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Como motivar os alunos a participarem ativamente das aulas online?

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Essa é o questionamento de muitos de nós professores, professoras e a reclamação é geral: “Eles estão desmotivados, não abrem as câmeras, não respondem!”

São muitos os fatores que podem influenciar essa situação, alguns deles são fatores externos a escola, mas outros estão diretamente ligados a metodologia adotada por nós, em nossas aulas. Não dá mais para propor aulas, seja presencial  e ou online, onde o papel do aluno se limite a responder as perguntas, ouvir a leitura do professor, sem  interação e conversas entre eles, sem atividades colaborativas, sem autonomia dos nossos estudantes.

Atividades colaborativas para participação ativa dos alunos!

Uma boa forma de mudar esse panorama é começar planejando  e propondo a sua turma , atividades coletivas e colaborativas, que exija a participação ativa de seus alunos e não precisa começar com grandes projetos. Vá experimentando devagar, fazendo ajustes se necessário e quando você menos esperar vai se surpreender com a participação deles. Depois é só ir incorporando essas atividades no planejamento maior, no ensino híbrido por exemplo.

Compartilho com vocês algumas práticas que já desenvolvi em sala de aula, que podem inspirar o seu planejamento e trazer a participação dos alunos. Na minha turma, alunos de 9 e 10 anos, foi sucesso de participação e de aprendizagem!

Murais interativos.  Você sabia que…?

Tema: Animais em extinção no Brasil

Recursos tecnológicos: Teams e lousa digital Jamboard

A proposta foi construir coletivamente, com a participação de todos, um mural digital com informações sobre animais brasileiros em extinção. Para isso, os alunos foram orientados a escolher o animal, a fazer a pesquisa sobre ele, sobre características gerais e motivos que o levaram a entrar na lista de animais que correm o risco de desaparecer. A partir da pesquisa, feita por alguns em casa, por outros na escola, na internet e em livros. Foi disponibilizado a eles uma ficha técnica que deveriam preencher sobre o animal escolhido. A ficha técnica foi impressa, mas pode-se apresentar no Google forms, por exemplo. Depois dessas etapas, em aulas no Teams, começamos a produção do Mural na lousa Jamboard. Envie o link da lousa, compartilhei no formato em que todos pudessem editar, ou seja que todos pudessem dar sua colaboração. Na primeira aula com a lousa, expliquei e deixei que todos experimentassem  e descobrissem os recursos. Foi uma loucura! Rapidamente aprenderam a usar e se encantaram com as possibilidades. Escreveram, colocaram fotos, desenharam, criaram notas adesivas etc. Então, depois dessa exploração entrei propriamente na atividade do mural, apresentando a eles informações sobre um animal pesquisado, em formato “você sabia que?” e um verbete de enciclopédia. Também conversamos  sobre o papel de cada um na composição coletiva do grupo, o respeito ao trabalho do outro e sobre o grande potencial de criação quando fazemos juntos. A primeira colaboração de cada um foi feita de forma simultânea, com minhas orientações e intervenções diretas, esclarecendo dúvidas, orientando ajustes na escrita, entre outras coisas, na aula online. Em combinação com o uso do Teams, os alunos leram suas escritas, explicaram sobre o animal e palpitaram na produção do outro. Mas depois a lousa ficou aberta, mesmo em outros horários, para que eles pudessem continuar a colocar suas contribuições. Em outras aulas no Teams, fomos lendo e vendo o mural surgir lindo, com muita informação, com textos (curiosidades e verbetes) e fotos ilustrativas. Fechamos com uma análise geral dos motivos que levaram os alunos a entra na lista de animais em extinção. O mural foi compartilhado com a equipe escolar.

https://www.microsoft.com/pt-br/microsoft-teams/log-in

https://play.google.com/store/apps/details?id=com.google.android.apps.jam&hl=pt_BR&gl=US

Veja abaixo o recorte de duas partes do nosso mural:

Indicações literárias no Padlet!

Seguindo os mesmos caminhos do aprendizado e uso da Jamboard, apresentei e ensinei meus alunos a usarem o Padlet, para criar um mural agora de indicações literárias da turma. Resumindo os passos: Apresentei a proposta de criação do mural; Com o Teams  apresentei o Padlet e deixei que experimentassem  todo os recursos Como criar uma “janelinha”, com textos, imagens e links no Padlet; Disponibilizei  alguns  modelos dentre as muitas possibilidades de fazer uma indicação literárias; Os alunos começaram a criar suas primeiras indicações dentro do Mural digital em nossa aula virtual; O mural ficou disponível por alguns dias para que todos os alunos, mesmo sem a professora, pudessem criar; Dúvidas e outras orientações foram dadas também pelo WhatsApp. Assim, construímos um mural maravilhoso, que está em permanente transformação,  que motivou além da participação, ainda mais interesse pela leitura entre os alunos!

https://pt-br.padlet.com/

Playlist da turma, via Spotify

Presentes digitais para o “Dia das Mães!”, com o uso do Canva, Spotify e Teams!

