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Tecnologias nas trincheiras da sala de aula: vamos perguntar aos professores?

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São muitos os eventos sobre tecnologias educacionais e é comum se falar que se usa pouca tecnologia na educação porque os professores são avessos ou não estão preparados. Mas é bem menos comum termos uma mesa de professores brasileiros “heavy users” de tecnologia discutindo tendências a partir de suas próprias experiências cotidianas. Por isso, no último mês de outubro, a Editora Moderna e o Instituto Singularidades realizaram o encontro “Das trincheiras da sala de aula ao debate de tendências”, no qual profissionais da educação, envolvidos em projetos práticos e relevantes para sua comunidade escolar, foram convidados ao debate como forma de estimular outros docentes, mostrando que é possível assimilar as tendências pedagógicas para torná-las realidade.

O bate papo com Ailton Camargo (professor de História em escolas públicas e particulares), Fernando Trevisani (professor de Matemática em escolas particulares) e Cristina van Opstal (professora de EF1 em escolas públicas e de língua portuguesa no ensino superior) passou por alguns pontos de convergência, que você pode conferir abaixo e nos vídeos do encontro:

As tecnologias educacionais vieram para ficar.

Mas as tecnologias só ajudam realmente quando a adoção parte de um problema encontrado pelo professor e para o qual elas sejam parte da solução. Ou seja, primeiro o professor precisa ter um objetivo pedagógico e a partir daí escolhe uma tecnologia que seja mais eficaz para atingir o objetivo do que o professor faria sem a tecnologia.

Nem sempre as coisas dão certo quando tentamos usar tecnologias na sala de aula. 

É comum as coisas darem errado quando tentamos usar tecnologias na sala de aula. Aliás, é comum as coisas darem errado na sala de aula. O erro faz parte do processo e é importante o professor ter ao menos um plano B e até um plano C, especialmente por causa de questões de infraestrutura.

Aposte na relação dos alunos com a tecnologia

Em geral, os alunos ficam super motivados quando aprendem com tecnologias, os problemas de comportamento se reduzem, a atenção e aprendizagem aumentam. Se o planejamento da atividade com tecnologia for feita junto com os alunos, eles ficam ainda mais comprometidos e inclusive ajudam a contornar eventuais dificuldades de implementação.

Incentive a participação dos pais e da comunidade em trabalhos com a tecnologia

Envolver a comunidade escolar – coordenadores e famílias – nos projetos com tecnologias na educação é importante para que todos entendam os objetivos do processo. Vale lembrar que os adultos não tiveram experiência com tecnologias em sua educação e costumam estranhar estas inovações.

Personalização é importante, mas ainda está distante da realidade brasileira

A personalização é um objetivo importante da integração de tecnologia na aprendizagem, para que cada aluno possa aprender no ritmo e do jeito mais adequado. Os professores relataram experiências bastante interessantes com plataformas e conteúdos em diferentes formatos. Contudo este ainda é um caminho longo a ser trilhado em conjunto entre desenvolvedores de plataformas, analistas de dados e professores.

O professor se sente motivado com o engajamento do aluno

A motivação dos professores para usar tecnologias vem da percepção de que os alunos se envolvem mais e tem um aprendizado mais efetivo. Para que mais professores se motivem é importante:

  1. Ouvir mais os professores
  2. Promover formação específica para uso de tecnologia na educação
  3. Promover incentivos, valorização e oportunidades de carreira para aqueles que ousam e implementam inovações efetivas.

Saiba mais

Confira alguns vídeos do encontro e como foram os debates entre os participantes:

Escrito por Isabel Farah Schwartzman, gerente de Novos Projetos do Grupo Santillana.

Dicas para desenvolver a comunicação de seus alunos

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Uma das principais habilidades que se busca desenvolver nas crianças para que tenham sucesso no século XXI é a comunicação. Comunicar-se adequadamente é a base de um bom relacionamento. A clareza e a escuta ativa, por exemplos são duas características importantes para a comunicação e, por isso, apresento a seguir algumas formas e técnicas para o desenvolvimento de tais habilidades:

CLAREZA

A melhor maneira de fazer com que uma pessoa compreenda o que você quer dizer é expressar com clareza o que está pensando e sentindo ou manifestar seus desejos.
Utilizar uma linguagem direta pode facilitar a comunicação e evitar falhas e desentendimentos. É fundamental que se coloque as frases em primeira pessoa, como: “Eu penso…”, “Eu sinto”, “Eu acredito…”. Assim, você assume a responsabilidade pelo o que está falando.

