fbpx
All Posts By

Tathiana Anselmo

Paulo Freire – Para refletir e transformar sua prática

By | OLHARES | No Comments

2021, Centenário de nascimento de Paulo Freire, nosso grande Mestre! Uma trajetória de luta pela educação popular, em defesa da educação como um todo, especialmente na alfabetização. Suas pesquisas, estudo e ações foram de extrema importância para a educação brasileira, e ainda hoje são referenciais, um legado que inspiram professores não só no Brasil, mas também em muitos outros países!

E que legado maravilhoso deixado pelo Patrono da educação brasileira ! Suas obras levam a reflexão e ao entendimento, que podemos e devemos construir juntos a educação de qualidade para todos, tão necessária, urgente e direito de nossos estudantes, e que podemos em nossas salas de aulas trazer mudanças que contribuam para essa construção, com a participação de direta e ativa dos nossos alunos.

Link para download de livros de Paulo Freire

Para conhecer a obra!

Pedagogia do oprimido, A importância do ato de ler, Pedagogia da esperança, e Pedagogia da autonomia, são algumas de suas principais obras, que ainda hoje continuam tão atuais e que trazem luz também a questionamentos desses nossos tempos na educação.

Até mesmo o índice, de seu livro Pedagogia da Autonomia, já traz importantes pistas e indicações sobre a educação e à docência, ampliando e transformando nossa ótica em relação a nossa forma de ensinar, as relações e interações com nossos estudantes, comprometimento, afeto, entre tantas outras coisas importantes, que são exploradas e aprofundadas a cada capítulo. Por isso não deixe de ler, estudar e aprender com toda a obra Paulo Freire.

“Pedagogia da autonomia” é dividido em três capítulos:

Capítulo 1 – Não há docência sem discência: 1.1 – Ensinar exige rigorosidade metódica; 1.2 – Ensinar exige pesquisa; 1.3 – Ensinar exige respeito aos saberes dos educandos; 1.4 – Ensinar exige criticidade; 1.5 – Ensinar exige estética e ética; 1.6 – Ensinar exige corporeificação das palavras pelo exemplo; 1.7 – Ensinar exige risco, aceitação do novo e rejeição a discriminação; 1.8 – Ensinar exige reflexão crítica sobre a prática; 1.9 – Ensinar exige o reconhecimento e a assunção da identidade cultural;

Capítulo 2 – Ensinar não é transferir conhecimento: 2.1 – Ensinar exige consciência do inacabado; 2.2 – Ensinar exige o reconhecimento de ser condicionado; 2.3 – Ensinar exige respeito à autonomia do ser do educando; 2.4 – Ensinar exige bom senso; 2.5 – Ensinar exige humildade, tolerância e luta em defesa dos direitos dos educadores; 2.6 – Ensinar exige apreensão da realidade; 2.7 – Ensinar exige alegria e esperança; 2.8 – Ensinar exige a convicção de que a mudança é possível; 2.9 – Ensinar exige curiosidade;

Capítulo 3 – Ensinar é uma especificidade humana: 3.1 – Ensinar exige segurança, competência profissional e generosidade; 3.2 – Ensinar exige comprometimento; 3.3 – Ensinar exige compreender que a educação é uma forma de intervenção no mundo; 3.4 – Ensinar exige liberdade a autoridade; 3.5 – Ensinar exige tomada consciente de decisões; 3.6 – Ensinar exige saber escutar; 3.7 – Ensinar exige reconhecer que a educação é ideológica; 3.8 – Ensinar exige disponibilidade para o diálogo; 3.9 – Ensinar exige querer bem aos educandos;

Veja abaixo algumas das falas e ideias de Paulo Freire, que são aprofundadas em seu livro.

Capítulo 1 – Não há docência sem discência

Ensinar exige respeito aos saberes dos educandos

“Porque não discutir com os alunos a realidade concreta a que se deva associar a disciplina cujo conteúdo se ensina, a realidade agressiva em que a violência é a constante e a convivência das pessoas é muito maior com a morte do que com a vida? Porque não estabelecer uma necessária “intimidade” entre os saberes curriculares fundamentais aos alunos e a experiência social que eles têm como indivíduos? “

Respeitar e trazer para a sala de aula a vida de verdade e os saberes dos nossos educandos. Saberes socialmente construídos na prática comunitária em seu dia a dia. Todos têm a contribuir na aprendizagem, todos tem algo a ensinar. Com minhas turmas de alunos especialmente na EJA- Educação de Jovens e adultos, ensinei e fui aprendiz. Quando trouxe para as aulas os saberes e vivências de meus alunos, as necessidades de aprendizagem o aprender ganhou sentido, a motivação e participação ativa se ampliou. Produção escrita de folders com dicas de lavagem de roupas brancas e coloridas, Jornal escolar sobre a realidade do descarte do lixo na cidade, dicas para a construção de horta caseira, campanha contra o desperdício e reaproveitamento de alimentos, escrita de requerimento para órgãos da prefeitura, leitura de livretos de autoescola, foram alguns conteúdos explorados em minhas aulas, todos de suas vivências. Assim , venho estruturando todo o planejamento da alfabetização dos meus alunos, crianças e adultos,o que realmente vem dando bons resultados.

