fbpx
All Posts By

Tathiana Anselmo

3 ideias práticas de experiências de aprendizagem para explorar no ensino remoto

By | ATIVAR | No Comments

Experiência de aprendizagem é certamente um dos termos que mais veremos num futuro próximo, especialmente com a retomada das discussões envoltas na aplicação ideal da BNCC através do desenvolvimento de competências e habilidades, bem como à aderência a novos métodos, que envolvam a experimentação, a criação e, consequentemente, o protagonismo dos estudantes nesse processo.

Nesse percurso, tem ganhado espaço a teoria de David Ausubel, ainda pouco estudada e explorada nos cursos de licenciatura e pedagogia: a aprendizagem significativa. Como construir, nesse sentido, experiências de aprendizagem que não se baseiam apenas na transferência de informações? Como fica o papel do educador num cenário de constantes mudanças na educação? Como desenvolver habilidades e competências? E mais desafiador ainda, como fazer tudo isso num modelo remoto?

Primeiro, precisamos estar alinhados em um ponto fundamental: experiências de aprendizagem. Perceba que o foco não está na experiência de ensino. O nosso olhar se volta para como os estudantes aprenderão, como construirão esse aprendizado. E quando falamos de experiências, estamos falando de experimentação, de criação, de teste, de verificação, de reflexão, de momentos de aprendizagem que envolvam práticas multissensoriais, que atendam aos diversos estilos de aprendizagem, que sejam desafiadoras, mas também, motivadoras, instigantes.

A sequência didática da construção e planejamento das diversas etapas é papo para outro artigo, aqui, vamos focar na construção de desafios e atividades que podem ser feitas em diversos formatos de aula, aproveitando sempre recursos simples e baseados na BNCC.

Complicado? Na teoria, pode parecer. Mas se olharmos a riqueza de possibilidades que temos, pensando juntos, simplificamos. Vamos lá?

  • Produção de videominuto: uma ótima oportunidade para desenvolver a comunicação, a criatividade, a capacidade de síntese, a elaboração de roteiros, a produção colaborativa e a experiência autoral. Videominuto é uma das práticas que aparecem na BNCC, especialmente na área de linguagens, mas pode ser explorada em todas as áreas, propiciando produções que envolvam temáticas diversas.

Exercício: Que temática trabalharei em breve, que me possibilita utilizar esse recurso como um desafio instigante aos meus estudantes?

  •  Produção de podcast: nós já vimos por aqui uma ferramenta muito simples e online para criar podcasts com o celular ou computador, o site: https://vocaroo.com. Que tal passar esse desafio aos estudantes, para que contem histórias, realizem entrevistas breves com familiares, produzam um curto programa de rádio fictícia, criem um roteiro focado em informações científicas, identificação de fake news ou trazendo fatos curiosos ou biográficos sobre um ícone?

Exercício: Como posso aproveitar a produção de podcasts com meus estudantes, levando em consideração as temáticas a serem trabalhadas e a idade deles?

  • Exercícios que envolvam produtos que os estudantes têm em casa: a experiência de explorar um conteúdo através de produtos, embalagens, objetos que se tem em casa torna-se muito mais significativa que ver uma ilustração estática. Que tal explorar elementos químicos de um produto de limpeza? Ou a tabela nutricional de na embalagem de um alimento? E se explorarmos a história de uma civilização antiga iniciando um debate sobre a história da nossa própria família? E se trabalharmos as formas geométricas a partir de objetos que temos em casa?

Exercício: realize uma lista dos seus próximos conteúdos e temáticas e pense em formas de explorá-lo a partir de objetos que os estudantes tenham em casa. Os objetos não precisam estar inteiramente interligados ao conteúdo, mas podem se tornar um ponto de levantamento de ideias, discussões e reflexões para entrar no tema, por exemplo.

Ponto de atenção: ao final de cada processo de criação ou discussão, explorar com os estudantes o que aprenderam no processo, como conectaram os pontos, no que erraram e o que aprenderam com tal experiência.

Ideias são compartilhadas para que você, educador, adapte à sua realidade, aos seus objetivos pedagógicos e podem ser transformadas em outras ideias, que caibam ao seu público e formato de aulas adotado. Desejo que essas ideias se multipliquem em outras ideias simples, mas efetivas na construção do conhecimento nesse momento desafiador.

Seguimos juntos!

Professora Emilly Fidelix

Sobre a autora do post

Emilly Fidelix

Emilly Fidelix

Colunista

Emilly Fidelix é criadora do @seligaprof, onde impacta milhares de professores de todo o Brasil, palestrante e formadora de professores. É doutoranda em História Cultural (UFSC), especialista em Tecnologias, Comunicação e Técnicas de Ensino (UTFPR), colunista no blog Redes Moderna e professora de pós-graduação no Instituto Singularidades. Atua nas áreas de metodologias ativas, storytelling aplicado à educação e BNCC.

