fbpx
All Posts By

Tathiana Anselmo

2021 e a escola como um sistema complexo

By | ATIVAR | No Comments

Caros leitores, este é o penúltimo texto que escrevo nesta jornada que dividimos, juntos, em 2021. Pensei em temas que fossem relevantes para a finalização desta etapa na vida de todos nós: quem sabe uma retrospectiva de alguns artigos? Alguma ferramenta tecnológica? Algum método inovador?

Não. Hoje quero propor uma reflexão. Uma reflexão sobre duas breves palestras que tive a oportunidade de assistir esse ano e que pensei em compartilhar com você durante todo esse ano, sem fazê-lo. Bem, acredito que este é o momento ideal. Você também fica meio reflexivo(a) nessa época do ano? (Risos!)

Durante esse ano, assisti a uma palestra da educadora Leslie Patterson*, que falava, sobretudo, acerca do engajamento, mas não da forma como estamos acostumados a explorar.

Leslie começou sua fala propondo algumas reflexões:

  • Quem nós somos?
  • O que realmente importa para nós?
  • Como nos conectamos? (Não com a internet, mas entre nós mesmos

A costura disso tudo se deu quando a educadora trouxe a ESCOLA como um conceito que trabalha cotidianamente com um conceito muito bacana: “transcontextualidade”. Parece difícil, né? Mas não é. Transcontextual é a forma de percebermos como a comida, por exemplo, se trata de economia, ciência, cultura, tradição, arte.

Na escola, enquanto uma comunidade, enquanto um sistema complexo, lidamos com pessoas, com cultura, com visões de mundo, com experiências e, sim, isso é complexo.

Mas para não pararmos na simples constatação de que isso é “complexo”, Leslie trouxe outro conceito: o julgamento. A proposta é: olharmos para o outro com curiosidade e encantamento – sem julgamento.

Por estarmos em um sistema complexo, e agora entra a colaboração da fala da educadora Royce Holiday** (coincidentemente irmã da Leslie), tudo é interdependente, cada criança é uma e de um dia para o outro é outra: as coisas mudam, ela muda e nós também mudamos.

Responda mentalmente: O quanto eu mudei esse ano?

Perceba o quanto esses exercícios se conectam às metodologias ativas, de que tanto falamos esse ano:

  • Curiosidade
  • Capacidade de reagir
  • Conexão
  • Diálogo
  • Adaptação
  • Colaboração

Nesse sistema complexo, vivo e dinâmico que é a escola, nosso principal exercício, para fechar esse ciclo e iniciar um novo, transformados, deve ser: 

  • Transformar meu julgamento para a curiosidade (fulano está impossível hoje. Ô, menino bagunceiro! Para: fulano não têm esse comportamento comumente, o que será que está acontecendo com ele?)
  • Discordância para compartilhamento: (Esta é sua opinião? E o que o levou a chegar a essas conclusões? Como você se sente sobre tal tema? Pois eu me sinto um pouco confuso. O que você acha sobre isso?)
  • De ações defensivas para a autorreflexão (Você me criticou gratuitamente! Para: com base no que você achou isso de mim? Vou pensar sobre isso e perceber se nesse momento, isso faz sentido para mim).

Em um mundo altamente permeado pelas máquinas, hoje, caros educadores e educadoras, falamos sobre aquilo de mais cru há entre nós: somos todos humanos e o tempo todo estamos aprendendo a viver em conjunto. Compartilhando, crescendo, dialogando. Afinal de contas, escola também é esse grande turbilhão de questões.

Deixo o meu grande abraço digital a você, com o desejo de que essas reflexões tenham feito sentido.

Prof. Emilly Fidelix | @seligaprof 

* Leslie Patterson é pós-graduada pela Universidade Estadual da Califórnia e especialista em educação superior, relações públicas e governamentais.

** Royce Holiday foi diretora de planejamento estratégico para escolas públicas de Minneapolis, nos EUA e é autora de 5 livros.

