Coluna Educação Inovadora

Educação inclusiva na prática

Muito temos falado de educação inclusiva e de qualidade para todos. Alcançá-los requer um olhar atento para a educação inclusiva, que precisa ser compreendida como uma concepção de ensino contemporânea que visa garantir o direito de todos à educação.

Ela pressupõe a igualdade de oportunidades e valorização das diferenças humanas, contemplando diversidades étnicas, sociais, culturais, intelectuais, físicas, sensoriais e de gênero, além de implicar na transformação cultural, das práticas e políticas vigentes nas unidades escolares, de modo a garantir a participação, o desenvolvimento e a aprendizagem de todos.

Para isso, é necessário conhecer o contexto e os desafios a enfrentar e repensar práticas educacionais que sejam inclusivas e que contemplem em suas especificidades estudantes com deficiência, transtornos globais de desenvolvimento ou transtorno do espectro autista, altas habilidades ou superdotação, entre outros.

Os cinco pilares da educação inclusiva

  1. Toda pessoa tem o direito de acesso a educação;
  2. Toda pessoa aprende;
  3. O processo de aprendizagem é singular;
  4. O convívio dentro do ambiente escolar beneficia a todos;
  5. A educação inclusiva diz respeito a todos.

Para superar desafios é necessário repensar práticas que respeitem as especificidades dos estudantes e seus diferentes ritmos de aprendizagem. Isso precisa estar alinhado com a saúde mental e o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, para que possam se desenvolver completamente, alinhado a análise do discurso e das práticas. Dessa maneira, reunimos algumas práticas inclusivas para que você possa aplicá-las.

Educação inclusiva como prática

A educação inclusiva precisa fazer parte da rotina escolar: essa é a primeira prática que devemos aplicar. É preciso romper com os tabus sociais e engajar a comunidade escolar para a prática em que o dialogismo é o ponto central, bem como promover trocas de experiências e formações sobre o assunto.

As estratégias pedagógicas devem estar relacionadas a diversos procedimentos planejados e implementados com a finalidade de atingir o objetivo de ensino. As estratégias envolvem métodos, técnicas e práticas educacionais, tendo como partida a singularidade e suas potencialidades.

Respeite os diferentes ritmos de aprendizado

Nossos estudantes são seres singulares, que aprendem em ritmos diferenciados. Hoje temos um leque de possibilidades para trabalhar com os estudantes, entre elas, as metodologias ativas e suas muitas modalidades que respeitam os ritmos de aprendizagem, personaliza o ensino e ainda proporciona momentos de resoluções colaborativas de problemas e momentos de debates e reflexões.  

O professor exerce um importante papel dentro desse processo, o de mediador de conhecimento, em que os estudantes trabalham por objetos de aprendizagem, atribuindo significado e construção de conhecimento de maneira autoral.

A proposta curricular deve ser única para todos os estudantes e as estratégias pedagógicas diversificadas, com base nos interesses, habilidades e necessidades individuais. Dessa maneira, a participação será efetiva, em igualdade de oportunidades para o desenvolvimento pleno dos estudantes com e sem deficiência.

Foco nas competências e não nas dificuldades dos estudantes

É essencial que o professor tenha foco nas competências a serem desenvolvidas nos estudantes, e não nas dificuldades que eles apresentam. Dessa maneira é importante realizar um diagnóstico personalizado para identificar suas competências e ampliá-las, pensando e propondo práticas educacionais que atinjam os diferentes estudantes.

O ideal não é buscar atividades distintas, mas propor atividades que incluam os estudantes com necessidades especiais junto aos demais. Um bom exemplo disso é a robótica, que por si só já apresenta essa característica e permite a todos participar juntos.

Remar na mesma direção

A educação inclusiva é desafiadora! Por isso, após implementação de medidas e práticas inclusivas, é importante que toda a comunidade escolar esteja alinhada com a proposta educacional da unidade escolar, contribuindo e partilhando suas experiências. Somente assim podemos criar uma educação realmente inclusiva, ouvindo e atendendo às reais necessidades de todos.

Práticas inclusivas

Compartilho com vocês o portal Diversa que traz uma oportunidade para você interagir com práticas pedagógicas de outros professores e se aprofundar sobre o assunto. Aproveito para compartilhar o meu relato de prática através da robótica com sucata por uma educação criativa e inclusiva.

Um abraço e até a próxima!

About author

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Formada em Letras e Pedagogia, com especialização em Língua Portuguesa pela Unicamp, Mestra em Educação pela PUC-SP e FabLearn Fellow, Columbia, EUA. Professora da rede pública de SP, idelizou o trabalho de robótica com sucata, que é uma política pública e metodologia de ensino. Gestora, consultora e formadora docente, considerada uma das dez melhores professoras do Mundo pelo Global Teacher Prize, nobel da Educação. Atualmente, assina a coluna Educação Inovadora no blog Redes Moderna e é autoras dos livros de Robótica com Sucata e Robótica com Sucata II - uma aventura pela criatividade.