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Como potencializar a aprendizagem dos estudantes na alfabetização na reta final de 2021?

Com a retomada das aulas presenciais, as Redes de Ensino, escolas e professores puderam ter uma visão mais ampla e profunda da situação da aprendizagem de seus estudantes. Na alfabetização, como era de esperar, depois de tanto tempo em ensino remoto, onde não tivemos as melhores condições para alfabetizar e com as desigualdades no acesso ao estudo, o retrato da aprendizagem indica turmas ainda mais heterogêneas, onde as defasagens estão presentes e indicando várias e diferentes necessidades de aprendizagem.

Esse é o nosso cenário atual na alfabetização, que vai exigir planejamento estratégico das Redes de Ensino com ações pontuais para corrigir os desvios e colocar no eixo o processo de aprendizagem dos nossos estudantes, o que provavelmente pode adentrar os próximos anos.

Mas o que professores alfabetizadores podem fazer em relação a seu planejamento e ações nessa reta final do ano escolar, para potencializar a aprendizagem dos seus estudantes?

Retrato da turma!

Estude com profundidade os dados levantados no diagnóstico da aprendizagem de seus estudantes nessa retomada as aulas presenciais. É preciso identificar com clareza em qual estágio se encontra cada um deles no processo de aprendizagem, quais são suas hipóteses de escrita, que no planejamento podem ser agrupados levando em consideração as habilidades a serem desenvolvidas. Dessa forma é possível fazer intervenções pontuais que atendam as reais necessidades de cada grupo, de acordo por exemplo com cada hipótese de escrita, o que indica diferentes estratégias e práticas pedagógicas.

Foco na aprendizagem!

O foco central nesse período deve ser o processo de aprendizagem, no que os alunos precisam aprender, no potencial de aprendizagem deles, nas ações que podemos fazer para que todos avancem, no levantamento do que pode facilitar e apoiar a alfabetização. Muitas vezes temos a tendência de focar nas dificuldades que encontramos para alfabetizar, carregadas de reclamações , muitas vezes reais e com a devida razão, mas que nos levam a generalizar situações e ter dificuldades de enxergar caminhos a seguir no processo de aprendizagem. Um exemplo disso é quando falamos, “Meus alunos têm muitas dificuldades!”, o que nos leva a algumas reflexões : Que dificuldades são essas? De ordem pedagógica, didática, ou outros fatores? ; Essas habilidades estão ligadas a quais práticas de linguagem? ; Dizem respeito a toda turma, ou a um determinado grupo de alunos? Que percentual da turma? ; Isso tudo leva a repensar nosso trabalho, o que pode trazer mais qualidade para as nossas aulas.

Combine tempo e espaço no planejamento de suas aulas

Pouco tempo e muitas necessidades de aprendizagem são algumas das características desse período , a reta final do ano escolar. A recomendação principal então, é ter calma e clareza que não podemos resolver toda a defasagem na aprendizagem de quase dois anos de pandemia, em apenas um bimestre. Mas para aproveitar ao máximo esse período, um bom planejamento se torna fundamental , e para isso a gestão do tempo e espaço em nossas aulas é um dos fatores de muita importância que deve ser levado em consideração. Nesse sentido, os projetos e sequências didáticas são ótimas opções. Essas modalidades organizativas são estudos e propostas de vários autores como Délia Lerner, o grupo de Genebra (Dolz, Noverraz e Scheuwly), Fernando Hernández, entre outros, cada qual com suas próprias características. Por isso, vale a pena estudar e escolher a proposta que mais se encaixa no seu trabalho na alfabetização, ou fazer uso de elementos comuns a todos que possam contribuir na construção de sua proposta em sala de aula ( projetos e sequências).

Integre componentes e áreas do conhecimento

Selecione as habilidades essenciais na alfabetização previstas em seu currículo, de acordo com as necessidades de aprendizagem de seus alunos. Veja quais as áreas do conhecimento e componentes que pertencem e o que podem ser desenvolvidas conjuntamente, interdisciplinarmente. Dessa forma, além de otimizar o tempo para o desenvolvimento de habilidades e conteúdo, se potencializa a alfabetização, pois assim o desenvolvimento do processo de aprendizagem não acontece de forma fragmentada.

Aprendizados dos professores

Nessa retomada, não abandonem os aprendizados do período de ensino remoto, como o uso de recursos tecnológicos, metodologias ativas e etc. Esse período de ensino exigiu que os professores de maneira geral buscassem o conhecimento de novas formas de ensinar para atender as novas demandas da educação, o que resultou em aprendizados, que podem e devem fazer parte das aulas nesse momento de retomada. Com o uso dessas estratégias, recursos e novas metodologias, podemos dar continuidade as atividades colaborativas, interativas, coletivas, o que agora com as interações entre todos e intervenções do professor podem fazer a diferença na aprendizagem dos estudantes. Nossas aulas devem ser momentos férteis para a aprendizagem de todos, e por isso não cabem mais somente aulas expositivas, atividades passivas, entre outros práticas que fazíamos muitas vezes antes desse período remoto ocasionado pela pandemia da Covid.

Esses são cinco pontos importantes e decisivos, entre outros, para que os estudantes nesse curto tempo restante, ou mesmo em qualquer período, possam aprender muito. Como viram dizem respeito principalmente ao planejamento, a gestão do tempo e espaço em sala de aula, com base no que é essencial para a alfabetização, mas são comuns também a outros segmentos do ensino de todos os anos.

Reflitam sobre cada ponto em relação ao seu trabalho em sala de aula, pensando sobre o que você tem feito que vem dando bons resultados, o que pode melhorar, se são necessários ajustes, entre outros questionamentos. Compartilhe sua reflexão nos comentários!

Um abraço e até a próxima!

Mara Mansani

Sobre a autora do post

Mara Mansani

Mara Mansani

Colunista

Professora há quase 30 anos, lecionou em vários segmentos, da Educação Infantil ao 5º ano do Ensino Fundamental, passando também pela Educação de Jovens e Adultos (EJA). Recebeu o Prêmio Educador Nota 10, na área de Alfabetização, com o projeto Escrevendo com Lengalenga.