Plataformas adaptativas – O que são e como podem (ou não) contribuir para recuperação da aprendizagem

By | Educação inovadora | No Comments

Com o avanço da pandemia é preciso pensarmos em maneiras e formas de manter o ensino remoto ou híbrido E como eles podem apoiar a recuperação da aprendizagem 

 Após um ano ministrando aulas no formato remoto, temos pesquisas e literaturas sobre o assunto, como o recente livro lançado pelo Professor Fernando Reimers, da Universidade de Havard Leading Education Through Covid-19 (que ainda não possui tradução para o português), em que o autor aponta que a inovação e a colaboração são chaves para o sucesso educacional 

 A pesquisa revela que somente uma aula ao vivo não é eficaz para contribuir com a aprendizagem. O que já sabemosuma vez que nada substitui as aulas e o contato presencial de estudantes e professores 

 A tecnologia deve ser utilizada sempre como propulsora ao processo, com objetivos e propósitos clarosPara não corrermos o risco de voltarmos a antigos modelos de aprendizagem tendo o professor como transmissor de conhecimento e não como o mediador do processo. 

 Estes são pontos essenciais na hora de escolher uma tecnologia ou uma plataforma adaptativa que devem ser acompanhadas de novas abordagens de ensino que visam contribuir com o processo e com o desenvolvimento de habilidades elencadas no planejamento do professor.  

Para além da Tecnologia 

 O uso da tecnologia possui relevância para a educação se vier acompanhada de novas abordagens ativas de ensino, principalmente porque um dos aprendizados deste período é a importância de cultivar as habilidades no desenvolvimento da autonomia competências digitais para professores e estudantes. 

 Neste quesito, as metodologias ativas e o ensino híbrido podem (e devem) contribuir para a eficácia deste processo ao compreender que ela parte de problemas reais, aprendizagem por projetos e que podem ser trabalhadas em diferentes modalidades como a sala de aula invertida que atua em três momentos – antes, durante e depois na busca da personalização de ensino, protagonismo juvenil, além de potencializar os momentos de aula síncrona.  

 A pandemia vem aumentando as desigualdades sociais e o grande desafio é encontrar formas de recuperar o aprendizado com eficácia na aprendizagem, garantindo uma participação efetiva dos estudantes diante dos diferentes ciclos de escolarização, que neste momento vem sofrendo com consequências diretas na aprendizagem e indireta devido a crise econômica e social das famílias. É neste cenário que as plataformas adaptativas podem atuar e contribuir com o processo de recuperação da aprendizagem, desde que considere uma série de fatores. 

 Para não cair em armadilhas 

Como vimos as plataformas adaptativas podem contribuir para a aprendizagem, mas não basta apenas dar acesso aos estudantes, é preciso analisá-la, avaliar o seu conteúdo e verificar se existe sinergia com o currículo e com a proposta pedagógica do professor em curso, cuidando para que seja relevante aos estudantes e não apenas seja utilizada como testes de múltiplas escolhas.  

 Para eficácia é necessário a compreensão de que as plataformas adaptativas apoiam a aprendizagem em curso e não o processo inicial de um conteúdo do zero, por isso, é necessário boa gestão, formação profissional e garantir que todos os estudantes consigam ter acesso aos softwares 

 Plataformas adaptativas  

 As plataformas adaptativas são softwares inteligentes através do uso do Big Data, que podem ou não utilizar da gamificação para propor atividades diferenciadas para os estudantesrespeitando diferentes etapas de ensino e fases de conhecimento na busca por autonomia e personalização do processo cognitivo 

 Assim, o professor pode avaliar e fazer uso de plataformas diferenciadas que auxiliem os estudantes em suas dificuldades, pois, a maioria utiliza algoritmos que analisam o desempenho em tempo real e sugerem conteúdos que variam de vídeos, games, exercícios, leituras, entre outros, de forma específica e individualizada aos alunosSeparamos algumas sugestões para que possam conhecer e usar em sala de aula.  

A Geekie Games é uma plataforma brasileira de ensino adaptativo, que oferece ensino personalizado por meio de jogos para ajudar estudantes a se prepararem para o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Depois que cada estudante realiza os simulados on-line, os algoritmos identificam suas necessidades e dificuldades e a melhor maneira de ensiná-lo, além de apresentar essas informações para que o professor também possa adaptar suas aulas 

 A plataforma opera na versão gratuita e na versão paga, entretanto na versão gratuita é possível ter acesso a todo o conteúdo de videoaulas e aos simulados. Para isso, basta pesquisar uma palavra-chave no campo de busca ou filtrar pela disciplina.  

