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Com a boca no trombone: a hora e vez da fala e escuta em sala de aula!

By 27/07/2021OLHARES

Como está o diálogo em sala de aula? É consenso que precisamos ouvir e dar vez às vozes das nossas crianças, adolescentes e jovens, mas isso realmente está acontecendo?  

A aprendizagem demanda interaçõestrocas, confronto de hipóteses, construções colaborativas e coletivasentre tantos outros elementos essenciais que só ocorrem com diálogocom abertura para participação de todos e alunos no centro do processo de aprendizagem. Por issoprecisamos compreender que oportunizar tempo e espaço de fala e escuta devem ser ações permanentes em nossas aulas e planejamento. E tudo isso exige uma mudança de postura e de atitude enquanto professores. Afinal nosso papel é mediar e facilitar todo o processo de aprendizagemcriando condições e situações favoráveis para que os alunos aprendam e e se desenvolvam da melhor maneira possível. 

Mudança de postura 

Essa mudança de postura diz respeito às nossas convicções e ações no nosso dia a dia em sala de aula. Muitas vezes, nós, professores, falamos muito e escutamos pouco, mas também não basta abrir participação ativa e direta dos estudantes apenas em momentos determinados. É preciso que em todos os momentos as salas de aulas sejam ambientes para o debate, de forma ética e respeitosa, onde as nossas crianças desde bem pequenas, adolescentes e jovens, se sintam apoiados e acolhidos e fiquem à vontade para perguntar, dar suas respostas, apresentar suas hipóteses e propostas, estudos e pesquisas e expressar seus sentimentos e opiniões, ou seja, construir juntos o conhecimento e um espaço acolhedor. Assim, não cabe mais o “professor como detentor do conhecimento”, só ele fala e decide. 

Práticas e metodologias para o diálogo e participação de todos em sala de aula 

  • Disposição dos espaços em sala de aula. Carteiras organizadas em círculo, em formato de meia lua ou em grupos, de forma que todos possam se ver e ouvir, olho no olho, frente a frente, que favoreça as interações e trocas.
  • Rodas de conversa. Atividade permanente, que conste no planejamento do professor, pelo menos um dia na semana, com organização prévia, com objetivo e intencionalidade definidos, mas que ocorra também a qualquer momento. Atividades que possam em algum momento, ser propostos e conduzidos pelos alunos. Uma boa proposta é se criar um calendário com a programação das rodas de conversa, que podem ser temáticas, receber convidados etc., mas que, essencialmente, permita a participação de todos os alunos.
  • Seminários. Essa metodologia, realizada pelos alunos, leva ao estudo e pesquisa, ao trabalho em equipe e ao compartilhamento de descobertas e saberes. Coloca os alunos no centro do debate e participação, em que podem assumir seu protagonismo na aprendizagem.
  • Perguntas problematizadoras. Um professor provocador incentiva e estimula a curiosidade e o estudo dos alunos. Uma boa maneira de fazer essa provocação é apresentar a eles a cada semana, uma pergunta que os faça pensar, pesquisar e encontrar respostas para situações e problemas do dia a dia.  

Espaços na escola para expressão e fala dos alunos 

  • Parlatório. Em um lugar de destaque e de uso coletivo na escola, que pode ser um pátio ou outro lugar aberto. Com um microfone e uma caixa de som pode ser usado pelos estudantes para dar recados, passar suas mensagens e se expressar culturalmente. Tudo bem combinado com os estudantes para uma participação ética e democrática.
  • Mural. Espaço fixo em muros e ou paredes da escola onde os alunos possam se expressar desenhando e escrevendo. Pode ser feito do mesmo material das lousas de sala de aula, para uso com giz ou canetões, para ser renovado sempre. A cada dia, as escritas devem ser registradas em fotos ou vídeos, antes de serem apagadas para as próximas.
  • Assembleias. A escola convida todas as turmas para um debate geral, em que eles participam com suas contribuições para uma gestão participativa e bem-estar de todos. Pode ser realizada a cada mês ou bimestre do ano escolar de forma fixa ou a qualquer tempo quando surgir alguma demanda. 

Seja em sala de aula, seja na escola como um todo, é extremamente importante criar e fortalecer a cultura do diálogo, da fala e escuta, da participação de todos, pois assim além de contribuir efetivamente no processo de aprendizagem dos nossos estudantes, contribuiremos, pela educação, na construção de uma sociedade, mas justa, empática e mais tolerante. 

Mas e vocês, professores? Que ações em suas escolas estão sendo feitas para criar essa cultura do diálogo? Qual dessas que sugeri você acredita que podem ser adotadas em sua escola ou sala de aula? Conte aqui nos comentários! 

Um abraço e muita escuta a todos nós professores! 

Mara Mansani 

Sobre a autora do post

Mara Mansani

Mara Mansani

Colunista

Professora há quase 30 anos, lecionou em vários segmentos, da Educação Infantil ao 5º ano do Ensino Fundamental, passando também pela Educação de Jovens e Adultos (EJA). Recebeu o Prêmio Educador Nota 10, na área de Alfabetização, com o projeto Escrevendo com Lengalenga.