Tempos novos, novas necessidades e novos formatos, por isso o presente dos alunos para as mães esse ano, foi todo construído colaborativamente e no formato digital! Os alunos criaram um diploma personalizado usando o Canva, uma playlist de músicas no Spotify , que foram enviados a cada mãe , no seu dia, via WhatsApp. Para as músicas, também criei uma pequena chamada em vídeo/áudio, como abertura de um programa de rádio especialmente para o Dia das Mães. Elas adoraram!  Para criar o diploma da mamãe, compartilhei na aula no Teams, o Canva, que é uma plataforma de design gráfico e que permite  criar diversas produções de escrita, de vídeo, e muito mais, com os alunos.

Para o diploma, fui a escriba da turma, escrevendo e fazendo toda a formatação com as orientações de todos os alunos. Texto, imagens, formatos, cores, designer todo foi escolha deles. Foi possível também personalizar cada diploma com o nome da mãe de cada um. Fiz um cadastro gratuito no Canva e meus alunos usufruíram dessa minha conta, pois são pequenos ainda para ter uma conta no próprio nome, mas isso não impediu de criarem e usarem a criatividade. Ao final, como não usamos recursos Premium, de conta paga, pudemos fazer o download gratuito de cada diploma em formato em PDF, que foi enviado via WhatsApp. Com o Spotify disponibilizei o link da playlist criada com as músicas de cada um, enviadas as mães. Foi realmente lindo e emocionante!

Playlist da turma:

https://open.spotify.com/playlist/5v2p0i4xNrPuCgdyG4zsAV?si=5b63db642f6f43a4

https://www.canva.com/pt_br/

https://www.spotify.com/br/

Uso também o Mentimeter para criar enquetes e atividades colaborativas, em formato de nuvens de palavras com os alunos, como atividades dentro de um projeto maior no planejamento das aulas da turma.

Quantas as possibilidades, não é? Imaginem o que vocês, queridos colegas, professores e professoras, podem propor e realizar com seus alunos nesse formato de atividades colaborativas! Online ou mesmo presenciais  Depois que se sentirem seguros em realizá-las, vá ampliando propondo simultaneamente  ou ao final, com as atividades coletivas, outras complementares individuais que possam enriquecer ainda mais o processo de aprendizagem dos alunos. Depois, como já disse, incorpore-as no seu planejamento como um todo.

Finalizo com os resultados de minha turma! Mais alunos participando de forma ativa das aulas online! Câmeras abertas, mãos levantadas, explicação deles para outros, apropriação do uso dos recursos tecnológicos pelos alunos em produções autorais, com monitoria das famílias, no uso da Jambord e do Padlet, que ultrapassaram o uso da sala de aula. Mais entendimento, interação , compartilhamento de saberes  e aprendizado de todos!

Garanto a vocês! Depois que começarem a propor em suas aulas atividades coletivas e colaborativas, nem você e nem seus alunos vão querer voltar as aulas passivas!

Um grande abraço! Muito estudo e boa sorte nas suas aulas!

Mara Mansani

 

Sobre a autora do post

Mara Mansani

Mara Mansani

Colunista

Professora há quase 30 anos, lecionou em vários segmentos, da Educação Infantil ao 5º ano do Ensino Fundamental, passando também pela Educação de Jovens e Adultos (EJA). Recebeu o Prêmio Educador Nota 10, na área de Alfabetização, com o projeto Escrevendo com Lengalenga.

Propondo atividades de alfabetização com o uso de QR Codes

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Que tal surpreender seus alunos na alfabetização com desafios que envolvam escritas, leituras e oralidade? A proposta é criar QR Codes recheados de atividades, para complementar e contribuir no processo de alfabetização dos seus alunos. Junto com os códigos, além das atividades, vão as orientações para o desenvolvimento em casa com o apoio e acompanhamento direto das famílias.

Você pode propor um desafio para cada dia da semana, nesse formato as atividades devem ser curtas, que não demandem muito tempo e complexidade na realização para não sobrecarregar com as demais tarefas dos alunos, mas é possível propor também apenas um desafio a cada semana ou quinzenalmente, dessa vez mais elaborados e que exijam mais da participação das crianças, mas independentemente do formato escolhido, de acordo com a realidade de sua turma, procure combiná-los de forma que complementem e reforcem o estudo desenvolvido em sala de aula.

Mas porque usar o QR Code nessa programação de atividades?

QR Code (Quick Response Code), código de resposta rápida, é uma evolução do código de barras. Hoje em dia são super fáceis de criar. Se ainda não experimentou na educação, eu recomendo, pois dá para criar muitas práticas criativas e interessantes com esses códigos.

Além de ser uma linguagem dos nossos tempos, que já faz parte das nossas vidas, sendo usado na apresentação de diversos produtos e informações gerais no nosso dia a dia, como panfletos de mercados, em programas de televisão, em cardápios, em etiquetas de roupas, em livros didáticos, lugares turísticos e etc., o QR facilita o envio das atividades as famílias, pois agrupa as informações de suporte a aplicação, é rápido o acesso, sem contar que há ainda o fator surpresa que o envolve, afinal, sejam crianças ou adultos, todos ficam curiosos em saber o está escondido atrás do código. Isso também motiva a participação e envolvimento de todos.

Os desafios propostos podem ser variados, para isso você, professora, professor, alfabetizadores, precisam levar em conta as necessidades de aprendizagem da sua turma, relacionados a habilidades a serem desenvolvidas.

Veja algumas possibilidades de desafios:

DESAFIO 1: Adivinha. O que é, o que é?