A DreamBox Learning é uma plataforma adaptativa de matemática para o ensino fundamental (anos iniciais), que utiliza a lógica da gamificação. O site está em inglês é possível a tradução e ou ainda ser usado para o ensino bilíngue.

A ScootPad é uma plataforma adaptativa para estudantes do ensino fundamental (anos iniciais e finais) desenvolverem habilidades de leitura e matemática. Com planos gratuitos, o site oferece informações em tempo real para os professores e aprendizado por meio de jogos, tem parcerias com o Google in Education, o Edmodo e a Schoology Platform. A plataforma está aberta para apoiar o ensino neste momento de pandemia 

Plataforma Adaptativa de Matemática (PAM) é voltada para estudantes do ensino fundamental e médio e oferece um sistema de avaliação integral com relatórios de desenvolvimento para alunos e professores que conta com 100 mil exercícios, além de glossários, arquivos de textos e quizzes, promovendo a personalização tanto individual como para um grupo de estudantes, de acordo com as semelhanças de suas necessidades, conhecimentos e desenvolvimentos de habilidades.  

Um abraço e até a próxima!

Débora

Sobre a autora do post

Débora Garofalo

Débora Garofalo

Colunista

Débora Garofalo é formada em Letras e Pedagogia, com especialização em Língua Portuguesa pela Unicamp, Mestra em Educação pela PUC-SP e FabLearn Fellow, Columbia, EUA. Professora há 16 anos da rede publica de SP, sendo idealizadora do trabalho de Robótica com Sucata que se tornou uma política pública. Atualmente é Coordenadora do Centro de Inovação da Secretaria Estadual de Educação do Estado de São Paulo e colunista das Redes Inovadora na Editora Moderna.

Integrante da comissão de Direitos Humanos da Cidade de São Paulo e Palestrante em grandes eventos Nacionais e Internacionais entre eles, Latinoware, Campus Party, Bett Educar, Havard, EUA, Oxford em Londres, Buenos Aires na Argentina, Ecole Polytechnique, França. Pelo trabalho realizado na Educação Pública, recebeu diversos prêmios importantes, entre eles: Professores do Brasil 2018, Desafio de Aprendizagem Criativa do MIT 2019, Medalha de Pacificadores da ONU 2019 e considerada uma 10 melhores Professoras do Mundo pelo Global Teacher Prize 2019, Nobel da Educação.

Recursos tecnológicos no planejamento e preparo das aulas na alfabetização

By | OLHARES | No Comments

Quanto aprendizado para todos nessa pandemia. Na educação então, nem se fala! Mudou forma como pensamos, planejamos e fazemos ela acontecer. Passamos das aulas presenciais, para aulas no ensino remoto no contexto familiar e agora estamos nessa transição para o ensino híbrido, o que nos mostra que temos ainda muito o que aprenderpara uma  virada e transformação para  mais qualidade e aprendizagem de todos os alunos. 

No passado, não muito distante, para a preparação de aulas, tínhamos cadernos  de planejamento os famosos “Semanários”, que continham as atividades que seriam realizadas em sala de aula. Depois com a distribuição dos livros didáticos pelo Ministério da Educação, passamos a ter mais uma ferramenta, que oferecia um guia, que seguíamos da primeira à última página, com passar dos tempos muitos professores passaram a usar as rotinas pedagógicas e outras formas e estratégias para o planejamento das aulas 

Agora, no século 21, temos um currículo construído e alinhado a BNCC, que traz competências e habilidades a serem desenvolvidas, indicando um rumo no processo de aprendizagem dos nossos estudantes. Novos tempos que trazem a necessidade do uso de diferentes metodologias, estratégias e novas ferramentas, que agora são combinadas também com algumas conhecidas e usadas, como os próprios livros didáticos. 

Atualmente, para planejar minhas aulas na alfabetização levo em conta alguns elementos: 

  • O que meus alunos já sabem e o que  eles ainda precisam aprender. 
  • Devido a pandemia, as  habilidades prioritárias  que serão desenvolvidas nesse período. 
  • Quais os canais de interação, de comunicação e tecnologias que meus alunos têm acesso. 
  • O que é possível fazer em parceria com as famílias para os estudos dos alunos. 
  • Quais  ferramentas tecnológicas posso usar em minhas aulas. 
  • O que minha Rede de Ensino oferece como apoio. 
  • Isso tudo, sem deixar de lado as questões de saúde física e emocional dos meus alunos. 

