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Presentear com livros: dicas dos pequenos leitores

By | LITERATURA COM MARIA JOSÉ NÓBREGA | No Comments

Desde 2017, as editoras Moderna e Salamandra desenvolvem o projeto “Leitura em Família” no qual se sustenta que ler junto é a base da formação de leitores. A cada lançamento, uma mãe ou um pai é convidado a ler com seus filhos o livro em questão e produzir um pequeno depoimento a respeito dessa experiência. Esses delicados relatos ficam disponíveis aos interessados acessando o QR Code que consta dos volumes. Como coordenadora desse projeto, devo confessar que adoro poder imaginar esses pequenos acontecimentos e saborear os comentários desses leitores tão especiais. 

Com a proximidade do final do ano, pensei em organizar uma lista com dicas literárias para quem quer presentear com livros. Adoro fazer isso! Alguém conhece uma criança que não goste de histórias? Curiosas, gostam de saber o que acontece com as personagens, o que elas sentem; interativas, adoram conversar com as pessoas com quem compartilham esses textos.  

 Ah, sim… por que comecei este post falando do “Leitura em Família”? Porque tive a ideia de realizar uma enquete com os pequenos colaboradores do projeto: entre os livros que você leu, qual escolheria para dar de presente?  

Aí vão as sugestões dos nossos “grandes” leitores… 

Oscar, o protagonista de O cachorro do menino, consegue convencer sua mãe a comprar um cachorro igual ao do seu melhor amigo, mas o filhote tem um sério problema: é incapaz de andar. O que fazer com esse animal? Nesse livro, César Obeid conta a história de dois jeitos: em prosa e em verso. A versão em prosa é mais realista, concisa e direcionada ao desenrolar das ações. A versão em cordel, com a sonoridade das rimas, é mais emotiva e faz com que os dilemas e angústias das personagens ganhem volume. 

O Arthur gostou muito do livro, principalmente da parte em que Oscar adapta um carrinho de brinquedo para permitir que o cachorrinho ande. Que bonito ver como ele se deixa tocar por algo tão pungente, não é? Quem seria o presenteado? O próprio pai… Por que será? Alguém tem um palpite? 

Esse livro reúne algumas histórias de um dos personagens mais interessantes da cultura oral brasileira: Pedro Malasartes. Sua esperteza e seu cinismo fazem com que passe a perna em ingênuos incautos, fazendeiros poderosos, nobres e até mesmo santos e demônios. O que há de mais interessante nessa edição é ter aproximado a narrativa tradicional da linguagem contemporânea dos quadrinhos. O carisma da figura de Malasartes e o tom humorístico das histórias se ajustam muito à linguagem dinâmica e imagética dos quadrinhos, que pode ser extremamente rica na formação do leitor na medida em que exige a elaboração de uma síntese a partir de informações oferecidas em ao menos dois níveis diferentes: o plano da palavra escrita e o plano das imagens. 

Miguel indica o livro citando o título, a autora e o ilustrador. Referência completa. Justifica sua escolha pela personagem: Pedro Malasartes engana, trapaceia e é muito engraçado. Dentre as histórias, destaca a “Sopa de Pedra” que deve ter ficado mesmo uma delícia depois que o Malasartes, com a sua conhecida lábia, conseguiu os ingredientes de uma velha avarenta e muito egoísta.  

Em O estranho dia de Luísa, Ilan Brenman faz o leitor lembrar de que nem mesmo na infância todos os dias são alegres e despreocupados: há dias em que tudo nos parece desagradável. Luísa nunca diz exatamente o que lhe incomoda, mas faz questão de deixar claro que amanheceu em descompasso com o mundo. O autor parece nos lembrar que um dia não é simplesmente um intervalo de tempo. Nesse ínterim, podemos brigar com o mundo e depois fazer as pazes. 

Helena achou graça da personagem falar “não” para tudo e gostou muito das ilustrações. Achar graça de Luísa é um jeito de achar graça daqueles dias em que nós mesmos cruzamos os braços e fazemos cara feia para tudo e para todos, afinal, até as princesas têm seus dias de ogro, não é? 

