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Aulas/Explicações

Oscar Wilde e as polêmicas da vida vitoriana

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Oscar Wilde nasceu em 16 de outubro de 1854, em Dublin, em uma rica família de origem anglo-irlandesa. Além de uma vida pessoal polêmica, Wilde deixou um legado de frases e obras que incentivavam movimentos estéticos e abordavam assuntos bastante polêmicos para a sua época.

Vamos conhecer mais sobre esse grande nome da literatura?

Breve biografia

Por conta da boa condição financeira de sua família, Oscar Wilde sempre teve contato com a elite intelectual e com os grandes clássicos da literatura e com a alta sociedade irlandesa. Com grande interesse no movimento estético, muda-se para Londres em 1879 e dá início a sua longa jornada na literatura mundial.

Durante toda a sua vida, o escritor se envolveu em inúmeras polêmicas particulares, chegando a ser preso, em 1895, por atentado ao pudor. Wilde ficou doía anos na cadeia e perdeu grande parte de seu prestígio na sociedade londrina. Mas, apesar disso, não se pode colocar em voga o seu talento literário, marcado pela sagacidade e pela temática de suas obras.

Embora fosse casado e tivesse dois filhos, Wilde teve uma série de casos homossexuais. A última obra do escritor a ser publicada, De Profundis, é baseada em uma carta escrita para Alfred Douglas durante a temporada na prisão. O título se refere ao salmo 130 da Bíblia e quer dizer “Das Profundezas”. Nele, Wilde fala da sua vida, da humilhação durante o processo, do sofrimento na prisão e das crenças religiosas.

Após ser libertado, Wilde passou seus últimos três anos de vida na França, sob o pseudônimo de Sebastian Melmoth. Veio a falecer em 30 de novembro de 1900, após problemas de saúde relacionados à vida na cadeia.

Estilo literário

Apesar da carreira relativamente curta, Oscar Wilde se aventurou em diversos gêneros, como poesias, contos, peças, ensaios e romance. Sua primeira poesia foi publicada em 1881 e deu início a uma década de obras como O Príncipe feliz (conto de fadas), O leque de lady Windermere, peça que satirizava os hábitos e costumes londrinos e O retrato de Dorian Gray, seu único e mais famoso romance que abordava o homossexualismo.

Em suas obras, defendia a estética e o “belo”, como solução para a sociedade. Esse movimento estético defendido por Wilde pode ter dado início às primeiras ideias das vanguardas artísticas da Europa. Quando foi viver na França, o escritor dedicou-se mais à literatura e seu movimento estético acabou sendo abafado também pelas sua história de vida.

O Retrato de Dorian Gray

Sua obra-prima foi lançada em 1891. Em O Retrato de Dorian Gray, o foco é a decadência da sociedade londrina através da história de Dorian, um rapaz que se encanta com seu próprio retrato. O jovem passa a desenvolver o interesse pelos prazeres da vida mundana e começa a viver desregradamente, entregando-se ao hedonismo. Wilde estabeleceu um paralelo entre a arte e a juventude fugaz vivida plenamente.

Oscar Wilde foi considerado um dos maiores escritores da história da literatura e sua obra ganhou versões para o teatro e para o cinema:

 

Saiba mais

Confira mais sobre a vida e a obra de Oscar Wilde nos episódio da série “Histórias de Oscar Wilde

Lima Barreto: o Pré-Modernismo no Brasil

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Afonso Henrique de Lima Barreto, ou simplesmente Lima Barreto, foi um dos grandes representantes da corrente literária do Pré-Modernismo. Nascido em 13 de maio de 1881, Lima Barreto era mestiço e, durante a sua vida, sofreu com o preconceito da classe literária carioca. Apesar da sua condição social, frequentou colégios e cursou Engenharia na Escola Politécnica. Ainda estudante, publicou seus primeiros textos em revistas e jornais da comunidade estudantil.

