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Literatura

Dicas de leituras para as férias de julho

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Tempo de férias é sempre um momento feliz: acordar tarde, passear, brincar bastante e até mesmo viajar sem sair do lugar!

Você deve estar pensando: “como assim alguém viaja, mas não viaja?”. Simples: um bom livro tem o poder de levar a gente para longe, de nos transportar para universos diferentes, mundos engraçados e lugares incríveis!

Para aproveitar as férias de julho, fizemos uma seleção de títulos maravilhosos para que você aproveite da melhor maneira: colocando a leitura em dia!

MODERNA

Fund. 1

  1. O barquinho de papel
  2. Aqui, bem perto
  3. Biruta
  4. Contos de Grimm (Walcyr)
  5. Sorumbática
  6. Ritinha Danadinha
  7. Segredos
  8. Ratinho manhoso
  9. O livro das casas
  10. O guardião da bola

Fund. 2

  1. Maria vai com poucas
  2. 4 vidas entre linhas e traços
  3. O golpe do aniversariante e outras crônicas
  4. O grande desafio
  5. A morte tem sete herdeiros
  6. Contos encantados da América Latina
  7. Saga animal
  8. Príncipe de Astúrias
  9. O mestre e o herói
  10. Nariz de vidro
  11. A melancia quadrada
  12. E no fim… tudo recomeça de outro jeito

Informativos

  1. Almanaque dos dinossauros
  2. Sete janelinhas: meus primeiros sete quadros
  3. Uma aventura ao redor do Sol
  4. Você é o que você come?
  5. Samba e Bossa Nova
  6. Como não ser enganado pelas fake news
  7. Almanaque do jovem empreendedor: do Homo faber às startups
  8. 10 brasileiros nota 10
  9. A fórmula secreta
  10. A invenção dos esportes
  11. Com os pés na África
  12. Rabiscopédia

SALAMANDRA

Fund 1

  1. Na colina
  2. Quadrado
  3. Natacha
  4. O patinho feio (Ruth)
  5. Marcelo, marmelo, martelo
  6. Almanaque Ruth Rocha
  7. Dia de chuva
  8. Pêssego, pera, ameixa no pomar
  9. Bisa Bia, Bisa Bel
  10. Contos de Grimm (4 livros)
  11. Mania de explicação
  12. Madeline Finn e Bonnie
  13. Não vou tomar banho hoje!
  14. Vazio
  15. Como pegar uma estrela

Fund 2

  1. O jardim secreto
  2. Sete histórias para contar
  3. Cinthia Holmes e Watson e suas incríveis descobertas
  4. Chiclete – o incrível garoto que encolhe
  5. Judy Moody e a lista dos desejos
  6. Ponte para Terabítia

LEITURAS DE VESTIBULAR

By | Literatura | No Comments

Por Douglas Tufano

Para a grande maioria dos alunos, os livros de literatura pedidos nos vestibulares são desinteressantes, pois não tratam de problemas que dizem respeito aos jovens de hoje. E para agravar o problema, a linguagem literária ainda dificulta mais a compreensão dessas obras. Alguns alunos dizem que não conseguem compreender o que estão lendo, têm que recorrer a todo instante ao dicionário mas, depois de algumas páginas, isso cansa e desanima.

A meu ver, o problema está na falta de preparação para essas leituras. O professor precisa ajudá-lo a ler, deve servir como intermediário entre o estudante e o livro. Sem essa orientação, é claro que a leitura se torna penosa e desanimadora.

Para ajudar tanto o professor como os alunos, preparei para a editora Moderna uma nova edição dos autores clássicos brasileiros que mais caem no vestibular (Machado de Assis, Aluísio Azevedo, Raul Pompeia, José de Alencar, Lima Barreto, entre outros). A novidade é que esses livros agora são acompanhados de notas que vão além de explicações de vocabulário. Elas orientam a leitura, dão dicas e pistas sobre o significado de certos episódios, chamam a atenção sobre os recursos de estilo do autor, esclarecem o contexto histórico e social em que transcorre o enredo. Além disso, trazem uma biografia do autor e mostram as características principais de sua época literária. Dessa maneira, é como se o leitor tivesse um professor ao seu lado. A leitura flui com muito mais facilidade. Por isso, minha sugestão é que o aluno faça uma programação de leitura com tempo suficiente para ler cada livro com calma.

Outra dica importante para o aluno se preparar é resolver as questões que já caíram sobre os livros que está lendo. Há obras que ficam vários anos nas listas de leituras obrigatórias; por isso, já foram objeto de muitas questões. Rever essas questões e tentar resolvê-las é sempre um bom teste para recordar pontos importantes dessas obras.