Em Laís, a fofinha, Walcyr Carrasco convida o leitor a conhecer uma garota que não se encaixa nos modelos de beleza que a sociedade cruelmente parece exigir: ela está um pouco acima do peso. Em uma época em que a imagem parece ser mais valorizada do que a realidade, abordar as consequências que a pressão pelo padrão ideal pode gerar no cotidiano de uma criança é de grande pertinência. 

Em O vaqueiro que nunca mentia, Ilan Brenman recria, à sua maneira, a lenda do Boi Bumbá, uma das narrativas mais fundamentais da cultura popular brasileira. Essa é a lenda entranhada na célebre brincadeira do Bumba meu Boi, dançada na festa de São João em diferentes lugares do nordeste brasileiro e, em especial no Maranhão, onde foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco.  

Ao ser indaga sobre qual livro daria de presente, Patrícia respondeu prontamente: Depende para quem é o presente! Claro, não? Quando a gente escolhe um presente, o faz pensando nas preferências da pessoa presenteada, mas sempre colocamos um pouquinho do nosso olhar… 

Patrícia dá suas dicas. Se fosse para a Stella (prima), eu daria o livro da menina gordinha (Laís, a fofinha). Se fosse para o Alê (primo também), o do vaqueiro que não mente (O Vaqueiro que nunca mentia, um conto popular brasileiro). Repare que ela não se lembra do título, mas das personagens. É por via das personagens que aderimos afetivamente à narrativa. Por que esses títulos? Patrícia não sabe responder, só acha que a Stella e o Alê vão gostar. 

Luciana, mãe de Patrícia, tem uns palpites sobre os porquês: a Stella é bem mais vaidosa e preocupada com a aparência do que ela; o Alexandre, o mais novinho de um dos lados da família, gosta muito de aumentar umas coisinhas, para se sentir mais incluído entre os mais velhos

Como seria começar a receber cartões com mensagens escritas pelos objetos que esquecemos por aí? Pois é a partir desse insólito mote que Drew Daywalt elabora o divertido A volta dos gizes de cera, continuação do hilário A revolta dos gizes de cera, também criado em parceria com Oliver Jeffers. 

Esse título foi lançado em 2015. Marcelo o leu há tempos, mas o livro ficou lá… guardado em um lugar bem quentinho da memória: é um livro muito engraçado, tem um giz que diz que está na Floresta Amazônica, mas a foto do cartão mostra ele num lugar com neve! O livro chega a Marcelo por um trecho. Quantos livros não estão sustentados por pequenos fragmentos na nossa memória?  

Em “Bom dia, bom dia”, de Brendan Wenzel, as imagens importam mais do que as (poucas) palavras. Com delicadeza, o autor convida seus pequenos leitores a mergulhar no universo vibrante e repleto de cores, formas e possibilidades da fauna do nosso planeta.  

Dandara explica melhor: “Bom dia, bom dia!” tem umas imagens muito legais de animais de todo mundo e o final é mó legal! Você tem que achar os animais: o primeiro, o segundo, o terceiro, o quarto, o quinto, o sexto, o sábado, o domingo 

Os Drufs são seres muito parecidos com os humanos, porém menores. As personagens desse livro nascem de inventivas fotografias dos dedos da mão da autora, que ganham boca, olhos e as mais variadas vestimentas e cabelos. À sua maneira lúdica e criativa, Eva Furnari apresenta ao leitor muitos tipos de família, cada um com suas excentricidades e dramas. 

Vejam o que diz Dandara, mexendo os dedinhos: Adoro o DRUFS! É de dedinhos! A minha família preferida é a dos Gorrinhos, porque tem o RARARÁ… Até o meu gato gosta dos Drufs! 

Para quem quiser saber quem é o RARARÁ, um brinde!  