Nessa atividade as crianças são desafiadas a encontrar e escrever a resposta da adivinha sobre um animal (PAPAGAIO) e a gravar em vídeo uma outra para compartilhar com os colegas da turma. No arquivo em formato PDF, estão a atividade, as orientações a família para a realização com a criança e um conteúdo extra, texto informativo, para ler com a criança.

Para criar o QR Code, armazene o arquivo do desafio no Google Drive, ou em outro armazenador, que você costuma usar. Se for no Google Drive, selecione a opção leitor (Qualquer pessoa na Internet com este link pode ver). Em qualquer deles, copie o link de compartilhamento. Escolha um site gratuito para a criação do código, para o desafio acima usei o QR Code Generator. Cole o link, faça o download do código criado e compartilhe com as famílias, nos canais de comunicação, se necessário as oriente sobre leitores de QR Code. https://br.qr-code-generator.com/

Veja no código a abaixo o arquivo do desafio 1: adivinha, na íntegra, que apresento como um modelo possível.

Você pode também propor outros desafios como os que sugiro abaixo:

Além da atividade e das orientações as famílias, coloque sempre que possível um material extra complementar que possa levar mais conhecimento as crianças e sua família. Pode ser algo que explore o tema da atividade ou que tenha alguma relação com ela.

Você pode propor sequências didáticas, gincanas culturais, trilhas de aprendizagem, em todas as disciplinas e muito mais, tudo isso com o uso do QR Code. É só aliar objetivos, intencionalidade pedagógica, criatividade e uma vontade de experimentar e fazer diferente, com foco na aprendizagem dos nossos alunos.

Em outro post, aqui na olhares, vou compartilhar com vocês uma trilha literária para realizar com os alunos, usando as paredes e espaços da escola.

Um grande abraço e até a próxima,

Mara Mansani

Sobre a autora do post

Mara Mansani

Mara Mansani

Colunista

Professora há quase 30 anos, lecionou em vários segmentos, da Educação Infantil ao 5º ano do Ensino Fundamental, passando também pela Educação de Jovens e Adultos (EJA). Recebeu o Prêmio Educador Nota 10, na área de Alfabetização, com o projeto Escrevendo com Lengalenga.

Educação, arte e cultura e caminhos para a aprendizagem

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A educação pode romper barreiras e ultrapassar os limites da nossa sala de aula, seja na alfabetização ou outro segmento. Há um mundo todo a ser explorado, onde diferentes narrativas e linguagens se misturam, se interligam, onde a educação, arte e cultura, são um trio poderoso para a aprendizagem dos nossos estudantes. Dessa forma, o mundo é uma imensa sala de aula, um imenso laboratório para conhecer, experimentar e aprender!

Para inspirar vocês, professores e professoras, alfabetizadores, a pensarem e programarem em suas aulas propostas que vão além das atividades escolares, que motivem seus alunos a fazer descobertas, trago aqui algumas possibilidades:

Cantar e se encantar!

Você tem explorado a música em suas aulas? Já enviou uma playlist bem bacana para eles? Quando foi a última vez que você cantou com seus alunos? Ainda está pensando que isso é só com o professor especialista na área de arte?

Ao responder essas perguntas talvez vocês professores, também percebam que nem sempre essa atividade tão prazerosa, que nos faz tão bem, está presente em nossos planejamentos. Em tempos de pandemia o “quem canta seus males espanta”, nunca fez tanto sentido. Como é bom cantar com os pequenos. É uma alegria contagiante que envolve a todos! Então, nada melhor que oferecer a eles suas propostas e sugestões musicais, para curtir em sala de aula, virtual ou presencial, e no contexto familiar.

Ofereça a eles uma playlist bem especial, para montar uma programação de cantoria para todo o ano. Veja abaixo essa sugestão de playlist gratuita, de MPB para crianças. Tenho certeza de que você também vai gostar, e vai cantar muito, pois é maravilhosa! São 107 músicas para você selecionar e montar a playlist para os alunos. Mas você pode propor também que as crianças criem suas próprias playlists, por exemplo: músicas para brincar; para relaxar; para ser feliz etc.

MPB para crianças: https://open.spotify.com/playlist/37i9dQZF1DXbnTV8GtwMLQ

Fazendo música!

Mas que tal as crianças produzirem suas próprias músicas? Mandem para seus alunos o link desse aplicativo, o Chrome Music Lab. É incrível! Usando um celular (com o toque de um dedo) ou computador ( usando o mouse), dá para tocar diferentes instrumentos em formato digital, gravar e fazer download de suas composições. Além de super divertido, o aplicativo é colorido, bonito, com cara de criança, tudo muito intuito, fácil de usar e com muitas variações de estilos musicais, instrumentos, em diferentes apresentações. Nossas crianças, de consumidores a produtores. Você pode propor uma grande apresentação da turma! Em sala de aula isso pode apoiar e estimular as crianças na criação de seus próprios instrumentos com sucata , por exemplo.

https://musiclab.chromeexperiments.com/Experiments

Teatro para todos!

Seus alunos já foram ao teatro? Infelizmente essa não é a realidade da maioria dos alunos do Brasil. O melhor é ir presencialmente, mas podemos também levar um pouco da magia do teatro para as nossas crianças, em formato digital, o que pode se tornar uma atividade cultural permanente na rotina em nossas aulas.