Sobre a autora do post

Emilly Fidelix

Emilly Fidelix

Colunista

Emilly Fidelix é criadora do @seligaprof, onde impacta milhares de professores de todo o Brasil, palestrante e formadora de professores. É doutoranda em História Cultural (UFSC), especialista em Tecnologias, Comunicação e Técnicas de Ensino (UTFPR), colunista no blog Redes Moderna e professora de pós-graduação no Instituto Singularidades. Atua nas áreas de metodologias ativas, storytelling aplicado à educação e BNCC.

O design thinking na Educação

By | Educação inovadora | No Comments

O design thinking é uma abordagem investigativa usada na busca de solução de problemas. Para a educação, esta metodologia pode trazer diversos benefícios, entre eles o desenvolvimento de competências e habilidades como a colaboração e a empatia em que o estudante participa ativamente do processo cognitivo.

A abordagem do design thinking parte da premissa de que precisamos nos desenvolver em nossa integralidade, almejando objetos individuais e em grupos. Nesta metodologia, não existe apenas uma forma correta de aplicá-la e é um equívoco imaginar que sua aplicação ocorre apenas por papéis coloridos. Ela vai além, exercitando, questões mais profundas fazendo que o foco do estudante esteja no centro ao encontrar soluções.

As etapas contemplam dinamismo, envolvimento e pertencimento, ao propor novas abordagens e um redesenho as aulas. A prática contempla cinco etapas que são elas:

  1. Descoberta – de um problema e o planejamento para as soluções, em que o professor deve envolver desafios.
  2. Interpretação – interpretação dos pontos levantados pelos estudantes e propostas para a resolução de problemas, para que possam refletir, debater e enfrentar as questões levantadas. Neste processo é considerado o conhecimento prévio do estudante e suas percepções individuais.
  3. Ideação – idealização da solução do problema, em que deve permitir a criação, a famosa chuva de ideias, que deve contemplar um espaço para troca, compartilhar e ter visões visionárias e factíveis para sua realização.
  4. Experimentação – nesta fase é onde as ideias ganham vida e os estudantes encontraram soluções para os problemas encontrados para os desafios propostos.
  5. Evolução – a última fase corresponde ao desenvolvimento do trabalho e envolve o planejamento das próximas etapas e como as ideias serão desenvolvidas em elaboração de projetos.

Para o desenvolvimento das etapas, o professor pode ofertar dicas de como organizar a ideias, seja formatando listas, usando post-its, histórias inspiradoras, fotos, aplicativos, mapas mentais, entre outros. São inúmeras possibilidades!

Cada situação requer uma abordagem personalizada em que o coletivo deverá estar presente e o professor poderá discutir com os estudantes a abordagem e a forma de aplicação em que para cada problema pode ser agregado uma modalidade das metodologias ativas, além da utilização de softwares gratuitos.

Conheça alguns softwares que você pode levar a sala de aula

1.Mind Node: programa muito simples e prático para ser utilizado ao dia a dia. Ele ajuda a visualizar melhor as ideias.

2.Free mind: é um software livre para criação de mapa mental, ele é simples e objetivo, disponível para usuários Windows e Linux.

3. Coggle: software online, permite mais que uma pessoa trabalhe com o mesmo mapa mental. Não é preciso fazer download do programa, o que permite trabalhar no projeto de diferentes plataformas (como pelo celular em casa e no computador do laboratório da escola.

Design Thinking tem muito a contribuir com a Educação, devido a escuta ativa, processo de criação, ações de envolvimento e pertencimento com o currículo, além do foco no trabalho em resoluções de problemas colaborativos.

Além disso, essa abordagem possibilita o desenvolvimento do raciocínio lógico, empatia, colaborando com as aulas desde o planejamento até o processo avaliativo, ao permitir que os estudantes estejam propícios a estarem em um ambiente participativo e colaborativo e que contribuam para resolver problemas na escola, da comunidade, do bairro, sendo considerado um excelente caminho para repensar abordagens que podem inclusive contribuir com o processo de recuperação da aprendizagem, por meio do reforço do currículo já visto nas áreas do conhecimento.