Espero que tenham gostado dessas dicas tão saborosas. Elas já são um presente de Natal, não é mesmo? Boas leituras! Boas festas! Boas férias! Até 2022… 

Mazé Nóbrega

Sobre a autora do post

Maria José Nóbrega

Maria José Nóbrega

Colunista

Formada em Língua e Literatura Vernáculas pela PUC/SP, com mestrado em Filologia e Língua Portuguesa pela USP, atuou em programas de formação continuada junto ao MEC, à SEE de São Paulo e à SME de Florianópolis e de São Paulo. Compôs a equipe de elaboração dos Parâmetros Curriculares Nacionais, terceiro e quarto ciclos (1998); coordenou a equipe de Língua Portuguesa das Orientações curriculares e proposição de expectativas de aprendizagem para o ensino fundamental: ciclo I e II – SME de São Paulo (2007); integrou a equipe de elaboração da Proposta Curricular de Língua Portuguesa, do 1º ao 5º ano da SEE do Ceará (2014). Atuou como pesquisadora do Projeto “Currículos para os anos finais do ensino fundamental: concepções, modos de implantação, usos”, desenvolvido pelo Cenpec – Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (2015). Foi assessora do Projeto Planos de Aula da Nova Escola.

Atualmente, além de assessorar várias escolas particulares de São Paulo, é coordenadora dos projetos de leitura da Editora Moderna, organizadora da série “Como eu Ensino” da Editora Melhoramentos, professora do curso de Especialização em Formação de Escritores / Instituto Superior de Educação Vera Cruz e do curso O livro para a infância: processos de criação, circulação e mediação contemporâneos / A Casa Tombada.

Sala de Aula Invertida como trabalhar

By | Educação inovadora | No Comments

A sala de aula invertida é uma modalidade ativa do Ensino Híbrido que mistura o online e off-line como ferramenta para potencializar e personalizar o ensino, visando colocar o estudante no centro do processo de aprendizado ao buscar novas formas de interação com o currículo.

A sala de aula invertida atua em um processo que denominamos antes, durante e depois. Em um primeiro momento, o professor possui um papel essencial de fornecer e ministrar conteúdos para que os estudantes possam, ao longo do tempo, se tornarem curadores.

Com o passar do tempo e a criação de uma nova cultura o estudante, assume esse papel, sendo mais assertivo e crítico e em suas escolhas e permitindo que o processo ocorra antes ao ser curador de informações a respeito do assunto a ser tratado.

Durante as aulas, os estudantes terão a possibilidade de usar o tempo em sala para debater, tecer reflexões, para que sejam mais produtivos e participativos. Finalmente, no após a aula, a cultura dos estudantes se altera, por meio da apropriação e pelo gosto de ir atrás de informações para os enriquecimentos das aulas e do seu conhecimento, tornando assim autoral e protagonista.

Levando para a sala de aula

O conceito de sala de aula invertida vem da ideia de inverter a lógica tradicional da aula, para que a aula possa ter uma personalização, ao mesmo que visa garantir com que a sala de aula seja uma expansão para além do tempo de aula tradicional.

Assim, como nas demais modalidades os estudantes podem estudar a sala de aula invertida online: em que o estudante geralmente estuda sozinho, explorando as possibilidades da Internet e ou off-line momento em que o estudante estuda em grupo, com o auxílio do professor e colegas.

Invertendo a aula

O processo de inversão da sala de aula exige dois aspectos do professor que são importantes:

1. Planejamento – planejar as aulas, conectando as habilidades e competências a serem desenvolvidas relacionadas com o currículo.

2. Escuta ativa – olhar a tento ao que já existe de informações nas redes e internet de videoaulas, materiais, textos, entre outros.

3. Estruturar o que se trabalhado – organizar o conteúdo em ambientes conhecidos dos estudantes para que possam revisitar sempre que necessário e ou procurar ferramentas especificas. Uma delas é o Sílabe, que é gratuito e te permite criar aulas online, sendo possível conectar conteúdos externos e aplicar atividades.

4. Curadoria de conteúdos – é importante o professor realizar curadoria de conteúdos que já existem na internet, como Youtube Edu, Khan Academy, entre outros.

5. Aula – Esse é o momento de preparar a aula e o que será realizado no momento que visa otimizar e personalizar o ensino! Para isso é importante realizar um bom roteiro das atividades, projetos que façam conexão com a curadoria, plataformas e que possam se adaptar a nova proposta de ensino.

