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Ler com os ouvidos

By | LITERATURA COM MARIA JOSÉ NÓBREGA, Sem Categoria | No Comments

Ao acompanharem a leitura em voz alta de um livro por um leitor mais experiente, as crianças têm acesso a textos que ainda não sabem ler, mas que se tornam possíveis pela voz do outro. Essa prática abre um espaço intersubjetivo entre o texto, o leitor e a criança. É pela voz do outro que a criança se sente atraída pela literatura e estimulada a conquistar autonomia para ler.

Para promover esse contato íntimo com o texto, o leitor precisa ir além da decodificação dos sinais gráficos, além da fluência para respeitar as unidades sintáticas do texto. Precisa abrir-se a uma experiência simbólica que se desdobra esteticamente em uma melodia, em uma sonoridade.

Uma tal experiência sensível só é possível com uma leitura expressiva, que mobiliza elementos prosódicos, como entonação (a velocidade, a altura e o volume), ênfase (o realce a palavras ou expressões) e ritmo (a alternância de tempos fortes e fracos para que a performance não fique monótona). Por essa razão, é que se sustenta que, sem uma intimidade profunda com o texto, não há como ler expressivamente. É retomando o texto várias vezes que se encontra a justa interpretação melódica capaz de comunicar os sentidos atribuídos a ele não só pela voz de quem lê, mas também pelo olhar, gestos e movimentos de quem escuta.

Com crianças em processo de alfabetização, a leitura em voz alta permite ainda aproximá-las da linguagem escrita, garantindo que se apropriem de algumas de suas características antes mesmo de compreenderem o que as marcas gráficas representam, como reconhecer diferentes gêneros, estruturas textuais, funções dos textos; familiarizar-se com as expressões mais elaboradas próprias da linguagem literária, formas típicas de como começam e terminam as histórias, associações que permitem, pela experiência com os livros, criar expectativas sobre o que vai ler.

Se pela voz do outro as crianças leem sem saber ler, para que se tornem efetivamente leitoras autônomas, é necessário que, no processo de alfabetização, tenham conhecimentos específicos sobre o sistema alfabético e as convenções da escrita.

Como desenvolver a fluência e a leitura expressiva nas crianças?

A escritora americana Lisa Papp, provavelmente, se inspirou para escrever Madeline Finn e Bonnie (Salamandra) no projeto “Book Buddies”, que convida crianças a lerem para gatos abandonados em um abrigo em Birdsboro (Pensilvânia, Estados Unidos).

Criança lê para um gatinho abandonado em um abrigo nos EUA

Crianças que não têm fluência leitora, certamente, vão se identificar com Madeline que não gosta de ler em voz alta de jeito nenhum, porque as palavras se emaranham em sua boca. O problema da pequena só se resolve quando sua mãe decide levá-la até a biblioteca pública, onde a bibliotecária propõe a ela algo inusitado: ler para Bonnie, uma enorme cachorra branca.

Inspirando-se no livro, sugira que cada criança experimente treinar a leitura em voz alta para o seu de animal de estimação, ou mesmo para uma plateia de bichinhos de pelúcia.

Como foi o treino? Ficou mais divertido? Sua leitura melhorou: ficou mais fluente?

Para não expor as crianças que ainda não tenham fluência, proponha que gravem um áudio com a leitura do texto treinado. Após escutar a gravação com a criança, pergunte:

a. Houve dificuldade para ler alguma palavra? Qual?

b. Ocorreu alguma troca de palavra? Onde?

c. Ao constatar um erro, você já foi capaz de se autocorrigir?

Para crianças que já leem com alguma fluência, mas ainda não o fazem com expressividade, proponha que, após a gravação, façam uma autoavaliação de seu trabalho:

a. Variou a entonação, isto é, a velocidade, a altura e o volume de sua leitura?

b. Realçou a leitura de palavras ou expressões relevantes do texto? Quais foram elas? Por que as escolheu?

c. Procurou alternar os tempos fortes e fracos para que a leitura não ficasse monótona? Que pistas do texto você usou para variar o ritmo?

O desenvolvimento dessas capacidades pode se desdobrar em projetos mais ambiciosos como ler para crianças menores, gravar audiolivros, podcasts. Vai ser uma festa!