Um abraço,

Débora

Sobre a autora do post

Débora Garofalo

Débora Garofalo

Colunista

Débora Garofalo é formada em Letras e Pedagogia, com especialização em Língua Portuguesa pela Unicamp, Mestra em Educação pela PUC-SP e FabLearn Fellow, Columbia, EUA. Professora há 16 anos da rede pública de SP, sendo idealizadora do trabalho de Robótica com Sucata que se tornou uma política pública. Atualmente é Coordenadora do Centro de Inovação da Secretaria Estadual de Educação do Estado de São Paulo e colunista do blog Redes na coluna Edução Inovadora na Editora Moderna.

Integrante da comissão de Direitos Humanos da Cidade de São Paulo e Palestrante em grandes eventos Nacionais e Internacionais entre eles, Latinoware, Campus Party, Bett Educar, Harvard, EUA, Oxford em Londres, Buenos Aires na Argentina, Ecole Polytechnique, França. Pelo trabalho realizado na Educação Pública, recebeu diversos prêmios importantes, entre eles: Professores do Brasil 2018, Desafio de Aprendizagem Criativa do MIT 2019, Medalha de Pacificadores da ONU 2019 e considerada uma 10 melhores Professoras do Mundo pelo Global Teacher Prize 2019, Nobel da Educação.

Presentear com livros: dicas dos pequenos leitores

By | LITERATURA COM MARIA JOSÉ NÓBREGA | No Comments

Desde 2017, as editoras Moderna e Salamandra desenvolvem o projeto “Leitura em Família” no qual se sustenta que ler junto é a base da formação de leitores. A cada lançamento, uma mãe ou um pai é convidado a ler com seus filhos o livro em questão e produzir um pequeno depoimento a respeito dessa experiência. Esses delicados relatos ficam disponíveis aos interessados acessando o QR Code que consta dos volumes. Como coordenadora desse projeto, devo confessar que adoro poder imaginar esses pequenos acontecimentos e saborear os comentários desses leitores tão especiais. 

Com a proximidade do final do ano, pensei em organizar uma lista com dicas literárias para quem quer presentear com livros. Adoro fazer isso! Alguém conhece uma criança que não goste de histórias? Curiosas, gostam de saber o que acontece com as personagens, o que elas sentem; interativas, adoram conversar com as pessoas com quem compartilham esses textos.  

 Ah, sim… por que comecei este post falando do “Leitura em Família”? Porque tive a ideia de realizar uma enquete com os pequenos colaboradores do projeto: entre os livros que você leu, qual escolheria para dar de presente?  

Aí vão as sugestões dos nossos “grandes” leitores… 

Oscar, o protagonista de O cachorro do menino, consegue convencer sua mãe a comprar um cachorro igual ao do seu melhor amigo, mas o filhote tem um sério problema: é incapaz de andar. O que fazer com esse animal? Nesse livro, César Obeid conta a história de dois jeitos: em prosa e em verso. A versão em prosa é mais realista, concisa e direcionada ao desenrolar das ações. A versão em cordel, com a sonoridade das rimas, é mais emotiva e faz com que os dilemas e angústias das personagens ganhem volume. 

O Arthur gostou muito do livro, principalmente da parte em que Oscar adapta um carrinho de brinquedo para permitir que o cachorrinho ande. Que bonito ver como ele se deixa tocar por algo tão pungente, não é? Quem seria o presenteado? O próprio pai… Por que será? Alguém tem um palpite? 

Esse livro reúne algumas histórias de um dos personagens mais interessantes da cultura oral brasileira: Pedro Malasartes. Sua esperteza e seu cinismo fazem com que passe a perna em ingênuos incautos, fazendeiros poderosos, nobres e até mesmo santos e demônios. O que há de mais interessante nessa edição é ter aproximado a narrativa tradicional da linguagem contemporânea dos quadrinhos. O carisma da figura de Malasartes e o tom humorístico das histórias se ajustam muito à linguagem dinâmica e imagética dos quadrinhos, que pode ser extremamente rica na formação do leitor na medida em que exige a elaboração de uma síntese a partir de informações oferecidas em ao menos dois níveis diferentes: o plano da palavra escrita e o plano das imagens. 