Juntando os meus aprendizados, as novas demandas e as necessidades na alfabetização dos meus alunos, chego à conclusão de que realmente, não bastam mais uma caneta e um caderno, como no início da minha carreira como professora alfabetizadora, para preparar e planejar minhas aulas. São novos tempos, que exigem ainda mais estudos, foco e criatividade  do professor.  

Compartilho com vocês algumas ferramentas  que aprendi usar, outras que estou experimentado  para o planejamento das  minhas aulas na alfabetização e que agora fazem parte da minha rotina.

Gravação das aulas

Meus alunos da alfabetização, estão no ensino remoto no contexto familiar. Devido a realidade local, recebem  quinzenalmente apostilas de atividades no formato impresso. As apostilas são criadas coletivamente com minhas colegas alfabetizadoras de 1º ano de minha escola, sempre levando em conta os elementos que falei. Tenho também um grupo de WhatsApp da turma, onde envio orientações escritas, áudios, conteúdos culturais e diariamente vídeos explicativos com o passo a passo para a realização das atividades. Os vídeos são gravados a partir da tela do computador, usando alguns recursos: 

  • Lousa Digital  

Microsoft Whiteboard 

Whiteboard é uma lousa digital, gratuita, onde posso abrir documentos, em diferentes formatos como o PDF das apostilas, fotos, criar notas adesivas, caixas de texto etc. Na gravação da aula, na lousa, vou apresentando as atividades, fazendo perguntas que levem a reflexão, explicando como se estivesse falando com as crianças, por exemplo: “Com que letra começa o nome dessa fruta?” ,(espero uns segundos e contínuo), “Isso mesmo a letra…!” Nas atividades uso os pincéis disponíveis na lousa para escrever, circular, indicar leituras, e tudo mais. Amplio ou diminuo as atividades. Essa é uma forma de minimizar as dificuldades  na alfabetização no ensino remoto. Pois de certa forma consigo dar as orientações adequadas para as crianças, que antes dependiam e contavam apenas com suas famílias, ou seja, isso tudo facilita o entendimento para o responsável que está apoiando as atividades em casa e principalmente para  as crianças. Mas  o uso das lousas digitais são ainda melhores para aulas online, onde você pode propor atividades interativas e colaborativas. E olha que é muito fácil usá-las, tudo intuitivo, mas se precisar na Internet tem tutorias para explorar o máximo esse recurso. Outra lousa digital que gosto de usar é a Jamboard da Google, com acesso fácil pelo gmail. Ela também é ótima para atividades online ou para preparar as que serão impressas , que podem ser baixadas no formato PDF ou imagem. Com intencionalidade pedagógica e  criatividade, dá para criar inúmeras atividades. No ensino remoto, essa foi a forma que encontrei para apoiar as aulas, em combinação com o  uso do WhatsApp.  

  • Gravação de aula 

Para gravar as aulas na lousa digital, que serão enviadas no grupo da turma, uso o programa Xbox game bar disponível no Windows 10, no meu computador, de forma gratuita. É bem simples e muito fácil de usar. Aperto e seguro a tecla do Windows e  a tecla G, simultaneamente no teclado. Fazendo isso  aparece na tela o quadro de captura para a gravação. Se for seu caso, experimente aí no seu computadorConfiguro o áudio, ponho para gravar e pronto. Com esse recurso posso gravar qualquer coisa na tela do computador, não só as aulas na lousa. Com ele gravo minha fala sem  aparecer, mas há outros aplicativos com ainda mais recursos para a gravação, como Obsproject  ou o Ocam. 

  • Comprimindo vídeos para o WhatsApp 

Se o vídeo fica muito pesado para mandar pelo WhatsApp, comprimo online no site Clideo. 

Gosto de usar esse site para comprimir vídeos, também pela facilidade, porque não preciso me cadastrar para isso.  

Mas tenha claro que não é a lousa e o recurso de gravação o ponto mais importante! O que conta é a intencionalidade, o que precisamos explorar com os alunos, e o nosso planejamento. Recursos tecnológicos são meios e não fim! 