Na Internet há várias opções gratuitas, mas deixo aqui duas, que tenho certeza você e seus alunos vão adorar. Aproveite para propor aos alunos a encenação de pequenas peças. Que tal encenar com eles a história da “Dona Baratinha” ou a “Festa no céu”, para começar.

· A Bela Adormecida | Mostra Giramundo 50 anos| https://youtu.be/yLhWbN8AWkY

· Tá na hora do Teatro – Cia Arte & Manhas| https://www.youtube.com/channel/UCn0kXgFQr4r91FycGnAidqA/featured

Fotografia através dos olhos de nossas crianças!

A fotografia em sala de aula não é novidade. As próprias crianças já fotografam antes mesmo de entrar na escola, em família, usando o celular dos pais e ou responsáveis, quando não o seu mesmo. Mas podemos ampliar as possibilidades do uso da fotografia, valorizando os “olhares” das nossas crianças, nossos alunos. Um celular para fotografar junto com um questionamento aos alunos, pode favorecer reflexões e trazer grandes revelações para o debate.

Por exemplo: Fotografe , “O que você gosta e o que não gosta em nossa escola?”

Essa forma de explorar a fotografia como registro trazendo o olhar sensível das crianças, é uma das ações do projeto Observatório da Primeira Infância, onde elas são convidadas a fotografar sua cidade registrando aquilo que elas gostam ou não durante uma caminhada. Imaginem como pode ser revelador enxergar a cidade pela perspectiva delas, para planejamento e gestão da cidade.

Mas também é riquíssimo explorar o olhar da criança na fotografia na arte. Você pode sugerir que fotografem dentro de um determinado tema, que se fotografem para uma exposição virtual ou presencial, e apresentar a elas como as crianças vem sendo retratadas no mundo através da arte. São muitas as possibilidades.  

Essas propostas são uma pequena amostra dentro das muitas que a combinação educação, arte e cultura pode proporcionar. A partir delas, na alfabetização ou em outro segmento, podemos conjuntamente explorar a leitura, a escrita, a interpretação, em atividades em todo as etapas de desenvolvimento. Por exemplo, escrever os nomes das músicas na playlist musical, fazer legendas para as fotos, ler os diálogos dos personagens na peça teatral, fazer também o registro escrito do que descobriu ao fotografar, e muito muito mais.

Esse é o movimento:

Conhecer – experimentar – refletir – criar – aprender

E vocês professoras, professores, o que vem fazendo e explorando nessa imensa sala de aula que o mundo nos proporciona? Espero que gostem das minhas sugestões. Penso que a aprendizagem, o conhecimento, vem do ver e sentir o mundo com os olhos da educação, arte e cultura.

Ainda vamos ver, aqui na Olhares, o cinema, a literatura, a dança, artes plásticas, em propostas para explorar e experimentar com os alunos.

Um forte abraço e até a próxima! Muito obrigada!

Mara Mansani 

Sobre a autora do post

Mara Mansani

Mara Mansani

Colunista

Professora há quase 30 anos, lecionou em vários segmentos, da Educação Infantil ao 5º ano do Ensino Fundamental, passando também pela Educação de Jovens e Adultos (EJA). Recebeu o Prêmio Educador Nota 10, na área de Alfabetização, com o projeto Escrevendo com Lengalenga.

Recursos tecnológicos no planejamento e preparo das aulas na alfabetização

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Quanto aprendizado para todos nessa pandemia. Na educação então, nem se fala! Mudou forma como pensamos, planejamos e fazemos ela acontecer. Passamos das aulas presenciais, para aulas no ensino remoto no contexto familiar e agora estamos nessa transição para o ensino híbrido, o que nos mostra que temos ainda muito o que aprenderpara uma  virada e transformação para  mais qualidade e aprendizagem de todos os alunos. 

No passado, não muito distante, para a preparação de aulas, tínhamos cadernos  de planejamento os famosos “Semanários”, que continham as atividades que seriam realizadas em sala de aula. Depois com a distribuição dos livros didáticos pelo Ministério da Educação, passamos a ter mais uma ferramenta, que oferecia um guia, que seguíamos da primeira à última página, com passar dos tempos muitos professores passaram a usar as rotinas pedagógicas e outras formas e estratégias para o planejamento das aulas 

Agora, no século 21, temos um currículo construído e alinhado a BNCC, que traz competências e habilidades a serem desenvolvidas, indicando um rumo no processo de aprendizagem dos nossos estudantes. Novos tempos que trazem a necessidade do uso de diferentes metodologias, estratégias e novas ferramentas, que agora são combinadas também com algumas conhecidas e usadas, como os próprios livros didáticos. 

Atualmente, para planejar minhas aulas na alfabetização levo em conta alguns elementos: 

  • O que meus alunos já sabem e o que  eles ainda precisam aprender. 
  • Devido a pandemia, as  habilidades prioritárias  que serão desenvolvidas nesse período. 
  • Quais os canais de interação, de comunicação e tecnologias que meus alunos têm acesso. 
  • O que é possível fazer em parceria com as famílias para os estudos dos alunos. 
  • Quais  ferramentas tecnológicas posso usar em minhas aulas. 
  • O que minha Rede de Ensino oferece como apoio. 
  • Isso tudo, sem deixar de lado as questões de saúde física e emocional dos meus alunos. 