Miguel indica o livro citando o título, a autora e o ilustrador. Referência completa. Justifica sua escolha pela personagem: Pedro Malasartes engana, trapaceia e é muito engraçado. Dentre as histórias, destaca a “Sopa de Pedra” que deve ter ficado mesmo uma delícia depois que o Malasartes, com a sua conhecida lábia, conseguiu os ingredientes de uma velha avarenta e muito egoísta.  

Em O estranho dia de Luísa, Ilan Brenman faz o leitor lembrar de que nem mesmo na infância todos os dias são alegres e despreocupados: há dias em que tudo nos parece desagradável. Luísa nunca diz exatamente o que lhe incomoda, mas faz questão de deixar claro que amanheceu em descompasso com o mundo. O autor parece nos lembrar que um dia não é simplesmente um intervalo de tempo. Nesse ínterim, podemos brigar com o mundo e depois fazer as pazes. 

Helena achou graça da personagem falar “não” para tudo e gostou muito das ilustrações. Achar graça de Luísa é um jeito de achar graça daqueles dias em que nós mesmos cruzamos os braços e fazemos cara feia para tudo e para todos, afinal, até as princesas têm seus dias de ogro, não é? 

Em Laís, a fofinha, Walcyr Carrasco convida o leitor a conhecer uma garota que não se encaixa nos modelos de beleza que a sociedade cruelmente parece exigir: ela está um pouco acima do peso. Em uma época em que a imagem parece ser mais valorizada do que a realidade, abordar as consequências que a pressão pelo padrão ideal pode gerar no cotidiano de uma criança é de grande pertinência. 

Em O vaqueiro que nunca mentia, Ilan Brenman recria, à sua maneira, a lenda do Boi Bumbá, uma das narrativas mais fundamentais da cultura popular brasileira. Essa é a lenda entranhada na célebre brincadeira do Bumba meu Boi, dançada na festa de São João em diferentes lugares do nordeste brasileiro e, em especial no Maranhão, onde foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco.  

Ao ser indaga sobre qual livro daria de presente, Patrícia respondeu prontamente: Depende para quem é o presente! Claro, não? Quando a gente escolhe um presente, o faz pensando nas preferências da pessoa presenteada, mas sempre colocamos um pouquinho do nosso olhar… 

Patrícia dá suas dicas. Se fosse para a Stella (prima), eu daria o livro da menina gordinha (Laís, a fofinha). Se fosse para o Alê (primo também), o do vaqueiro que não mente (O Vaqueiro que nunca mentia, um conto popular brasileiro). Repare que ela não se lembra do título, mas das personagens. É por via das personagens que aderimos afetivamente à narrativa. Por que esses títulos? Patrícia não sabe responder, só acha que a Stella e o Alê vão gostar. 

Luciana, mãe de Patrícia, tem uns palpites sobre os porquês: a Stella é bem mais vaidosa e preocupada com a aparência do que ela; o Alexandre, o mais novinho de um dos lados da família, gosta muito de aumentar umas coisinhas, para se sentir mais incluído entre os mais velhos

Como seria começar a receber cartões com mensagens escritas pelos objetos que esquecemos por aí? Pois é a partir desse insólito mote que Drew Daywalt elabora o divertido A volta dos gizes de cera, continuação do hilário A revolta dos gizes de cera, também criado em parceria com Oliver Jeffers. 

Esse título foi lançado em 2015. Marcelo o leu há tempos, mas o livro ficou lá… guardado em um lugar bem quentinho da memória: é um livro muito engraçado, tem um giz que diz que está na Floresta Amazônica, mas a foto do cartão mostra ele num lugar com neve! O livro chega a Marcelo por um trecho. Quantos livros não estão sustentados por pequenos fragmentos na nossa memória?  