Não se pode esquecer que uma coisa é absolutamente certa: se há uma lista de leituras obrigatórias, é porque no exame vão cair perguntas sobre esses livros. Será que o vestibulando prefere jogar fora os pontos que poderia ter se lesse bem as obras? Muitas vezes, são esses pontos que fazem a diferença na classificação final…

(Douglas Tufano, professor de literatura e redação do ensino médio, autor de livros didáticos e paradidáticos da editora Moderna)

Dia nacional do livro infantil

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Dia 18 de abril é comemorado o Dia do Livro Infantil no Brasil. A data foi escolhida em homenagem ao dia de nascimento do escritor Monteiro Lobato.

Com a vontade de “fazer livros onde as crianças possam morar”, Monteiro Lobato foi um dos mais importantes escritores brasileiros e criou obras infantis com personagens que perduram há várias gerações.

Todo mundo já ouviu falar de Emília, Narizinho, Pedrinho, Visconde de Sabugosa, Tia Nástacia e Dona Benta… afinal, essas personagens marcaram a infância de muita gente.

Nesta data especial, ninguém melhor do que Pedro Bandeira, autor e estudioso de Monteiro Lobato, para falar sobre essa figura tão presente na literatura infantil!

MONTEIRO LOBATO: GÊNIO OU VILÃO?

Por Pedro Bandeira

No ano em que a obra de Lobato passa a domínio público, recrudescem as críticas aos pontos sombrios de sua atuação política na primeira metade do século passado: Racista! Eugenista! Classista! Aristocrata enrustido!

Não pretendo defender sua memória procurando negar essas acusações porque é verdade que em cartas para seus amigos e em algumas crônicas cabeludas o escritor de Taubaté soltou a língua escrevendo opiniões que arrepiam os cabelos dos leitores do século XXI. Um vilão!

Mas, como escritor para crianças, Lobato foi somente um GÊNIO. Ele criou uma menina de 7 aninhos perfeita, a maravilhosa Narizinho. Penetrou em sua mente, vasculhou sua capacidade de fantasiar o mundo, revelou sua curiosidade criativa, tudo isso antes que a Psicologia tentasse explicar-nos o que ocorre nas cabecinhas dos seres humanos em sua fase de formação da personalidade, em seu amadurecimento, em sua preparação para a vida adulta. Releia Reinações de Narizinho e surpreenda-se com a perfeição com que ele compreendeu como somos, como criamos e como fantasiamos nesse período da vida em que não se é mais uma “criancinha” e ainda não se chegou à pré-adolescência. Ou melhor, leia a adaptação que eu fiz deste livro e intitulei como Narizinho, a menina mais querida do Brasil, com lançamento previsto para 2019.

O único ponto que alguns consideram deslizes de Lobato são os momentos em que a boneca Emília ofende a Tia Nastácia com xingamentos racistas. Nesse ponto, compreenda que Lobato criou uma boneca que, ao conseguir falar, demonstra-se como alguém que nunca recebeu educação e que fala o que lhe vem à veneta.

Ou faça como eu faço: ao pensar em meu pai, suponho que ele tenha sido uma pessoa normal, com qualidades e defeitos. Mas, quando eu falo dele, esqueço os defeitos e até douro suas qualidades. No caso de Lobato, suas qualidades como brasileiro e como escritor superam com imensa folga os defeitos que ele eventualmente tenha revelado como o ser humano que foi. E essas qualidades são tantas, que eu afirmo que ele fez minha cabeça, como meu pai teria feito se não tivesse morrido tão cedo, quando eu ainda estava na barriga da minha mãe.

PARA SABER MAIS SOBRE MONTEIRO LOBATO:

Dia Internacional do Livro Infantil

By | Literatura | No Comments

Você sabe por que no dia 02 de abril comemoramos o Dia Internacional do Livro Infantil?

A data homenageia o pai dos contos de fadas moderno: o escritor Hans Christian Andersen. Nascido em 2 de abril de 1805, Andersen ficou conhecido por escrever histórias como Soldadinho de Chumbo, A Pequena Sereia, Patinho Feio, A Roupa Nova do Imperador e muitas outras que fazem parte da formação de gerações de crianças em todo o mundo.

É sempre bom lembrar que o dia não foi definido aleatoriamente e, sim, com o propósito de incentivar e conscientizar sobre a importância da leitura em todas as idades.

