Coluna Escola Diversa

Equidade de Gênero: Promovendo uma Educação Inclusiva

Olá pessoal!

Que bom estarmos aqui para mais uma reflexão importante no que se refere aos temas que permeiam a sociedade. Temas estes que, muitas vezes, encontram resistências, desconfortos e até mesmo certo receio de abordagem, seja dentro ou fora da escola. 

E a pauta ”equidade de gênero” é um destes temas que provocam os mais diversos sentimentos. Mas, afinal, o que é equidade de gênero? Como bons educadores que somos, sabemos que não se trata de questionar ou querer mudar ou interferir na sexualidade de uma pessoa. Inclusive já temos aí uma grande confusão: gênero e sexualidade. Temas que muitas vezes são abordados como se fossem sinônimos, equivalentes e até mesmo iguais, e não são.

Pensar criticamente gênero é, por exemplo, se questionar porque meninas e meninos têm oportunidades diferentes na escola? Porque algumas atividades como dança e até algumas brincadeiras são mais direcionadas às meninas e jogos como futebol ou de análises matemáticas estão mais direcionados para meninos?

Porque o gênero acaba definindo o que um menino ou uma menina pode ou não pode fazer? 

Por que há tão poucos meninos nos cursos de pedagogia e em atividades que lidam diretamente com crianças pequenas? E por que tão poucas meninas pensam em estudar áreas exatas? Embora este cenário esteja mudando nos últimos anos, ainda há uma ideia preconceituosa de que existem atividades que são para meninos e outras que são para meninas. E, com isso, todos e todas nós perdemos. 

Convidei para falar mais sobre este semana a  Jennifer Cornélio, pedagoga, especialista em educação antirracista, identidade de gênero e psicologia organizacional e do trabalho. Ela é Coordenadora de Conteúdos Educacionais na Piraporiando e vai compartilhar conhecimentos fundamentais sobre este assunto.

No mundo em constante evolução, é essencial que discutamos questões relevantes relacionadas à equidade de gênero.

Afinal, o que é equidade de gênero?

Equidade de gênero refere-se à garantia de que todas as pessoas tenham as mesmas oportunidades, direitos e tratamento justo, independentemente de seu gênero. É uma abordagem que visa eliminar estereótipos de gênero, preconceitos e discriminação, promovendo a igualdade em todos os aspectos da vida.

Infelizmente, algumas escolas ainda hesitam em abordar essa questão, e isso pode trazer consequências prejudiciais. O perigo de uma escola não falar sobre equidade de gênero é a perpetuação de preconceitos. Quando evitamos esse assunto, não promovemos a compreensão e o respeito pela diversidade de identidades de gênero. Isso pode levar ao isolamento e à marginalização de estudantes meninos, meninas e  LGBTQIAPN+.

Infelizmente, ainda existe um tabu em torno desse tema, dificultando o diálogo e a conscientização sobre o assunto.

No entanto, é importante destacar que existem atividades em que a identidade de gênero das pessoas não faz diferença. Por exemplo, ao formarmos grupos de trabalho, todas as pessoas podem contribuir com suas ideias e habilidades, independentemente de suas identidades de gênero. Além disso, em atividades esportivas coletivas, como futebol, basquete ou vôlei, todas as pessoas devem ter a oportunidade de praticar e desenvolver suas habilidades esportivas, independentemente de gênero.

É comum que algumas escolas ainda definam brincadeiras e atividades com base em gênero, como associar a cor azul aos meninos e a cor rosa às meninas. Isso pode afetar negativamente sua autoestima, autoexpressão e autoconfiança. Além disso, a exclusão de pessoas com base no gênero pode criar um ambiente hostil e prejudicial, promovendo o isolamento.

Diferenças entre sexualidade, gênero e sexualização

É importante destacar a diferença entre sexualidade, equidade de gênero e sexualização. A sexualidade refere-se à orientação sexual de uma pessoa, enquanto a equidade de gênero é a garantia de equidade de oportunidades, direitos e tratamento justo para todas as pessoas, independentemente de gênero. Já a sexualização envolve a objetificação sexual de indivíduos ou a atribuição precoce de comportamentos ou estereótipos sexuais a pessoas. Um exemplo disso é quando a escola reforça estereótipos de gênero, promovendo expectativas restritivas e limitantes em relação ao comportamento, aparência e papéis de meninas e meninos. Isso pode incluir atividades, tarefas ou comentários que reforçam ideias preconcebidas sobre como os/as estudantes devem agir ou ser com base em seu gênero.” Nos conta Jenniffer.

Jenniffer, afinal, o que é equidade de gênero?

Equidade de gênero refere-se ao princípio de assegurar que todas as pessoas, independentemente de sua identidade de gênero, tenham iguais oportunidades, direitos e tratamento justo na sociedade. Isso envolve a eliminação de estereótipos de gênero, preconceitos e discriminação, promovendo igualdade de acesso e participação em todos os aspectos da vida.

