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Aulas presenciais transmitidas ao vivo: guia de sobrevivência para professores

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Já faz um ano que muitos educadores tiveram que transformar o formato de suas aulas, levar a sala de aula para casa e adaptar seus planejamentos, mas os efeitos da pandemia ainda estão presentes em nosso cotidiano e 2021 nos traz provas disso. Se antes, precisávamos nos adequar ao formato de ensino remoto emergencial, agora, muitas escolas brasileiras se adaptam na divisão entre estudantes que estão presencialmente, na escola, e outros que estão em casa, assistindo às aulas via transmissão ao vivo.

Algumas das muitas perguntas que tenho recebido nas formações e em mentorias para escolas e professores são: como dar atenção para quem está na sala de aula sem prejudicar quem está em casa? Como criar atividades que funcionem para ambos? Como engajar quem está em casa e com muito menos estímulos do que quem está no presencial? Como posicionar a câmera de modo que quem esteja em casa me acompanhe enquanto caminho pela sala? Dividi essas perguntas em duas grandes áreas, com o objetivo de lhe ajudar, na prática, a ter mais clareza em mente. Vamos lá?

Planejamento

  1. Divisão da aula por blocos: você já percebeu que os programas de TV são apresentados em blocos? Na área da comunicação, isso tem vários nomes e eu gosto de pensá-los como “áreas de respiro”, ou seja, há várias etapas e o público, no nosso caso, os estudantes, conhecem as etapas e esperam por elas. Mas agora você deve estar se perguntando: que blocos eu posso criar? Aí vão algumas ideias básicas para você adaptar ao seu contexto e planejamento específico:
  • Bloco 1: explicação e explanação de um conceito, contexto, conteúdo novo: é a exposição, através de uma história, apresentação de uma situação, perguntas instigantes. É o momento de apresentar algo novo aos estudantes, um novo objeto de conhecimento.
  • Bloco 2: Momento destinado ao lançamento de um desafio: questionário, construção de algo, produção de um desenho, criação de um infográfico, responder um questionário, fazer a leitura e interpretação de um texto, por exemplo.
  • Bloco 3: dividido em dois momentos – tira dúvidas para quem está online e tira dúvidas para quem está na sala de aula, auxiliando os estudantes no processo e explorando as dúvidas pontuais de um para todos, já que a dúvida de alguém que está online pode ser a mesma de alguém que está na sala de aula.

Outros blocos poderiam ser: momento de explanação dos trabalhos feitos; momento de avaliação diagnóstica via google formulários, por exemplo.

  1. Combinados: já percebeu que para que os blocos funcionem é preciso que tenhamos alguns combinados, não é? Para isso, sugiro que você use 3 a 5 minutos do início da aula ressaltando e relembrando os combinados, que podem ser, por exemplo: quem está na sala de aula e precisa de ajuda, que use a placa de ajuda e fique no aguardo do professor (essa placa pode ser feita com papel sulfite e reutilizado em todas as aulas). Quem está online e precisa de ajuda pode deixar sua pergunta no chat, por exemplo, enquanto aguarda sua vez de ser atendido.
  2. Comunicação clara e objetiva: Para que as duas etapas anteriores funcionem, é fundamental que todos os estudantes conheçam as etapas do processo em que estão envolvidos: os blocos, os momentos de serem atendidos, o respeito aos colegas e ao professor, a paciência enquanto aguarda para ser auxiliado, por exemplo. Para isso, os combinados precisam ser claros e reforçados em todas as aulas, para que se construa, de fato, uma cultura de pessoas adaptadas aos desafios do momento.

Atenção coordenadores: sua ajuda e apoio nesse momento será fundamental aos professores, já que terão demandas de pessoas que estão em ambientes e experiências de aprendizagem completamente diferentes. Seu suporte é essencial para que se faça o melhor trabalho possível. 

Ferramentas digitais

  1. Jamboard: pode ser uma ótima forma de integrar as atividades que são feitas por todos, já que você pode criar no computador, enquanto espelha a tela para quem está online e projeta para quem está na sala de aula. Nele, você pode criar painel semântico, brainstorming, apresentar atividades, etc. Veja um painel semântico criado por mim, em aula, sobre Egito Antigo:

A partir dessa criação, feita com elementos icônicos dessa civilização, entramos nos tópicos elencados com as figuras e cada estudante criou seu painel semântico como desafio, apresentando em um segundo momento. Ah, dica bacana: quem está em casa pode apresentar os seus painéis compartilhando a tela, o que torna visível para quem está em sala de aula e vice-versa.

2. Flippty: uma ótima forma de criar desafios envolvendo roletas, bingos, quizzes e outros jogos, que podem ser feitos durante a aula ou como desafio para casa.

3. Kahoot: o site queridinho dos professores em 2020, por propiciar a criação de quizzes envolvendo ranking e gamificação continua forte em 2021. Dica: aproveite para criar perguntar que sirvam como revisão dos conteúdos vistos ou como diagnóstico sobre o que eles já sabem acerca do assunto. Ah, fique de olho nas questões que mais apresentam erros e revise essas questões com os estudantes. Importante: para criar uma experiência realmente interativa e unir os alunos que estão em sala de aula e os que estão online, solicite que os alunos que estão em sala tragam seus smartphones ou disponibilize tablets da escola, em um ambiente que conte com wifi, para que todos possam jogar.