ESCUTA ATIVA

Praticando a escuta ativa, você se esforça para compreender a outra pessoa e ouvir realmente aquilo que ela está dizendo. Por mais que pareça simples, muitas vezes, em uma conversa, estamos preocupados no que vamos falar, e não no que o outro está dizendo.
Alguns fatores podem impedir a escuta ativa, como a distração durante a conversa, ignorar as mensagens não verbais do outro, ou ainda, escutar apenas o que desejamos. É importante que, durante a conversa, você não deixe seu pensamento vaguear em outros assuntos. Procure concentrar-se no tema que está sendo tratado e realmente escutar o que o outro diz.

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Tonia Casarin é mestre em Educação pelo Teachers College Columbia University.

Uma técnica utilizada em apresentações mais demoradas, por exemplo, é fazer anotações do que está sendo dito pelo outro, para revê-las posteriormente. Se você está conversando com um amigo que está lhe confidenciando coisas sobre sua vida pessoal, e pensar em outras coisas, ele poderá fazer uma pergunta sobre o que está dizendo e ver que você estava desatento, o que prejudicará o relacionamento de vocês. Nesses casos, seja sincero e combine outra hora para conversar.

OBSERVE AS EMOÇÕES DO OUTRO

As mensagens não verbais do interlocutor são também parte da comunicação. Se você ignorar estas mensagens, estará desprezando um dos elementos mais importantes da comunicação humana – as emoções. Verifique se seu o outro está zangado, triste, ansioso, estressado ou com medo e considere este fato na conversa.

Também é importante prestar atenção em você mesmo e nas suas próprias emoções. Quando você está com raiva ou ansioso e estressado pode escutar apenas uma parte daquilo que realmente a outra pessoa está dizendo.

Um método para afastar este inconveniente é escrever a conversa logo depois que ela termine e depois relê-la com cuidado para ter uma visão mais realista do que foi realmente comunicado.

VOCÊ ENTENDE O QUE O OUTRO ESTÁ DIZENDO?

Confira algumas técnicas que podem te ajudar a mostrar se você está entendendo o outro:

Repita o que entendeu e peça ao outro para confirmar
Mostre ao outro que está prestando atenção à conversa usando expressões do tipo “Estou entendendo”, “Sei…”.
Quando a outra pessoa estiver demonstrando sentimentos, deixe claro que está percebendo.
Utilize a comunicação verbal e não verbal para mostrar que está escutando e entendendo tudo

Saber se comunicar e desenvolver sempre essa habilidade é fundamental para sermos exemplos para nossos alunos. A comunicação é fundamental para formarmos melhores indivíduos, cidadãos e profissionais, que saibam expor suas ideias e ouvir, de fato, o outro.

A importância de nomear as emoções

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As crianças nem sempre têm o vocabulário das emoções. Ninguém ensina isso para elas. A ciência já explica que, simplesmente, nomear as emoções inicia um processo de autoconhecimento e entendimento sobre o que a pessoa está sentindo. Literalmente, nomear as emoções é o primeiro passo para desenvolver a inteligência emocional e social.

Muitos adultos também não conseguem nomear as emoções. Quando alguém pergunta: “Como você está?”, muitas vezes respondemos “estou bem” ou “estou mal”. Bem e mal não são emoções, é um estado de espírito. Aqui vemos que definir as emoções não é uma dificuldade somente das crianças, mas também dos adultos.

A nomeação de nossas emoções tende a difundir sua carga, muitas vezes, intensa. O psicólogo Dan Siegel refere-se a essa prática como “nomear para domar”.

É verdade também que não podemos mudar o que nós não percebemos. Negar ou evitar sentimentos não faz com que eles desapareçam. Nem tampouco diminui seu impacto sobre nós, mesmo que seja inconsciente. Portanto, mais uma vez, coloca-se a importância de nomear as emoções no processo de autoconhecimento e desenvolvimento da inteligência emocional. Ao nomear emoções, temos a oportunidade de dar um passo atrás e fazer escolhas sobre o que queremos fazer com elas.

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Tonia Casarin é mestre em Educação pelo Teachers College Columbia University.

emoções

Se entendermos as emoções como uma forma de energia, buscando sempre serem expressadas de alguma maneira, nomear o que estamos sentindo em termos simples nos ajuda a melhor conter e gerir até mesmo as emoções mais difíceis.