Juntando os meus aprendizados, as novas demandas e as necessidades na alfabetização dos meus alunos, chego à conclusão de que realmente, não bastam mais uma caneta e um caderno, como no início da minha carreira como professora alfabetizadora, para preparar e planejar minhas aulas. São novos tempos, que exigem ainda mais estudos, foco e criatividade  do professor.  

Compartilho com vocês algumas ferramentas  que aprendi usar, outras que estou experimentado  para o planejamento das  minhas aulas na alfabetização e que agora fazem parte da minha rotina.

Gravação das aulas

Meus alunos da alfabetização, estão no ensino remoto no contexto familiar. Devido a realidade local, recebem  quinzenalmente apostilas de atividades no formato impresso. As apostilas são criadas coletivamente com minhas colegas alfabetizadoras de 1º ano de minha escola, sempre levando em conta os elementos que falei. Tenho também um grupo de WhatsApp da turma, onde envio orientações escritas, áudios, conteúdos culturais e diariamente vídeos explicativos com o passo a passo para a realização das atividades. Os vídeos são gravados a partir da tela do computador, usando alguns recursos: 

  • Lousa Digital  

Microsoft Whiteboard 

Whiteboard é uma lousa digital, gratuita, onde posso abrir documentos, em diferentes formatos como o PDF das apostilas, fotos, criar notas adesivas, caixas de texto etc. Na gravação da aula, na lousa, vou apresentando as atividades, fazendo perguntas que levem a reflexão, explicando como se estivesse falando com as crianças, por exemplo: “Com que letra começa o nome dessa fruta?” ,(espero uns segundos e contínuo), “Isso mesmo a letra…!” Nas atividades uso os pincéis disponíveis na lousa para escrever, circular, indicar leituras, e tudo mais. Amplio ou diminuo as atividades. Essa é uma forma de minimizar as dificuldades  na alfabetização no ensino remoto. Pois de certa forma consigo dar as orientações adequadas para as crianças, que antes dependiam e contavam apenas com suas famílias, ou seja, isso tudo facilita o entendimento para o responsável que está apoiando as atividades em casa e principalmente para  as crianças. Mas  o uso das lousas digitais são ainda melhores para aulas online, onde você pode propor atividades interativas e colaborativas. E olha que é muito fácil usá-las, tudo intuitivo, mas se precisar na Internet tem tutorias para explorar o máximo esse recurso. Outra lousa digital que gosto de usar é a Jamboard da Google, com acesso fácil pelo gmail. Ela também é ótima para atividades online ou para preparar as que serão impressas , que podem ser baixadas no formato PDF ou imagem. Com intencionalidade pedagógica e  criatividade, dá para criar inúmeras atividades. No ensino remoto, essa foi a forma que encontrei para apoiar as aulas, em combinação com o  uso do WhatsApp.  

  • Gravação de aula 

Para gravar as aulas na lousa digital, que serão enviadas no grupo da turma, uso o programa Xbox game bar disponível no Windows 10, no meu computador, de forma gratuita. É bem simples e muito fácil de usar. Aperto e seguro a tecla do Windows e  a tecla G, simultaneamente no teclado. Fazendo isso  aparece na tela o quadro de captura para a gravação. Se for seu caso, experimente aí no seu computadorConfiguro o áudio, ponho para gravar e pronto. Com esse recurso posso gravar qualquer coisa na tela do computador, não só as aulas na lousa. Com ele gravo minha fala sem  aparecer, mas há outros aplicativos com ainda mais recursos para a gravação, como Obsproject  ou o Ocam. 

  • Comprimindo vídeos para o WhatsApp 

Se o vídeo fica muito pesado para mandar pelo WhatsApp, comprimo online no site Clideo. 

Gosto de usar esse site para comprimir vídeos, também pela facilidade, porque não preciso me cadastrar para isso.  

Mas tenha claro que não é a lousa e o recurso de gravação o ponto mais importante! O que conta é a intencionalidade, o que precisamos explorar com os alunos, e o nosso planejamento. Recursos tecnológicos são meios e não fim! 

  

  • Legendas nos vídeos 
  •  Outro recurso que venho experimentando é o de colocar legendas em vídeos, para uma aula mais especial ou temática, gravados pelo celular, ou na tela do computador. Sempre vídeos curtos, compactos, com poucos minutos. A proposta é usá-los como complemento para estudo do conteúdo a ser explorado e não deixar os alunos por tempos longos e desnecessários  em frente a telas. Dá para gravar por exemplo, um vídeo para uma aula sobre desperdício de alimentos no nosso dia a dia, como tema para a escrita de uma campanha de conscientização na alfabetização. Tenho usado o Veed.io, para criação das legendas , um aplicativo online também sem necessidade de se registrar no site. Dá para editar corrigindo alguma palavra na legenda. As legendas em vídeos funcionam mais para alunos em continuidade e consolidação  da alfabetização, seja no 1º,n o 2º e ou 3º ano,  facilitando e apoiando o entendimento  do conteúdo, onde eles podem também  relacionar o falado ao escrito. Mas dá também para criar muitas atividades  de leitura e escrita na alfabetização usando as legendas usando por exemplo o Powerpoint.  
  • Criando sua própria fonte de escrita na alfabetização. 