O hábito de ler deve começar desde cedo, ainda com a leitura de imagens. O essencial é despertar o interesse e guiar os passos das crianças nesse universo mágico que é a literatura. Por isso, o incentivo deve vir de todos: pais, familiares, professores, e comunidade ao redor, formando uma legião de novos leitores.

Saiba mais sobre a obra:

Histórias que Andersen aprendeu em vida e soube transmiti-las a seus leitores. Walcyr Carrasco as reconta em linguagem acessível, divertida e ágil, numa linguagem direta, que deixa as personagens inteiramente à vontade diante dos leitores, sejam eles grandes e pequenos.

Temos muito a aprender com os dois escritores – Andersen e Walcyr Carrasco – que, aqui reunidos, compartilham essa edição dos contos de fadas. Participemos dessa aprendizagem, para que nossa vida, como a do autor dinamarquês, também se pareça a um conto de fadas.

Precisamos falar, e muito, sobre água

By | Literatura, Sem Categoria | No Comments

Nos últimos tempos, quando abro uma das muitas torneiras espalhadas pela minha casa e vejo a água jorrar em profusão tenho refletido o quanto esta é uma comodidade que não valorizamos. Comento sobre isso com os amigos, com os professores e alunos com quem costumo trocar ideias em salas de aula. É um pensamento incômodo, especialmente recorrente após ter me juntado a um grupo de 10 pessoas, entre mulheres e crianças, que se embrenhava pelo sertão do Piauí para buscar água. Sob um sol inclemente, andamos por trilhas inóspitas durante quase três horas caatinga adentro, desde o povoado de Barreiro, na zona rural do pobre município de Guaribas, até um poço de água barrenta – o objetivo da jornada. Após um breve descanso, com direito a molhar os rostos suados, baldes de plástico e latas foram enchidos até a boca e equilibrados sobre as cabeças. Pegamos o árduo caminho de volta.

Sérgio Túlio Caldas

Sérgio Túlio Caldas

Autor de “Água – Precisamos falar sobre isso”, “Terra sob Presão – a vida na era do aquecimento global” e “Com os Pés na África”, livro premiado no Jabuti 2017.

Embora um tanto escura e de aspecto nada confiável, a água serviria para matar a sede, fazer a comida e cuidar da higiene pessoal das famílias do grupo. A quantidade do líquido colhida era um volume muito abaixo do recomendado pela Organização das Nações Unidas (ONU). A entidade indica 110 litros diários de água para atender as necessidades de consumo e higiene de uma pessoa.

Ao ver a água que escorre fácil da minha torneira, também me lembro de Shiva Avatari, que conheci em uma das viagens ao Nepal. Na casa do meu amigo nepalês, espetada no alto de uma montanha, não há chuveiro ou uma simples torneira. Todo santo dia, Shiva desce o morro a pé para pegar água em uma fonte pública da capital Katmandu. Com o galão de plástico abastecido, ele retorna ladeira acima com a carga de 20 litros que dará conta de suas necessidades do dia.

Da janela da casa de Shiva, a vista é espetacular. Fica-se cara a cara com a imponente cordilheira do Himalaia, que além de contar 8 dos 10 picos mais altos do planeta – incluindo o Everest –, abriga em suas montanhas uma das mais extraordinárias reservas de água do planeta. Para Shiva e milhões de moradores da região do Himalaia, porém, a água permanece apenas ao alcance das vistas, e não das mãos.

Costumo falar nas conversas nas escolas que essas duas experiências que vivi no sertão brasileiro e nas montanhas nepalesas regaram a semente que brotou no meu recente livro “Água – Precisamos falar sobre isso”.

A essa altura do século 21, quando startups digitais bilionárias são criadas da noite para o dia, cruzar longas distâncias transportando água na cabeça é uma realidade perturbadora. Ainda mais no Brasil, país que estoca 12% de toda a água doce superficial do mundo – a maior reserva hídrica da Terra.

Essa indignação, somada ao fato de cuidarmos tão mal do recurso natural imprescindível à vida, me indicou que era urgente falar, escrever, sobre a água. Resolvi botar o pé na estrada e também resgatar observações que venho colhendo nos últimos anos sobre a delicada situação da água em diversas regiões do Brasil e do mundo, onde há fartura e escassez do recurso, onde existem ações de preservação, e também tensões por um pouco de água.

Hoje, entende-se que não basta ter água em quantidade para uma cidade ou um país sentir orgulho. O mais importante é saber tratá-la e administrá-la. Sem tratamento e poluída, ela ameaça ambientes naturais e causa doenças graves. Nos países em desenvolvimento, estima-se que 90% dos esgotos e 70% dos resíduos industriais sem tratamento são descarregados em rios.