Um abraço e até a próxima,

Débora

Sobre a autora do post

Débora Garofalo

Débora Garofalo

Colunista

Débora Garofalo é formada em Letras e Pedagogia, com especialização em Língua Portuguesa pela Unicamp, Mestra em Educação pela PUC-SP e FabLearn Fellow, Columbia, EUA. Professora há 16 anos da rede pública de SP, sendo idealizadora do trabalho de Robótica com Sucata que se tornou uma política pública. Atualmente é Coordenadora do Centro de Inovação da Secretaria Estadual de Educação do Estado de São Paulo e colunista do blog Redes na coluna Edução Inovadora na Editora Moderna.

Integrante da comissão de Direitos Humanos da Cidade de São Paulo e Palestrante em grandes eventos Nacionais e Internacionais entre eles, Latinoware, Campus Party, Bett Educar, Harvard, EUA, Oxford em Londres, Buenos Aires na Argentina, Ecole Polytechnique, França. Pelo trabalho realizado na Educação Pública, recebeu diversos prêmios importantes, entre eles: Professores do Brasil 2018, Desafio de Aprendizagem Criativa do MIT 2019, Medalha de Pacificadores da ONU 2019 e considerada uma 10 melhores Professoras do Mundo pelo Global Teacher Prize 2019, Nobel da Educação.

E se… O Instagram se tornasse o seu recurso pedagógico?

By | ATIVAR | No Comments

Que o Instagram é a rede social do momento (e esse momento já dura alguns anos), todo mundo já sabe, não é? O Instagram é uma rede social que originalmente foi criada para compartilhamento de fotografias e se tornou famosa pela possibilidade de aplicação dos filtros, lá no início. Hoje, a rede social permite o compartilhamento não só de imagens, mas também de vídeo, como os formatos de vídeos longos, vídeos curtos (Reels), lives e stories, vídeos de até 15 segundos.

Embora possa parecer uma rede social recente, o Instagram foi lançado em outubro de 2010 e o Brasil é um dos países que mais passa tempo nessa rede. E como cultura digital é um dos tópicos pautados na BNCC, especialmente quando o assunto é o desenvolvimento de competências, vamos pensar juntos em formas de aproveitar a existência dessa rede social para desenvolver reflexões e ideias sobre o universo digital.

Fenômeno das blogueiras

O primeiro tópico que gostaria de explorar com você é o fenômeno das “blogueiras” e o quanto esta rede social, extremamente visual, acabou impactando diretamente no psicológico de muitos adolescentes. Fenômenos como a “vida perfeita”, a “produtividade sempre em alta”, “#gratidão” banalizada, imagens tratadas com filtro e as selfies, também trabalhadas com filtros que editam o formato do rosto geram a impressão de que a vida de quem acompanho nas redes é incrível, menos a minha.

Trabalhar a maturidade dos estudantes sobre o recorte que é feito nas redes, parece óbvio e até pode parecer “ingênuo”, mas a própria empresa já sabe dos efeitos que têm causado, especialmente nos jovens, veja aqui.

Nesse sentido, projetos nas áreas de linguagens que envolvam discussões em torno da autoestima, autoimagem, depressão e outros temas relevantes para o universo jovem, são fundamentais de serem explorados. E para visualizarmos também outro viés, o positivo das redes, podemos trabalhar as formas de contato com pessoas de qualquer parte do mundo, o acompanhamento dos ídolos nas redes sociais, a forma como se pode aprender acompanhando páginas de museus, instituições de ensino, jornais, etc.

Outro elemento interessante de explorarmos é a história da beleza: o que é o belo? E como esse conceito foi se transformando com o tempo. Para isso, a Geografia, a História e a Arte, por exemplo, são um prato cheio para compor o arcabouço das discussões com a turma.

Continuando o nosso quadro de ideias, outro tópico interessante e que pode servir como forma de revisão dos conteúdos é a criação de páginas de Instagram fictícias (usando templates em PDF ou mesmo desenhando o formato no papel). Uma boa fonte de inspiração é o site Histagrams.com, veja alguns exemplos:

Exercício para você: como o Instagram poderia ser explorado no seu componente curricular e segmento? Espero que tenha muitas ideias!

