permanente, que conste no planejamento do professor, pelo menos um dia na semana, com organização prévia, com objetivo e intencionalidade definidos, mas que ocorra também a qualquer momento. Atividades que possam em algum momento, ser propostos e conduzidos pelos alunos. Uma boa proposta é se criar um calendário com a programação das rodas de conversa, que podem ser temáticas, receber convidados etc., mas que, essencialmente, permita a participação de todos os alunos.
  • Seminários. Essa metodologia, realizada pelos alunos, leva ao estudo e pesquisa, ao trabalho em equipe e ao compartilhamento de descobertas e saberes. Coloca os alunos no centro do debate e participação, em que podem assumir seu protagonismo na aprendizagem.
  • Perguntas problematizadoras. Um professor provocador incentiva e estimula a curiosidade e o estudo dos alunos. Uma boa maneira de fazer essa provocação é apresentar a eles a cada semana, uma pergunta que os faça pensar, pesquisar e encontrar respostas para situações e problemas do dia a dia.  

Espaços na escola para expressão e fala dos alunos 

  • Parlatório. Em um lugar de destaque e de uso coletivo na escola, que pode ser um pátio ou outro lugar aberto. Com um microfone e uma caixa de som pode ser usado pelos estudantes para dar recados, passar suas mensagens e se expressar culturalmente. Tudo bem combinado com os estudantes para uma participação ética e democrática.
  • Mural. Espaço fixo em muros e ou paredes da escola onde os alunos possam se expressar desenhando e escrevendo. Pode ser feito do mesmo material das lousas de sala de aula, para uso com giz ou canetões, para ser renovado sempre. A cada dia, as escritas devem ser registradas em fotos ou vídeos, antes de serem apagadas para as próximas.
  • Assembleias. A escola convida todas as turmas para um debate geral, em que eles participam com suas contribuições para uma gestão participativa e bem-estar de todos. Pode ser realizada a cada mês ou bimestre do ano escolar de forma fixa ou a qualquer tempo quando surgir alguma demanda. 

Seja em sala de aula, seja na escola como um todo, é extremamente importante criar e fortalecer a cultura do diálogo, da fala e escuta, da participação de todos, pois assim além de contribuir efetivamente no processo de aprendizagem dos nossos estudantes, contribuiremos, pela educação, na construção de uma sociedade, mas justa, empática e mais tolerante. 

Mas e vocês, professores? Que ações em suas escolas estão sendo feitas para criar essa cultura do diálogo? Qual dessas que sugeri você acredita que podem ser adotadas em sua escola ou sala de aula? Conte aqui nos comentários! 

Um abraço e muita escuta a todos nós professores! 

Mara Mansani 

Sobre a autora do post

Mara Mansani

Mara Mansani

Colunista

Professora há quase 30 anos, lecionou em vários segmentos, da Educação Infantil ao 5º ano do Ensino Fundamental, passando também pela Educação de Jovens e Adultos (EJA). Recebeu o Prêmio Educador Nota 10, na área de Alfabetização, com o projeto Escrevendo com Lengalenga.

6 sugestões de leitura para trabalhar com a modalidade híbrida

By | Educação inovadora | No Comments

Temos vivenciado tempos difíceis e com impactos profundos a Educação! O agravamento da pandemia acentua problemas em diferentes regiões do nosso país e faz com que uma das queixas constantes dos educadores seja lidar com falta de infraestrutura e formação docente para lidar com aulas remotas e híbridas.

O que pensávamos que duraria poucas semanas foi substituído por um longo e angustiante período que dura um ano e quatro meses, com consequências graves a aprendizagem de crianças e jovens e nos colocando no topo do ranking em não conseguir controlar a pandemia e com o maior tempo de escolas fechadas. A pandemia não só aumentou as desigualdades, mas a evidenciou de uma maneira brusca.

O encerramento do semestre e a proximidade do próximo traz a oportunidade de realizarmos exercícios, realizar análises, compreender o que está dando certo, o que precisa ser melhorado em busca da personalização do ensino e da compreensão do cenário atual e das possibilidades de trabalho no formato híbrido. Para isso, segue algumas sugestões de leitura para que possa refletir e potencializar ações que irá auxiliar a intensificar o trabalho em sala de aula.