Para outra turma de alunos, nas aulas online pelo aplicativo Teams, no ensino remoto e como complemento as aulas no retorno presencial, nas atividades apresentadas, uso fontes cursivas digitais. Alguns alunos estavam em transição da letra bastão mais apropriada para alfabetizar para a escrita cursiva. Essa transição pode causar muita confusão e dificuldades nas escritas dos alunos. O bacana é que no meio digital, em segundos, transformamos o formato da fonte, atendendo as necessidades de todos os alunos. A novidade agora é que pude criar também minha própria letra cursiva, minha  fonte para uso no computador, exatamente como costumo escrever em sala de aula. O site Calligrafhr oferece esse recurso. Você faz o download do gabarito em branco, cria seus caracteres, escaneia sua escrita no gabarito, e então o aplicativo cria sua fonte que pode  então ser instalada. Mas é preciso mais de uma tentativa até acertar os espaçamentos na escrita. É muito, muito bacana! 

Viram só quantas  coisas úteis para transformar e apoiar o planejamento das nossas aulas. Imaginem só o que podemos fazer e aprender ainda! Espero que tenham gostado e usem em suas aulas.  

Um grande abraço e até o próximo post, aqui no Olhares! 

Mara Mansani 

Sobre a autora do post

Mara Mansani

Mara Mansani

Colunista

Professora há quase 30 anos, lecionou em vários segmentos, da Educação Infantil ao 5º ano do Ensino Fundamental, passando também pela Educação de Jovens e Adultos (EJA). Recebeu o Prêmio Educador Nota 10, na área de Alfabetização, com o projeto Escrevendo com Lengalenga.

Alfabetização em tempos de pandemia

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Um tema que vem causando muitas preocupações e dúvidas em redes de ensino, professores e famílias de alunos: a alfabetização em tempos de pandemia, principalmente no ensino remoto no contexto familiar.

Afinal, todos querem saber como alfabetizar os alunos, quando nem sempre são possíveis as interações entre eles e com o objeto de conhecimento, as intervenções pedagógicas do professor, o acesso a recursos tecnológicos e outros fatores essenciais para a aprendizagem das crianças.

Sim! A alfabetização vem sofrendo ainda mais prejuízos nesse período. Não estamos desenvolvendo o processo de alfabetização como o conhecemos e normalmente fazemos em sala de aula. Há lacunas e teremos muito trabalho adiante , no presencial ou híbrido, para conseguir com que todos os alunos possam avançar na aprendizagem, mas precisamos ter claro também que nossos problemas com a alfabetização já vêm de antes da pandemia, o que nos traz uma reflexão. Que alfabetização estamos fazendo?

Voltando a questão da pandemia, o fato de não termos as melhores condições para essa alfabetização, não quer dizer que nós professores, estamos de “mãos amarradas”, afinal podemos fazer muito pela aprendizagem dos nossos alunos criando situações e vivências no contexto familiar para que eles experimentem o uso da língua nas práticas sociais em seu dia a dia, seja escrita, na leitura e ou oralidade, que podem, por exemplo, ser exploradas através das brincadeiras e afazeres do seu cotidiano. Essa rotina em casa, orientada pelo professor, poderá contribuir muito em suas hipóteses sobre o como funciona o nosso sistema de escrita alfabético e consequentemente em sua alfabetização.

Se inspirem nessa prática de alfabetização que compartilho com vocês, com o tema brinquedos! Ela pode ser desenvolvida no formato remoto e no formato presencial ou híbrido, com algumas adaptações.

Vamos brincar?

Objetivo: Criar uma rotina para os alunos, oferecendo situações de leitura, escrita e oralidade na alfabetização, principalmente no ensino remoto, com apoio das famílias, explorando o tema brinquedos e brincadeiras.

Passo 1: Contextualização. Preparando para as atividades

A. Crianças falam sobre seus brinquedos e ou brincadeiras preferidas. Respondem: Qual a sua brincadeira preferida? Por que gosta dela?

· Por áudio, ou vídeo (até 15 segundos), via WhatsApp. O professor pode editar um vídeo com as preferencias das crianças, ou em outro momento usar esse conteúdo para fazerem um livro de brincadeiras da turma.

· Desenhando e escrevendo o nome da brincadeira em casa com o apoio da família, inserida nas atividades offline, entregues pela escola.

· Em uma roda de conversa na sala de aula.

B. Conhecendo o Museu do brinquedo popular, coleção de David Glat. Vídeo. Link do vídeo, via WhatsApp ou outro canal de comunicação.

https://www.museudobrinquedopopular.com.br/videos_tudoav.asp

Passo 2: Leitura de lista com nomes de brinquedos.

As crianças leem uma lista com nomes de brinquedos, com o auxílio da família em casa ou na sala de aula com as intervenções do professor. No contexto familiar, oriente as famílias para que falem um nome por vez de brinquedo da lista para que a criança encontre. Por exemplo, ioiô. A criança nessa busca ao tentar descobrir onde está o nome vai relacionando o som à escrita.

“Mas ela não sabe ler!” , “ Vai errar!”.

Não há “erros”, há reflexões e assim a criança vai levantando hipóteses sobre a escrita das palavras. Então, não é a resposta e sim, todo o processo para se chegar nela, o que realmente importa. Sendo assim essas atividades feitas em casa vão apoiando o processo de alfabetização.

Se for presencialmente, ou em sala de aula virtual, faça intervenções através de perguntas para que as crianças pensem sobre a escrita das palavras.

Passo 3: Hora de brincar.