Sobre a autora do post

Maria José Nóbrega

Maria José Nóbrega

Colunista

Formada em Língua e Literatura Vernáculas pela PUC/SP, com mestrado em Filologia e Língua Portuguesa pela USP, atuou em programas de formação continuada junto ao MEC, à SEE de São Paulo e à SME de Florianópolis e de São Paulo. Compôs a equipe de elaboração dos Parâmetros Curriculares Nacionais, terceiro e quarto ciclos (1998); coordenou a equipe de Língua Portuguesa das Orientações curriculares e proposição de expectativas de aprendizagem para o ensino fundamental: ciclo I e II – SME de São Paulo (2007); integrou a equipe de elaboração da Proposta Curricular de Língua Portuguesa, do 1º ao 5º ano da SEE do Ceará (2014). Atuou como pesquisadora do Projeto “Currículos para os anos finais do ensino fundamental: concepções, modos de implantação, usos”, desenvolvido pelo Cenpec – Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (2015). Foi assessora do Projeto Planos de Aula da Nova Escola.

Atualmente, além de assessorar várias escolas particulares de São Paulo, é coordenadora dos projetos de leitura da Editora Moderna, organizadora da série “Como eu Ensino” da Editora Melhoramentos, professora do curso de Especialização em Formação de Escritores / Instituto Superior de Educação Vera Cruz e do curso O livro para a infância: processos de criação, circulação e mediação contemporâneos / A Casa Tombada.

Cinco títulos para desenvolver a fluência e a leitura expressiva com crianças em fase de alfabetização

GUEDES, Avelino. O sanduíche da Maricota. São Paulo: Moderna.

BELINKY, Tatiana. O grande rabanete. São Paulo: Moderna.

TAYLOR, Sean. Quando nasce um monstro. São Paulo: Salamandra.

MACHADO, Ana Maria. Camilão, o comilão. São Paulo: Salamandra.

PAMPLONA, Rosane. Era uma vez… três! Histórias de enrolar… São Paulo: Moderna.

Como levar o ensino do pensamento computacional para sala de aula

By | Educação inovadora | No Comments

O ensino do pensamento computacional ainda é um grande tabu que precisa ser superado para ser acrescido ao currículo da educação básica e nas escolas brasileiras. Em muitos países o mesmo já é visto como uma segunda língua, devido aos benefícios proporcionados ao processo de ensino e aprendizagem.

Este universo pode ser incorporado de muitas maneiras e formas que se iniciam no movimento maker que desencadeia premissas da programação desplugada e plugada até a robótica.

A linguagem de programação é uma forma linguística de conversar com as máquinas.  Para muitos o desenvolvimento de softwares é algo que causa espanto, devido ao uso de códigos, mas essa realidade vem se transformando e atualmente o desenvolvimento de computadores é mais simples.

Na educação temos softwares educativos que são visuais, que trazem blocos de montar, em que mais do que programar existe todo um trabalho pedagógico desenvolvido com a relação da lógica de programação que trabalha o cognitivo essencial a aprendizagem.

Para levar o ensino de programação a sala de aula

Muitos são os caminhos que podem ser escolhidos para levar o ensino de programação a sala de aula (mesmo durante as aulas remotas) e alguns precisam serem desmistificados, como o ensino de programação pode ser levado a qualquer etapa da escolarização e qualquer área de conhecimento, relacionando ao conteúdo em que irá trabalhar, porque sua potencialidade está no raciocínio lógico e na resolução de problemas. Assim, uma aula de geografia e ou história pode ser tornar uma aula de programação com a criação de narrativas digitais em que o lúdico estará presente o tempo todo.

Professor mediador

É necessário que o professor seja o mediador de conhecimento e faça relações ao trabalhar com o pensamento computacional com o cotidiano dos estudantes. Utilizamos muito conceitos de programação na nossa vida, seja para estudar, trabalhar e se organizar. A todo momento estamos trabalhando com conceitos de abstração, decomposição, algoritmo e reconhecimento, pilares do ensino da linguagem de programação.

O professor, para ensinar programação, não precisa ser programador, basta ter interesse, vontade e realizar a mediação do conhecimento. Atualmente temos ferramentas que foram desenvolvidas para o ensino de programação de crianças e jovens, algumas gratuitas, intuitivas e interativas.

Programação desplugada

É importante que o início do trabalho ocorra no formato desplugado, com experiências concretas, em os estudantes resolvam problemas, que podem ser a partir de charadas, um caça tesouro, dinâmicas, ao utilizar números binários e descobrir mais sobre a linguagem dos computadores.

Programação Plugada

Após a vivência prática, os estudantes podem ter acesso a plataformas gratuitas, que visa, ensinar os primeiros passos de programação de forma lúdica e interativa, em que o desenvolvimento do aprendizado ocorre a partir de desafios e com o auxílio de personagens.