Um grande abraço digital,

Prof. Emilly Fidelix | @seligaprof 

Para ir além: deixo como sugestão o artigo de Marco Antônio Moreira: O que é afinal aprendizagem significativa? Disponível em: http://moreira.if.ufrgs.br/oqueeafinal.pdf

Um grande abraço digital,

Prof. Emilly Fidelix | @seligaprof

Sobre a autora do post

Emilly Fidelix

Emilly Fidelix

Colunista

Emilly Fidelix é criadora do @seligaprof, onde impacta milhares de professores de todo o Brasil, palestrante e formadora de professores. É doutoranda em História Cultural (UFSC), especialista em Tecnologias, Comunicação e Técnicas de Ensino (UTFPR), colunista no blog Redes Moderna e professora de pós-graduação no Instituto Singularidades. Atua nas áreas de metodologias ativas, storytelling aplicado à educação e BNCC.

Como fazer uma aula gamificada

By | Educação inovadora | No Comments

A gamificação tem muito potencial dentro da sala de aula, podendo despertar o interesse dos estudantes pelo currículo, além de contribuir para que as aulas sejam mais atraentes. Esta abordagem é pautada em metodologias ativas que visam a participação ativa dos estudantes por meio de jogos.

É possível montar uma aula gamificada mesmo que você não esteja familiarizado com o tema. O primeiro passo é compreender que ela é caracterizada pelo uso estratégico da lógica dos jogos, de forma que estudante aprenda e interaja ativamente. Desta maneira o estudante é incentivado a participar e assumir o papel de ativo, desenvolvendo habilidades e competências como: criatividade, protagonismo, iniciativa, inovação, cooperativismo, soluções de problemas, entre outros.

Neste processo, o professor é o mediador do processo de aprendizagem e deve aguçar a criatividade dos estudantes, com desafios baseados em problemas reais, ao transformar o currículo em uma atividade de descoberta, jogo de detetive, caça tesouros.

Assim, o conteúdo que seria expositivo se torna mais atraente e os momentos das aulas mais atraentes e divertidos, trazendo o lúdico, ao permitir que reflitam sobre as vivências e favorecendo o ouvir, ver, questionar, perguntar, fazer e ensinar e aprender junto entre os estudantes.

Transformando a aula em gamificada

Como vimos, a gamificação traz inúmeros benefícios a estudantes e professores tanto no que tange o desenvolvimento de habilidades e competências, enquanto no enriquecimento curricular, com a facilidade de trabalhar o currículo, emitir feedback instantâneo de aprendizado, possibilidade de trabalho multidisciplinar e temas transversais.

Para isso, o professor precisa ter mente que o estudante precisa desenvolver as seguintes estratégias:

1. Explorar o problema;

2. Levantar hipóteses;

3. Buscar soluções a partir de conhecimentos prévios;

4. Identificar o que sabe e o que precisa ser aprendido para resolver e atuar sobre o problema;

5. Estabelecer tarefas individuais e delegar responsabilidades entre os integrantes da equipe;

6. Compartilhar o novo conhecimento adquirido;

7. Aplicar o conhecimento para resolver o problema;

8. Avaliar a solução proposta e a eficácia dela.

Para isso, é necessário que o professor retome características do jogo, que vão desde elemento dinâmicos, mecânicos, objetivos de aprendizagem, conteúdos, aprendizados, plataformas digitais e feedbacks, como veremos a seguir.

1. Os elementos dinâmicos são as estruturas e o funcionamento da aula gamificada, como emoções, narrativa, progressão (indicadores de avanço no jogo), regras, relacionamento entre a equipe.

2. Os elementos mecânicos são as orientações do jogo. Itens necessários a prosseguir nas etapas, avaliação, chances, cooperação, competição, desafios, entre outros.

3. Objetivo de aprendizagem, diz respeito ao que o estudante deve saber e compreender com o jogo.

4. O conteúdo refere-se aos temas que serão abordados, se atividade é multidisciplinar e ou possui um tema central com subtemas.

5. As atividades são as trilhas de aprendizagem em que os estudantes precisarão resolver para desenvolver o conhecimento específico, além dos recursos que podem ser digitais e ou mão na massa.