Em “Bom dia, bom dia”, de Brendan Wenzel, as imagens importam mais do que as (poucas) palavras. Com delicadeza, o autor convida seus pequenos leitores a mergulhar no universo vibrante e repleto de cores, formas e possibilidades da fauna do nosso planeta.  

Dandara explica melhor: “Bom dia, bom dia!” tem umas imagens muito legais de animais de todo mundo e o final é mó legal! Você tem que achar os animais: o primeiro, o segundo, o terceiro, o quarto, o quinto, o sexto, o sábado, o domingo 

Os Drufs são seres muito parecidos com os humanos, porém menores. As personagens desse livro nascem de inventivas fotografias dos dedos da mão da autora, que ganham boca, olhos e as mais variadas vestimentas e cabelos. À sua maneira lúdica e criativa, Eva Furnari apresenta ao leitor muitos tipos de família, cada um com suas excentricidades e dramas. 

Vejam o que diz Dandara, mexendo os dedinhos: Adoro o DRUFS! É de dedinhos! A minha família preferida é a dos Gorrinhos, porque tem o RARARÁ… Até o meu gato gosta dos Drufs! 

Para quem quiser saber quem é o RARARÁ, um brinde!  

Espero que tenham gostado dessas dicas tão saborosas. Elas já são um presente de Natal, não é mesmo? Boas leituras! Boas festas! Boas férias! Até 2022… 

Mazé Nóbrega

Sobre a autora do post

Maria José Nóbrega

Maria José Nóbrega

Colunista

Formada em Língua e Literatura Vernáculas pela PUC/SP, com mestrado em Filologia e Língua Portuguesa pela USP, atuou em programas de formação continuada junto ao MEC, à SEE de São Paulo e à SME de Florianópolis e de São Paulo. Compôs a equipe de elaboração dos Parâmetros Curriculares Nacionais, terceiro e quarto ciclos (1998); coordenou a equipe de Língua Portuguesa das Orientações curriculares e proposição de expectativas de aprendizagem para o ensino fundamental: ciclo I e II – SME de São Paulo (2007); integrou a equipe de elaboração da Proposta Curricular de Língua Portuguesa, do 1º ao 5º ano da SEE do Ceará (2014). Atuou como pesquisadora do Projeto “Currículos para os anos finais do ensino fundamental: concepções, modos de implantação, usos”, desenvolvido pelo Cenpec – Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (2015). Foi assessora do Projeto Planos de Aula da Nova Escola.

Atualmente, além de assessorar várias escolas particulares de São Paulo, é coordenadora dos projetos de leitura da Editora Moderna, organizadora da série “Como eu Ensino” da Editora Melhoramentos, professora do curso de Especialização em Formação de Escritores / Instituto Superior de Educação Vera Cruz e do curso O livro para a infância: processos de criação, circulação e mediação contemporâneos / A Casa Tombada.

Sala de Aula Invertida como trabalhar

By | Educação inovadora | No Comments

A sala de aula invertida é uma modalidade ativa do Ensino Híbrido que mistura o online e off-line como ferramenta para potencializar e personalizar o ensino, visando colocar o estudante no centro do processo de aprendizado ao buscar novas formas de interação com o currículo.

A sala de aula invertida atua em um processo que denominamos antes, durante e depois. Em um primeiro momento, o professor possui um papel essencial de fornecer e ministrar conteúdos para que os estudantes possam, ao longo do tempo, se tornarem curadores.

Com o passar do tempo e a criação de uma nova cultura o estudante, assume esse papel, sendo mais assertivo e crítico e em suas escolhas e permitindo que o processo ocorra antes ao ser curador de informações a respeito do assunto a ser tratado.