  1. Ensino Híbrido – é um clássico para quem quer dar os primeiros passos na personalização e na tecnologia da educação. O livro é feito por professores para professores. A organização do livro é da Lilian Bacich, Adolfo Tanzi Neto e Fernando de Melo Trevisani, editora Penso, em que apresenta aos educadores possibilidades de integração das tecnologias digitais ao currículo escolar, de forma a alcançar uma série de benefícios no dia a dia da sala de aula, como maior engajamento dos alunos no aprendizado e melhor aproveitamento do tempo do professor para momentos de personalização do ensino por meio de intervenções efetivas.
  2. Metodologias Ativas para uma Educação Inovadora: Uma Abordagem Teórico-Prática – a obra aborda a participação efetiva dos estudantes na construção do conhecimento e no desenvolvimento de competências, possibilitando que aprendam em seu próprio ritmo, tempo e estilo, por meio de diferentes formas de experimentação e compartilhamento, dentro e fora da sala de aula, com mediação de docentes inspiradores e incorporação de todas as possibilidades do mundo digital. Este livro apresenta práticas pedagógicas, na educação básica e superior, que valorizam o protagonismo dos estudantes e que estão relacionadas com as teorias que lhes servem como suporte. Os autores Lilian Bacich e José Moran, editora Penso, reúnem nesta obra capítulos de autores brasileiros que analisam o porquê e para que usar metodologias ativas na educação de forma inovadora.
  3. Covid-19: educação e a ótica docente – a obra é fruto de um trabalho coletivo engendrado por dez pesquisadoras e oito pesquisadores com distintas formações acadêmicas e experiências docentes, oriundos de instituições públicas e privadas das regiões Nordeste e Sudeste do país, com um rico olhar multidisciplinar sobre as repercussões da pandemia, bem como as transformações da área educacional sob o olhar docente.

Organizado em sete capítulos, o livro foi estruturado com base em uma abordagem multidisciplinar, a qual valorizou a utilização de distintos recortes metodológicos e teóricos na construção das discussões, justamente findando apresentar debates permeados por um amplo sentido de pluralidade e por uma diversidade de apreensões empíricas. O livro traz pontos interessantes, como:

  • A prática pedagógica durante esse período;
  • Os desafios e trilhas alternativas de ensino e aprendizagem;
  • O uso de tecnologias digitais de informação e comunicação (TDICs);
  • A saúde mental do docente.
  1.  A educação em tempos de pandemia: desafios e possibilidades – a pandemia é abordada de forma bastante didática e com pluralidade e diversidade de concepções. A obra é destinada a um público bem amplo no campo da docência: de professores de ensino infantil até educadores de pós-graduação, com abordagem em metodologias inovadoras, processos educacionais no momento de pandemia e formação docente pelos autores Cristina Rezende Eliezer, Elivan Aparecida Ribeiro e Jenerton Arlan Schutz, editora Dialética.
  2. Educação integral em tempos de pandemia – a obra é uma construção coletiva feita por educadores de escolas públicas que diante do contexto pandêmico e as desigualdades evidenciadas, decidiram se unir para pesquisar, refletir e buscar o verdadeiro significado de uma educação integral em um contexto de desigualdade social. As experiências vivenciadas pelos educadores são registradas em que compartilham saberes e formas concretas de enfrentar a realidade social diante de cenários de isolamento e fechamento das escolas. Para além das experiências, a obra também compartilha tornar a educação integral um dos pilares da educação básica no Brasil.

6. Educando para a vida no pós-pandemia – com a narrativa que a pandemia mudou a face da educação, e que ela não tornará a ser a mesma depois de toda a experiência vivenciada, a obra fala dos desafios enfrentados por pais e professores durante o isolamento social – como adaptação a ferramentas digitais, apoio às famílias no ambiente virtual e vulnerabilidade de alunos fora da escola – e de como essa experiência

Um abraço e até a próxima,

Débora

Sobre a autora do post

Débora Garofalo

Débora Garofalo

Colunista

Débora Garofalo é formada em Letras e Pedagogia, com especialização em Língua Portuguesa pela Unicamp, Mestra em Educação pela PUC-SP e FabLearn Fellow, Columbia, EUA. Professora há 16 anos da rede pública de SP, sendo idealizadora do trabalho de Robótica com Sucata que se tornou uma política pública. Atualmente é Coordenadora do Centro de Inovação da Secretaria Estadual de Educação do Estado de São Paulo e colunista do blog Redes na coluna Edução Inovadora na Editora Moderna.

Integrante da comissão de Direitos Humanos da Cidade de São Paulo e Palestrante em grandes eventos Nacionais e Internacionais entre eles, Latinoware, Campus Party, Bett Educar, Harvard, EUA, Oxford em Londres, Buenos Aires na Argentina, Ecole Polytechnique, França. Pelo trabalho realizado na Educação Pública, recebeu diversos prêmios importantes, entre eles: Professores do Brasil 2018, Desafio de Aprendizagem Criativa do MIT 2019, Medalha de Pacificadores da ONU 2019 e considerada uma 10 melhores Professoras do Mundo pelo Global Teacher Prize 2019, Nobel da Educação.