Dicas de Softwares gratuitos

Scratch  – permite a qualquer professor, mesmo sem conhecimento prévio, ensinar programação para crianças e jovens de forma simples e intuitiva.

Por meio de blocos de comandos que se encaixam análogo ao lego, o programa possibilita a criação de jogos, animações e histórias, narrativas interativas, que podem ser facilmente disponibilizadas no site do projeto e compartilhadas com crianças de outras escolas. A ferramenta ajuda a dar forma à imaginação e pode ser trabalhada de maneira off-line.

O mesmo ainda possui uma comunidade em que os estudantes podem ter acesso a trabalhos de todo o mundo e remixar os mesmos, dando crédito ao trabalho original para desenvolver novos projetos.

Outra qualidade da mesma é a possibilidade de trabalho com o Scratch Jr para crianças que não são alfabetizadas na faixa de 05 a 07 anos e o Scratch S4  que permite a programação simples da plataforma de hardware aberto, para gerenciar sensores e atuadores conectadas a placas programáveis como o Arduíno.

Code.org – tem por objetivo desmistificar e democratizar o aprendizado de programação. Para isso, possui uma série de atividades para professores que desejam ensinar programação, permitindo que os alunos possam dar continuidade nos aprendizados em formato remoto.

Programaê   – é uma iniciativa da Fundação Telefônica Vico, que contribui para o aprendizado e disseminação da lógica de programação, que possui práticas pedagógicas de pensamento computacional (programação plugada e desplugada) para os professores trabalhar em sala de aula.

A importância do ensino de programação

Com a quarta revolução industrial será comum a necessidade de profissionais preparados para lidar com este novo mundo e segundo pesquisa realizada pelo Google for Education, a programação é considerada uma das oito habilidades mais importantes a educação do futuro, em que 92% dos empregos futuros necessitarão de habilidades digitais e 93% de professores norte-americanos relatam que os estudantes da educação básica desenvolvem a capacidade de solucionar problemas e se aprofundam sobre o conhecimento em algoritmos. Acesse aqui para o relatório global.

E você professor(a) como trabalha com o pensamento computacional? Conte aqui e contribua para que outros educadores dê o primeiro passo em suas aulas.

Um abraço e até a próxima!

Débora

Sobre a autora do post

Débora Garofalo

Débora Garofalo

Colunista

Débora Garofalo é formada em Letras e Pedagogia, com especialização em Língua Portuguesa pela Unicamp, Mestra em Educação pela PUC-SP e FabLearn Fellow, Columbia, EUA. Professora há 16 anos da rede publica de SP, sendo idealizadora do trabalho de Robótica com Sucata que se tornou uma política pública. Atualmente é Coordenadora do Centro de Inovação da Secretaria Estadual de Educação do Estado de São Paulo e colunista das Redes Inovadora na Editora Moderna.

Integrante da comissão de Direitos Humanos da Cidade de São Paulo e Palestrante em grandes eventos Nacionais e Internacionais entre eles, Latinoware, Campus Party, Bett Educar, Havard, EUA, Oxford em Londres, Buenos Aires na Argentina, Ecole Polytechnique, França. Pelo trabalho realizado na Educação Pública, recebeu diversos prêmios importantes, entre eles: Professores do Brasil 2018, Desafio de Aprendizagem Criativa do MIT 2019, Medalha de Pacificadores da ONU 2019 e considerada uma 10 melhores Professoras do Mundo pelo Global Teacher Prize 2019, Nobel da Educação.

Alfabetização em tempos de pandemia

By | OLHARES | No Comments

Um tema que vem causando muitas preocupações e dúvidas em redes de ensino, professores e famílias de alunos: a alfabetização em tempos de pandemia, principalmente no ensino remoto no contexto familiar.

Afinal, todos querem saber como alfabetizar os alunos, quando nem sempre são possíveis as interações entre eles e com o objeto de conhecimento, as intervenções pedagógicas do professor, o acesso a recursos tecnológicos e outros fatores essenciais para a aprendizagem das crianças.

Sim! A alfabetização vem sofrendo ainda mais prejuízos nesse período. Não estamos desenvolvendo o processo de alfabetização como o conhecemos e normalmente fazemos em sala de aula. Há lacunas e teremos muito trabalho adiante , no presencial ou híbrido, para conseguir com que todos os alunos possam avançar na aprendizagem, mas precisamos ter claro também que nossos problemas com a alfabetização já vêm de antes da pandemia, o que nos traz uma reflexão. Que alfabetização estamos fazendo?