Durante as aulas, os estudantes terão a possibilidade de usar o tempo em sala para debater, tecer reflexões, para que sejam mais produtivos e participativos. Finalmente, no após a aula, a cultura dos estudantes se altera, por meio da apropriação e pelo gosto de ir atrás de informações para os enriquecimentos das aulas e do seu conhecimento, tornando assim autoral e protagonista.

Levando para a sala de aula

O conceito de sala de aula invertida vem da ideia de inverter a lógica tradicional da aula, para que a aula possa ter uma personalização, ao mesmo que visa garantir com que a sala de aula seja uma expansão para além do tempo de aula tradicional.

Assim, como nas demais modalidades os estudantes podem estudar a sala de aula invertida online: em que o estudante geralmente estuda sozinho, explorando as possibilidades da Internet e ou off-line momento em que o estudante estuda em grupo, com o auxílio do professor e colegas.

Invertendo a aula

O processo de inversão da sala de aula exige dois aspectos do professor que são importantes:

1. Planejamento – planejar as aulas, conectando as habilidades e competências a serem desenvolvidas relacionadas com o currículo.

2. Escuta ativa – olhar a tento ao que já existe de informações nas redes e internet de videoaulas, materiais, textos, entre outros.

3. Estruturar o que se trabalhado – organizar o conteúdo em ambientes conhecidos dos estudantes para que possam revisitar sempre que necessário e ou procurar ferramentas especificas. Uma delas é o Sílabe, que é gratuito e te permite criar aulas online, sendo possível conectar conteúdos externos e aplicar atividades.

4. Curadoria de conteúdos – é importante o professor realizar curadoria de conteúdos que já existem na internet, como Youtube Edu, Khan Academy, entre outros.

5. Aula – Esse é o momento de preparar a aula e o que será realizado no momento que visa otimizar e personalizar o ensino! Para isso é importante realizar um bom roteiro das atividades, projetos que façam conexão com a curadoria, plataformas e que possam se adaptar a nova proposta de ensino.

Um abraço e até a próxima,

Débora

Sobre a autora do post

Débora Garofalo

Débora Garofalo

Colunista

Débora Garofalo é formada em Letras e Pedagogia, com especialização em Língua Portuguesa pela Unicamp, Mestra em Educação pela PUC-SP e FabLearn Fellow, Columbia, EUA. Professora há 16 anos da rede pública de SP, sendo idealizadora do trabalho de Robótica com Sucata que se tornou uma política pública. Atualmente é Coordenadora do Centro de Inovação da Secretaria Estadual de Educação do Estado de São Paulo e colunista do blog Redes na coluna Edução Inovadora na Editora Moderna.

Integrante da comissão de Direitos Humanos da Cidade de São Paulo e Palestrante em grandes eventos Nacionais e Internacionais entre eles, Latinoware, Campus Party, Bett Educar, Harvard, EUA, Oxford em Londres, Buenos Aires na Argentina, Ecole Polytechnique, França. Pelo trabalho realizado na Educação Pública, recebeu diversos prêmios importantes, entre eles: Professores do Brasil 2018, Desafio de Aprendizagem Criativa do MIT 2019, Medalha de Pacificadores da ONU 2019 e considerada uma 10 melhores Professoras do Mundo pelo Global Teacher Prize 2019, Nobel da Educação.

E se… O Instagram se tornasse o seu recurso pedagógico?

By | ATIVAR | No Comments

Que o Instagram é a rede social do momento (e esse momento já dura alguns anos), todo mundo já sabe, não é? O Instagram é uma rede social que originalmente foi criada para compartilhamento de fotografias e se tornou famosa pela possibilidade de aplicação dos filtros, lá no início. Hoje, a rede social permite o compartilhamento não só de imagens, mas também de vídeo, como os formatos de vídeos longos, vídeos curtos (Reels), lives e stories, vídeos de até 15 segundos.

Embora possa parecer uma rede social recente, o Instagram foi lançado em outubro de 2010 e o Brasil é um dos países que mais passa tempo nessa rede. E como cultura digital é um dos tópicos pautados na BNCC, especialmente quando o assunto é o desenvolvimento de competências, vamos pensar juntos em formas de aproveitar a existência dessa rede social para desenvolver reflexões e ideias sobre o universo digital.