Capítulo 2 – Ensinar não é transferir conhecimento

Ensinar exige alegria e esperança

“Há uma relação entre a alegria necessária à atividade educativa e a esperança. A esperança de professor e alunos juntos podemos aprender, ensinar, inquietar-nos, produzir e juntos igualmente resistir aos obstáculos à nossa alegria.”

Como faz bem a todos , educador e educandos, essa cumplicidade, essa alegria e esperança em sala de aula. Aulas onde todos podem falar e ser ouvidos, onde os educandos se sintam apoiados, valorizados em seus saberes, onde todos participam da busca de soluções para os problemas, entre outras coisas, é um ambiente fértil não só para a aprendizagem, como também para as relações e interações humanas. Um bom exemplo disso é o enfrentamento desse período difícil de pandemia de forma coletiva, com nossos alunos, pois juntos temos capacidade de enfrentar desafios e tristezas ,de construir a alegria, de acreditar e fazer as mudanças, de se transformar pela educação e assim transformar nossa realidade.

Capítulo 3 – Ensinar é uma especificidade humana

Ensinar exige saber escutar

“Se, na verdade, o sonho que nos anima é democrático e solidário, não é falando dos outros, de cima para baixo, sobretudo, como se fôssemos os portadores da verdade a ser transmitida aos demais, que aprendemos a escutar, mas é escutando que aprendemos a falar com eles. Somente quem escuta paciente e criticamente o outro, fala com ele, mesmo que, em certas condições , precise de falar a ele. O que jamais faz quem aprende a escutar para poder falar com é falar impositivamente.”

Esse é um ponto de atenção para todos nós professores, aprender a escutar nossos educandos, pois só assim aprendemos a falar com eles. Para entender nosso aluno como igual, como sujeito de sua história, que tem muito a contribuir na construção dessa educação que é todos.

Essa é parte da imensa boniteza da prática educativa, que Paulo Freire nos convida a trazer para as nossas salas de aulas e escolas e educação como um todo. Como puderam perceber fazem muito sentido para nós educadores, educandos, para o processo de ensino e aprendizagem, e na construção de um mundo mais justo e igualitário, com o direito de estudar e aprender garantido a todos.

Espero que essa pequena amostra provoque inquietações em relação a sua prática em sala de aula e te instigue a ler e estudar toda a obra do Grande Mestre, pois ainda dá tempo de fazermos as transformações necessárias na educação brasileira.

Um abraço e até a próxima!

Mara Mansani

Sobre a autora do post

Mara Mansani

Mara Mansani

Colunista

Professora há quase 30 anos, lecionou em vários segmentos, da Educação Infantil ao 5º ano do Ensino Fundamental, passando também pela Educação de Jovens e Adultos (EJA). Recebeu o Prêmio Educador Nota 10, na área de Alfabetização, com o projeto Escrevendo com Lengalenga.

Quatro sugestões para contribuir com a recuperação da aprendizagem

By | Educação inovadora | No Comments

Em muitos dos estados brasileiros o retorno das aulas presenciais – após um longo período de aulas mediadas por tecnologia, já é uma realidade e uma grande conquista! Este é um momento que requer cuidado com os protocolos sanitários e de atenção na parte pedagógica, sendo necessário criar uma rotina e ditar um ritmo as aulas presenciais, pensando na recuperação do processo cognitivo.

Mesmo as unidades escolares que conseguiram desenvolver um bom trabalho com as aulas mediadas com tecnologia, possuem estudantes que apresentam dificuldades na aprendizagem e que precisam de apoio e de um plano de ação para que possam avançar no seu processo de construção de conhecimento.

Conversei com estudantes de anos finais e ensino médio que relataram que nas aulas presenciais o aprendizado possui um impacto maior, é mais difícil a distração e a perda de foco, o professor consegue ver se os estudantes estão realmente aprendendo e tirando suas dúvidas sobre o que conteúdo aprendido, além da interação com os colegas da sala, gerando um compartilhamento de ideias.

O ensino remoto é importante, mas é preciso salientar que os estudos sobre os impactos da pandemia apontam a importância das aulas e do contato presencial e que existem lacunas e déficits cognitivos, para isso, reunimos algumas dicas para que você possa organizar este momento de recuperação da aprendizagem.

