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Bullying: um assunto superado?

By 21/12/2021ATIVAR

Parte de um dos grandes tópicos trabalhados nas escolas desde o início dos anos 2000, o termo “bullying” se popularizou no Brasil e seu conceito trouxe discussões importantes a serem trabalhadas dentro da escola: um dos ambientes onde tais práticas acontecem.

Atividades que envolviam valores e ações de respeito ao outro, à sua aparência, suas crenças, seu jeito de ser foram trabalhadas, além de palestras, vídeos, análise de textos que propiciassem uma cultura escolar mais consciente de práticas sociais respeitosas entre todos os sujeitos da escola.

O tema foi tão discutido, que com o passar dos anos, parece ter rareado. O que não significa que tais práticas deixaram de existir ou que o trabalho de conscientização já foi 100% cumprido. Na verdade, o artigo de hoje tem o objetivo de discutirmos uma outra esfera do bullying: o cyberbullying, tão perigoso quanto aquele que já conhecíamos.

Comentários depreciativos, apelidos, implicância, comentários repetitivos, ameaças, discriminação. Antes, as ameaças e xingamentos ocorriam apenas dentro da escola, mas quando isso ocorre também na internet, a sensação de ser odiado, o medo, a ansiedade por o que está por vir, acabam atormentando a pessoa o tempo todo.

Quando levamos essa discussão para a sala de aula, temos como subsídio a Base Nacional Comum Curricular, através, por exemplo, da competência geral 4 – Cultura Digital a ser desenvolvida durante todo o ensino básico, especialmente quando trata da ética.

Algumas possibilidades de discussão, rodas de conversas, pesquisas, projetos:

  • Como identificar comportamentos adequados e inadequados na internet?
  • Como denunciar perfis criminosos nas redes sociais?
  • Como denunciar perfis de pessoas que estão praticando cyberbullying nas redes sociais?
  • Como utilizar as redes sociais com segurança e privacidade?
  • Os valores que desenvolvemos na vida offline devem ser diferentes dos da vida online?
  • Para quem pedir ajuda caso eu ou algum colega seja vítima de cyberbullying?

A competência geral 9 – Empatia e cooperação, por sua vez, também são fundamentais para aprofundar a questão em sala de aula, especialmente quando aborda a importância da valorização da diversidade, o diálogo, a convivência sadia, a compreensão do ponto de vista do outro.

Algumas possibilidades de discussão, rodas de conversas, pesquisas, projetos:

  • Análise e leitura de reportagens abordando o tema
  • Depressão na adolescência: como buscar ajuda
  • Furando a bolha do algoritmo: aprendendo a lidar com a opinião do outro
  • Mediação de conflitos: o que isso tem a ver com redes sociais?
  • Análise do filme “Extraordinário”: um ensaio sobre empatia e amizade.

A mudança de cultura ocorre quando falamos sobre um mesmo assunto de maneiras variadas, sob várias perspectivas e através dos vários ângulos envolvidos. O bullying, o cyberbullying, a falta de tolerância e respeito continuam existindo, basta fazer uma breve pesquisa sobre matérias que abordam o tema. Esse assunto não deve ser negligenciado ou tido como superado: é um esforço diário para a construção de uma sociedade mais justa e sadia no trato com o outro. E como sempre, a escola é uma das esferas de grande poder de transformação nesse sentido.

Um grande e respeitoso abraço digital,

Prof. Emilly Fidelix | @seligaprof 

Sobre a autora do post

Emilly Fidelix

Emilly Fidelix

Colunista

Emilly Fidelix é criadora do @seligaprof, onde impacta milhares de professores de todo o Brasil, palestrante e formadora de professores. É doutoranda em História Cultural (UFSC), especialista em Tecnologias, Comunicação e Técnicas de Ensino (UTFPR), colunista no blog Redes Moderna e professora de pós-graduação no Instituto Singularidades. Atua nas áreas de metodologias ativas, storytelling aplicado à educação e BNCC.