Conheça aqui algumas ferramentas digitais:

· Kahoot

· Wordwall

· Quizzis

· Edupulses

6. Todos os jogos têm regras e essas precisam ser objetivas e vir acompanhadas de feedbacks. Cada atividade precisa ter uma duração definida, assim como o número de conquistas e frequência de interação entre os jogadores.

Um abraço e até a próxima!

Débora

Sobre a autora do post

Débora Garofalo

Débora Garofalo

Colunista

Débora Garofalo é formada em Letras e Pedagogia, com especialização em Língua Portuguesa pela Unicamp, Mestra em Educação pela PUC-SP e FabLearn Fellow, Columbia, EUA. Professora há 16 anos da rede pública de SP, sendo idealizadora do trabalho de Robótica com Sucata que se tornou uma política pública. Atualmente é Coordenadora do Centro de Inovação da Secretaria Estadual de Educação do Estado de São Paulo e colunista do blog Redes na coluna Edução Inovadora na Editora Moderna.

Integrante da comissão de Direitos Humanos da Cidade de São Paulo e Palestrante em grandes eventos Nacionais e Internacionais entre eles, Latinoware, Campus Party, Bett Educar, Harvard, EUA, Oxford em Londres, Buenos Aires na Argentina, Ecole Polytechnique, França. Pelo trabalho realizado na Educação Pública, recebeu diversos prêmios importantes, entre eles: Professores do Brasil 2018, Desafio de Aprendizagem Criativa do MIT 2019, Medalha de Pacificadores da ONU 2019 e considerada uma 10 melhores Professoras do Mundo pelo Global Teacher Prize 2019, Nobel da Educação.

Como potencializar a aprendizagem dos estudantes na alfabetização na reta final de 2021?

By | OLHARES | No Comments

Com a retomada das aulas presenciais, as Redes de Ensino, escolas e professores puderam ter uma visão mais ampla e profunda da situação da aprendizagem de seus estudantes. Na alfabetização, como era de esperar, depois de tanto tempo em ensino remoto, onde não tivemos as melhores condições para alfabetizar e com as desigualdades no acesso ao estudo, o retrato da aprendizagem indica turmas ainda mais heterogêneas, onde as defasagens estão presentes e indicando várias e diferentes necessidades de aprendizagem.

Esse é o nosso cenário atual na alfabetização, que vai exigir planejamento estratégico das Redes de Ensino com ações pontuais para corrigir os desvios e colocar no eixo o processo de aprendizagem dos nossos estudantes, o que provavelmente pode adentrar os próximos anos.

Mas o que professores alfabetizadores podem fazer em relação a seu planejamento e ações nessa reta final do ano escolar, para potencializar a aprendizagem dos seus estudantes?

Retrato da turma!

Estude com profundidade os dados levantados no diagnóstico da aprendizagem de seus estudantes nessa retomada as aulas presenciais. É preciso identificar com clareza em qual estágio se encontra cada um deles no processo de aprendizagem, quais são suas hipóteses de escrita, que no planejamento podem ser agrupados levando em consideração as habilidades a serem desenvolvidas. Dessa forma é possível fazer intervenções pontuais que atendam as reais necessidades de cada grupo, de acordo por exemplo com cada hipótese de escrita, o que indica diferentes estratégias e práticas pedagógicas.

Foco na aprendizagem!

O foco central nesse período deve ser o processo de aprendizagem, no que os alunos precisam aprender, no potencial de aprendizagem deles, nas ações que podemos fazer para que todos avancem, no levantamento do que pode facilitar e apoiar a alfabetização. Muitas vezes temos a tendência de focar nas dificuldades que encontramos para alfabetizar, carregadas de reclamações , muitas vezes reais e com a devida razão, mas que nos levam a generalizar situações e ter dificuldades de enxergar caminhos a seguir no processo de aprendizagem. Um exemplo disso é quando falamos, “Meus alunos têm muitas dificuldades!”, o que nos leva a algumas reflexões : Que dificuldades são essas? De ordem pedagógica, didática, ou outros fatores? ; Essas habilidades estão ligadas a quais práticas de linguagem? ; Dizem respeito a toda turma, ou a um determinado grupo de alunos? Que percentual da turma? ; Isso tudo leva a repensar nosso trabalho, o que pode trazer mais qualidade para as nossas aulas.