Órfão de mãe, Lima Barreto foi criado por seu pai, que sofria de alguns distúrbios mentais. Por conta do agravamento da doença, Lima Barreto abandona os estudos de Engenharia para cuidar do pai e começa a trabalhar na Secretaria de Guerra, ocupando um cargo bastante burocrático. Foi este emprego que deu inspiração para algumas de suas crônicas sobre o cotidiano na capital carioca. Esses textos começaram a ser publicados em revistas literárias da época como “Careta”, “Fon-Fon” e “O Malho”.

Lima Barreto lutou contra as injustiças sociais e os preconceitos raciais. Sua influência na imprensa foi crucial nessa jornada. Porém, por conta disso também, teve problemas sérios com alcoolismo, ficando internado duas vezes no Hospício Nacional, para tratamento do vício. Lá, descreveu suas experiências no livro Cemitério dos Vivos. Em seu funeral, em 01 de novembro de 1921, ignorado pelos intelectuais da época, foi homenageado com a presença dos pobres anônimos e suburbanos sobre quem escreveu. Deixou um legado de 17 volumes entre contos, ensaios, crônicas, memórias, correspondências e críticas literárias, que, por conta da sua morte prematura, foram publicadas postumamente.

Contexto histórico e literário

Lima Barreto nasceu em 1881, quando D.Pedro I ainda era o imperador de nosso país. O autor viveu todo o processo de transição para a República e foi conterrâneo de autores realistas, como Machado de Assis e Aluízio Azevedo. A proposta realista focava sua temática no modo de vida e na hipocrisia de uma burguesia emergente nos grandes centros cariocas. Por conta de sua condição social, Lima Barreto marcou seu nome na história por dar vida e voz aos personagens dos subúrbios cariocas. Através de seus romances, podemos observar claramente os mecanismos de relacionamento social típicos da sociedade brasileira no início do século XX, fortemente marcada pela distinção por raça e classe social.

Lima Barreto

Em seu primeiro romance, Recordações do Escrivão Isaías Caminha, publicado em 1909, conta a história de um mulato que sonha em se tornar jornalista na cidade grande. O jovem Isaías acreditava no seu valor e queria provar que podia vencer na vida pelos seus esforços, superando, sobretudo, o preconceito racial pela cor de sua pele. Após diversas dificuldades, ele consegue um emprego como escrivão de um jornal, mas só consegue promoções por ter descoberto seu chefe em uma noitada de orgias.

De caráter autobiográfico, o livro defende que o meio massacra as condições de um indivíduo crescer através de méritos próprios. Assim como Lima Barreto, que por toda sua vida lutou contra o preconceito, Isaías narrou suas memórias com a convicção de ter vencido em parte os problemas e as humilhações que o meio social preconceituoso lhe delegava, mas mais consciente de estar vivendo uma situação falsa ou de exceção.

Lima Barreto acreditava que a literatura devia ajudar a difundir as “grandes e altas emoções humanas” e a construir a comunhão entre as pessoas de todas as raças e classes. Leitor apaixonado, usou a voz de diferentes personagens para espalhar essa crença no poder dos livros.

Em seu primeiro romance, Recordações do Escrivão Isaías Caminha, publicado em 1909, conta a história de um mulato que sonha em se tornar jornalista na cidade grande. O jovem Isaías acreditava no seu valor e queria provar que podia vencer na vida pelos seus esforços, superando, sobretudo, o preconceito racial pela cor de sua pele. Após diversas dificuldades, ele consegue um emprego como escrivão de um jornal, mas só consegue promoções por ter descoberto seu chefe em uma noitada de orgias.

Triste Fim de Policarpo Quaresma

A obra-prima de Lima Barreto veio com Triste Fim de Policarpo Quaresma, publicado em 1915. A narrativa conta a história do major Policarpo Quaresma, um patriota exacerbado e fanático pelos assuntos que envolvem o Brasil, desde a fauna e a flora do país, até a cultura e o folclore do povo. O patriotismo desmedido é criticado por todos a sua volta, que o tarjam de louco.