Por aqui, 100 milhões de brasileiros não têm serviço de coleta de esgoto. E quase 40 milhões vivem sem redes de água em casa. A cada 100 litros de água tratada, cerca de 40 litros vão para o ralo, desperdiçadas em instalações clandestinas e tubulações mal conservadas. Não é à toa que 65% das internações de crianças com menos de 10 anos em hospitais no Brasil ocorrem devido ao contato com água contaminada.

O agronegócio e as atividades das mineradoras consomem e desperdiçam grandes quantidades de água, superexploram as reservas subterrâneas, contaminando rios e devastando fontes d’água. Essa constante pressão sobre os recursos hídricos deve se agravar ainda mais em resposta às mudanças climáticas e ao ritmo do crescimento populacional. Somos 7,5 bilhões de habitantes na Terra. Em 2025, seremos 9 bilhões, e a demanda por água aumentará. E muitos de nós continuam a não dar a mínima, mesmo diante de tão sérias pressões ambientais e hídricas no nosso horizonte.

De uma maneira geral, a ONU recomenda que é urgente haver mudanças na administração pública dos recursos hídricos, com investimentos em infraestrutura e atenção especial à educação. As escolas podem contribuir, e muito, na preservação do precioso recurso natural ao ensinar a crianças e jovens a importância soberana da água para a existência de toda espécie de vida. Esse esforço equivale a um passo enorme, e necessário, para tratarmos melhor e com mais responsabilidade o nosso planeta.

Saiba mais

De toda a água existente no planeta, cerca de 97% é salgada – inapropriada ao consumo humano. Dos 3% restantes, justamente a água doce que podemos usar, 2% estão inacessíveis em geleiras, camadas de neve e reservatórios subterrâneos. Ou seja, temos à nossa disposição apenas 1% para irrigar plantações, abastecer cidades, movimentar a indústria e, principalmente, para matar a nossa sede. Neste instante, fonte de água se encontram ameaçadas pelo desmatamento, pela poluição, pelo desperdício e pela exploração desenfreada. Se não soubermos usar com responsabilidade o líquido fundamental para a vida, a mina irá secar. Neste livro, o autor nos mostra a situação desse valioso recurso a partir de estudos recentes e de suas observações em viagens por diversas regiões do Brasil e do mundo, locais em que há fartura e escassez; onde existem ações de preservação, mas também conflitos e tensões por um pouco de água.

A água e eu

By | Literatura | No Comments

Conversando com amigos e amigas que compartilham o prazer e o dom da escrita, descubro que cada um tem uma dica ou mesmo algum truque para destravar as ideias. Uns tocam piano, outros comem muito, outros, ainda, correm um pouco para fazer com que os pensamentos se transformem em palavras escritas. Já eu, gosto de pisar na grama e lavar as mãos. Não consigo sentar em frente ao computador sem antes deixar a água escorrer por entre os meus dedos. Acredito que a terra, em contato com os meus pés, organiza minhas ideias, e a água, abraçando as minhas mãos, clareia minha mente.

Se pudesse, confesso que só escreveria meus livros e artigos ao lado de uma cachoeira, mas como isso não é possível, prefiro contar minha profunda relação com a água neste texto. Só um minuto, que vou lavar as mãos e já volto.

César Obeid

César Obeid

Escritor e palestrante

Fui gerado em um útero, espaço maravilhoso cheio de mistérios e água, muita água. Sou da espécie humana, que habita o planeta Terra, que, por sinal, poderia se chamar planeta Água, pois visto do alto, bem de cima mesmo, dá para ver que o nosso planeta é azul.

Nasci no Brasil, o país com a maior disponibilidade de água doce do mundo. Terra das fartas cachoeiras, das belas praias e dos grandes rios. Água, água e água. Nasci na cidade de São Paulo, que, em um passado não muito distante, era conhecida como terra da garoa. Hoje em dia, mais parece terra das tempestades, pois basta uma chuvinha para, a maior cidade do país, parar.

O bairro em que nasci e onde minha mãe mora até hoje chama-se Água Fria, fica na zona norte da capital.  A casa em que passei toda a minha infância fica em uma baixada, o que significa que a rua enche quando cai muita água do céu. Me lembro de ver meu pai correr para tirar o carro da garagem e estacioná-lo na rua ao lado, pois facilmente a água fazia um carro de verdade boiar, feito um simples brinquedo, quando vinha aos montes do céu.