Para gestores: como apoiar os professores em momentos de crise?

By | ATIVAR | No Comments

Os anos de 2020 e 2021 certamente foram e serão por muito tempo os anos mais desafiadores de nossas carreiras. Estivemos envolvidos em mudanças que transformaram as nossas relações sociais, nossa vida pessoal e profissional. Lembro do turbilhão que foi o ano de 2020 quando as escolas começaram a fechar: eram professores de todo o país me procurando para pedir socorro, montar um plano estratégico, planejar com eficiência e adaptação.

Mais de um ano depois, o que encontramos é um cenário em que os estudantes estão cansados e professores tentando processar toda essa informação. Surgiram até novos conceitos como “fadiga de zoom”, que é o cansaço provocado pelo tempo de tela, em reuniões ou aulas online, por exemplo, em que ficamos o tempo todo nos visualizando e sendo vistos. Dentro deste panorama, sabemos de toda a movimentação que a escola como um todo precisou realizar, em maior ou menor grau. Muitos professores tiveram de revolucionar suas práticas, planejando aulas em um formato que nunca pensaram executar e que claro, não foram formados para isso.

Esse caráter de emergência abateu todos nós: pais, famílias, estudantes, professores, coordenadores, orientadores e toda a comunidade escolar. É nesse sentido, que algumas escolas e eventos em todo o mundo têm pensado em ações que apoiem não somente os estudantes, mas também os docentes, que têm se empenhado em realizar o melhor, com as ferramentas que têm acesso. Por isso, trago algumas ideias bastante simples, mas efetivas no apoio e construção de uma cultura institucional que valoriza a saúde mental de seus colaboradores, que apoia, acolhe e reserva momentos para deixar essa comunicação clara a todos: a de que um de seus pilares é o da troca, do suporte e apoio.

  1. A escola Arcadia High School de Los Angeles criou questionários para conhecer as demandas dos professores: que dificuldades estavam enfrentando e disponibilizaram programas para eles, baseado nos seus interesses. Assim, chamaram professor de ioga uma vez por semana na escola, bem como psicólogos, especialistas em atenção plena, psicologia positiva, etc. Tudo baseado nos interesses dos professores e não numa decisão unilateral da escola.

2. Na escola Fall-Hamilton Elementary, em Nashville, criaram uma estratégia chamada “tap-in tap-out” que é um código que o professor (quando sente que as coisas estão fugindo de seu controle) envia para outro colega ou coordenador, que vai até a sua sala substituí-lo por 5 minutos para respirar e voltar aos trilhos. A ideia é: conte com seu colega.

3. Muitas escolas em todo o mundo estão fazendo: checkins matinais. Aquele encontro de toda a equipe, para tomar um café, receber uma mensagem carinhosa, compartilhar um sentimento, estreitar os laços. É o momento de promover união e apoio a todos, trocar ideias, receber e dar sugestões e mostrar-se atento (a) à equipe.

A construção de atitudes simples como essas, que podem ser adaptadas para cada realidade, é fundamental para construção de um ambiente escolar acolhedor, que preza pela qualidade e excelência do que produz, valorizando pessoas. E esses momentos de troca e apoio se valem entre professor-aluno, professor-professor, professor-gestores e suas trocas mútuas, pois também os gestores precisam de apoio e compreensão. É por isso que uma cultura escolar saudável, tem em sua pauta o diálogo mútuo entre todos os envolvidos.

Um grande abraço digital,

Profa. Emilly Fidelix | @seligaprof

Sobre a autora do post

Emilly Fidelix

Emilly Fidelix

Colunista

Emilly Fidelix é criadora do @seligaprof, onde impacta milhares de professores de todo o Brasil, palestrante e formadora de professores. É doutoranda em História Cultural (UFSC), especialista em Tecnologias, Comunicação e Técnicas de Ensino (UTFPR), colunista no blog Redes Moderna e professora de pós-graduação no Instituto Singularidades. Atua nas áreas de metodologias ativas, storytelling aplicado à educação e BNCC.

Autores queridos na leitura em família

By | LITERATURA COM MARIA JOSÉ NÓBREGA | No Comments

Apaixonar-se por escritores é um comportamento leitor. Quem nunca aguardou ansiosamente o lançamento do novo livro de um escritor querido!

A convivência com a voz literária de quem se ama cria e constrói intimidade, vontade de estar junto saboreando as novas histórias que ele tem para contar.