  

  • Legendas nos vídeos 
  •  Outro recurso que venho experimentando é o de colocar legendas em vídeos, para uma aula mais especial ou temática, gravados pelo celular, ou na tela do computador. Sempre vídeos curtos, compactos, com poucos minutos. A proposta é usá-los como complemento para estudo do conteúdo a ser explorado e não deixar os alunos por tempos longos e desnecessários  em frente a telas. Dá para gravar por exemplo, um vídeo para uma aula sobre desperdício de alimentos no nosso dia a dia, como tema para a escrita de uma campanha de conscientização na alfabetização. Tenho usado o Veed.io, para criação das legendas , um aplicativo online também sem necessidade de se registrar no site. Dá para editar corrigindo alguma palavra na legenda. As legendas em vídeos funcionam mais para alunos em continuidade e consolidação  da alfabetização, seja no 1º,n o 2º e ou 3º ano,  facilitando e apoiando o entendimento  do conteúdo, onde eles podem também  relacionar o falado ao escrito. Mas dá também para criar muitas atividades  de leitura e escrita na alfabetização usando as legendas usando por exemplo o Powerpoint.  
  • Criando sua própria fonte de escrita na alfabetização. 

Para outra turma de alunos, nas aulas online pelo aplicativo Teams, no ensino remoto e como complemento as aulas no retorno presencial, nas atividades apresentadas, uso fontes cursivas digitais. Alguns alunos estavam em transição da letra bastão mais apropriada para alfabetizar para a escrita cursiva. Essa transição pode causar muita confusão e dificuldades nas escritas dos alunos. O bacana é que no meio digital, em segundos, transformamos o formato da fonte, atendendo as necessidades de todos os alunos. A novidade agora é que pude criar também minha própria letra cursiva, minha  fonte para uso no computador, exatamente como costumo escrever em sala de aula. O site Calligrafhr oferece esse recurso. Você faz o download do gabarito em branco, cria seus caracteres, escaneia sua escrita no gabarito, e então o aplicativo cria sua fonte que pode  então ser instalada. Mas é preciso mais de uma tentativa até acertar os espaçamentos na escrita. É muito, muito bacana! 

Viram só quantas  coisas úteis para transformar e apoiar o planejamento das nossas aulas. Imaginem só o que podemos fazer e aprender ainda! Espero que tenham gostado e usem em suas aulas.  

Um grande abraço e até o próximo post, aqui no Olhares! 

Mara Mansani 

Sobre a autora do post

Mara Mansani

Mara Mansani

Colunista

Professora há quase 30 anos, lecionou em vários segmentos, da Educação Infantil ao 5º ano do Ensino Fundamental, passando também pela Educação de Jovens e Adultos (EJA). Recebeu o Prêmio Educador Nota 10, na área de Alfabetização, com o projeto Escrevendo com Lengalenga.

3 aplicativos para desenvolver a criatividade dos seus estudantes

By | ATIVAR | No Comments

Não dá para negar que criatividade é uma das palavras mais utilizadas quando falamos das bases de uma educação conectada com as mudanças que estamos vivendo, não é? Seja para o mercado de trabalho, seja para viver em sociedade, ser criativo pode ser criar obras de arte, despertar o gênio criativo que há em cada um de nós, mas também pode envolver a resolução de problemas cotidianos ou de problemas vividos por toda uma comunidade, por exemplo.

Estimular o potencial criativo de cada um na escola envolve, entre outras coisas, uma palavra-chave muito citada na BNCC: autonomia. Com autonomia, desenvolvemos, pouco a pouco, a confiança, a autoestima e o autoconhecimento. Atrelado a isso, desenvolvemos um outro olhar sobre o erro: se é errando que se aprende, por que mascaramos o erro? Por que apenas valorizamos os acertos? Ser criativo é ser autônomo o bastante para descobrir quando algo vai errado, para identificar o erro, a falha e entre tantos caminhos, optar por uma possível solução.

Não é assim com ciência? Que tal formarmos pequenos cientistas? Reitero: que tal formarmos pessoas que, ainda que não se tornem cientistas, pensem como cientistas? Que sejam: críticos, criativos, resolutivos, curiosos, proativos, colaborativos?

Hoje trago três aplicativos e um site que podem ser porta de entrada para outras inspirações e ideias, que podem te fazer perceber o quanto pode ser simples desenvolver, pouco a pouco, a criatividade:

  1. Inventeca: esse é especialmente para os pequenos e para contadores de histórias. O app apresenta histórias ilustradas para envolver leitores de todas as idades. Basta escolher uma história e contar sua própria versão individualmente ou em grupo: ela ficará gravada no app, podendo ser compartilhada com amigos e parentes e até virar livros impressos para colecionar e presentear. 
  2. Infinite painter: em uma tela em branco, você tem diversos pincéis e ferramentas artísticas que formam uma interação realista. Ótimo para criações inspiradas nas cores utilizadas por um artista, criação de croquis, esboços e outros desenhos. 
  3. Infogram: É um site que permite a escolha entre a criação de infográficos, pôsteres, relatórios e outras possibilidades de forma personalizada. Ótimo para trabalhos e atividades em que os estudantes são desafiados a explicar um conceito, fenômeno, criar camapanhas de conscientização ou campanhas de marketing de produtos fictícios, por exemplo. O infogram pode ser acessado via: https://infogram.com/pt/.