Com Policarpo Quaresma, Lima Barreto consegue colocar em xeque o duelo entre o que é real e o que é ideal. Enquanto o patriotismo do major é ideal, a descrença dos que o cercam é real. Influenciado pelos livros que lê, Policarpo Quaresma traça um projeto para tornar o país uma grande potência mundial. Inicialmente, Quaresma mergulha no estudo das tradições brasileiras, aprendendo inclusive a língua tupi e os costumes dos nossos indígenas. Depois passa a se dedicar ao trabalho agrícola. Compra o Sítio Sossego e resolve pôr em prática as orientações científicas que encontrava nos livros. Mas as terras não se revelam tão férteis como diziam os livros, as pragas são terríveis e há muitas dificuldades na comercialização dos produtos.

Quaresma começa a perceber que o problema, na verdade, está na corrupção dos políticos, que não fazem leis que ajudem esse desenvolvimento. Dedica-se, então, a seu terceiro projeto: a reforma política. A oportunidade para isso surge por ocasião da Revolta da Armada. Quaresma vai ao Rio de Janeiro, engaja-se voluntariamente nas tropas do marechal Floriano Peixoto e luta pelos ideais republicanos. Vê em Floriano o reformador enérgico e patriota que sonhara e entrega-lhe um documento em que expõe seus planos de salvação do país. Mas o marechal responde-lhe secamente: “Você, Quaresma, é um visionário…”. Desilude-se mais uma vez. Compreende então que não há patriotismo, e que os governantes só estão preocupados com seus interesses pessoais.

Lima Barreto livro

Triste fim de Policarpo Quaresma

  • Coleção Travessias – Editora Moderna
  • Autor: Lima Barreto
  • Faixa etária: A partir de 15 anos
  • Indicação: 1º Ano (EM), 2º Ano (EM), 3º Ano (EM)
  • Assunto: Crítica social e política, EJA, Sátira, Violência
  • Tema transversal: Ética
  • Número de páginas: 168

A desilusão final de Quaresma faz referência à desilusão que Lima Barreto teve durante toda a sua vida. O autor morreu acreditando que o dever dos escritores era “deixar de lado todas as velhas regras, toda a disciplina exterior dos gêneros e aproveitar de cada um deles o que puder e procurar, conforme a inspiração própria para tentar reformar certas usanças”.

Saiba mais

O filme Policarpo Quaresma: Herói do Brasil (1988), do diretor Paulo Thiago, traz a hstória desse homem que acreditava com voracidade no potencial do nosso país. É excelente para trabalhar o filme e o contexto histórico com os alunos

Policarpo Quaresma, Herói do Brasil – Brasil (1988)

  • Duração: 120 min
  • Direção: Paulo Thiago
  • Sinopse: O major Policarpo Quaresma é um sonhador. Um visionário que ama o seu país e deseja vê-lo tão grandioso quanto, acredita, o Brasil pode ser. A sua luta se inicia no Congresso. Policarpo quer que o tupi-guarani seja adotado como idioma nacional. Ele tem o apoio de sua afilhada Olga por quem nutre um afeto especial e Ricardo Coração dos Outros trovador e compositor de modinhas que conta a história do nosso herói do Brasil.

Miguel de Cervantes e seu Dom Quixote

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Boa tarde, pessoal,

Muitos de vocês devem ter ouvido o termo “quixotesco” para classificar pessoas que tendem a serem levadas pela imaginação, são muito românticas ou até mesmo um pouco desligadas da realidade. A verdade é que o termo faz referência a uma das maiores obras da Literatura mundial: Dom Quixote de La Mancha.