Agora, quando a voz de alguém querido lê um livro de um escritor ou escritora que se ama, aí é uma imensidão de afeto.

Por essa razão hoje vamos falar de autores queridos na leitura em família!

Mazé Nóbrega

Sobre a autora do post

Maria José Nóbrega

Maria José Nóbrega

Colunista

Formada em Língua e Literatura Vernáculas pela PUC/SP, com mestrado em Filologia e Língua Portuguesa pela USP, atuou em programas de formação continuada junto ao MEC, à SEE de São Paulo e à SME de Florianópolis e de São Paulo. Compôs a equipe de elaboração dos Parâmetros Curriculares Nacionais, terceiro e quarto ciclos (1998); coordenou a equipe de Língua Portuguesa das Orientações curriculares e proposição de expectativas de aprendizagem para o ensino fundamental: ciclo I e II – SME de São Paulo (2007); integrou a equipe de elaboração da Proposta Curricular de Língua Portuguesa, do 1º ao 5º ano da SEE do Ceará (2014). Atuou como pesquisadora do Projeto “Currículos para os anos finais do ensino fundamental: concepções, modos de implantação, usos”, desenvolvido pelo Cenpec – Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (2015). Foi assessora do Projeto Planos de Aula da Nova Escola.

Atualmente, além de assessorar várias escolas particulares de São Paulo, é coordenadora dos projetos de leitura da Editora Moderna, organizadora da série “Como eu Ensino” da Editora Melhoramentos, professora do curso de Especialização em Formação de Escritores / Instituto Superior de Educação Vera Cruz e do curso O livro para a infância: processos de criação, circulação e mediação contemporâneos / A Casa Tombada.

Educação antirracista, sim é possível

By | Educação inovadora | No Comments

Quero começar esse texto, diferente de todos os outros e dizendo: temos a missão de combater qualquer forma de discriminação e ressaltar a importância de uma educação antirracista! 

É preciso corrigir anos de desigualdades e políticas de exclusão em que é necessário o fortalecimento da representatividade e de movimentos negro e o reconhecimento que ao longo da história erramos. Desconstruir a história que por muito tempo foi vista nos livros didáticos e que permeou a construção da ideia de nação, racismo científico com a superioridade genética, construto social e políticas de embranquecimento. 

 Temos que combater as diferentes formas de racismo: estrutural, institucional e individual. É necessário um aprofundamento macro, micro e educacional. Nossos estudantes são alvos de machismo e racismo, em que diariamente travam lutas pelo direito de existir, de ser e de reconhecido como um individuo dentro da sociedade.  

Dados recentes realizados pelo IEDE (Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional) a pedido da Folha de São Paulo, apontam que estudantes negros tem desempenho de dois anos a menos de aprendizado que estudantes brancos já nos anos iniciais.  

Os estudantes negros possuem um menor acesso a educação e suporte pedagógico. E quando olhamos para o ensino médio esses dados são alarmantes, como mostram dados do PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), em que 44% de  jovens negros não finalizam o ensino médio e 33% de jovens negras não chegam a realizar essa etapa de ensino, sem contar dados sobre a mortalidade e violência. Compreender esses dados e ter a oportunidade de mudar essa realidade e combatê-la também em sala de aula.  

São recentes nossas políticas públicas, conforme abaixo e necessitam ser valorizadas. 

A educação tem o papel central de permitir que formemos estudantes para que não sofram com limitações dos estereótipos de gênero, visando educá-los desde as bases para que possam exercer o protagonismo da sua história.  

Para Naomy Oliveira, Professora e Gestora de Inovação na Escola de Formação de Profissionais do Estado de São Paulo (EFAPE) da SEDUC-SP, a educação é a principal arma na luta contra o racismo, tanto na formação de jovens antirracistas como no desenvolvimento dos jovens negros, que muitas vezes têm apenas no ambiente escolar a oportunidade de desenvolver e lutar pelos seus projetos de vida.  

Todo trabalho de formação Antirracista dos profissionais da Educação hoje desenvolvido pela EFAPE tem como objetivo transformar a escola nesse ambiente seguro, efetivamente antirracista e que alcance muito além da Pedagogia de eventos, onde a pauta Antirracista é lembrada apenas em novembro.  

Não basta apenas garantir infraestrutura e acesso à tecnologia, é necessário que isso venha acompanhado de mudanças profundas de pensamento crítico, senso de ética e valores integrais, para que nossos estudantes sejam capazes de questionar os paradigmas que nos trouxeram até aqui, os acolhendo e convivendo com as diversidades.  

