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2021 e a escola como um sistema complexo

By 06/12/2021ATIVAR

Caros leitores, este é o penúltimo texto que escrevo nesta jornada que dividimos, juntos, em 2021. Pensei em temas que fossem relevantes para a finalização desta etapa na vida de todos nós: quem sabe uma retrospectiva de alguns artigos? Alguma ferramenta tecnológica? Algum método inovador?

Não. Hoje quero propor uma reflexão. Uma reflexão sobre duas breves palestras que tive a oportunidade de assistir esse ano e que pensei em compartilhar com você durante todo esse ano, sem fazê-lo. Bem, acredito que este é o momento ideal. Você também fica meio reflexivo(a) nessa época do ano? (Risos!)

Durante esse ano, assisti a uma palestra da educadora Leslie Patterson*, que falava, sobretudo, acerca do engajamento, mas não da forma como estamos acostumados a explorar.

Leslie começou sua fala propondo algumas reflexões:

  • Quem nós somos?
  • O que realmente importa para nós?
  • Como nos conectamos? (Não com a internet, mas entre nós mesmos

A costura disso tudo se deu quando a educadora trouxe a ESCOLA como um conceito que trabalha cotidianamente com um conceito muito bacana: “transcontextualidade”. Parece difícil, né? Mas não é. Transcontextual é a forma de percebermos como a comida, por exemplo, se trata de economia, ciência, cultura, tradição, arte.

Na escola, enquanto uma comunidade, enquanto um sistema complexo, lidamos com pessoas, com cultura, com visões de mundo, com experiências e, sim, isso é complexo.

Mas para não pararmos na simples constatação de que isso é “complexo”, Leslie trouxe outro conceito: o julgamento. A proposta é: olharmos para o outro com curiosidade e encantamento – sem julgamento.

Por estarmos em um sistema complexo, e agora entra a colaboração da fala da educadora Royce Holiday** (coincidentemente irmã da Leslie), tudo é interdependente, cada criança é uma e de um dia para o outro é outra: as coisas mudam, ela muda e nós também mudamos.

Responda mentalmente: O quanto eu mudei esse ano?

Perceba o quanto esses exercícios se conectam às metodologias ativas, de que tanto falamos esse ano:

  • Curiosidade
  • Capacidade de reagir
  • Conexão
  • Diálogo
  • Adaptação
  • Colaboração

Nesse sistema complexo, vivo e dinâmico que é a escola, nosso principal exercício, para fechar esse ciclo e iniciar um novo, transformados, deve ser: 

  • Transformar meu julgamento para a curiosidade (fulano está impossível hoje. Ô, menino bagunceiro! Para: fulano não têm esse comportamento comumente, o que será que está acontecendo com ele?)
  • Discordância para compartilhamento: (Esta é sua opinião? E o que o levou a chegar a essas conclusões? Como você se sente sobre tal tema? Pois eu me sinto um pouco confuso. O que você acha sobre isso?)
  • De ações defensivas para a autorreflexão (Você me criticou gratuitamente! Para: com base no que você achou isso de mim? Vou pensar sobre isso e perceber se nesse momento, isso faz sentido para mim).

Em um mundo altamente permeado pelas máquinas, hoje, caros educadores e educadoras, falamos sobre aquilo de mais cru há entre nós: somos todos humanos e o tempo todo estamos aprendendo a viver em conjunto. Compartilhando, crescendo, dialogando. Afinal de contas, escola também é esse grande turbilhão de questões.

Deixo o meu grande abraço digital a você, com o desejo de que essas reflexões tenham feito sentido.

Prof. Emilly Fidelix | @seligaprof 

* Leslie Patterson é pós-graduada pela Universidade Estadual da Califórnia e especialista em educação superior, relações públicas e governamentais.

** Royce Holiday foi diretora de planejamento estratégico para escolas públicas de Minneapolis, nos EUA e é autora de 5 livros.

Sobre a autora do post

Emilly Fidelix

Emilly Fidelix

Colunista

Emilly Fidelix é criadora do @seligaprof, onde impacta milhares de professores de todo o Brasil, palestrante e formadora de professores. É doutoranda em História Cultural (UFSC), especialista em Tecnologias, Comunicação e Técnicas de Ensino (UTFPR), colunista no blog Redes Moderna e professora de pós-graduação no Instituto Singularidades. Atua nas áreas de metodologias ativas, storytelling aplicado à educação e BNCC.

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