O autor Miguel de Cervantes Saavedra nasceu em 29 de setembro de 1547. Apesar de não se ter comprovação sobre a data, este é o dia divulgado como oficial de seu nascimento, em Valladoid, Espanha. Cervantes teve passagens pelo exército espanhol e chegou a lutar na batalha de Lepanto, contra o império turco. Alguns historiadores contam que nessa passagem, ele acabou sofrendo um sério ferimento no braço esquerdo que fez com que ele perdesse os movimentos da mão.

Em 1585, Cervantes casa com Catalina de Salazar, 22 anos mais nova que ele, e escreve seus primeiros poemas e novelas, como “La Galatea”. A grande curiosidade que envolve o autor é que por muitos anos, ele foi considerado um escritor ruim, não conseguindo sobreviver de suas obras e, por isso, trabalhou como cobrador de impostos e prestador de serviços para um cardeal italiano.

Dom Quixote de La Mancha

Foi aos 58 anos que Cervantes virou a mesa. Em 1805, o escritor publica a primeira parte do seu livro mais famoso: Dom Quixote de La Mancha. Com ele, Cervantes passaria a se dedicar somente a escrever e marcaria o seu nome para sempre na Literatura mundial. O livro conta a história um fidalgo (Dom Quixote) e seu fiel escudeiro (Sancho Pança) em busca de aventuras trovadorescas.

Aqui vale lembrar que Cervantes foi contemporâneo às ideais renascentistas na Europa. Essa transição de pensamento influenciaria muito a sua obra. Dom Quixote conta com humor as histórias dos antigos cavaleiros trovadores, apaixonados e que idealizavam a mulher amada, pelos olhos de um fidalgo considerado louco pelas pessoas a sua volta. Foi por conta da inocência sonhadora, romântica e da ausência de realidade que surgiu o adjetivo quixotesco para classificar pessoas avoadas.

O sucesso de Dom Quixote foi tão intenso que a obra Miguel de Cervantes transgrediu séculos. Hoje, a língua castelhana, por exemplo, muitas vezes é citada como a “língua de Cervantes”, mostrando a importância da narrativa. A obra foi tão bem aceita pela crítica da época, que no seu primeiro ano, teve seis edições e deu vazão a outras produções do autor: “Novelas Exemplares” (1613), o livro “Viagem ao Parnaso” (1614) e uma coletânea com as suas melhores peças de teatro, “Oito Comédias e Oito Intermédios” (1615). Por toda a sua contribuição, Cervantes é considerado o precursor do realismo na Espanha.

Dom Quixote em outras linguagens

Não foi só Cervantes que obteve sucesso com a figura caricata de Dom Quixote. Pablo Picasso e Salvador Dalí, conceituados pintores também ilustraram em suas obras o fidalgo quixotesco:

Peças de teatro:

Balé:

Filmes:

Don Quixote – Nunca desista

Saiba mais:

Para quem quiser saber mais sobre Dom Quixote, a Biblioteca Nacional de Portugal possui um acervo completo sobre a obra do autor e sobre outros artistas que estiveram relacionados a ele. Vale a pena conferir:

Complemente suas aulas

O autor Walcyr Carrasco publicou uma tradução adaptada de Dom Quixote pela Editora Moderna. A obra ajuda a complementar as aulas de Literatura para os alunos do Ensino Fundamental II.

Conheça mais:

Dom Quixote - Walcyr Carrasco

John Locke: filosofia, política e educação

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John Locke faleceu em 28 de outubro de 1704 na Inglaterra. Apesar da distância de mais de três séculos, as ideias liberais do filósofo inglês se mantém atuais. Locke nasceu em 1632, na cidade de Wrignton, Somerset, região sudoeste da Inglaterra. Durante o início da sua vida adulta, John Locke alimentou um grande interesse por assuntos relacionados à política, à educação e à filosofia, em uma época em que o Absolutismo imperava na Europa e o Rei era visto como um representante de Deus na Terra, que podia interferir em todos os seus interesses e no de seus súditos.

