Category

Tecnologia e Educação

LIBERDADE DE EXPRESSÃO E USO RESPONSÁVEL DA INTERNET

By | Tecnologia e Educação | No Comments

Os recursos tecnológicos são facas de dois gumes: podem ser usados para o bem ou para o mal. A questão é como transformar riscos em oportunidades no uso da internet pelo trabalho de mediação ativa (encorajar a pesquisa livre na internet e desenvolver habilidades para lidar com os riscos).

A conexão com uma multiplicidade de pessoas abre possibilidades de compartilhar informações, trocar ideias, formar grupos de interesse, fazer trabalhos colaborativos, expandir o ativismo social. Por outro lado, as redes de ódio e as associações malignas – que promovem crimes e atos terroristas, estimulam preconceitos e intolerância com as diferenças – também se disseminam velozmente.

A liberdade de expressar o que pensamos e sentimos é um direito assegurado, mas não é absoluto. No calor da emoção, muitos sentem dificuldade em enxergar a fronteira entre o que é liberdade de expressão e o respeito pela dignidade de quem é, pensa ou age diferente de nós. “O direito de um termina quando começa o direito do outro” é uma expressão popular que define a fronteira entre o discurso de ódio e a liberdade de expressão.

Os ataques de cyberbullying revelam essa dificuldade de entender até onde pode ir a liberdade de expressão. Por isso, a conversa na família e na escola sobre esse tema é tão importante. Faz parte do processo de construir a inteligência emocional, que pressupõe a capacidade de expressar o que pensamos e sentimos sem ofender nem humilhar os outros.

Como diz o ditado, é melhor prevenir do que remediar: pensar em conjunto as consequências de expor conteúdos inapropriados (fotos íntimas, informações que não devem ser dadas, adicionar aos contatos pessoas desconhecidas) é medida de cuidado e proteção. Mesmo assim, problemas acontecem e encarar as consequências de condutas impulsivas e impensadas é remédio amargo, mas inevitável.

“O que faço com o que fizeram comigo?” – os efeitos do cyberbullying variam para diferentes pessoas. Há quem fique desnorteado, deprimido, arrasado; outros superam o problema mais rapidamente. Depende também do tipo de agressão ou difamação: se é uma simples fofoca ou o compartilhamento de fotos/vídeos íntimos, como acontece nos episódios conhecidos como “pornografia de vingança”.

Os que praticam cyberbullying precisam arcar com as consequências de seus atos e fazer reparação de danos. Isso faz parte da aprendizagem do respeito pelo outro e da ética da convivência. Liberdade de expressão não inclui esse tipo de condutas.


Maria Tereza Maldonado


Sobre a autora: Maria Tereza Maldonado (CRP 1296/05) mora no Rio de Janeiro e trabalha no Brasil, como palestrante e consultora. É autora do livro “Bullying e Cyberbullying: o que fazemos com o que fazem conosco?”, publicado pela Editora Moderna.
É Mestre em Psicologia Clínica e membra da ABRATEF (Associação Brasileira de Terapia Familiar).
Tem mais de 40 livros publicados sobre relações familiares, desenvolvimento pessoal e construção da felicidade e do bem-estar, com mais de um milhão de exemplares vendidos.

www.mtmaldonado.com.br