Fenômeno das blogueiras

O primeiro tópico que gostaria de explorar com você é o fenômeno das “blogueiras” e o quanto esta rede social, extremamente visual, acabou impactando diretamente no psicológico de muitos adolescentes. Fenômenos como a “vida perfeita”, a “produtividade sempre em alta”, “#gratidão” banalizada, imagens tratadas com filtro e as selfies, também trabalhadas com filtros que editam o formato do rosto geram a impressão de que a vida de quem acompanho nas redes é incrível, menos a minha.

Trabalhar a maturidade dos estudantes sobre o recorte que é feito nas redes, parece óbvio e até pode parecer “ingênuo”, mas a própria empresa já sabe dos efeitos que têm causado, especialmente nos jovens, veja aqui.

Nesse sentido, projetos nas áreas de linguagens que envolvam discussões em torno da autoestima, autoimagem, depressão e outros temas relevantes para o universo jovem, são fundamentais de serem explorados. E para visualizarmos também outro viés, o positivo das redes, podemos trabalhar as formas de contato com pessoas de qualquer parte do mundo, o acompanhamento dos ídolos nas redes sociais, a forma como se pode aprender acompanhando páginas de museus, instituições de ensino, jornais, etc.

Outro elemento interessante de explorarmos é a história da beleza: o que é o belo? E como esse conceito foi se transformando com o tempo. Para isso, a Geografia, a História e a Arte, por exemplo, são um prato cheio para compor o arcabouço das discussões com a turma.

Continuando o nosso quadro de ideias, outro tópico interessante e que pode servir como forma de revisão dos conteúdos é a criação de páginas de Instagram fictícias (usando templates em PDF ou mesmo desenhando o formato no papel). Uma boa fonte de inspiração é o site Histagrams.com, veja alguns exemplos:

Exercício para você: como o Instagram poderia ser explorado no seu componente curricular e segmento? Espero que tenha muitas ideias!

Um grande abraço digital,

Prof. Emilly Fidelix | @seligaprof 

Para ir além: deixo como sugestão o artigo de Marco Antônio Moreira: O que é afinal aprendizagem significativa? Disponível em: http://moreira.if.ufrgs.br/oqueeafinal.pdf

Um grande abraço digital,

Prof. Emilly Fidelix | @seligaprof

Sobre a autora do post

Emilly Fidelix

Emilly Fidelix

Colunista

Emilly Fidelix é criadora do @seligaprof, onde impacta milhares de professores de todo o Brasil, palestrante e formadora de professores. É doutoranda em História Cultural (UFSC), especialista em Tecnologias, Comunicação e Técnicas de Ensino (UTFPR), colunista no blog Redes Moderna e professora de pós-graduação no Instituto Singularidades. Atua nas áreas de metodologias ativas, storytelling aplicado à educação e BNCC.

Como fazer uma aula gamificada

By | Educação inovadora | No Comments

A gamificação tem muito potencial dentro da sala de aula, podendo despertar o interesse dos estudantes pelo currículo, além de contribuir para que as aulas sejam mais atraentes. Esta abordagem é pautada em metodologias ativas que visam a participação ativa dos estudantes por meio de jogos.

É possível montar uma aula gamificada mesmo que você não esteja familiarizado com o tema. O primeiro passo é compreender que ela é caracterizada pelo uso estratégico da lógica dos jogos, de forma que estudante aprenda e interaja ativamente. Desta maneira o estudante é incentivado a participar e assumir o papel de ativo, desenvolvendo habilidades e competências como: criatividade, protagonismo, iniciativa, inovação, cooperativismo, soluções de problemas, entre outros.

Neste processo, o professor é o mediador do processo de aprendizagem e deve aguçar a criatividade dos estudantes, com desafios baseados em problemas reais, ao transformar o currículo em uma atividade de descoberta, jogo de detetive, caça tesouros.