Voltando a questão da pandemia, o fato de não termos as melhores condições para essa alfabetização, não quer dizer que nós professores, estamos de “mãos amarradas”, afinal podemos fazer muito pela aprendizagem dos nossos alunos criando situações e vivências no contexto familiar para que eles experimentem o uso da língua nas práticas sociais em seu dia a dia, seja escrita, na leitura e ou oralidade, que podem, por exemplo, ser exploradas através das brincadeiras e afazeres do seu cotidiano. Essa rotina em casa, orientada pelo professor, poderá contribuir muito em suas hipóteses sobre o como funciona o nosso sistema de escrita alfabético e consequentemente em sua alfabetização.

Se inspirem nessa prática de alfabetização que compartilho com vocês, com o tema brinquedos! Ela pode ser desenvolvida no formato remoto e no formato presencial ou híbrido, com algumas adaptações.

Vamos brincar?

Objetivo: Criar uma rotina para os alunos, oferecendo situações de leitura, escrita e oralidade na alfabetização, principalmente no ensino remoto, com apoio das famílias, explorando o tema brinquedos e brincadeiras.

Passo 1: Contextualização. Preparando para as atividades

A. Crianças falam sobre seus brinquedos e ou brincadeiras preferidas. Respondem: Qual a sua brincadeira preferida? Por que gosta dela?

· Por áudio, ou vídeo (até 15 segundos), via WhatsApp. O professor pode editar um vídeo com as preferencias das crianças, ou em outro momento usar esse conteúdo para fazerem um livro de brincadeiras da turma.

· Desenhando e escrevendo o nome da brincadeira em casa com o apoio da família, inserida nas atividades offline, entregues pela escola.

· Em uma roda de conversa na sala de aula.

B. Conhecendo o Museu do brinquedo popular, coleção de David Glat. Vídeo. Link do vídeo, via WhatsApp ou outro canal de comunicação.

https://www.museudobrinquedopopular.com.br/videos_tudoav.asp

Passo 2: Leitura de lista com nomes de brinquedos.

As crianças leem uma lista com nomes de brinquedos, com o auxílio da família em casa ou na sala de aula com as intervenções do professor. No contexto familiar, oriente as famílias para que falem um nome por vez de brinquedo da lista para que a criança encontre. Por exemplo, ioiô. A criança nessa busca ao tentar descobrir onde está o nome vai relacionando o som à escrita.

“Mas ela não sabe ler!” , “ Vai errar!”.

Não há “erros”, há reflexões e assim a criança vai levantando hipóteses sobre a escrita das palavras. Então, não é a resposta e sim, todo o processo para se chegar nela, o que realmente importa. Sendo assim essas atividades feitas em casa vão apoiando o processo de alfabetização.

Se for presencialmente, ou em sala de aula virtual, faça intervenções através de perguntas para que as crianças pensem sobre a escrita das palavras.

Passo 3: Hora de brincar.

Envie as famílias sugestões de brinquedos ou brincadeiras para fazerem com as crianças. O brincar naturalmente faz parte da rotina delas, mas em tempos de pandemia ou na correria do dia a dia dos pais e responsáveis, nem sempre há espaço e tempo para essa atividade tão importante para elas. Com as sugestões do professor famílias e crianças podem redescobrir o prazer de estarem juntos e estreitar ainda mais os laços, tão importantes nesse momento em que muitos pequenos estão abalados emocionalmente.

Envie o link sobre a brincadeira, via canais de comunicação com as famílias, ou ofereça o material em PDF, e ou impresso se no ensino offline.

https://territoriodobrincar.com.br/videos/serie-infantil/
https://www.tempojunto.com/
http://massacuca.com/jogo-da-velha/
https://mapadobrincar.folha.com.br/brincadeiras/

Passo 4: Escrita de nomes de brinquedos e brincadeiras.

Distribua as crianças uma folha impressa com imagens de alguns brinquedos e brincadeiras para que eles escrevam o nome de cada uma delas. Na sala de aula, você pode chamar a cada palavra uma criança para que escreva o nome na lousa, quando então todos os demais, participam confrontando seus conhecimentos em hipóteses a respeito da escrita, com a mediação em intervenções pedagógicas do professor. Para o ensino remoto, no contexto familiar, envie para as famílias além da atividade impressa, um tutorial, curto e claro, sobre como apoiar a criança na atividade. Todas as atividades anteriores prepararam as crianças para essa escrita.

Passo 5: Gravação de tutorial em vídeo de uma brincadeira

Grave um vídeo com um tutorial, sobre como construir um brinquedo ou fazer uma brincadeira para enviar as crianças e suas famílias. Pense em três passos: apresentação; materiais necessários; como brincar; no máximo de dois a três minutos. Na Internet há vários tutoriais disponíveis gratuitamente também.

