Coluna Educação Inovadora

Oito passos para inserir ferramentas digitais dentro da sua sala de aula

Estamos acostumados a conviver com ferramentas digitais em atividades rotineiras do cotidiano, como usar o aplicativo do banco para realizar alguma transação bancária, responder alguma mensagem pelo Messenger e até incorporar ao nosso trabalho ferramentas como o WhatsApp, ao participar de grupos pedagógicos para discutir atividades e planejamento e trocando experiências docentes.

Recentemente tivemos a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) aprovada; o documento não especifica a ferramenta digital a ser usada, mas recomenda-se o uso delas em todas as áreas do conhecimento. No entanto, é necessário vencer algumas barreiras, como ausência de infraestrutura, conectividade e formação docente. Muitos professores que conheço sentem dificuldade em lidar com programas e aplicativos, pois só tiveram o primeiro contato com eles em sua fase adulta – bem diferente dos nossos estudantes, que nasceram na era tecnológica e estão familiarizados com eles.

Um estudo recente realizado pelo Todos pela Educação, em parceria com o Instituto Natura, Itaú BBA, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Fundação Telefônica Vivo ouviu o que pensam os professores sobre o uso da tecnologia em sala de aula; apesar das dificuldades (recursos e infraestrutura), todos foram enfáticos em afirmar que as ferramentas digitais contribuem para o processo de ensino-aprendizagem. Para avançar, é necessário que as políticas públicas priorizem:

Compartilho esses desafios e acredito que estes pontos são os entraves para que as ferramentas digitais sejam incluídas na rotina escolar. Mesmo diante dessas dificuldades, acredito que é possível incluir recursos digitais nas aulas, estreitando laços entre professores e estudantes em busca do desenvolvimento de autonomia, criticidade, colaboração e empatia no processo de conhecimento. A seguir, enumero oitos passos.

Conheça

Compreenda recursos e softwares que podem ser incorporados ao planejamento e ao currículo. Ferramentas de colaboração, como: Google Drive e Google Sala de Aula são gerenciadores que permitem trabalhar de forma colaborativa, possibilitando que os estudantes mesmo tempo visualizem, comentem e participem da elaboração de conteúdo, inclusive pelo celular. A partir dessas ferramentas é possível realizar pesquisas, criar textos multimodais, aplicar avaliações, tornando as aulas atrativas e dinâmicas.

Explore

Muitas ferramentas permitem novas formas de realizar uma prática pedagógica e explorar habilidades e competências como a empatia e a colaboração. A produção de vídeos, fotos, vlogs e podcasts é uma das ferramentas que podem ser acessadas pelo celular e computador de forma offline e que enriquecem as aulas. Uma aula pode ganhar pela vivência de uma apresentação em vídeo ou fotos criadas e produzidas pelos estudantes.

Planeje

Realize atividades em que a experimentação da aprendizagem esteja presente, valorizando atividades que tirem o aluno da passividade e o tragam para o centro do processo da aprendizagem, no qual o professor é mediador. Que tal criar um espaço maker, com materiais reutilizáveis? Ao estabelecer espaços colaborativos dentro da sala de aula, o aluno pode inventar, criar e usar recursos diferentes para a resolução de problemas.

Insira

O foco da educação está no desenvolvimento de habilidades e competências, como empatia, colaboração e competências socioemocionais. Aproveite para realizar atividades com as redes sociais, estendo o aprendizado para além da sala de aula e tornando o ensino mais personalizado. Edmodo, Blogger, Twitter e Instagram são redes que permitem interação, personalização e possibilidade de desenvolver conteúdos que expressem vivência, onde os alunos possam se expressar dentro de uma relação dialógica.

Incentive

Incorpore as ferramentas de pesquisa em suas aulas. Os estudantes necessitam de orientação em relação ao uso, como símbolos e palavras chaves; indique bibliografias e sites úteis para que desenvolvam trabalhos com informações e confiabilidade. Um bom caminho para começar é abordar a questão do Cyberbullying e da Segurança da Internet.

Crie

Estimule o contato com programas autorais e colaborativos. Bons exemplos são Movie Maker, Audacity e Gimp, que permitem realizar diversos tipos de trabalho, além de serem gratuitos.

Estimule

Que tal trazer o imaginário para a sala de aula? O Scratch é um programa livre e gratuito que permite a produção de games, animações e programação, estimulando o raciocínio logico e que pode ser utilizado offline.

Compartilhe

Proporcione momentos para compartilhar as atividades produzidas, incentivando os estudantes a produzir seus próprios textos, histórias e vídeos em formatos distintos, postar e disponibilizar em muitas das ferramentas apresentadas aqui, sendo uma oportunidade de conversar sobre crédito e referências de autores e fontes pesquisadas.


Ao inserir as ferramentas digitais em suas aulas, o professor inova e possibilita aos alunos criar e inventar, por meio de experimentação, oferecendo a oportunidade de serem protagonistas, autorais e construtores da sua própria aprendizagem.

E você, professor, como costuma inserir ferramentas digitais em suas aulas?

Um abraço,

Sobre o(a) autor(a)

Artigos

Formada em Letras e Pedagogia, com especialização em Língua Portuguesa pela Unicamp, Débora é Mestra em Educação pela PUC-SP e FabLearn Fellow, Columbia, EUA. Professora da rede pública, idealizou o trabalho Robótica com Sucata, que se tornou uma política pública. É coordenadora do Centro de Inovação da Secretaria Estadual de Educação do Estado de São Paulo. Atualmente, assina a coluna Educação Inovadora no blog Redes Moderna e é autora do livro Robótica com sucata (Moderna, 2021).

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.