Envie as famílias sugestões de brinquedos ou brincadeiras para fazerem com as crianças. O brincar naturalmente faz parte da rotina delas, mas em tempos de pandemia ou na correria do dia a dia dos pais e responsáveis, nem sempre há espaço e tempo para essa atividade tão importante para elas. Com as sugestões do professor famílias e crianças podem redescobrir o prazer de estarem juntos e estreitar ainda mais os laços, tão importantes nesse momento em que muitos pequenos estão abalados emocionalmente.

Envie o link sobre a brincadeira, via canais de comunicação com as famílias, ou ofereça o material em PDF, e ou impresso se no ensino offline.

https://territoriodobrincar.com.br/videos/serie-infantil/
https://www.tempojunto.com/
http://massacuca.com/jogo-da-velha/
https://mapadobrincar.folha.com.br/brincadeiras/

Passo 4: Escrita de nomes de brinquedos e brincadeiras.

Distribua as crianças uma folha impressa com imagens de alguns brinquedos e brincadeiras para que eles escrevam o nome de cada uma delas. Na sala de aula, você pode chamar a cada palavra uma criança para que escreva o nome na lousa, quando então todos os demais, participam confrontando seus conhecimentos em hipóteses a respeito da escrita, com a mediação em intervenções pedagógicas do professor. Para o ensino remoto, no contexto familiar, envie para as famílias além da atividade impressa, um tutorial, curto e claro, sobre como apoiar a criança na atividade. Todas as atividades anteriores prepararam as crianças para essa escrita.

Passo 5: Gravação de tutorial em vídeo de uma brincadeira

Grave um vídeo com um tutorial, sobre como construir um brinquedo ou fazer uma brincadeira para enviar as crianças e suas famílias. Pense em três passos: apresentação; materiais necessários; como brincar; no máximo de dois a três minutos. Na Internet há vários tutoriais disponíveis gratuitamente também.

A ideia é oferecer um modelo e inspirar as crianças a também gravarem seu tutorial, com apoio das famílias, ensinando uma brincadeira. Você vai se surpreender com a capacidade das crianças ao explicarem o passo a passo. Compartilhe as produções das crianças nos canais de comunicação da escola, ou no grupo de WhatsApp da turma ou ainda no formato de mural digital, com os devidos cuidados , seguindo as orientações de sua escola e sua Rede de Ensino.

Como viram, só nessa proposta são muitas as possibilidades de se explorar e apoiar a alfabetização, mesmo no ensino remoto. Mas tem muito mais, plantar, entrevistar, cantar, contar histórias, cozinhar, encenar, ouvir, produzir vídeos, ler livros e tantas outras coisas que as crianças adoram fazer. Para elas uma grande brincadeira e muitos desafios, para nós professores toda a intencionalidade para a aprendizagem, para as famílias uma ótima oportunidade de acompanhar de perto e apoiar os estudos de seus filhos.

Espero que gostem das sugestões! Vamos lá, apoiar e fazer a alfabetização acontecer no ensino remoto no contexto familiar, presencial ou híbrido!

Um abraço e até o próximo post, com dicas práticas de tecnologia para apoiar suas aulas na alfabetização!

Mara Mansani 

Sobre a autora do post

Mara Mansani

Mara Mansani

Colunista

Professora há quase 30 anos, lecionou em vários segmentos, da Educação Infantil ao 5º ano do Ensino Fundamental, passando também pela Educação de Jovens e Adultos (EJA). Recebeu o Prêmio Educador Nota 10, na área de Alfabetização, com o projeto Escrevendo com Lengalenga.

Olhares por Mara Mansani

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Olá, queridos professores e professoras, que fazem a Educação acontecer, em suas Redes, escolas e salas de aula, em cada canto desse nosso imenso Brasil! 

Que bom estar com vocês, aqui nBlog Redes Moderna, nesse espaço colaborativo da Coluna de Educação“Olhares  

Sou Mara Mansani, professora há 34 anos, em escolas públicas no Estado de São Paulo. Nessa trajetória, venho atuando  em vários segmentos, na Educação Infantil , também  de  1º ao 5º ano do Fundamental 1 e na  Educação de Jovens e Adultos (EJA). 

Ser professora não estava em meus planos e sonhos, mas me  apaixonei pela profissão ao meu primeiro contato com a educação. Me formei no magistériotambém no Normal Superior e venho nessa jornada estudandome especializando na área de Alfabetização. Esse empenho e estudo me rendeu em 2014o Prêmio Educador Nota 10, da Fundação Victor Civita, com um projeto onde meus alunos foram alfabetizados e se tornaram  autores de cinco livros  maravilhosos com textos de lengalenga. Atualmente trabalho também com formação de professores e participo de duas grandes redes de conexão de professores, no Brasil, a Conectando Saberes apoiada pela Fundação Lemann e a Comunidade Atenea, Rede Latino-Americana, apoiada pela Fundação Varkey.  

Agora que já sabem um pouco sobre minha trajetória na Educação, tenho um convite especial para vocês, queridos amigos de profissão! Uma parceria pela Educação de qualidade: eu, você e a Moderna! 

Sim, uma parceria aqui na “Olhares”, nossa nova coluna de educação, no Blog Redes Moderna, com encontros  quinzenais, para trocar experiências e práticas pedagógicas, tratar de tendências da educação e temas relevantes para professores e para as escolas, com foco voltado para a Alfabetização, relação com as famílias e a EJA.   