Por exemplo, tenho certeza que muitos professores aqui já passaram por uma situação em que o filho precisa fazer o dever de matemática, mas ele não quer fazer.

– Não vou fazer o dever de matemática.

– Vai sim. É muito importante estudar triângulos.

– Eu odeio Matemática.

– Não odeia não. Você faz contas muito bem.

Imagine se fosse diferente:

– Não vou fazer o dever de matemática.

– Tem alguma coisa nessa matéria que você não gosta?

– É muito chata! Quem se importa com o ângulo do triângulo?!

– Ah, você não se interessa por trigonometria.

O ponto aqui é colocar o sentimento em forma de palavras. Nomear as emoções. E isso já é um grande passo para a alfabetização emocional das crianças.

CRAIG S.BAILEY: DESVENDANDO EMOÇÕES COM AS CRIANÇAS

(1) Busque validar os sentimentos dos pequenos.

Faz diferença se aproximar, ficar no mesmo nível e combinar o seu tom de voz com o deles. Legitimar as emoções das crianças ajuda a enfatizar a importância delas e a construir confiança. Se os sentimentos dos pequenos estiverem muito intensos, você pode tentar ajudá-los a relaxar o corpo com um abraço ou tirar a criança da cena para permitir que ela pense com maior clareza.

(2) Procure narrar a situação.

“Notei, pelo tom alto de sua voz e pela expressão de raiva em seu rosto, que parece chateada. O que aconteceu?” Para aquelas com dificuldade de entender isso, principalmente as mais jovens, pode ser necessário preencher as lacunas, quando necessário. Perguntar “O que houve?” também dá aos pequenos a oportunidade de pensar a respeito e discutir a situação.

(3) Busque especificar o problema.

É importante destacar a emoção envolvida e certificar-se de que você compreendeu o que houve com a maior clareza possível. Por exemplo, “Você se sentiu frustrado quando quis ir lá fora, mas não pôde e, por isso, arremessou o brinquedo”.

(4) Procure apresentar soluções.

Exemplos: “Em vez disso, o que podemos fazer?”. “Parece que há duas opções”. “Quando isso acontece comigo, fazer uma foto me ajuda a me sentir melhor. Quer tirar uma comigo?”. Tente propor estratégias que a criança já tenha visto você modelar.

(5) Busque discutir as consequências e questionar.

“O que acha que pode acontecer?”. “Você escolheu desenhar uma imagem; como se sente agora?”

Olimpíadas é mais do que esporte

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No último domingo, 21 de agosto, terminou o maior evento esportivo do planeta, as Olimpíadas. Apesar das polêmicas e crises que precederam este grande acontecimento, também é possível encontrar excelentes exemplos de inspiração para utilizarmos no contexto escolar.  Partindo dessas situações, proponho voltar nossos olhares à aplicabilidade das competências socioemocionais no esporte e demonstrar como estes aprendizados permanecem conosco ao longo da vida.

Podemos observar a criatividade da Cerimônia de Abertura, comentada não somente pelos brasileiros, como também muito elogiada pela imprensa internacional. A equipe responsável, além de fazer um evento muito bonito, teve que ser capaz de realizá-lo com um orçamento muito menor do que o mesmo evento de edições anteriores dos Jogos. A criatividade, sem dúvida, fez com que fôssemos capazes de realizar mais com menos recursos financeiros.

A Seleção Brasileira de vôlei masculino também merece destaque. Não por ter sido medalhista olímpica, mas porque foi um exemplo de trabalho em equipe e de colaboração. A liderança do Bernardinho, técnico que levou o time para 4 finais olímpicas consecutivas, merece também a medalha de ouro. Por sua consistência e sua capacidade de fazer cada integrante da equipe dar seu melhor e buscar um objetivo comum. Destaco também o jogador Lucarelli pelo seu esforço e dedicação. O atleta jogou a semifinal e a final com um estiramento no músculo da coxa, lesão que causa bastante dor. Uma lição do quanto temos que lutar e nos sacrificar por um objetivo.

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Tonia Casarin é mestre em Educação pelo Teachers College Columbia University.

A garra e a vontade da seleção feminina de futebol que conquistou o coração dos torcedores. Era nítido que elas lutavam contra o cansaço e que sabiam que representavam um país inteiro. Essa responsabilidade era vista em campo. Nossa seleção masculina também mostrou vontade e lutou até o final em um jogo histórico com a Alemanha – para apagar de ver o fantasma do 7 a 1. Conquistou mais do que medalha, reconquistou o respeito dos brasileiros.