John LockeCom o passar do tempo, a estrutura das sociedades europeias começou a mudar e junto com elas as percepções de Locke. A insatisfação com os abusos da nobreza fizeram com que a burguesia começasse a se manifestar contra a monarquia absolutista. Nesse cenário, John Locke teve um papel importante para a transição do pensamento político, inaugurando uma nova modalidade de governo: o liberalismo.

Os ideais de John Locke são tão importantes que serviram de base para a implantação da monarquia parlamentarista na Inglaterra, inspiraram a Constituição dos Estados Unidos e foram adotadas como lema dos iluministas franceses, que, um século mais tarde, fariam a Revolução Francesa.

O grande ponto da filosofia política de Locke está no questionamento à legitimidade do direito divino dos reis, como pode ser observado na obra “Dois Tratados sobre o Governo”, publicada bem depois de sua morte, no final do século XVII. No livro, o filósofo defende a criação de práticas políticas que não fossem contra as leis naturais do mundo, ou seja, que garantisse igualdade aos cidadãos.

Uma situação que incomodava Locke era o fato de os cidadãos não terem direito sobre as coisas que produziam. De acordo com ele, a humanidade e o mundo são frutos do trabalho divino e, por isso, são propriedade de Deus. Sendo assim, qualquer riqueza que o homem conquistava por meio de seu próprio esforço, deveria ser de sua propriedade.

“A mente humana é uma tabula rasa”

John LockeNa filosofia, Locke procurou investigar as ações da mente humana, principalmente, a forma como ela capta informações e traduz o mundo exterior. Para isso, partiu do princípio de que todos os seres humanos nascem com o mesmo conhecimento: nenhum! Exatamente. O homem adquire conhecimento ao longo de sua vida. A partir dessa premissa é que o autor britânico acreditava que as mazelas eram socialmente produzidas e poderiam ser superadas pelo homem.

Em suas concepções filosóficas, Locke se opunha às correntes de pensamento que encontravam em Deus a resposta para as questões profundas. Para ele, a moral e a bondade só seriam obtidas através da razão e da análise sobre o que é vantajoso individual e coletivamente.

Em suas obras, Locke tentou demonstrar que a mente humana tem, de fato, um limite superficial e que seria impossível chegar às causas primordiais das grandes questões filosóficas. Através dos nossos sentidos é possível captar o conhecimento e formar ideias simples. A junção dessas ideias simples formaria os pensamentos complexos.

"Os homens são bons ou maus graças a sua educação"

Para John Locke, a transformação das instituições de ensino é a base para executar as mudanças na sociedade. As crianças aprendiam a partir da experiência com situações distintas e o papel da escola é garantir que elas tivessem contato com novas condições. Através do empirismo, os pequenos absorvem novos conteúdos e informações para sua formação intelectual. Mas, mesmo o conhecimento sendo igual a todos, a forma e a habilidade de reservar novos elementos são variáveis entre as pessoas.

John Locke educação

Assim sendo, Locke destaca a importância de um mestre condutor do pensamento com o qual a criança se relacionaria para sua formação. Sem esta figura, os pequenos se tornariam obsoletos, preguiçosos, egocêntricos e moralmente ignorantes e incapazes de conviver socialmente. Apesar da racionalidade de suas obras, o filósofo acreditava que as características emocionais do aluno influenciavam no seu aprendizado. Desta forma, os educadores precisavam estar preparados para aplicar metodologias diferentes em cada tipo de estudante.

 

 

A construção do Muro de Berlim

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Em 13 de agosto de 1961, a Alemanha começaria a presenciar uma reviravolta civil em sua história. Eram iniciadas as obras para construção do Muro de Berlim, que dividia o país entre Alemanha Ocidental e Alemanha Oriental, e marcaria a separação do povo alemão durante os próximos 28 anos.