Para quem acredita (eu creio), meu ascendente é em peixes, um signo do elemento água. Dizem que pessoas sob essa ascendência se emocionam demais e vertem água dos olhos por qualquer coisa. Essa parte vou deixar em suspense…

Vazamentos me acompanharam a vida toda. Grandes, médios, pequenos. Pelo telhado, pela torneira, pelos canos, ralos e cantos.

Vazamentos no carro também não faltam em meu currículo. Em todos os carros usados que comprei entrava água, ou por baixo, pelas laterais ou por cima. Lembro bem do primeiro carro zero que tive. Estava feliz da vida com a nova aquisição de quatro rodas, mas logo na primeira chuva forte, o que aconteceu? A água invadiu o lado do passageiro e molhou todo o carpete do assoalho. Fiquei um pouco assustado, claro, mas no fundo sabia que não era uma novidade, mesmo em se tratando de um carro novo.  Muitos me disseram que fui presenteado pelo azar ou que eu deveria reclamar com a montadora, que não fez um bom serviço. Pode até ser, mas prefiro acreditar que a minha íntima relação com a água sempre tem algum importante significado escondido. Consertei o carro e ainda fiquei com ele por alguns anos.

Quando construí a minha casa, em vez de laje, como arquiteta, engenheiro e empreiteiro sugeriram, coloquei forro. Eles disseram que com a laje a casa ficaria mais segura, que a obra custaria menos e que “todo mundo” faz assim. Desobedeci, pois sabia que até na casa recém-construída eu teria algum tipo de vazamento. O pânico tomou conta de mim só pelo fato de imaginar que uma grossa camada de concreto me separaria da água que (com certeza) vazaria do telhado. Me imaginei subindo na laje com aquele cheiro insuportável de mofo, pois o vazamento estaria lá há muito tempo e, só teria percebido quando o estrago fosse irreversível.

Não me arrependo da minha rebeldia. A escolha na instalação do forro foi ótima, pois, de vez em quando, ouço um pingo ou outro vindo do telhado e, com agilidade e sorriso no rosto, me vangloriando pela certeira teimosia, subo para arrumar. Vedo, selo, limpo as calhas para que a água corra para o lugar certo. Afinal, a água é uma coisa maravilhosa, mas caindo na nossa cabeça, de madrugada, traz muito mais do que pesadelos.

Água vira gelo, vira vapor, vira líquido, desvia, se molda para seguir seu caminho. Tem muito a nos ensinar. No campo simbólico, a água é ligada às emoções mais profundas, aos nossos sentimentos. Também é relacionada à energia feminina e à intuição.

Quem mora no deserto pensa em água o tempo todo. Quem não mora, também. Não há para onde escapar; a água faz parte das nossas vidas. Para beber, tomar banho etc.

A mesma água que mata a sede, que refresca, que limpa, que faz o alimento crescer, também faz, quando desce com força, quem não tem nada, perder tudo. Água é água, sempre profunda.

A água está dentro da gente. 60%, 70%? Alguns pesquisadores dizem que até 80% do corpo humano é composto de água.

O envolvimento com a água é tão misterioso que, não raro, foge da nossa compreensão racional. Lembro da antiga prática que até hoje existe, da água benta, usada por diversas tradições religiosas espalhadas pelo mundo. O líder religioso, por meio de orações e, às vezes, de algum ritual, torna-se um instrumento divino para tornar benta a água. Imagino que muitas pessoas aceitem e até gostem de beber uma água que recebeu boas energias. Mas será que o mesmo acontece com um copo de água que ficou perto de duas pessoas que discutiam feio? Quem se animaria a beber um copo de água que esteve perto de palavrões, xingamentos e acusações? Eu mesmo, por mais sedento que estivesse, não beberia.

Um tanto inexplicável, mas é assim que eu vejo a água.

Já criei enredo que se passa no fundo do mar, já fiz personagens tomarem banho de cachoeira, já fiz poemas para a água, já falei de água virtual e do descaso que a sociedade tem para com este bem tão precioso. Definitivamente, é um tema que me acompanha, me fascina e me surpreende, seja na minha vida pessoal ou nos meus livros. E é por isso mesmo, por não compreender racionalmente a água, que eu lavo as minhas mãos, sento em frente ao computador na esperança de que a criatividade, como um rio que sabe qual o caminho a seguir, me guie para que novas histórias e novos poemas surjam, clareando não só a minha mente, mas os corações de milhares e milhares de leitores.