Além dessas possibilidades, há muitas outras, basta entendermos quais objetivos tal ferramenta deve atender, como ajudará no desenvolvimento de habilidades e como poderá contribuir para experiências de aprendizagem mais engajadoras e desafiadoras. Lembre-se: para além de consumir conteúdos prontos na internet, é fundamental formarmos pessoas que produzem, remixam, criam conteúdos variados como autonomia, criatividade e colaboração.

Seguimos compartilhando e aprendendo, juntos. 😀

Prof. Emilly Fidelix

Sobre a autora do post

Emilly Fidelix

Emilly Fidelix

Colunista

Emilly Fidelix é criadora do @seligaprof, onde impacta milhares de professores de todo o Brasil, palestrante e formadora de professores. É doutoranda em História Cultural (UFSC), especialista em Tecnologias, Comunicação e Técnicas de Ensino (UTFPR), colunista no blog Redes Moderna e professora de pós-graduação no Instituto Singularidades. Atua nas áreas de metodologias ativas, storytelling aplicado à educação e BNCC.

Ler com os ouvidos

By | LITERATURA COM MARIA JOSÉ NÓBREGA, Sem Categoria | No Comments

Ao acompanharem a leitura em voz alta de um livro por um leitor mais experiente, as crianças têm acesso a textos que ainda não sabem ler, mas que se tornam possíveis pela voz do outro. Essa prática abre um espaço intersubjetivo entre o texto, o leitor e a criança. É pela voz do outro que a criança se sente atraída pela literatura e estimulada a conquistar autonomia para ler.

Para promover esse contato íntimo com o texto, o leitor precisa ir além da decodificação dos sinais gráficos, além da fluência para respeitar as unidades sintáticas do texto. Precisa abrir-se a uma experiência simbólica que se desdobra esteticamente em uma melodia, em uma sonoridade.

Uma tal experiência sensível só é possível com uma leitura expressiva, que mobiliza elementos prosódicos, como entonação (a velocidade, a altura e o volume), ênfase (o realce a palavras ou expressões) e ritmo (a alternância de tempos fortes e fracos para que a performance não fique monótona). Por essa razão, é que se sustenta que, sem uma intimidade profunda com o texto, não há como ler expressivamente. É retomando o texto várias vezes que se encontra a justa interpretação melódica capaz de comunicar os sentidos atribuídos a ele não só pela voz de quem lê, mas também pelo olhar, gestos e movimentos de quem escuta.

Com crianças em processo de alfabetização, a leitura em voz alta permite ainda aproximá-las da linguagem escrita, garantindo que se apropriem de algumas de suas características antes mesmo de compreenderem o que as marcas gráficas representam, como reconhecer diferentes gêneros, estruturas textuais, funções dos textos; familiarizar-se com as expressões mais elaboradas próprias da linguagem literária, formas típicas de como começam e terminam as histórias, associações que permitem, pela experiência com os livros, criar expectativas sobre o que vai ler.

Se pela voz do outro as crianças leem sem saber ler, para que se tornem efetivamente leitoras autônomas, é necessário que, no processo de alfabetização, tenham conhecimentos específicos sobre o sistema alfabético e as convenções da escrita.

Como desenvolver a fluência e a leitura expressiva nas crianças?

A escritora americana Lisa Papp, provavelmente, se inspirou para escrever Madeline Finn e Bonnie (Salamandra) no projeto “Book Buddies”, que convida crianças a lerem para gatos abandonados em um abrigo em Birdsboro (Pensilvânia, Estados Unidos).

Criança lê para um gatinho abandonado em um abrigo nos EUA

Crianças que não têm fluência leitora, certamente, vão se identificar com Madeline que não gosta de ler em voz alta de jeito nenhum, porque as palavras se emaranham em sua boca. O problema da pequena só se resolve quando sua mãe decide levá-la até a biblioteca pública, onde a bibliotecária propõe a ela algo inusitado: ler para Bonnie, uma enorme cachorra branca.

Inspirando-se no livro, sugira que cada criança experimente treinar a leitura em voz alta para o seu de animal de estimação, ou mesmo para uma plateia de bichinhos de pelúcia.

Como foi o treino? Ficou mais divertido? Sua leitura melhorou: ficou mais fluente?