1. Ensino híbrido

Uma das apostas da educação é a aprendizagem híbrida, que não deve ser usada somente neste momento de retorno presencial, mas como uma possibilidade de alavancar o ensino e contribuir com sua recuperação.

Suas modalidades podem contribuir com mais interatividade nas aulas, além de trazer a personalização do ensino, considerando que cada estudante é único e aprende de acordo com o seu ritmo de aprendizagem. Além do professor, usá-lo para favorecer a recuperação e aumentar o tempo de estudo, através de plataformas adaptativas como Matific, khan Academy que pode gerar engajamento e contribuir com este período.

2. Avaliações

Rever o processo de avaliação é essencial, desde a diagnósticas e formativas como as contínuas, para compreender onde o estudante está e onde pretende chegar. Para isso, é essencial investir em novas formas abordagens como as rubricas e os portfólios em que os estudantes participam ativamente das construções dos critérios e assumem também a responsabilidade pelo seu processo de ensino e aprendizagem.

A avaliação diagnóstica merece um destaque por permitir estabelecer um plano de ação em que eles estão em momentos diferenciados, traçando estratégias para mitigar os impactos.

3. Planos de ação para recuperação

Este é um momento para disponibilizar acesso as atividades e mantê-lo de maneira qualificado, para isso, o professor através das avaliações deverá realizar constantes alterações em seus planejamentos, para rever rotas e muitas vezes sendo necessário retomar conteúdos para avançar em novos.

Estamos falando de um processo que pode interferir em um ciclo de aprendizagem em que será necessário rever: plano de ação, definir e justificar o que será estudado, estabelecer objetivos de forma clara e factível, estabelecer metodologia adequada ao plano de ação, programar as ações a serem realizadas.

4. Aposte na colaboração

Esse é um momento em que podemos aprender uns com os outros e para isso o professor pode investir em dinâmicas de aprendizado colaborativo, nas quais os estudantes com maior domínio podem ajudar aqueles com maiores dificuldades. Vale apostar em aulas mão na massa e que tragam reflexões e debates sobre o currículo do

que está sendo estudado ou até mesmo o uso de metodologias ativas como o designer thinking que consiste em uma chuva de ideias.

As sugestões aqui apresentadas poderão ser discutidas com os estudantes, através da escuta ativa e de sua participação no plano de ação da recuperação da aprendizagem.

Um abraço e até a próxima!

Débora

Sobre a autora do post

Débora Garofalo

Débora Garofalo

Colunista

Débora Garofalo é formada em Letras e Pedagogia, com especialização em Língua Portuguesa pela Unicamp, Mestra em Educação pela PUC-SP e FabLearn Fellow, Columbia, EUA. Professora há 16 anos da rede pública de SP, sendo idealizadora do trabalho de Robótica com Sucata que se tornou uma política pública. Atualmente é Coordenadora do Centro de Inovação da Secretaria Estadual de Educação do Estado de São Paulo e colunista do blog Redes na coluna Edução Inovadora na Editora Moderna.

Integrante da comissão de Direitos Humanos da Cidade de São Paulo e Palestrante em grandes eventos Nacionais e Internacionais entre eles, Latinoware, Campus Party, Bett Educar, Harvard, EUA, Oxford em Londres, Buenos Aires na Argentina, Ecole Polytechnique, França. Pelo trabalho realizado na Educação Pública, recebeu diversos prêmios importantes, entre eles: Professores do Brasil 2018, Desafio de Aprendizagem Criativa do MIT 2019, Medalha de Pacificadores da ONU 2019 e considerada uma 10 melhores Professoras do Mundo pelo Global Teacher Prize 2019, Nobel da Educação.

“Tá de brincadeira?” A importância da brincadeira para a aprendizagem

By | ATIVAR | No Comments

Brincar: correr, pular, ser desafiado, gritar, sorrir, chorar, explorar, cantar, investigar, negociar, movimentar, imaginar, ressignificar, aprender.

Você já havia pensado na quantidade de ações envoltas no simples ato de… brincar? Brincadeiras envolvem alto nível de engajamento e motivação, possuem processos imaginativos, não-literais, são voluntárias, podem ser livres de regras externas, mas compostas de negociações e acordos entre quem brinca, definindo limites ou não. 

Recentemente, publiquei alguns dados de pesquisas sobre brincadeiras lá no @seligaprof e diversas contribuições e reflexões de professores foram surgindo sobre o tema. Por isso, trago a discussão também para esse espaço, para que possamos formar uma teia de compartilhamento de pesquisas, ideias e experiências.