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Legado das Olimpíadas

Surgiram novos heróis nacionais, que o esporte nomeia com orgulho: Rafaella Silva, Isaquias Queiroz, Erlon de Souza, Robson Conceição, Maicon Siqueira, Thiago Braz. Determinação e resiliência são palavras comuns para atletas que superam no seu dia a dia não somente a dura rotina de treinamentos, mas as dificuldades financeiras e a vulnerabilidade social em que se encontram.

A capacidade de aprender com o fracasso foi claro na trajetória de Diego Hypólito. O atleta que ganhou medalha de prata no Jogos Rio 2016, passou por duas Olimpíadas com quedas na prova de solo. Achou que nunca conseguiria superar, passou por depressão e mostrou ao mundo a importância de acreditar em si mesmo. Assim como o ginasta, os judocas Mayra Aguiar e Rafael Silva tiveram que dar a volta por cima ao disputar a medalha de bronze após serem derrotados. O judô mostra que, em pouco tempo, temos que ser capazes de controlar nossas emoções e focar no objetivo.

Pela primeira vez na história, tivemos um time de refugiados, representado pela bandeira olímpica. Uma equipe de dez atletas representou 60 milhões de pessoas, espalhadas por todo o mundo, que tiveram que abandonar suas casas para sobreviver. Os atletas vieram da Síria, do Sudão do Sul, da Etiópia e da República Democrática do Congo. Suas histórias pessoais de superação são um exemplo por si só. Tendo o esporte como pano de fundo, o Time Olímpico de Refugiados é o lembrete de que o mundo precisa de paz e compaixão.

Além desses exemplos, poderia escolher muitos outros. Ainda emocionada com o espírito olímpico, afirmo que o esporte é pilar fundamental no desenvolvimento das habilidades socioemocionais. E, por isso, as escolas e professores precisam manter viva a prática esportiva e propagar o conhecimento sobre as diversas modalidades, aproveitando para desenvolver as competências socioemocionais. Que tal irmos além de um simples “bater bola” durante a aula de Educação Física? Vamos manter a emoção dos Jogos Olímpicos Rio 2016 e transformar a realidade de nossas escolas!

Aproveitem esse momento histórico. E foco nas Paraolimpíadas que começam em breve.

COMPETÊNCIAS SOCIOEMOCIONAIS VÃO ALÉM DA SALA DE AULA

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A discussão em torno do desenvolvimento das competências socioemocionais está focada nas crianças. Porém, se esquecermos de todos os outros atores envolvidos no processo educacional de uma crianças, o processo fica capenga.

Estamos buscando desenvolver nas crianças, competências que os adultos não foram ensinados. Pelo menos, não de forma declarada, explícita e estruturada em forma de currículo.

Portanto, a forma mais coerente de tratar do desenvolvimento dessas competências é no âmbito escolar. Um projeto pedagógico coeso deve ser entendido como um todo, tendo alunos, educadores e pais/responsáveis como atores de uma cultura em torno dessas competências.

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Tonia Casarin é mestre em Educação pelo Teachers College Columbia University.

Incentivar os adultos a aprender, refletir e praticar suas próprias competências sociais e emocionais torna-se fundamental para o sucesso da implementação desse currículo nas escolas. Não somente os professores, que estarão no cotidiano com as crianças, mas, principalmente, toda a equipe de educadores, como diretores e coordenadores.

Esse desenvolvimento pessoal envolve o desenvolvimento profissional contínuo dos educadores em todos os níveis da escola. Garantir que toda a equipe escolar modele atitudes positivas que seja evidente a utilização de inteligência emocional e social em suas relações, entre os colegas da escola, com os próprios alunos, professores e pais e responsáveis.

Mais do que fazer parte de uma grande transformação na educação, coordenadores e diretores são beneficiados com o aprendizado que levam para a própria vida. Pesquisas mostram que desenvolver a inteligência emocional e social é condição sine qua non para ter sucesso na vida. Mais do que isso, o que diferencia um líder de outro profissional não é seu QI (quoeficiente de inteligência), mas sim, seu QE (quoeficiente de inteligência emocional). Enquanto o QI é responsável por 4% da performance, o QE representa 25%. Além disso, grandes líderes tendem a ser sete vezes mais propensos a ter uma pontuação alta em autocontrole, três vezes mais propensos em ter essa pontuação alta em empatia e duas vezes e meia em trabalho em time.