A ideia é oferecer um modelo e inspirar as crianças a também gravarem seu tutorial, com apoio das famílias, ensinando uma brincadeira. Você vai se surpreender com a capacidade das crianças ao explicarem o passo a passo. Compartilhe as produções das crianças nos canais de comunicação da escola, ou no grupo de WhatsApp da turma ou ainda no formato de mural digital, com os devidos cuidados , seguindo as orientações de sua escola e sua Rede de Ensino.

Como viram, só nessa proposta são muitas as possibilidades de se explorar e apoiar a alfabetização, mesmo no ensino remoto. Mas tem muito mais, plantar, entrevistar, cantar, contar histórias, cozinhar, encenar, ouvir, produzir vídeos, ler livros e tantas outras coisas que as crianças adoram fazer. Para elas uma grande brincadeira e muitos desafios, para nós professores toda a intencionalidade para a aprendizagem, para as famílias uma ótima oportunidade de acompanhar de perto e apoiar os estudos de seus filhos.

Espero que gostem das sugestões! Vamos lá, apoiar e fazer a alfabetização acontecer no ensino remoto no contexto familiar, presencial ou híbrido!

Um abraço e até o próximo post, com dicas práticas de tecnologia para apoiar suas aulas na alfabetização!

Mara Mansani 

Sobre a autora do post

Mara Mansani

Mara Mansani

Colunista

Professora há quase 30 anos, lecionou em vários segmentos, da Educação Infantil ao 5º ano do Ensino Fundamental, passando também pela Educação de Jovens e Adultos (EJA). Recebeu o Prêmio Educador Nota 10, na área de Alfabetização, com o projeto Escrevendo com Lengalenga.

Aulas presenciais transmitidas ao vivo: guia de sobrevivência para professores

By | ATIVAR | No Comments

Já faz um ano que muitos educadores tiveram que transformar o formato de suas aulas, levar a sala de aula para casa e adaptar seus planejamentos, mas os efeitos da pandemia ainda estão presentes em nosso cotidiano e 2021 nos traz provas disso. Se antes, precisávamos nos adequar ao formato de ensino remoto emergencial, agora, muitas escolas brasileiras se adaptam na divisão entre estudantes que estão presencialmente, na escola, e outros que estão em casa, assistindo às aulas via transmissão ao vivo.

Algumas das muitas perguntas que tenho recebido nas formações e em mentorias para escolas e professores são: como dar atenção para quem está na sala de aula sem prejudicar quem está em casa? Como criar atividades que funcionem para ambos? Como engajar quem está em casa e com muito menos estímulos do que quem está no presencial? Como posicionar a câmera de modo que quem esteja em casa me acompanhe enquanto caminho pela sala? Dividi essas perguntas em duas grandes áreas, com o objetivo de lhe ajudar, na prática, a ter mais clareza em mente. Vamos lá?

Planejamento

  1. Divisão da aula por blocos: você já percebeu que os programas de TV são apresentados em blocos? Na área da comunicação, isso tem vários nomes e eu gosto de pensá-los como “áreas de respiro”, ou seja, há várias etapas e o público, no nosso caso, os estudantes, conhecem as etapas e esperam por elas. Mas agora você deve estar se perguntando: que blocos eu posso criar? Aí vão algumas ideias básicas para você adaptar ao seu contexto e planejamento específico:
  • Bloco 1: explicação e explanação de um conceito, contexto, conteúdo novo: é a exposição, através de uma história, apresentação de uma situação, perguntas instigantes. É o momento de apresentar algo novo aos estudantes, um novo objeto de conhecimento.
  • Bloco 2: Momento destinado ao lançamento de um desafio: questionário, construção de algo, produção de um desenho, criação de um infográfico, responder um questionário, fazer a leitura e interpretação de um texto, por exemplo.
  • Bloco 3: dividido em dois momentos – tira dúvidas para quem está online e tira dúvidas para quem está na sala de aula, auxiliando os estudantes no processo e explorando as dúvidas pontuais de um para todos, já que a dúvida de alguém que está online pode ser a mesma de alguém que está na sala de aula.

Outros blocos poderiam ser: momento de explanação dos trabalhos feitos; momento de avaliação diagnóstica via google formulários, por exemplo.