A construção do muro

A Alemanha foi devastada no pós Segunda Guerra Mundial. Internamente, os alemães enfrentavam um sério problema civil por conta do descontentamento com o governo comunista do lado oriental. Percebendo isso, as autoridades da República Democrática Alemã (RDA) ordenaram a construção de uma barreira praticamente intransponível que dividiu a capital do País ao longo de 155 quilômetros.

Muro de Berlim

Foto da construção do Muro de Berlim

O Muro de Berlim, como ficou conhecido, foi construído para “estancar a emigração em massa para ocidente e a sangria econômica resultante para o regime comunista”. Dados oficiais alemães mostram que entre 1949 (ano de fundação da RDA) e 13 de agosto de 1961, cerca de três milhões de pessoas mudaram-se da área oriental da Alemanha para o ocidente. Todos estavam descontentes com o rumo que RDA estava dando à Alemanha Oriental, tornando-a uma espécie de zona de influência soviética.

Durante os 28 anos que se seguiram, até a queda do mundo, as milícias comunistas ergueram barreiras de arame farpado, ergueram barricadas na fronteira, impedindo que a população saísse do país e os alemães ocidentais de entrar em território da RDA. A segurança era forte. Os alemães orientais utilizavam uma dupla barreira de betão com uma “faixa da morte”, em que foram colocadas minas, armas de tiro automático e um conjunto de vigilantes com mais de 47 mil guardas. Por conta de tudo isso, o Muro ficou conhecido como o “Muro da Vergonha”.

A repercussão na mídia

Veja também a matéria completa veiculada pelo Jornal Nacional, quando houve a queda do muro, em 10 de novembro de 1989.

Saiba mais

Na coleção Conexões com a História, aprovada no PNLD 2015, traz um objeto educacional sobre o Muro de Berlim que pode complementar as aulas de História. Confira:

Muro de Berlim

Filmes de apoio

Adeus, Lênin

Alemanha, 2003

Direção: Wolfganger Becker

A mãe de Alexander, fiel devota do socialismo na antiga Alemanha Oriental, tem um ataque cardíaco ao ver o filho em uma passeata contra o sistema vigente. Quando ela acorda do coma, após a queda do muro de Berlim, o médico aconselha a Alexander que ela evite emoções fortes, pois outro ataque tão cedo seria fatal. Com o peso na consciência pelo estado atual de sua mãe, Alex faz de tudo para que ela continue vivendo em uma ilusória Alemanha socialista, mudando embalagens de produtos industrializados e até mesmo inventando documentários televisivos para preencher as brechas do dia-a-dia do recente capitalismo no país.

Um Amor Além do Muro

Alemanha, 2006
Direção: Dominik Graf

No verão de 1961, quatro meses antes da construção do Muro de Berlim, Siggi (Max Riemelt), um jovem de 20 anos, chega a Dresden para tentar a vida como cenógrafo. Na boate A Cacatua Vermelha conhece Luise (Jessica Schwartz), uma jovem poeta cujo trabalho é proibido na Alemanha Oriental, sem saber que ela é casada com Wolle (Ronald Zehrfeld). Na boate, o trio é apresentado à música proibida do ocidente: o rock’n’roll.

A Vida dos Outros

Alemanha, 2006
Direção: Florian Henckel von Donnersmarck

Vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, retrata a situação de artistas e intelectuais numa Alemanha ainda dividida. Em 1984, um ministro da Alemanha Oriental ordena que Georg Dreyman (Sebastian Koch), o maior dramaturgo do país, seja vigiado pelo serviço secreto, apesar dele não contestar o governo ou seu regime político. O ministro Bruno Hempf (Thomas Thieme) passa esta tarefa para Anton Grubitz (Ulrich Tukur), que monta uma estrutura em que Dreyman e sua namorada, a atriz Christa-Maria Sieland (Martina Gedeck), são vigiados 24 horas. Com a descoberta do mundo particular do casal, Grubitz passa a ter uma afeição aos dois e questionar seu trabalho.