Há estudos que relacionam diretamente o brincar à alfabetização e à linguagem, assim como à matemática. Um exemplo são as brincadeiras indicadas para crianças de 4 anos de idade – em forma de jogos de rimas, listas de compras, e “leitura” de livros de história para animais de pelúcia –, que predizem prontidão para linguagem e para leitura.

Pesquisas também sugerem que as crianças demonstram seus maiores avanços em habilidades linguísticas durante brincadeiras, e que essas habilidades estão fortemente relacionadas à alfabetização emergente.

Por fim, uma revisão de 12 estudos sobre a alfabetização e o brincar permitiu aos pesquisadores Roskos e Christie concluir que “brincar proporciona contextos que promovem atividades, habilidades e estratégias de alfabetização… e pode proporcionar oportunidades para o ensino e a aprendizagem da alfabetização”.

Brincar e aprender de forma lúdica também apoiam o desenvolvimento da matemática. Os pesquisadores Seo e Ginsburg, em uma experiência naturalista, constataram que crianças de 4 e 5 anos de idade constroem conceitos matemáticos fundamentais durante o livre brincar.

Independentemente da classe social da criança, três categorias de atividades matemáticas foram amplamente prevalentes: brincar com padrões e formas – exploração de padrões e formas espaciais –, jogos para o desenvolvimento do conceito de grandeza – declaração de grandeza ou comparação de dois ou mais itens para avaliar a grandeza relativa –, e jogos numéricos – raciocínio numérico ou quantitativo. Em 46% das vezes, o brincar livre na infância contém as raízes da aprendizagem matemática.

Desse modo, o brincar é uma atividade fundamental não apenas para a escola e a aprendizagem de modo geral, mas como um preparo para o mundo além da sala de aula: estão envoltas nas brincadeiras uma série de elementos como a colaboração, a criatividade, a autoconfiança, a comunicação, para além da construção de domínios em conteúdos específicos, quando falamos em brincadeiras estruturadas.

Para finalizar, convido você a refletir com Jean Piaget sobre sua célebre frase: “brincar é o trabalho da infância”.

Um super abraço digital,

Prof. Emilly Fidelix | @seligaprof

Fontes e indicações de leitura:

Piaget, J. Play, Dreams, andImitation in Childhood. Gattegno C, Hodgson FN, trans. New York, NY: W. W. Norton & compagny; 1962.

https://www.enciclopedia-crianca.com/brincar/segundo-especialistas/por-que-brincar-aprender

https://www.enciclopedia-crianca.com/brincar/segundo-especialistas/aprender-por-meio-da-brincadeira 

Roskos K, Christie J. Examining the play-literacy interface: A critical review and future directions. In: Zigler EF, Singer DG, Bishop-Josef SJ, eds. Children’s play: Roots of reading. 1st ed. Washington D.C.; Zero to Three Press; 2004:116.

Seo KH., Ginsburg HP. What is developmentally appropriate in early childhood mathematics education? Lessons from new research. In: Clements DH, Sarama J, DiBiase AM, eds. Engaging Young Children in Mathematics: Standards for Early Childhood Mathematics Education. Mahwah, NJ: Lawrence Erlbaum Associates, 2003:91–104.

Sobre a autora do post

Emilly Fidelix

Emilly Fidelix

Colunista

Emilly Fidelix é criadora do @seligaprof, onde impacta milhares de professores de todo o Brasil, palestrante e formadora de professores. É doutoranda em História Cultural (UFSC), especialista em Tecnologias, Comunicação e Técnicas de Ensino (UTFPR), colunista no blog Redes Moderna e professora de pós-graduação no Instituto Singularidades. Atua nas áreas de metodologias ativas, storytelling aplicado à educação e BNCC.

A construção coletiva de uma escola inclusiva

By | Sem Categoria | No Comments

Em mais de trinta anos em sala de aula, todas as vezes em que tive a oportunidade de ter em minha turma algum aluno com deficiência, pude aprender  muito, como ser humano, e enquanto profissional  da educação. Como foram ricas as vivências, as interações, o processo de aprendizagem dos alunos, as descobertas, as adaptações possíveis, o amor e a empatia! Muitas vezes não foi fácil, é verdade, mas essa convivência é possível, necessária e direito de todos os alunos, crianças, adolescentes e jovens, com deficiência!

As dificuldades vêm muitas vezes por não termos a formação adequada, outros profissionais no apoio  na escola ou recursos e ambientes apropriados e acolhedores, entre outros fatores, mas nada disso invalida o direito de cada um deles de conviver, aprender e se desenvolver coletivamente e colaborativamente. E como ainda temos que aprender no sentido de construir uma escola inclusiva e uma educação realmente para todos! Muitas ações para essa construção envolvem toda a sociedade, outras dependem  especificamente dos poderes públicos no sentido de debater e implantar políticas públicas nesse sentido, que façam valer o que a lei já determina há alguns anos, mas e nós professores , como podemos contribuir para a construção de uma escola inclusiva?