  1. Combinados: já percebeu que para que os blocos funcionem é preciso que tenhamos alguns combinados, não é? Para isso, sugiro que você use 3 a 5 minutos do início da aula ressaltando e relembrando os combinados, que podem ser, por exemplo: quem está na sala de aula e precisa de ajuda, que use a placa de ajuda e fique no aguardo do professor (essa placa pode ser feita com papel sulfite e reutilizado em todas as aulas). Quem está online e precisa de ajuda pode deixar sua pergunta no chat, por exemplo, enquanto aguarda sua vez de ser atendido.
  2. Comunicação clara e objetiva: Para que as duas etapas anteriores funcionem, é fundamental que todos os estudantes conheçam as etapas do processo em que estão envolvidos: os blocos, os momentos de serem atendidos, o respeito aos colegas e ao professor, a paciência enquanto aguarda para ser auxiliado, por exemplo. Para isso, os combinados precisam ser claros e reforçados em todas as aulas, para que se construa, de fato, uma cultura de pessoas adaptadas aos desafios do momento.

Atenção coordenadores: sua ajuda e apoio nesse momento será fundamental aos professores, já que terão demandas de pessoas que estão em ambientes e experiências de aprendizagem completamente diferentes. Seu suporte é essencial para que se faça o melhor trabalho possível. 

Ferramentas digitais

  1. Jamboard: pode ser uma ótima forma de integrar as atividades que são feitas por todos, já que você pode criar no computador, enquanto espelha a tela para quem está online e projeta para quem está na sala de aula. Nele, você pode criar painel semântico, brainstorming, apresentar atividades, etc. Veja um painel semântico criado por mim, em aula, sobre Egito Antigo:

A partir dessa criação, feita com elementos icônicos dessa civilização, entramos nos tópicos elencados com as figuras e cada estudante criou seu painel semântico como desafio, apresentando em um segundo momento. Ah, dica bacana: quem está em casa pode apresentar os seus painéis compartilhando a tela, o que torna visível para quem está em sala de aula e vice-versa.

2. Flippty: uma ótima forma de criar desafios envolvendo roletas, bingos, quizzes e outros jogos, que podem ser feitos durante a aula ou como desafio para casa.

3. Kahoot: o site queridinho dos professores em 2020, por propiciar a criação de quizzes envolvendo ranking e gamificação continua forte em 2021. Dica: aproveite para criar perguntar que sirvam como revisão dos conteúdos vistos ou como diagnóstico sobre o que eles já sabem acerca do assunto. Ah, fique de olho nas questões que mais apresentam erros e revise essas questões com os estudantes. Importante: para criar uma experiência realmente interativa e unir os alunos que estão em sala de aula e os que estão online, solicite que os alunos que estão em sala tragam seus smartphones ou disponibilize tablets da escola, em um ambiente que conte com wifi, para que todos possam jogar.

É claro que muitas outras iniciativas podem ser tomadas, sempre com o apoio dos coordenadores e orientadores, que devem estar atentos às demandas e desafios que professores e estudantes estão enfrentando. A união e suporte de toda a equipe é fundamental para que a aprendizagem seja construída com qualidade e significado. Espero que essas sugestões lhe ajudem na sua prática e propiciem outras ideias baseadas no que viu por aqui.

Seguimos compartilhando e aprendendo, juntos. 😀

Prof. Emilly Fidelix

Sobre a autora do post

Emilly Fidelix

Emilly Fidelix

Colunista

Emilly Fidelix é criadora do @seligaprof, onde impacta milhares de professores de todo o Brasil, palestrante e formadora de professores. É doutoranda em História Cultural (UFSC), especialista em Tecnologias, Comunicação e Técnicas de Ensino (UTFPR), colunista no blog Redes Moderna e professora de pós-graduação no Instituto Singularidades. Atua nas áreas de metodologias ativas, storytelling aplicado à educação e BNCC.

Cinco passos para promover a gestão da aprendizagem no ambiente remoto e híbrido

By | Educação inovadora | No Comments

Com a diversidade brasileira e a pandemia da COVID-19, temos situações adversas na Educação. Enquanto alguns Estados e Municípios retomaram o processo de ensino no modelo híbrido, que mescla o presencial e o remoto (com rodízios entre os estudantes), outros ainda permanecem somente no formato remoto.

Diante deste cenário, é comum nos questionarmos. Como manter os estudantes motivados a usar o ambiente remoto de aprendizagem? Este é um desafio real das unidades escolares por diversos motivos que são plurais, com realidades e necessidades diferenciadas e motivados por diversos fatores.

E para promover a gestão da aprendizagem em um ambiente remoto e híbrido, podemos seguir caminhos, que contemplem a atratividade para que os estudantes possam se envolver e contribuir com sugestões. A seguir alguns passos úteis nessa jornada.

