Coluna Escola Diversa

Tecnologia digital na escola: aliada ou vilã?

Olá! 2025, e sim, estamos de volta! Que tenhamos um ano com boas notícias e muito ânimo para continuar fazendo o melhor pela educação.

Estou feliz de estarmos de volta. Obrigada pela sua companhia até aqui! Aproveito para te convidar a ler todos os artigos aqui da coluna, caso tenha perdido algum. 

A coluna deste ano começa com um tema que tem causado concordâncias e discordâncias dentro e fora das escolas. Afinal de contas, como a educação, sobretudo nas escolas, enxerga a tecnologia digital?

Recentemente tivemos a aprovação da Lei nº 15.100/2025, que restringe o uso de celulares nas escolas. A legislação surge em resposta ao crescente debate sobre o uso desses aparelhos nas escolas, que gera grande preocupação devido aos impactos negativos no aprendizado, na concentração e na saúde mental dos jovens.  

Aqui já podemos perceber que não é o uso de tecnologia digital que está sendo proibido nem tão pouco a tecnologia digital está sendo considerada como algo menor ou não importante.  Portanto, a lei foca no uso de dispositivos pessoais pelos estudantes porque esse hábito consome o tempo deles reduz a interação entre alunos.

A tecnologia digital tem se mostrado uma ferramenta poderosa e indispensável no campo da educação, desafiando a visão de que ela é uma vilã no ambiente escolar. Apesar de o uso de dispositivos móveis em sala de aula gerar preocupações, é fundamental reconhecer o potencial que a tecnologia pode oferecer aos estudantes, dentre eles:

  • Acesso à Informação: A tecnologia proporciona acesso a uma vasta gama de informações e recursos educacionais. Plataformas online, vídeos educativos e cursos à distância permitem que os alunos explorem novos conteúdos de maneira dinâmica e envolvente.
  • Aprendizado Personalizado: Ferramentas tecnológicas possibilitam a personalização do aprendizado, atendendo às necessidades individuais de cada estudante. Aplicativos e softwares educacionais podem adaptar o conteúdo ao ritmo e estilo de aprendizado de cada aluno.
  • Interatividade e Engajamento: A tecnologia pode transformar o aprendizado em uma experiência interativa. Jogos educacionais, simulações e plataformas colaborativas incentivam a participação ativa dos alunos, tornando o processo de aprendizagem mais atrativo.
  • Desenvolvimento de Habilidades Digitais: Em um mundo cada vez mais digital, é essencial que os estudantes desenvolvam habilidades tecnológicas. O uso responsável da tecnologia na educação prepara os alunos para o mercado de trabalho, onde essas competências são cada vez mais valorizadas.

Diversidade e tecnologia digital

Geralmente nossas escolhas se baseiam em nosso repertório. Assim, é comum escolher novas músicas, porém, com base no gênero que já gostamos. Também tendemos a experimentar coisas novas, seja um novo prato ou um lugar novo para passear, também com base em alguns gostos que já sabemos que temos.

Sendo assim, quando estamos verdadeiramente mais disponíveis para o novo? Estes momentos são mais potentes quando estamos em espaços dotados de pluralidade e diversidade. É na possível interação com aquilo que é diverso, que é diferente de mim, que a experiência do novo pode acontecer. 

O uso excessivo de celular na escola pode roubar a riqueza destas interações, desviando todo ou quase todo o foco das interações sociais para algo virtual. Portanto, a disponibilidade para o novo, para o inesperado, acaba perdendo quase todo o lugar para o previsível. 

São alguns dos valores da interação social

  • Desenvolvimento de Habilidades Sociais: Conversar e interagir com os colegas ajuda os alunos a desenvolverem habilidades sociais essenciais, como empatia, escuta ativa e resolução de conflitos. Essas habilidades são cruciais tanto na vida escolar quanto na vida profissional futura.
  • Construção de Relacionamentos: A vida social na escola permite que os alunos formem laços e amizades, criando um ambiente de apoio emocional. Esses relacionamentos são importantes para o bem-estar dos estudantes e podem impactar positivamente seu desempenho acadêmico.
  • Aprendizado Colaborativo: A interação entre os alunos facilita o aprendizado colaborativo, onde eles podem compartilhar ideias, discutir conceitos e resolver problemas juntos. Essa troca de experiências enriquece o processo de aprendizagem e estimula o pensamento crítico.
  • Redução da Ansiedade: A convivência social pode ajudar a reduzir a ansiedade e o estresse que muitos estudantes enfrentam. Ter amigos e um suporte social na escola cria um ambiente mais acolhedor, onde os alunos se sentem mais à vontade para expressar suas preocupações e desafios.

Integrando tecnologia e interação social

Os celulares pessoais podem ficar de fora da escola, pois o uso de equipamentos da própria escola contribuem positivamente para a aprendizagem. Isso pode incluir:

  • Atividades em grupo: utilizar ferramentas tecnológicas para facilitar projetos, onde os alunos possam colaborar e se comunicar, mesmo que estejam em locais diferentes.
  • Discussões online: criar fóruns ou grupos de discussão online onde os alunos possam debater temas relevantes, promovendo a troca de ideias e a construção coletiva do conhecimento.
  • Eventos sociais: organizar atividades que integrem tecnologia e interação, como competições de jogos educativos ou feiras de ciências, onde os alunos possam trabalhar juntos e socializar.

Conclusão

Em suma, a tecnologia deve ser vista como uma ferramenta que complementa, mas que não substitui a interação social na educação. É fundamental que as escolas criem um ambiente que incentive a comunicação e a convivência entre os alunos. Ao equilibrar o uso da tecnologia com a interação humana, podemos preparar os estudantes para um futuro onde habilidades sociais e tecnológicas andem lado a lado.

Incentivar atividades que integrem tecnologia de forma consciente e que promovam a interação social é o caminho para uma educação mais completa, saudável e eficaz. 

E, como eu sempre digo: esta história não acaba nem aqui nem lá. Ainda há muito contar. E eu, que já estou indo embora, te encontro já, já.

Até a próxima!

Janine Rodrigues

Educadora, Psicanalista, Escritora

Fundadora e Diretora da Piraporiando – Educação para as relações étnico-raciais, antirracista, de equidade de gênero, classe e raça baseada na cultura do afeto

Sobre o(a) autor(a)

Artigos

Formada em Gestão Socioambiental, com especialização na mesma área pela UFRJ, Janine Rodrigues começou a escrever aos 8 anos de idade e hoje, além de escritora, é educadora e fundadora da Piraporiando, uma das 10 Edtechs mais importantes da América Latina. A Piraporiando é voltada à Educação para a diversidade e desenvolve experiências e conteúdos antirracistas, antibullying, antipreconceito e de promoção da equidade de gênero. Eleita pela Forbes como uma das 12 pessoas negras mais inovadoras, Janine trabalha pela qualidade da educação no Brasil e, atualmente, assina a coluna Escola diversa no blog Redes Moderna.