Entre tantas possibilidades, destaco algumas que a meu ver são essenciais e possíveis para nós professores .

  • Em primeiro lugar tenha empatia e esteja aberto a aprender a como fazer essa educação inclusiva, como comunicar e interagir, como fazer da sua sala de aula um ambiente que além de acolhedor, seja de aprendizagem para todos, sem excluir seu aluno com deficiência, logicamente tendo claro que cada qual tem um jeito, um ritmo para aprender, mas que todos podem e tem potencial  para avançar, mesmo dentro de alguma limitação.
  • Se envolva no debate sobre essa educação inclusiva em sua escola, que não deve ser apenas ação e preocupação dos professores que tenha em sua turma algum aluno com deficiência. Cobre  junto de sua escola, Rede de Ensino, ações que apoiem e orientem essas ações.
  • Apoie ações coletivas no sentido de garantir o direito a educação da pessoa com deficiência, sem isolar, separar e ou discriminar.
  • Estude e busque alternativas que sejam possíveis de serem realizadas em sua sala de aula ou seja, aprenda com quem já faz essa educação acontecer, em práticas pedagógicas inclusivas.

Compartilho com vocês, queridos professores, alguns conteúdos,  materiais e práticas pedagógicas  que estão disponibilizadas gratuitamente em sites de  Institutos, Fundações e etc. entre outros.

Instituto Rodrigo Mendes

No site, você encontra um acervo riquíssimo de materiais para estudo, reflexão e muita prática inclusiva! Dá para ampliar muito a nossa visão e entendimento sobre educação e inclusão. Entre tantos materiais de muita qualidade, destaco três, mas vale a pena explorar exatamente tudo!

Livro: “Educação Inclusiva na Prática”. Uma parceria da Fundação Santillana, com o Instituto Rodrigo Mendes.

O livro traz  seis estudos de caso de estudantes com deficiência matriculados em escolas regulares Brasil afora, além da história e de conceitos da educação inclusiva;

https://www.fundacaosantillana.org.br/wpcontent/uploads/2020/07/EducacaoInclusivaPratica.pdf

Acesse também a Live de lançamento do livro, que traz mais informações e o debate para entendermos a proposta do livro. Uma aula para todos de que uma educação inclusiva é possível!

https://youtu.be/niUU3PE9wZg

Coletânea de práticas de educação física, “Portas abertas para inclusão”. São várias práticas incríveis que podem transformar a escola em um espaço de aprendizagem para todos. Muito muito bom, vai muito além da educação física.

http://institutorodrigomendes.org.br/portas-abertas/files/coletanea-de-praticas.pdf

Portal Diversa

Diversa é uma plataforma criada pelo Instituto Rodrigo Mendes, de compartilhamento de conhecimento sobre educação inclusiva, com  práticas e relatos de experiência de educadores de todo o país, com materiais pedagógicos e muito mais. Tudo muito bem explicado e fácil de compreender. Plataforma maravilhosa! Dá para se inspirar, aprender e fazer acontecer  em nossas salas de aula e em toda a escola.

https://diversa.org.br/

Instituto Paradigma

O Instituto Paradigma desenvolve um trabalho voltado para a defesa dos direitos humanos das pessoas com deficiência, com uma proposta ampla, que vai além da educação inclusiva,  como por exemplo a inclusão econômica. O Instituto disponibiliza muitos materiais em sua biblioteca digital como o material abaixo, com práticas pedagógicas inclusivas.

https://iparadigma.org.br/wp-content/uploads/Ed-Inclusiva-3.pdf

Instituto Alana

Para mais reflexão e entendimento sobre os benefícios da educação inclusiva para estudantes com e sem Deficiência, leia e compartilhe com todos da sua escola esse conteúdo disponibilizado pelo Instituto Alana. Material esclarecedor!

https://alana.org.br/wp-content/uploads/2016/11/Os_Beneficios_da_Ed_Inclusiva_final.pdf

Mais conteúdos em práticas inspiradoras!

https://iparadigma.org.br/wp-content/uploads/Ed-Inclusiva-3.pdf

Todos Pela Educação

Para conhecer a legislação sobre educação inclusiva, acesse também:

https://todospelaeducacao.org.br/noticias/conheca-o-historico-da-legislacao-sobre-educacao-inclusiva/

Espero que  explorem todos esses materiais de estudo  e comecem, se ainda não o fizeram, a transformar sua sala de aula em um espaço de aprendizagem para todos. Esse pode ser um bom caminho para a mudança, transformação  e construção da escola inclusiva, nossa contribuição como profissionais da educação.