Para não expor as crianças que ainda não tenham fluência, proponha que gravem um áudio com a leitura do texto treinado. Após escutar a gravação com a criança, pergunte:

a. Houve dificuldade para ler alguma palavra? Qual?

b. Ocorreu alguma troca de palavra? Onde?

c. Ao constatar um erro, você já foi capaz de se autocorrigir?

Para crianças que já leem com alguma fluência, mas ainda não o fazem com expressividade, proponha que, após a gravação, façam uma autoavaliação de seu trabalho:

a. Variou a entonação, isto é, a velocidade, a altura e o volume de sua leitura?

b. Realçou a leitura de palavras ou expressões relevantes do texto? Quais foram elas? Por que as escolheu?

c. Procurou alternar os tempos fortes e fracos para que a leitura não ficasse monótona? Que pistas do texto você usou para variar o ritmo?

O desenvolvimento dessas capacidades pode se desdobrar em projetos mais ambiciosos como ler para crianças menores, gravar audiolivros, podcasts. Vai ser uma festa!

Sobre a autora do post

Maria José Nóbrega

Maria José Nóbrega

Colunista

Formada em Língua e Literatura Vernáculas pela PUC/SP, com mestrado em Filologia e Língua Portuguesa pela USP, atuou em programas de formação continuada junto ao MEC, à SEE de São Paulo e à SME de Florianópolis e de São Paulo. Compôs a equipe de elaboração dos Parâmetros Curriculares Nacionais, terceiro e quarto ciclos (1998); coordenou a equipe de Língua Portuguesa das Orientações curriculares e proposição de expectativas de aprendizagem para o ensino fundamental: ciclo I e II – SME de São Paulo (2007); integrou a equipe de elaboração da Proposta Curricular de Língua Portuguesa, do 1º ao 5º ano da SEE do Ceará (2014). Atuou como pesquisadora do Projeto “Currículos para os anos finais do ensino fundamental: concepções, modos de implantação, usos”, desenvolvido pelo Cenpec – Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (2015). Foi assessora do Projeto Planos de Aula da Nova Escola.

Atualmente, além de assessorar várias escolas particulares de São Paulo, é coordenadora dos projetos de leitura da Editora Moderna, organizadora da série “Como eu Ensino” da Editora Melhoramentos, professora do curso de Especialização em Formação de Escritores / Instituto Superior de Educação Vera Cruz e do curso O livro para a infância: processos de criação, circulação e mediação contemporâneos / A Casa Tombada.

Cinco títulos para desenvolver a fluência e a leitura expressiva com crianças em fase de alfabetização

GUEDES, Avelino. O sanduíche da Maricota. São Paulo: Moderna.

BELINKY, Tatiana. O grande rabanete. São Paulo: Moderna.

TAYLOR, Sean. Quando nasce um monstro. São Paulo: Salamandra.

MACHADO, Ana Maria. Camilão, o comilão. São Paulo: Salamandra.

PAMPLONA, Rosane. Era uma vez… três! Histórias de enrolar… São Paulo: Moderna.

Como levar o ensino do pensamento computacional para sala de aula

By | Educação inovadora | No Comments

O ensino do pensamento computacional ainda é um grande tabu que precisa ser superado para ser acrescido ao currículo da educação básica e nas escolas brasileiras. Em muitos países o mesmo já é visto como uma segunda língua, devido aos benefícios proporcionados ao processo de ensino e aprendizagem.

Este universo pode ser incorporado de muitas maneiras e formas que se iniciam no movimento maker que desencadeia premissas da programação desplugada e plugada até a robótica.

A linguagem de programação é uma forma linguística de conversar com as máquinas.  Para muitos o desenvolvimento de softwares é algo que causa espanto, devido ao uso de códigos, mas essa realidade vem se transformando e atualmente o desenvolvimento de computadores é mais simples.

Na educação temos softwares educativos que são visuais, que trazem blocos de montar, em que mais do que programar existe todo um trabalho pedagógico desenvolvido com a relação da lógica de programação que trabalha o cognitivo essencial a aprendizagem.

Para levar o ensino de programação a sala de aula

Muitos são os caminhos que podem ser escolhidos para levar o ensino de programação a sala de aula (mesmo durante as aulas remotas) e alguns precisam serem desmistificados, como o ensino de programação pode ser levado a qualquer etapa da escolarização e qualquer área de conhecimento, relacionando ao conteúdo em que irá trabalhar, porque sua potencialidade está no raciocínio lógico e na resolução de problemas. Assim, uma aula de geografia e ou história pode ser tornar uma aula de programação com a criação de narrativas digitais em que o lúdico estará presente o tempo todo.