Educação Antirracista 

A Educação tem o papel fundamental de consolidar uma sociedade antirracista. Temos marcas profundas adquiridas em mais de 300 anos de escravidão, que ocultaram a história, relações e costumes dos povos negros. É através da educação que temos a possibilidade concreta de transformar essa realidade e fazer um reparo social e histórico.   

Abordar o letramento racial e desenvolver uma educação antirracista promove relações saudáveis e valoriza a nossa própria história e cultura. Nossos estudantes têm o direito de conhecer sobre suas origens, antepassados e, principalmente, de acessar recursos para criticar e combater o racismo estrutural. A seguir, vamos conhecer juntos alguns desses caminhos?  

Combater o racismo estrutural 

 Reconhecer o racismo estrutural é a primeira maneira de combatê-lo. Estudar, pesquisar sobre o assunto, trazer artigos de opiniões, vídeos, é essencial para professores e estudantes para efetivar o trabalho na sala de aula.  Um vídeo que pode ser trabalhado com os estudantes é Vista Minha Pele, que traz a questão do racismo sob uma outra ótica, além de reflexões interessantes. Outra forma de abordagem é através de obras literárias, que o professor pode trazer no momento inicial da aula ou da maneira que achar mais adequada à proposta pedagógica. 

 Valorizar o currículo 

A lei 11.645/2008 representou um grande avanço, ao incluir a história e a cultura afro-brasileira e indígena como temáticas obrigatórias ao currículo da educação básica. Para além da lei, é necessário trabalhar o tema de forma transversal. Um bom exemplo disso são as trilhas de Educação antirracista realizadas pelo Centro de Inovação da Educação Básica de São Paulo, que atualmente sou a Coordenadora em fazemos aprofundamentos sobre temas e traz a proposta da aprendizagem “mão na massa”.  

Temos uma vasta gama de obras que precisam ser trabalhados em sala de aula. O livro “O Mundo no Black Power de Tayó”, da autora Kiusam de Oliveira, apresenta Tayó, uma menina negra que tem orgulho do cabelo afro com penteado black power, enfeitando-o das mais diversas formas. A autora apresenta uma personagem cheia de autoestima, capaz de enfrentar as agressões dos colegas de classe e de combater o racismo. Abaixo, elencamos algumas outras sugestões:  

  • Pequeno Dicionário Antirracista – Djamila Ribeiro 
  • Mulheres, Raça e Classe - Angela Davis 
  • Olhares Negros: Raça e representação - Bell Hooks 
  • Na Minha Pele - Lázaro Ramos 

Representatividade 

O trabalho sobre a representatividade tem o intuito de resgatar a história dos estudantes e da comunidade escolar, de modo que ajuda a trazer o sentimento de pertencimento aos alunos. Em uma das muitas atividades que realizei com os estudantes, uma sempre tinha destaque no meu planejamento. Tratava-se de um “Museu de Memórias Itinerantes”, em que os estudantes organizavam um espaço na escola, para que pudessem construir um memorial aberto à comunidade, com depoimentos, histórias e objetos. Era, assim, um espaço para se reconhecerem e preservarem suas histórias, bem como falarem sobre a juventude negra e os desafios que enfrentam no cotidiano.  

 A educação antirracista é um trabalho contínuo, que precisa ser realizado sempre, cercado de escutas ativas e acolhimento. A escola possui o poder de transformar a sociedade, que precisa caminhar para uma educação integral, pautada na excelência e equidade. 

Um abraço, 

Débora 

 

Sobre a autora do post

Débora Garofalo

Débora Garofalo

Colunista

Débora Garofalo é formada em Letras e Pedagogia, com especialização em Língua Portuguesa pela Unicamp, Mestra em Educação pela PUC-SP e FabLearn Fellow, Columbia, EUA. Professora há 16 anos da rede pública de SP, sendo idealizadora do trabalho de Robótica com Sucata que se tornou uma política pública. Atualmente é Coordenadora do Centro de Inovação da Secretaria Estadual de Educação do Estado de São Paulo e colunista do blog Redes na coluna Edução Inovadora na Editora Moderna.

Integrante da comissão de Direitos Humanos da Cidade de São Paulo e Palestrante em grandes eventos Nacionais e Internacionais entre eles, Latinoware, Campus Party, Bett Educar, Harvard, EUA, Oxford em Londres, Buenos Aires na Argentina, Ecole Polytechnique, França. Pelo trabalho realizado na Educação Pública, recebeu diversos prêmios importantes, entre eles: Professores do Brasil 2018, Desafio de Aprendizagem Criativa do MIT 2019, Medalha de Pacificadores da ONU 2019 e considerada uma 10 melhores Professoras do Mundo pelo Global Teacher Prize 2019, Nobel da Educação.