Como reflexão final, vejam esse conceito disponibilizado pelo Portal Diversa.

“Uma escola inclusiva é uma escola que inclui a todos, sem discriminação, e a cada um, com suas diferenças, independentemente de sexo, idade, religião, origem étnica, raça, deficiência. Uma escola inclusiva é aquela com oportunidades iguais para todos e estratégias diferentes para cada um, de modo que todos possam desenvolver seu potencial. Uma escola que reconhece a educação como um direito humano básico e como alicerce de uma sociedade mais justa e igualitária.”

Um grande abraço a todos e até a próxima!

Mara Mansani

 

Sobre a autora do post

Mara Mansani

Mara Mansani

Colunista

Professora há quase 30 anos, lecionou em vários segmentos, da Educação Infantil ao 5º ano do Ensino Fundamental, passando também pela Educação de Jovens e Adultos (EJA). Recebeu o Prêmio Educador Nota 10, na área de Alfabetização, com o projeto Escrevendo com Lengalenga.

Como trabalhar o empreendedorismo nas aulas

By | Educação inovadora, Sem Categoria | No Comments

A escola possui um papel essencial de ser ativa e proporcionar aos estudantes novas concepções e vivências de aprendizagem. 

O tema do empreendedorismo na educação vem ganhando força, porque esse processo que é acompanhado de atitude, faz com que nossos estudantes tenham a oportunidade de desenvolver competências e habilidades, além de estratégias de ideias, sonhos, relacionado ao seu projeto de vida. 

A Base Nacional Curricular Comum (BNCC) prevê uma série de competências para a Educação Empreendedora. Ao analisar as áreas do conhecimento é possível localizar referências e habilidades relacionadas a atitude empreendedora como o trabalho a partir da colaboração, resolução de problemas reais que beneficiam o social e se utilizam de recursos acessíveis.  

A escola é a porta de entrada para trabalhar com o empreendedorismo que tem o foco na intencionalidade, transdisciplinariedade e o protagonismo juvenil dos estudantes, associado as metodologias ativas que tem o foco tirar o aluno da passividade e trazê-lo ao centro do processo cognitivo.  

A educação empreendedora pode ser trabalhada em qualquer etapa da escolarização desde os pequenos aos jovens estudantes. E é um dos caminhos para o trabalho a partir de temas integradores, transversais e integrais, sem fragmentações de conhecimento ao permitir que os estudantes teçam reflexões, análises e resolvam problemas, que podem ser da unidade escolar, do bairro e ou que envolvam o território educativo.  

 Intencionalidade 

Para explorar a educação empreendedora é importante trabalhar a partir da intencionalidade, resolver um desafio, pensar em questões que os estudantes tenham que refletir sobre estratégias para resolver e que permitam desenvolver o senso crítico, a autonomia e a ter ideias sustentáveis. 

Um por exemplo disso, é pensar sob a ótica da questão ambiental. Por exemplo, no trabalho de robótica com sucata que idealizei junto aos estudantes da Emef Almirante Ary Parreiras, teve o viés empreendedor, voltado a pensar na sustentabilidade do trabalho, em que a solução se deu através de parceria e da venda de materiais recicláveis a empresas  e repasse de verbas a APM (Associação de Pais e Mestres) para torna-lo sustentável na unidade escolar.  

 Antes de criar a estratégia para sensibilizar os estudantes, eles foram desafiados a pensar, pesquisar, conhecer sobre reciclagem, sustentabilidade, descarte de materiais e o ciclo de vida de materiais e produtos (da fabricação ao descarte), realizar o reconhecimento da comunidade e propor soluções em que uma das estratégias utilizadas foi o designer thinking que consiste em criar uma chuva de ideias para pensar soluções, chegando na proposta da parceria. 

E justamente aqui que nasce a intencionalidade e a educação empreendedora, ao permitir que os estudantes de maneira coletiva realizem uma imersão sobre o tema abordado, buscando ideias inovadoras para implementar.  

Transdicisplinariedade 

O nosso cérebro é dinâmico e não segrega conhecimentos, por isso trabalhar a partir da luz da transdisciplinariedade é essencial para incentivarmos aos estudantes a lançarem o conhecimento sobre características múltiplas, desenvolver diversas habilidades e serem criativos.  