Professor mediador

É necessário que o professor seja o mediador de conhecimento e faça relações ao trabalhar com o pensamento computacional com o cotidiano dos estudantes. Utilizamos muito conceitos de programação na nossa vida, seja para estudar, trabalhar e se organizar. A todo momento estamos trabalhando com conceitos de abstração, decomposição, algoritmo e reconhecimento, pilares do ensino da linguagem de programação.

O professor, para ensinar programação, não precisa ser programador, basta ter interesse, vontade e realizar a mediação do conhecimento. Atualmente temos ferramentas que foram desenvolvidas para o ensino de programação de crianças e jovens, algumas gratuitas, intuitivas e interativas.

Programação desplugada

É importante que o início do trabalho ocorra no formato desplugado, com experiências concretas, em os estudantes resolvam problemas, que podem ser a partir de charadas, um caça tesouro, dinâmicas, ao utilizar números binários e descobrir mais sobre a linguagem dos computadores.

Programação Plugada

Após a vivência prática, os estudantes podem ter acesso a plataformas gratuitas, que visa, ensinar os primeiros passos de programação de forma lúdica e interativa, em que o desenvolvimento do aprendizado ocorre a partir de desafios e com o auxílio de personagens.

Dicas de Softwares gratuitos

Scratch  – permite a qualquer professor, mesmo sem conhecimento prévio, ensinar programação para crianças e jovens de forma simples e intuitiva.

Por meio de blocos de comandos que se encaixam análogo ao lego, o programa possibilita a criação de jogos, animações e histórias, narrativas interativas, que podem ser facilmente disponibilizadas no site do projeto e compartilhadas com crianças de outras escolas. A ferramenta ajuda a dar forma à imaginação e pode ser trabalhada de maneira off-line.

O mesmo ainda possui uma comunidade em que os estudantes podem ter acesso a trabalhos de todo o mundo e remixar os mesmos, dando crédito ao trabalho original para desenvolver novos projetos.

Outra qualidade da mesma é a possibilidade de trabalho com o Scratch Jr para crianças que não são alfabetizadas na faixa de 05 a 07 anos e o Scratch S4  que permite a programação simples da plataforma de hardware aberto, para gerenciar sensores e atuadores conectadas a placas programáveis como o Arduíno.

Code.org – tem por objetivo desmistificar e democratizar o aprendizado de programação. Para isso, possui uma série de atividades para professores que desejam ensinar programação, permitindo que os alunos possam dar continuidade nos aprendizados em formato remoto.

Programaê   – é uma iniciativa da Fundação Telefônica Vico, que contribui para o aprendizado e disseminação da lógica de programação, que possui práticas pedagógicas de pensamento computacional (programação plugada e desplugada) para os professores trabalhar em sala de aula.

A importância do ensino de programação

Com a quarta revolução industrial será comum a necessidade de profissionais preparados para lidar com este novo mundo e segundo pesquisa realizada pelo Google for Education, a programação é considerada uma das oito habilidades mais importantes a educação do futuro, em que 92% dos empregos futuros necessitarão de habilidades digitais e 93% de professores norte-americanos relatam que os estudantes da educação básica desenvolvem a capacidade de solucionar problemas e se aprofundam sobre o conhecimento em algoritmos. Acesse aqui para o relatório global.

E você professor(a) como trabalha com o pensamento computacional? Conte aqui e contribua para que outros educadores dê o primeiro passo em suas aulas.

Um abraço e até a próxima!

Débora

Sobre a autora do post

Débora Garofalo

Débora Garofalo

Colunista

Débora Garofalo é formada em Letras e Pedagogia, com especialização em Língua Portuguesa pela Unicamp, Mestra em Educação pela PUC-SP e FabLearn Fellow, Columbia, EUA. Professora há 16 anos da rede publica de SP, sendo idealizadora do trabalho de Robótica com Sucata que se tornou uma política pública. Atualmente é Coordenadora do Centro de Inovação da Secretaria Estadual de Educação do Estado de São Paulo e colunista das Redes Inovadora na Editora Moderna.

Integrante da comissão de Direitos Humanos da Cidade de São Paulo e Palestrante em grandes eventos Nacionais e Internacionais entre eles, Latinoware, Campus Party, Bett Educar, Havard, EUA, Oxford em Londres, Buenos Aires na Argentina, Ecole Polytechnique, França. Pelo trabalho realizado na Educação Pública, recebeu diversos prêmios importantes, entre eles: Professores do Brasil 2018, Desafio de Aprendizagem Criativa do MIT 2019, Medalha de Pacificadores da ONU 2019 e considerada uma 10 melhores Professoras do Mundo pelo Global Teacher Prize 2019, Nobel da Educação.