Olhares que levem a reflexão para a construção coletiva de uma educação de qualidade para todos! Vai ser incrível! De professor para professor, com a Moderna! 

Para começar e selar essa nossa parceria, trago a nossa roda um tema que deve sempre estar em nosso planejamento, ainda mais agora nesse momento de retorno as aulas, seja no modelo remoto, presencial ou híbrido, Como engajar e acolher os alunos?”. 

Por isso, compartilho com vocês: 

Quatro dicas, em práticas pedagógicas, para você  se inspirar  e desenvolver com sua turma. 

  1. Ouvir para acolher! 

Depois de tanto tempo em distanciamento social, as emoções estão a flor da pele, todo mundo quer e precisa falar. Imagine então na volta as aulas, nossos alunos querendo por tudo para fora. Nem sempre há espaços e tempos de escutas previstos para eles, por isso inclua aí no seu planejamento esse momento tão especial, que pode acontecer em uma Roda de Conversa que estimule a participação de todos. Para preparar, antecipar e facilitar ações para esse momento de escuta e fala, antes de iniciar as aulas (se possível) ou logo nos primeiros dias, você pode criar uma nuvem de palavras para a turma participar online, ou pelo WhatsApp e ou até mesmo em formato impresso, para que os alunos respondam: “ Na volta  às aulas, eu quero…” 

A proposta é criar um painel com sentimentos e expectativas dos alunos na volta as aulas, e a partir das respostas abrir a Roda de Conversa, onde você professor, professora, faça a mediação para que todos possam se sentir  bem acolhidos na turma, na escola ou sala de aula virtual. Imprima a nuvem criada, ou monte um painel a partir das respostas recebidas no WhatsApp e o respostas escritas pelos alunos. 

Para  alunos de todos os segmentos. 

Formato de ensino: remoto ou híbrido. 

Materiais: Aplicativos: WhatsApp e um para a criação da nuvem de palavra (sugestão Mentimeter) 

https://www.mentimeter.com/ 

2. Para motivar à volta as aulas 

Para chamar os alunos para a volta as aulas e mostrar o quanto eles são importantes para toda a escola, faça gravações com mensagens  personalizadas, usando os nomes de cada aluno da turma, com pessoas  que fazem parte do dia a dia da escola, a merendeira, o inspetor, você etc. Veicule pelo WhatsApp das famílias. As mensagens podem ser em vídeo ou áudio. Imagine eles recebendo uma mensagem que foi feita especialmente para ele, será emoção na certa! Uma ação dessa pode até evitar uma possível evasão escolar.  

Para alunos de todos os segmentos.

Formato de ensino: remoto, presencial e ou híbrido. 

Materiais: celulares e ou outros equipamentos para a gravação  de áudios ou vídeos. 

3. Para criar pertencimento! A nossa escola! 

Para alunos da Educação Infantil e  alfabetização, que ainda não conhecem a escola (ou mesmo para aqueles que conhecem e  estão com saudades)  e vão começar as aulas ainda no formato remoto, vale apresentar a escola em gravações em vídeos. No ensino presencial, uma das primeiras atividades é fazer um tour por todos os espaços da escola. Então, você pode combinar com outros professores e cada um apresenta um espaço, explicando seu uso, reforçando a mensagem que tudo está sendo preparado para recebê-los, quando as aulas voltarem presencialmente. Isso cria um sentimento de pertencimento. “Minha Escola!” 

Para  alunos de Educação Infantil ou 1º ano na alfabetização. Para os demais com adaptações na mensagem gravada. 

Formato de ensino: remoto. 

Materiais: celulares e ou outros equipamentos para a gravação  de vídeos. 

4. Conhecendo a turma: Mural da turma , quem sou eu  

Uma prática bem bacana para conhecer a turma é criar um mural digital (pode ser em PPT ou um aplicativo de uso da turma) ou em papel com a produção dos alunos, onde eles se desenham e escrevem um pouco sobre eles. Oriente para escrevam como se chamam, idade, sua preferencias em brinquedos e brincadeiras e o que mais quiserem escrever. Para turmas iniciais de alfabetização, alguém da família ou você professor em sala pode ser o escriba, mas a parte imagética é com eles. Uma produção dessa além de dar um panorama da turma, pode ser também um diagnóstico de como está a aprendizagem deles, na oralidade, na produção escrita, na fase da alfabetização. Todos podem fazer em papel e depois a produção pode ser fotografada, para a composição do mural digital e ou impressa para o mural físico. 

Para  alunos de todos os segmentos, com adaptações de acordo com a fase de aprendizagem. 

Formato de ensino: remoto, presencial e ou híbrido. 

Materiais: celulares para fotografia. Papel e lápis.  

  

Espero que gostem e se inspirem a volta as aulas, seja em qualquer formato de ensino. Que venha a vacina!  

Até aproxima! Um abraço forte! 

Mara Mansani 

Sobre a autora do post

Mara Mansani

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Colunista

Professora há quase 30 anos, lecionou em vários segmentos, da Educação Infantil ao 5º ano do Ensino Fundamental, passando também pela Educação de Jovens e Adultos (EJA). Recebeu o Prêmio Educador Nota 10, na área de Alfabetização, com o projeto Escrevendo com Lengalenga.