A transdicisciplinariedade pode ser trabalhada a partir de um eixo integrador que pode nascer de uma área do conhecimento e abarcar as demais. Um exemplo é quando pensamos nas grandes construções da civilização, não é apenas um tema relacionado a história, envolve outros conhecimentos, como: artes, ciências, filosofia, matemática, linguagens e tantas outras para explicar períodos. É o estudante tem a oportunidade de explorar um mix de conhecimentos, criando associações e permitindo conexões, em que precisa do outro para realizar o seu argumento, sendo uma concepção integral.   

Ao fazer isso o estudante está mobilizando diversos conhecimentos, assegurando suas experiências, compartilhando e construindo argumentos para a vida cidadã.  

 Protagonismo  

Desenvolver o protagonismo é um dos maiores desejos da educação moderna e a educação empreendedora pode contribuir com este viés. Ao permitir que os estudantes trabalhem encontrando soluções e com projetos estamos trabalhando com as metodologias ativas e suas modalidades. 

O estudante deixa de ser passivo para ser ativo, constrói o seu conhecimento, toma decisões, expõe argumentos e tornam-se empreendedores. O papel do professor é de mediar este processo e oportunizar a desafiá-lo a encontrar soluções e impasses. 

O desenvolvimento destas características nos estudantes consiste em permitir atitudes, questionar processos, que sejam curadores de informações. Ao invés do professor iniciar a aula questionando o que estudante sabe sobre determinado assunto, deve questioná-lo o que conhecem sobre ele, isso é ter altas expectativas a todos os estudantes e ouvi-los. 

Um abraço, 

Débora

 

Sobre a autora do post

Débora Garofalo

Débora Garofalo

Colunista

Débora Garofalo é formada em Letras e Pedagogia, com especialização em Língua Portuguesa pela Unicamp, Mestra em Educação pela PUC-SP e FabLearn Fellow, Columbia, EUA. Professora há 16 anos da rede pública de SP, sendo idealizadora do trabalho de Robótica com Sucata que se tornou uma política pública. Atualmente é Coordenadora do Centro de Inovação da Secretaria Estadual de Educação do Estado de São Paulo e colunista do blog Redes na coluna Edução Inovadora na Editora Moderna.

Integrante da comissão de Direitos Humanos da Cidade de São Paulo e Palestrante em grandes eventos Nacionais e Internacionais entre eles, Latinoware, Campus Party, Bett Educar, Harvard, EUA, Oxford em Londres, Buenos Aires na Argentina, Ecole Polytechnique, França. Pelo trabalho realizado na Educação Pública, recebeu diversos prêmios importantes, entre eles: Professores do Brasil 2018, Desafio de Aprendizagem Criativa do MIT 2019, Medalha de Pacificadores da ONU 2019 e considerada uma 10 melhores Professoras do Mundo pelo Global Teacher Prize 2019, Nobel da Educação.

Uma letra puxa outra…

By | LITERATURA COM MARIA JOSÉ NÓBREGA | No Comments

O que há de comum entre Ângela Lago, Cecília Meireles, José Paulo Paes, Mário Quintana, Ruth Rocha, Tatiana Belinky e Ziraldo? Além de talentosos escritores, todos escreveram livros de ABC[1].

No Brasil, desde o final do século XIX, eram muito comuns as Cartas do ABC, que traziam o alfabeto escrito de várias formas, valorizando a grafia. Apoiavam o trabalho com o método alfabético, de natureza sintética, que se caracterizava pela soletração. Esses livretos tinham, portanto, uma função eminentemente pedagógica com foco no aprendizado das letras.

Na cultura oral, a prática de recitar o alfabeto também sempre esteve presente em muitas brincadeiras infantis, principalmente, nas de pular corda. Quem não se lembra desta parlenda:

É essa função lúdica herdeira da tradição oral que está presente nos abecedários poéticos dedicados à infância em que escritores tão excepcionais, livres do caráter pedagógico, mergulham na dimensão estética da linguagem, na criação literária. Ainda assim, por associarem letras, texto e imagem, esses livros podem proporcionar boas situações de aprendizagem, pois, além de chamar atenção para a grafia das letras e os sons que elas representam, introduzem as crianças na leitura de textos poéticos, favorecendo a reflexão sobre a camada sonora da linguagem, mergulhando nas rimas e aliterações.

Quem gosta de livros de ABC (preciso confessar que sou uma colecionadora compulsiva) sabe que, em termos de assunto, os animais são campeões absolutos, tanto em livros que apresentam os conteúdos de um modo divertido em ordem alfabética, como faz Nilson Machado, em Bichionário, publicado pela Escritinha; como em livros não ficcionais, os chamados informativos. São exemplos dessa última categoria dois títulos de Geraldo Valério: Abecedário de aves brasileiras e Abecedário de bichos brasileiros, publicados pela WMF Martins Fontes. É notável, nos dois tipos de abecedários, a riqueza das ilustrações que tornam as obras ainda mais interessantes para os leitores iniciantes ou os que estão em fase de alfabetização.