Combine tempo e espaço no planejamento de suas aulas

Pouco tempo e muitas necessidades de aprendizagem são algumas das características desse período , a reta final do ano escolar. A recomendação principal então, é ter calma e clareza que não podemos resolver toda a defasagem na aprendizagem de quase dois anos de pandemia, em apenas um bimestre. Mas para aproveitar ao máximo esse período, um bom planejamento se torna fundamental , e para isso a gestão do tempo e espaço em nossas aulas é um dos fatores de muita importância que deve ser levado em consideração. Nesse sentido, os projetos e sequências didáticas são ótimas opções. Essas modalidades organizativas são estudos e propostas de vários autores como Délia Lerner, o grupo de Genebra (Dolz, Noverraz e Scheuwly), Fernando Hernández, entre outros, cada qual com suas próprias características. Por isso, vale a pena estudar e escolher a proposta que mais se encaixa no seu trabalho na alfabetização, ou fazer uso de elementos comuns a todos que possam contribuir na construção de sua proposta em sala de aula ( projetos e sequências).

Integre componentes e áreas do conhecimento

Selecione as habilidades essenciais na alfabetização previstas em seu currículo, de acordo com as necessidades de aprendizagem de seus alunos. Veja quais as áreas do conhecimento e componentes que pertencem e o que podem ser desenvolvidas conjuntamente, interdisciplinarmente. Dessa forma, além de otimizar o tempo para o desenvolvimento de habilidades e conteúdo, se potencializa a alfabetização, pois assim o desenvolvimento do processo de aprendizagem não acontece de forma fragmentada.

Aprendizados dos professores

Nessa retomada, não abandonem os aprendizados do período de ensino remoto, como o uso de recursos tecnológicos, metodologias ativas e etc. Esse período de ensino exigiu que os professores de maneira geral buscassem o conhecimento de novas formas de ensinar para atender as novas demandas da educação, o que resultou em aprendizados, que podem e devem fazer parte das aulas nesse momento de retomada. Com o uso dessas estratégias, recursos e novas metodologias, podemos dar continuidade as atividades colaborativas, interativas, coletivas, o que agora com as interações entre todos e intervenções do professor podem fazer a diferença na aprendizagem dos estudantes. Nossas aulas devem ser momentos férteis para a aprendizagem de todos, e por isso não cabem mais somente aulas expositivas, atividades passivas, entre outros práticas que fazíamos muitas vezes antes desse período remoto ocasionado pela pandemia da Covid.

Esses são cinco pontos importantes e decisivos, entre outros, para que os estudantes nesse curto tempo restante, ou mesmo em qualquer período, possam aprender muito. Como viram dizem respeito principalmente ao planejamento, a gestão do tempo e espaço em sala de aula, com base no que é essencial para a alfabetização, mas são comuns também a outros segmentos do ensino de todos os anos.

Reflitam sobre cada ponto em relação ao seu trabalho em sala de aula, pensando sobre o que você tem feito que vem dando bons resultados, o que pode melhorar, se são necessários ajustes, entre outros questionamentos. Compartilhe sua reflexão nos comentários!

Um abraço e até a próxima!

Mara Mansani

Sobre a autora do post

Mara Mansani

Mara Mansani

Colunista

Professora há quase 30 anos, lecionou em vários segmentos, da Educação Infantil ao 5º ano do Ensino Fundamental, passando também pela Educação de Jovens e Adultos (EJA). Recebeu o Prêmio Educador Nota 10, na área de Alfabetização, com o projeto Escrevendo com Lengalenga.

Competência geral 4: Comunicação. Como desenvolver na prática?

By | ATIVAR | No Comments

Você sabia que as competências gerais são direitos essenciais de todos os estudantes brasileiros? Pois é. Elas devem ser desenvolvidas durante todo o período de formação da escola básica e precisam estar claras no PPP e nos planejamentos dos professores.

Nessa imersão pelas competências gerais, vamos pousar em uma em específico: a competência geral 4: comunicação. Vamos ao que a BNCC diz sobre essa competência?

Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital –, bem como conhecimentos das linguagens artística, matemática e científica, para se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo

Para que essa competência seja desenvolvida durante todo o percurso da educação básica, uma série de habilidades compõem o arcabouço formativo dos estudantes: das mais simples às complexas. Para facilitar o seu entendimento, selecionei algumas habilidades de áreas diversas e de vários anos, para que você perceba, na prática, como a BNCC dispõe o processo de desenvolvimento da comunicação em suas múltiplas esferas, veja:

LÍNGUA PORTUGUESA – 1º AO 5º ANO 

(EF15LP10) Escutar, com atenção, falas de professores e colegas, formulando perguntas pertinentes ao tema e solicitando esclarecimentos sempre que necessário. 

LÍNGUA PORTUGUESA – 1º AO 5º ANO 

(EF15LP09) Expressar-se em situações de intercâmbio oral com clareza, preocupando-se em ser compreendido pelo interlocutor e usando a palavra com tom de voz audível, boa articulação e ritmo adequado.

LÍNGUA PORTUGUESA – 6º AO 9º ANO

(EF69LP10) Produzir notícias para rádios, TV ou vídeos, podcasts noticiosos e de opinião, entrevistas, comentários, vlogs, jornais radiofônicos e televisivos, dentre outros possíveis, relativos a fato e temas de interesse pessoal, local ou global e textos orais de apreciação e opinião – podcasts e vlogs noticiosos, culturais e de opinião, orientando-se por roteiro ou texto, considerando o contexto de produção e demonstrando domínio dos gêneros.

HISTÓRIA – 6º ANO 

(EF06HI09) Discutir o conceito de Antiguidade Clássica, seu alcance e limite na tradição ocidental, assim como os impactos sobre outras sociedades e culturas.

LÍNGUA INGLESA – 7º ANO 

(EF07LI22) Explorar modos de falar em língua inglesa, refutando preconceitos e reconhecendo a variação linguística como fenômeno natural das línguas.

CIÊNCIAS – 7º ANO

(EF07CI01) Discutir a aplicação, ao longo da história, das máquinas simples e propor soluções e invenções para a realização de tarefas mecânicas cotidianas.

MATEMÁTICA – 9º ANO 

(EF09MA23) Planejar e executar pesquisa amostral envolvendo tema da realidade social e comunicar os resultados por meio de relatório contendo avaliação de medidas de tendência central e da amplitude, tabelas e gráficos adequados, construídos com o apoio de planilhas eletrônicas.

LINGUAGENS E SUAS TECNOLOGIAS – LÍNGUA PORTUGUESA ENSINO MÉDIO

(EM13LP19) Apresentar-se por meio de textos multimodais diversos (perfis variados, gifs biográficos, biodata, currículo web, videocurrículo etc.) e de ferramentas digitais (ferramenta de gif, wiki, site etc.), para falar de si mesmo de formas variadas, considerando diferentes situações e objetivos.

Agora que você já conheceu um pouco mais da multiplicidade de formas de se trabalhar a comunicação, que tal ir até a BNCC e perceber como outras habilidades se aplicam ao desenvolvimento da comunicação, seja ouvindo, compartilhando, criando, discutindo, apresentando? Você pode acessar o texto completo da BNCC nesse link.

Para finalizar, deixo a provocação, momento exercício para você, hein?

  • Que temas específicos me dão a possibilidade de criar atividades e desafios que envolvam a produção, por parte dos alunos, de: podcasts, jornais digitais, revistas digitais, vídeos, mini documentários, fotografias, obras de arte, memes, histórias em quadrinhos? 

Um grande abraço digital,

Prof. Emilly Fidelix | @seligaprof

Sobre a autora do post

Emilly Fidelix

Emilly Fidelix

Colunista

Emilly Fidelix é criadora do @seligaprof, onde impacta milhares de professores de todo o Brasil, palestrante e formadora de professores. É doutoranda em História Cultural (UFSC), especialista em Tecnologias, Comunicação e Técnicas de Ensino (UTFPR), colunista no blog Redes Moderna e professora de pós-graduação no Instituto Singularidades. Atua nas áreas de metodologias ativas, storytelling aplicado à educação e BNCC.