É claro que muitas outras iniciativas podem ser tomadas, sempre com o apoio dos coordenadores e orientadores, que devem estar atentos às demandas e desafios que professores e estudantes estão enfrentando. A união e suporte de toda a equipe é fundamental para que a aprendizagem seja construída com qualidade e significado. Espero que essas sugestões lhe ajudem na sua prática e propiciem outras ideias baseadas no que viu por aqui.

Seguimos compartilhando e aprendendo, juntos. 😀

Prof. Emilly Fidelix

Sobre a autora do post

Emilly Fidelix

Emilly Fidelix

Colunista

Emilly Fidelix é criadora do @seligaprof, onde impacta milhares de professores de todo o Brasil, palestrante e formadora de professores. É doutoranda em História Cultural (UFSC), especialista em Tecnologias, Comunicação e Técnicas de Ensino (UTFPR), colunista no blog Redes Moderna e professora de pós-graduação no Instituto Singularidades. Atua nas áreas de metodologias ativas, storytelling aplicado à educação e BNCC.

Os 6 Cs do uso de tecnologias em sala de aula e como eles podem te ajudar na prática

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O uso de tecnologias digitais tem crescido de forma expressiva nos últimos anos quando o assunto é educação. Além disso, a Base Nacional Comum Curricular traz entre suas competências gerais, a Cultura Digital, demonstrando a total importância dessa abordagem pelas escolas. Por isso, hoje vamos falar dos 6 Cs da utilização da tecnologia, conceito trazido pelo autor Josh Stumpenhorst:

Colaborar: Como o uso dessa ferramenta pode tornar a colaboração uma das bases dessa atividade/desafio? A colaboração envolve o trabalho em grupo, mas também, a comunicação com pessoas de outras instituições, o trabalho em conjunto com outros professores ou profissionais de outras áreas. Que tal trazer um professor de outro país para falar sobre a sua cultura? Sobre sua experiência educacional, sobre suas vivências em determinada área? Imagine a experiência de compartilhamento de ideias e de empatia global gerada a partir de uma simples videochamada com alguém que mora do outro lado do mundo ou do outro lado do nosso país? Hoje, com as redes sociais essas ações são muito simples de serem articuladas. Nesse sentido, um projeto muito interessante e ligado à colaboração em rede é o Global Read Aloud (ler em voz alta), em que jovens de todo o mundo votam sobre um livro a ser lido coletivamente, para então colaborar e compartilhar sua experiência de leitura e uma série de outras atividades. O objetivo do projeto é aproximar crianças e jovens de todo o mundo por meio do interesse em literatura.

Dica de ferramentas colaborativas: Google docs, Trello e Jamboard.

Comunicar: Como eu posso ajudar os meus estudantes a desenvolverem habilidades em comunicação? Aqui é preciso entendermos a comunicação como forma de expressão que vai muito além da comunicação oral, como a oratória, por exemplo. Pense em formatos como podcasts, vídeo-minuto, foto-denúncia.

Dicas de ferramentas para a comunicação: www.vocaroo.com, app Inshot e a câmera do celular.

Consumir: Como eu posso desenvolver momentos envoltos no consumo de informações de qualidade pelos meus estudantes? Como ajudá-los a fazerem uma pesquisa confiável? Ou a estarem bem informados? A internet contém um vasto universo de informações, nem sempre confiáveis e nem sempre qualificadas, tratar de temas como fake news, por exemplo, é estar de acordo, também, com as propostas da BNCC.

Dicas de ferramentas para desenvolver o consumo de informações de qualidade na internet: www.projetocomprova.com.br (identificação de fake news), https://scholar.google.com/ (google acadêmico, com artigos científicos), https://bndigital.bn.gov.br/ (acervo histórico digitalizado).

Conveniência: Como posso usar ferramentas digitais para poupar tempo? Planejar aulas em ferramentas digitais em arquivos que ficam salvos na nuvem é uma boa forma de aproveitar esses para que não precisemos fazer um retrabalho posteriormente, além de formar um repositório de conteúdos facilmente editáveis. Além disso, avaliações diagnósticas, por exemplo, que levariam muito tempo e custariam muitas folhas e tinta de impressora, podem ser facilmente criadas em ferramentas específicas.

Dicas de ferramentas para conveniência: Google Docs (para planejar e ter todos os seus planejamentos salvos na nuvem, facilmente editáveis) Google Formulários (para avaliações diagnósticas rápidas, bem como quizzes).

Criar: A grande potência do uso de ferramentas digitais com os estudantes é a criação. Que tal solicitar que criem blogs, infográficos, histórias em quadrinhos, ebooks, cartazes multimídia?

Ferramentas para criação: www.sites.google.com, https://infogram.com/pt/, https://edu.pixton.com/solo/, https://crello.com/pt/create/ebooks/, http://edu.glogster.com/.

Questão para refletir: Como posso aproveitar o potencial de tecnologias digitais para o processo de aprendizagem e não somente como suporte para o ensino?

Um abraço e até a próxima,

Emilly

Sobre a autora do post

Emilly Fidelix

Emilly Fidelix

Colunista

Emilly Fidelix é criadora do @seligaprof, onde impacta milhares de professores de todo o Brasil, palestrante e formadora de professores. É doutoranda em História Cultural (UFSC), especialista em Tecnologias, Comunicação e Técnicas de Ensino (UTFPR), colunista no blog Redes Moderna e professora de pós-graduação no Instituto Singularidades. Atua nas áreas de metodologias ativas, storytelling aplicado à educação e BNCC.