Qual o impacto negativo de a escola não abordar esse assunto? Existe algum tabu relacionado a isso?

O impacto negativo de a escola evitar abordar a equidade de gênero é a perpetuação de estereótipos prejudiciais e da discriminação de gênero. Quando o assunto é evitado, não se promove a compreensão e o respeito pela diversidade de identidades de gênero. 

Você pode compartilhar conosco dois exemplos de atividades em que o gênero do aluno não faz diferença?

Certamente! Existem muitas atividades em que o gênero do/a não faz diferença. Aqui estão dois exemplos:

Discussões em grupo: Ao dividir os alunos em grupos de trabalho, não há necessidade de separá-los por gênero (meninos, meninas..). Todos podem contribuir com suas ideias e habilidades, independentemente de seu gênero.

Atividades esportivas: Em esportes coletivos, como futebol, basquete ou vôlei, não há motivo para restringir a participação apenas a meninos ou apenas a meninas. Todos devem ter a oportunidade de praticar e desenvolver suas habilidades esportivas, independentemente de seu gênero.

É bastante comum que algumas escolas ainda definam brincadeiras e atividades específicas para meninos e meninas, usando as cores rosa e azul. Como isso pode afetar a vida de uma criança?

Ao restringir brincadeiras e atividades apenas com base no gênero, as escolas podem reforçar estereótipos de gênero e limitar o potencial de desenvolvimento de uma criança. 

Qual é a diferença entre sexualidade, equidade de gênero e sexualização?

Sexualidade: Refere-se à orientação sexual de uma pessoa, ou seja, quem ela sente atração emocional, romântica e/ou sexual. Exemplos de orientações sexuais incluem heterossexualidade, homossexualidade e bissexualidade.

Equidade de gênero: Trata-se de garantir a igualdade de oportunidades, direitos e tratamento justo para todas as pessoas, independentemente de sua identidade de gênero. Isso envolve a eliminação de estereótipos de gênero e discriminação, promovendo a igualdade entre homens, mulheres e pessoas de outras identidades de gênero.

Sexualização: Refere-se à objetificação sexual de indivíduos ou à atribuição precoce de comportamentos ou estereótipos sexuais a crianças. A sexualização inadequada pode ser prejudicial, pois não permite que as crianças vivenciem uma infância livre de pressões e expectativas sexuais.

Como os professores podem agir para que o gênero não seja uma limitação na escola e na educação?
  • Incluir temas de equidade de gênero e diversidade nas atividades relacionadas aos currículos escolares.
  • Criar um ambiente seguro e acolhedor para todos os estudantes, independentemente de sua identidade de gênero.
  • Combater estereótipos de gênero em sala de aula e promover discussões abertas sobre este tema.
  • Incentivar a participação de todos os estudantes em atividades, independentemente de seu gênero.
  • Fomentar o respeito mútuo entre os alunos e valorizar a diversidade.
  • Capacitar e fornecer formação contínua aos professores sobre questões de gênero e LGBTQIAPN+.
Como podemos promover uma educação inclusiva que respeite e valorize todas as identidades de gênero e sexualidade?

Por meio da conscientização, diálogo aberto e práticas inclusivas, podemos trabalhar para construir uma sociedade mais equânime, na qual todas as pessoas sejam respeitadas e tenham a oportunidade de desenvolver todo o seu potencial, independentemente de seu gênero.

Vimos como é importante que o medo de falar sobre este assunto não seja um limitador para que possamos avançar neste debate. 

Assista a este importante conteúdo da ONU Mulheres

Desde cedo, meninos e meninas aprendem o que podem e o que não podem fazer. Eles são levados a acreditar que as suas escolhas são determinadas pelo sexo. Só que isso tem consequências sérias para as mulheres, que se tornam vítimas da desigualdade. Essa realidade tem que mudar. Precisamos construir uma cultura de mais igualdade, mais direitos e mais oportunidades para todas e todos. 

Espero vocês no próximo mês, afinal, vocês já sabem…

Esta história não acaba nem aqui nem lá. Esta história tem muito para contar. E eu, que já estou indo embora, te encontro já já!!

Janine Rodrigues

Escritora, educadora fundadora da Piraporiando

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Formada em Gestão Socioambiental, com especialização na mesma área pela UFRJ, Janine Rodrigues começou a escrever aos 8 anos de idade e hoje, além de escritora, é educadora e fundadora da Piraporiando, uma das 10 Edtechs mais importantes da América Latina. A Piraporiando é voltada à Educação para a diversidade e desenvolve experiências e conteúdos antirracistas, antibullying, antipreconceito e de promoção da equidade de gênero. Eleita pela Forbes como uma das 12 pessoas negras mais inovadoras, Janine trabalha pela qualidade da educação no Brasil e, atualmente, assina a coluna Escola diversa no blog Redes Moderna.