  1. Cuidado ao planejar as aulas

O ensino remoto não deve ser realizado apenas com aulas online. A gestão da aprendizagem deve considerar novas formas de ensinar, indo além do cotidiano e se adequando ao contexto de cada realidade escolar e dos estudantes.

Para planejar as aulas é necessário considerar recursos que os estudantes possuem disponíveis em casa, como Internet, materiais, espaço para estudar, entre outros. Para o ensino híbrido é importante identificar pontos dos momentos presenciais com os remotos de forma combinada, pensando como dividir a classe e quais conteúdos são adequados a cada momento.

Explorar novas maneiras de aprendizagem com interações e que estimulem o processo criativo e a curiosidade, adaptando avaliações e realizando projetos diferenciados, contribuem com aulas dinâmicas.

2. Orientação de Estudo

A gestão da aprendizagem requer comunicação. O primeiro passo é orientar os estudantes sobre o ambiente, os recursos, as disciplinas, prazos e tarefas. Combinar com eles estes aspectos é um importante caminho, uma vez que no formato presencial o estudante tem liberdade de procurar o professor, sanar dificuldades e expor problemas que muitas vezes possuem receio de fazê-lo no formato remoto.

Estamos há muito tempo lidando com a pandemia e com o distanciamento social sendo necessário começar devagar, não gerar situações que os estudantes se sintam constrangidos a realizar, como abrir a câmera. Muitos não se sentem à vontade com a exposição e preciso respeitá-los e manter diálogo neste momento.

3. Humanizar a experiência nas aulas remota

Diante de aulas mediadas pela tecnologia é possível humanizar a experiência.  Uma maneira de contribuir para isso, são trazer exemplos e dados concretos, como conversar sobre as expectativas dos momentos remotos e o professor explanando seus anseios e desafios.

Escolha plataformas que permitam o acompanhamento de atividades, tempo de permanência, interações, pesquisas de opinião, leituras realizadas entre outras.

Se a plataforma não tiver esses recursos, pode ser criado um documento colaborativo para que o estudante possa preencher e colocar os dados, emitir opiniões em busca de uma escuta ativa e autônoma em que professor tenha um papel ativo e possa intervir na aprendizagem.

4. Desafio Docente

Como professores temos muitos desafios, é um deles não é apenas inserir ferramentas tecnológicas no processo de ensino, mas adaptá-las ao ambiente remoto de aprendizagem. Assim, é possível apostar nos formatos e trazer diversos tipos de interação de acordo com a turma desde trabalhos colaborativos, jogos digitais até circuitos gamificados.

5. Dicas de como escolher as Ferramentas digitais

A escolha de ferramentas digitais requer olhar para condições de acesso dos estudantes e compartilho dicas que podem auxiliar neste processo.

Aplicativos de realidade virtual e gamificação –Temos uma infinidade de vídeos em dimensões aumentadas e jogos digitais gamificados que podem ser aplicados para trabalhar diferentes conteúdos e situações de aprendizagem.

Gestão escolar – algumas plataformas auxiliam o professor a acompanhar o desenvolvimento e frequência dos estudantes. A learning analytics (que é a utilização de dados de aprendizagem para fazer análises sobre o desempenho educacional dos estudantes) é um exemplo com indicadores de avaliação a partir dos objetos e planejamento.

Ambientes colaborativos – O G Suite, Google sala de aula são pacotes de serviços disponíveis que permitem colaboração e o uso das metodologias ativas, registrando o percurso, interação, podendo ser usado em diferentes aparelhos tecnológicos.

A gestão da aprendizagem requer o protagonismo docente no papel de mediação do processo de ensino em que a tecnologia e abordagem pedagógica pode contribuir com o engajamento dos estudantes.

Um abraço e até a próxima!

Débora

Sobre a autora do post

Débora Garofalo

Débora Garofalo

Colunista

Débora Garofalo é formada em Letras e Pedagogia, com especialização em Língua Portuguesa pela Unicamp, Mestra em Educação pela PUC-SP e FabLearn Fellow, Columbia, EUA. Professora há 16 anos da rede publica de SP, sendo idealizadora do trabalho de Robótica com Sucata que se tornou uma política pública. Atualmente é Coordenadora do Centro de Inovação da Secretaria Estadual de Educação do Estado de São Paulo e colunista das Redes Inovadora na Editora Moderna.