Pois não é que apareceu mais um livro de ABC – Bichos Bichentos – um abecê de criaturas esquisitas, melequentas e curiosas, de Claudio Fragata e Raquel Matsushita, recém-lançado pela editora Moderna?

Abre esse livro uma espécie de mestre de cerimônias: Anacleto, que é apresentado ao leitor com um delicioso limerique (poema de cinco versos com uma rima no primeiro, segundo e quinto e outra no terceiro e no quarto) de fazer inveja a Edward Lear, pintor e escritor inglês, conhecido por divulgar o gênero:

Como o próprio título deixa tudo muito claro, o leitor não pode reclamar de jeito nenhum por encontrar na letra B, em lugar de uma delicada e colorida borboleta, uma nojenta e asquerosa barata!

Em Bichos Bichentos, há poemas que exploram o ritmo, as rimas, a repetição de palavras; há outros que exploram o espaço, revelando a materialidade das palavras em inventivos poemas visuais. Escritos em caixa alta, os poemas contrastam com o colorido das páginas e com o destaque dado à letra focalizada. Veja este exemplo:

O leitor atento deve ter reparado neste pequeno detalhe da página:

Isso mesmo! Cada uma das letras do alfabeto é apresentada, também, em Libras (Língua Brasileira dos Sinais). Muito bom, não é?

Há mais. Ao final do livro, um divertido glossário apresenta informações extras sobre cada um dos bichos homenageados, porém de uma maneira singular: em lugar de investir na obviedade das notas expositivas, são os próprios bichentos que falam de si em primeira pessoa. Veja como o kiwi se apresenta:

KIWI

Eu sou uma ave da Nova Zelândia, mas não sou qualquer uma, sou o símbolo do meu país. Tenho asas, só que são tão curtas que não consigo voar. Vivo o tempo todo no chão, procurando vermes e insetos para comer. Tenho bigodes, como os gatos, que são chamados de vibrissas. Com eles eu me oriento, já que minha visão não é das melhores. Em compensação, minha audição e meu olfato são ótimos! Ah, quer saber a resposta para a dúvida dos autores: batizaram a fruta com meu nome porque a acharam parecida comigo. E quer saber? Também acho.

Ao final e ao cabo, Anacleto se despede… e nós nos despedimos também recitando o abecê. Viva todas as letras, principalmente, o P de poesia!

Um abraço,

Mazé Nóbrega

[1] Abecedários produzidos pelos autores citados:

BELINK, Tatiana. ABC. São Paulo: Elementar.

LAGO, Ângela. ABC doido. São Paulo: Melhoramentos.

MEIRELES, Cecília; CASTRO, Josué de. A festa das letras. São Paulo: Global.

PAES, José Paulo. Uma letra puxa a outra. São Paulo: Companhia das Letrinhas.

QUINTANA. Mario. O batalhão das letras. São Paulo: Companhia das Letrinhas.

ROCHA, Ruth. Palavras, muitas palavras. São Paulo: Salamandra.

ZIRALDO. O ABZ do Ziraldo (volume 1 e 2). São Paulo: Melhoramentos.

Sobre a autora do post

Maria José Nóbrega

Maria José Nóbrega

Colunista

Formada em Língua e Literatura Vernáculas pela PUC/SP, com mestrado em Filologia e Língua Portuguesa pela USP, atuou em programas de formação continuada junto ao MEC, à SEE de São Paulo e à SME de Florianópolis e de São Paulo. Compôs a equipe de elaboração dos Parâmetros Curriculares Nacionais, terceiro e quarto ciclos (1998); coordenou a equipe de Língua Portuguesa das Orientações curriculares e proposição de expectativas de aprendizagem para o ensino fundamental: ciclo I e II – SME de São Paulo (2007); integrou a equipe de elaboração da Proposta Curricular de Língua Portuguesa, do 1º ao 5º ano da SEE do Ceará (2014). Atuou como pesquisadora do Projeto “Currículos para os anos finais do ensino fundamental: concepções, modos de implantação, usos”, desenvolvido pelo Cenpec – Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (2015). Foi assessora do Projeto Planos de Aula da Nova Escola.

Atualmente, além de assessorar várias escolas particulares de São Paulo, é coordenadora dos projetos de leitura da Editora Moderna, organizadora da série “Como eu Ensino” da Editora Melhoramentos, professora do curso de Especialização em Formação de Escritores / Instituto Superior de Educação Vera Cruz e do curso O livro para a infância: processos de criação, circulação e mediação contemporâneos / A Casa Tombada.