Sem dúvida, além de fatos e dados, sabemos que as crianças copiam nossos comportamentos como ninguém. Ter em mente que somos exemplos para elas e carregar essa responsabilidade e agir de forma intencional, faz com que comecemos a criar dentro da escola a chama da cultura que queremos.

A proposta socioemocional na prática: Colégio Estadual Chico Anysio

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O Colégio Estadual Chico Anysio, no Rio de Janeiro, é um exemplo da implementação da educação integral no Ensino Médio enriquecida pelo desenvolvimento socioemocional. O projeto faz parte da parceria entre a Secretaria de Estado de Educação e o Instituto Ayrton Senna, iniciada em 2013, e prevê que, além das disciplinas obrigatórias, parte da rotina do aluno seja voltada para desenvolver competências como colaboração, curiosidade, persistência e responsabilidade.

Com o objetivo de solucionar questões como a evasão escolar, o desinteresse dos alunos pelos estudos e a dificuldade de conectar o conteúdo com a vida real, o Colégio Estadual Chico Anysio definiu seu projeto pedagógico com base em quatro momentos durante a semana:

ESTUDO ORIENTADO 

Nestas situações, enfatiza-se o aprender a estudar. Um educador orienta os jovens sobre como buscar informações relevantes e como sintetizá-las.

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Tonia Casarin é mestre em Educação pelo Teachers College Columbia University.

PROJETO DE VIDA 

Os professores se reúnem com pequenos grupos de alunos para ouvir angústias acadêmicas ou pessoais e ajudar a traçar metas maiores. O autoconhecimento e a empatia são trabalhados nesse momento, assim como o entendimento da relação com os colegas, a família e a comunidade.

AUTOGESTÃO

Os alunos ficam livres para fazerem o que quiserem, como participar de atividades artística ou corporal, realizar oficinas, estudar para a prova, entre outras. Nessa parte, o planejamento e a tomada de decisão são competências que ficam claras e são trabalhadas de forma intencional com a turma.

PROJETO DE INTERVENÇÃO E PESQUISA

Todos os alunos da escola são misturados para enfatizar a diversidade e exercitar a capacidade de relacionamento pessoal. Os estudantes formam grupos independentes de turma, idade ou série e ao longo do bimestre desenvolvem um projeto relacionado com o cotidiano. Eles se mobilizam em torno de um assunto de interesse comum, propõem ideias para resolver o problema, planejam, executam o trabalho e avaliam o projeto, e depois divulgam os resultados.

desenvolvimento socioemocional
Fachada do C.E. Chico  Anysio no Rio de Janeiro. 
Crédito: Marcia Costa/ Divulgação: SEEDUC RJ

RESULTADOS PRÁTICOS DA PROPOSTA SOCIOEMOCIONAL

A maior liberdade e participação dos alunos já deu frutos para Colégio Estadual Chico Anysio. Por exemplo, foi constatado um desperdício de alimentos na escola. A partir deste diagnóstico, uma banca composta por funcionários, alunos e professores propôs que os próprios alunos se servissem nas refeições, ao invés de receber os pratos prontos. Os estudantes foram incentivados a calcular o impacto financeiro decorrente dos oito quilos de alimentos que, diariamente, iam para o lixo e conseguiram reduzir para um quilo. Iniciativas como essa melhoram a prática escolar, o aprendizado e podem inclusive ser incorporadas no plano político pedagógico da escola.

As iniciativas melhoraram a relação entre alunos e professores e entre os próprios jovens. Os professores começaram a se sentir mais desafiados e entusiasmados com o trabalho e os estudantes passaram a se sentir mais confiantes e interessados pelos estudos. Começaram a gostar da escola e a respeitar seu espaço. Além disso, a escola teve um desempenho médio 50% melhor nas diversas disciplinas da matriz curricular do Ensino Médio, comparado às escolas avaliadas pelo Sistema de Avaliação Bimestral do Processo de Ensino e Aprendizagem (Saerjinho), evidenciando que o desenvolvimento de habilidades socioemocionais melhora a performance cognitiva. Esse exemplo parece ser um caminho promissor que muitas escolas estão buscando para desenvolver as habilidades e competências dos alunos.

Que tal iniciar um projeto parecido em sua escola?

CONHEÇA MAIS

Confira o depoimento da equipe pedagógica da escola sobre o projeto realizado no Colégio Estadual Chico Anysio e como é feito na prática o trabalho com as competências socioemocionais:

Escrito por Tônia Casarin, mestre em Educação pelo Teachers College Columbia University.