Assim, o conteúdo que seria expositivo se torna mais atraente e os momentos das aulas mais atraentes e divertidos, trazendo o lúdico, ao permitir que reflitam sobre as vivências e favorecendo o ouvir, ver, questionar, perguntar, fazer e ensinar e aprender junto entre os estudantes.

Transformando a aula em gamificada

Como vimos, a gamificação traz inúmeros benefícios a estudantes e professores tanto no que tange o desenvolvimento de habilidades e competências, enquanto no enriquecimento curricular, com a facilidade de trabalhar o currículo, emitir feedback instantâneo de aprendizado, possibilidade de trabalho multidisciplinar e temas transversais.

Para isso, o professor precisa ter mente que o estudante precisa desenvolver as seguintes estratégias:

1. Explorar o problema;

2. Levantar hipóteses;

3. Buscar soluções a partir de conhecimentos prévios;

4. Identificar o que sabe e o que precisa ser aprendido para resolver e atuar sobre o problema;

5. Estabelecer tarefas individuais e delegar responsabilidades entre os integrantes da equipe;

6. Compartilhar o novo conhecimento adquirido;

7. Aplicar o conhecimento para resolver o problema;

8. Avaliar a solução proposta e a eficácia dela.

Para isso, é necessário que o professor retome características do jogo, que vão desde elemento dinâmicos, mecânicos, objetivos de aprendizagem, conteúdos, aprendizados, plataformas digitais e feedbacks, como veremos a seguir.

1. Os elementos dinâmicos são as estruturas e o funcionamento da aula gamificada, como emoções, narrativa, progressão (indicadores de avanço no jogo), regras, relacionamento entre a equipe.

2. Os elementos mecânicos são as orientações do jogo. Itens necessários a prosseguir nas etapas, avaliação, chances, cooperação, competição, desafios, entre outros.

3. Objetivo de aprendizagem, diz respeito ao que o estudante deve saber e compreender com o jogo.

4. O conteúdo refere-se aos temas que serão abordados, se atividade é multidisciplinar e ou possui um tema central com subtemas.

5. As atividades são as trilhas de aprendizagem em que os estudantes precisarão resolver para desenvolver o conhecimento específico, além dos recursos que podem ser digitais e ou mão na massa.

Conheça aqui algumas ferramentas digitais:

· Kahoot

· Wordwall

· Quizzis

· Edupulses

6. Todos os jogos têm regras e essas precisam ser objetivas e vir acompanhadas de feedbacks. Cada atividade precisa ter uma duração definida, assim como o número de conquistas e frequência de interação entre os jogadores.

Um abraço e até a próxima!

Débora

Sobre a autora do post

Débora Garofalo

Débora Garofalo

Colunista

Débora Garofalo é formada em Letras e Pedagogia, com especialização em Língua Portuguesa pela Unicamp, Mestra em Educação pela PUC-SP e FabLearn Fellow, Columbia, EUA. Professora há 16 anos da rede pública de SP, sendo idealizadora do trabalho de Robótica com Sucata que se tornou uma política pública. Atualmente é Coordenadora do Centro de Inovação da Secretaria Estadual de Educação do Estado de São Paulo e colunista do blog Redes na coluna Edução Inovadora na Editora Moderna.

Integrante da comissão de Direitos Humanos da Cidade de São Paulo e Palestrante em grandes eventos Nacionais e Internacionais entre eles, Latinoware, Campus Party, Bett Educar, Harvard, EUA, Oxford em Londres, Buenos Aires na Argentina, Ecole Polytechnique, França. Pelo trabalho realizado na Educação Pública, recebeu diversos prêmios importantes, entre eles: Professores do Brasil 2018, Desafio de Aprendizagem Criativa do MIT 2019, Medalha de Pacificadores da ONU 2019 e considerada uma 10 melhores Professoras do Mundo pelo Global Teacher Prize 2019, Nobel da Educação.