Integrante da comissão de Direitos Humanos da Cidade de São Paulo e Palestrante em grandes eventos Nacionais e Internacionais entre eles, Latinoware, Campus Party, Bett Educar, Havard, EUA, Oxford em Londres, Buenos Aires na Argentina, Ecole Polytechnique, França. Pelo trabalho realizado na Educação Pública, recebeu diversos prêmios importantes, entre eles: Professores do Brasil 2018, Desafio de Aprendizagem Criativa do MIT 2019, Medalha de Pacificadores da ONU 2019 e considerada uma 10 melhores Professoras do Mundo pelo Global Teacher Prize 2019, Nobel da Educação.

Uma meta para 2021: ler muitos livros!

By | LITERATURA COM MARIA JOSÉ NÓBREGA | No Comments

Começamos 2021, tendo que lidar com os velhos problemas de 2020, não é mesmo? Embora a vacina se anuncie como uma esperança, ainda vamos precisar manter o distanciamento social, os cuidados com a higiene das mãos, o uso das máscaras. No ambiente escolar, vai ser necessário enfrentar, com disposição, a herança do ano anterior e os novos desafios: o que nossos estudantes conseguiram aprender com as modalidades de ensino remoto ou híbrido? Quais são as sequelas desse ano tão complexo? 

Nesse contexto, o planejamento requer atenção aos conteúdos essenciais para que todos sigam aprendendo em um ambiente sereno e acolhedor. Essa ação requer o envolvimento de toda a equipe da escola não só para avaliar o que foi possível aprender, mas também para traçar ações didáticas adequadas para atender às necessidades de todos. 

Em meio a tantas urgências, uma pergunta é recorrente: como fica a leitura literária? Há tantos conteúdos a ensinar Ler literatura, nesse momento, não seria perder tempo? Claro que não! Ouso afirmar que a leitura literária talvez nunca tenha sido tão necessária. Em meio a tantas restrições, poder entrar em contato com autores e personagens incríveis, encontrar palavras capazes de traduzir nossos sentimentos, imaginar outras vidas, outros tempos e espaços são experiências que iluminam nossos caminhos. 

Mas como fazer isso? Você pode estar se perguntando. Aí vão duas sugestões para a construção de uma política de letramento literário na escola. 

  1. Quais são os gêneros priorizados em cada ano? Organize com seus colegas um quadro para que todos os educadores tenham acesso a essa seleção. 

PROGRESSÃO DO TRABALHO COM OS GÊNEROS 

Avalie o impacto na formação de leitores do desdobramento de uma ação simples como essa considerando os demais gêneros selecionados. 

2. Quais clássicos a comunidade escolar considera que todas as crianças ou adolescentes não poderiam deixar de ler? Com uma ferramenta como o formulário do Google ou similar, organize uma enquete envolvendo também os pais. Essa consulta pode resultar em uma lista de dicas parecida com esta: 

O que fazer com essetítulos? Ler compartilhadamente, isto é, negociando os sentidos do texto e convidar leitores adultos que tenham lido a obra para dividir suas impressões com a turma presencial ou virtualmente. Será que as emoções que a obra despertou nesses leitores de gerações tão diferentes foram as mesmas? 

E, então, o que achou das sugestõesQue tal transformar 2021 no ano da leitura? 

Mazé

Sobre a autora do post

Maria José Nóbrega

Maria José Nóbrega

Colunista

Formada em Língua e Literatura Vernáculas pela PUC/SP, com mestrado em Filologia e Língua Portuguesa pela USP, atuou em programas de formação continuada junto ao MEC, à SEE de São Paulo e à SME de Florianópolis e de São Paulo. Compôs a equipe de elaboração dos Parâmetros Curriculares Nacionais, terceiro e quarto ciclos (1998); coordenou a equipe de Língua Portuguesa das Orientações curriculares e proposição de expectativas de aprendizagem para o ensino fundamental: ciclo I e II – SME de São Paulo (2007); integrou a equipe de elaboração da Proposta Curricular de Língua Portuguesa, do 1º ao 5º ano da SEE do Ceará (2014). Atuou como pesquisadora do Projeto “Currículos para os anos finais do ensino fundamental: concepções, modos de implantação, usos”, desenvolvido pelo Cenpec – Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (2015). Foi assessora do Projeto Planos de Aula da Nova Escola.

Atualmente, além de assessorar várias escolas particulares de São Paulo, é coordenadora dos projetos de leitura da Editora Moderna, organizadora da série “Como eu Ensino” da Editora Melhoramentos, professora do curso de Especialização em Formação de Escritores / Instituto Superior de Educação Vera Cruz e do curso O livro para a infância: processos de criação, circulação e mediação contemporâneos / A Casa Tombada.