Guerra do Golfo: a diplomacia e o petróleo

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A exploração do petróleo desperta o interesse de Estados e empresas em todo o mundo. Neste contexto, o Golfo Pérsico, no Oriente Médio, surge como grande destaque pelo número de reservas petrolíferas e, por consequência, como foco de tensão diplomática. A região já foi palco de uma guerra entre Irã e Iraque (1980 -1988), motivada pelo interesse do ditador iraquiano Saddam Hussein, sunita, em enfraquecer a influência xiita nos campos petrolíferos.

Em 1990, Hussein invadiu o Kuwait sob a justificativa de que o país estava se apropriando de petróleo iraquiano na região da fronteira e o comercializando a preços mais baixos para prejudicar a economia iraquiana. O objetivo principal do Iraque com a invasão era anexar o território vizinho como uma província e controlar o petróleo kuwaitiano.

Era o início do conflito que seria conhecido como Guerra do Golfo.

Saddam Hussein - Guerra do Golfo

Saddam Hussein discursa durante a Guerra do Golfo

 

Guerra do Golfo: Intervenção da ONU e entrada dos EUA

Com a morte de milhares de soldados e civis, a Organização das Nações Unidas (ONU) interveio na situação e declarou embargo comercial ao Iraque e impedindo que outros países associados comercializassem com Saddam Hussein durante a Guerra do Golfo. A medida não foi o bastante para apaziguar a situação e os conflitos armados continuaram. A situação afetou relações comerciais e o fornecimento de petróleo para todo o mundo, mobilizando grandes economias a participarem das ações por paz. Os Estados Unidos decidiram participar do confronto armado apoiando as tropas kuwaitianas para retirada dos iraquianos do território.

Saddam Hussein pretendia, a longo prazo, decretar guerra ao Oriente Médio e dominar territórios vizinhos ao Iraque para dominar o mercado petrolífero. O que o ditador não esperava era o apoio da Arábia Saudita e da Turquia às tropas norte-americanas. Assim, a Organização das Nações Unidas (ONU), autorizou, no início de 1991, a invasão de uma coalizão militar, formada por 34 países, sob a liderança dos Estados Unidos, para forçar a retirada das tropas iraquianas do Kuwait.

Guerra do Golfo: avião sobrevoando o Kuwait

F-14 sobrevoando o território do Kuwait durante a Guerra do Golfo

Os iraquianos atacaram Israel com mísseis de fabricação soviética como medida para ganhar o apoio de outros países da região. No entando, as relações diplomáticas entre Israel e Estados Unidos foram fundamentais para convencer Israel de não contra-atacar militarmente. Saddam Hussein ainda autorizou o incêndio de plataformas petrolíferas do Kuwait.

Em 28 de fevereiro de1991, o Iraque foi bombardeado e as tropas terrestres da coalizão anunciaram a devolução do Kuwait. Apesar das milhares de mortes civis e militares, a Guerra do Golfo não representou grandes mudanças políticas no Iraque, que manteve Saddam Hussein como ditador e não perdeu nenhum território.

Em 2002, esse conflito seria retomado pelo ex-presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, sob alegação de que o Iraque desenvolvia armas de destruição em massa. Tropas norte-americanas ficaram alojadas no Iraque até 2011 e as armas de destruição em massa nunca foram encontradas e o ditador Saddam Hussein foi condenado à pena de morte e executado em 2006.

Saiba mais sobre a Guerra do Golfo

A Guerra do Golfo foi o primeiro conflito armado com transmissão ao vivo pelos meios de comunicação. O canal britânico CNN (Cable News Network) enviou três jornalistas para acompanhar as ações militares. Bernard Shaw descreveu os primeiros ataques da coalizão contra Bagdá, no Iraque:

A Rede Globo guarda um acervo sobre a Guerra do Golfo. Foi a primeira vez que a emissora realizou a cobertura in loco de um conflito armado.