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Alfabetização em tempos de pandemia

Um tema que vem causando muitas preocupações e dúvidas em redes de ensino, professores e famílias de alunos: a alfabetização em tempos de pandemia, principalmente no ensino remoto no contexto familiar.

Afinal, todos querem saber como alfabetizar os alunos, quando nem sempre são possíveis as interações entre eles e com o objeto de conhecimento, as intervenções pedagógicas do professor, o acesso a recursos tecnológicos e outros fatores essenciais para a aprendizagem das crianças.

Sim! A alfabetização vem sofrendo ainda mais prejuízos nesse período. Não estamos desenvolvendo o processo de alfabetização como o conhecemos e normalmente fazemos em sala de aula. Há lacunas e teremos muito trabalho adiante , no presencial ou híbrido, para conseguir com que todos os alunos possam avançar na aprendizagem, mas precisamos ter claro também que nossos problemas com a alfabetização já vêm de antes da pandemia, o que nos traz uma reflexão. Que alfabetização estamos fazendo?

Voltando a questão da pandemia, o fato de não termos as melhores condições para essa alfabetização, não quer dizer que nós professores, estamos de “mãos amarradas”, afinal podemos fazer muito pela aprendizagem dos nossos alunos criando situações e vivências no contexto familiar para que eles experimentem o uso da língua nas práticas sociais em seu dia a dia, seja escrita, na leitura e ou oralidade, que podem, por exemplo, ser exploradas através das brincadeiras e afazeres do seu cotidiano. Essa rotina em casa, orientada pelo professor, poderá contribuir muito em suas hipóteses sobre o como funciona o nosso sistema de escrita alfabético e consequentemente em sua alfabetização.

Se inspirem nessa prática de alfabetização que compartilho com vocês, com o tema brinquedos! Ela pode ser desenvolvida no formato remoto e no formato presencial ou híbrido, com algumas adaptações.

Vamos brincar?

Objetivo: Criar uma rotina para os alunos, oferecendo situações de leitura, escrita e oralidade na alfabetização, principalmente no ensino remoto, com apoio das famílias, explorando o tema brinquedos e brincadeiras.

Passo 1: Contextualização. Preparando para as atividades

A. Crianças falam sobre seus brinquedos e ou brincadeiras preferidas. Respondem: Qual a sua brincadeira preferida? Por que gosta dela?

· Por áudio, ou vídeo (até 15 segundos), via WhatsApp. O professor pode editar um vídeo com as preferencias das crianças, ou em outro momento usar esse conteúdo para fazerem um livro de brincadeiras da turma.

· Desenhando e escrevendo o nome da brincadeira em casa com o apoio da família, inserida nas atividades offline, entregues pela escola.

· Em uma roda de conversa na sala de aula.

B. Conhecendo o Museu do brinquedo popular, coleção de David Glat. Vídeo. Link do vídeo, via WhatsApp ou outro canal de comunicação.

https://www.museudobrinquedopopular.com.br/videos_tudoav.asp

Passo 2: Leitura de lista com nomes de brinquedos.

As crianças leem uma lista com nomes de brinquedos, com o auxílio da família em casa ou na sala de aula com as intervenções do professor. No contexto familiar, oriente as famílias para que falem um nome por vez de brinquedo da lista para que a criança encontre. Por exemplo, ioiô. A criança nessa busca ao tentar descobrir onde está o nome vai relacionando o som à escrita.

“Mas ela não sabe ler!” , “ Vai errar!”.

Não há “erros”, há reflexões e assim a criança vai levantando hipóteses sobre a escrita das palavras. Então, não é a resposta e sim, todo o processo para se chegar nela, o que realmente importa. Sendo assim essas atividades feitas em casa vão apoiando o processo de alfabetização.

Se for presencialmente, ou em sala de aula virtual, faça intervenções através de perguntas para que as crianças pensem sobre a escrita das palavras.

Passo 3: Hora de brincar.

Envie as famílias sugestões de brinquedos ou brincadeiras para fazerem com as crianças. O brincar naturalmente faz parte da rotina delas, mas em tempos de pandemia ou na correria do dia a dia dos pais e responsáveis, nem sempre há espaço e tempo para essa atividade tão importante para elas. Com as sugestões do professor famílias e crianças podem redescobrir o prazer de estarem juntos e estreitar ainda mais os laços, tão importantes nesse momento em que muitos pequenos estão abalados emocionalmente.

Envie o link sobre a brincadeira, via canais de comunicação com as famílias, ou ofereça o material em PDF, e ou impresso se no ensino offline.

https://territoriodobrincar.com.br/videos/serie-infantil/
https://www.tempojunto.com/
http://massacuca.com/jogo-da-velha/
https://mapadobrincar.folha.com.br/brincadeiras/

Passo 4: Escrita de nomes de brinquedos e brincadeiras.

Distribua as crianças uma folha impressa com imagens de alguns brinquedos e brincadeiras para que eles escrevam o nome de cada uma delas. Na sala de aula, você pode chamar a cada palavra uma criança para que escreva o nome na lousa, quando então todos os demais, participam confrontando seus conhecimentos em hipóteses a respeito da escrita, com a mediação em intervenções pedagógicas do professor. Para o ensino remoto, no contexto familiar, envie para as famílias além da atividade impressa, um tutorial, curto e claro, sobre como apoiar a criança na atividade. Todas as atividades anteriores prepararam as crianças para essa escrita.

Passo 5: Gravação de tutorial em vídeo de uma brincadeira

Grave um vídeo com um tutorial, sobre como construir um brinquedo ou fazer uma brincadeira para enviar as crianças e suas famílias. Pense em três passos: apresentação; materiais necessários; como brincar; no máximo de dois a três minutos. Na Internet há vários tutoriais disponíveis gratuitamente também.

A ideia é oferecer um modelo e inspirar as crianças a também gravarem seu tutorial, com apoio das famílias, ensinando uma brincadeira. Você vai se surpreender com a capacidade das crianças ao explicarem o passo a passo. Compartilhe as produções das crianças nos canais de comunicação da escola, ou no grupo de WhatsApp da turma ou ainda no formato de mural digital, com os devidos cuidados , seguindo as orientações de sua escola e sua Rede de Ensino.

Como viram, só nessa proposta são muitas as possibilidades de se explorar e apoiar a alfabetização, mesmo no ensino remoto. Mas tem muito mais, plantar, entrevistar, cantar, contar histórias, cozinhar, encenar, ouvir, produzir vídeos, ler livros e tantas outras coisas que as crianças adoram fazer. Para elas uma grande brincadeira e muitos desafios, para nós professores toda a intencionalidade para a aprendizagem, para as famílias uma ótima oportunidade de acompanhar de perto e apoiar os estudos de seus filhos.

Espero que gostem das sugestões! Vamos lá, apoiar e fazer a alfabetização acontecer no ensino remoto no contexto familiar, presencial ou híbrido!

Um abraço e até o próximo post, com dicas práticas de tecnologia para apoiar suas aulas na alfabetização!

Mara Mansani 

Sobre a autora do post

Mara Mansani

Mara Mansani

Colunista

Professora há quase 30 anos, lecionou em vários segmentos, da Educação Infantil ao 5º ano do Ensino Fundamental, passando também pela Educação de Jovens e Adultos (EJA). Recebeu o Prêmio Educador Nota 10, na área de Alfabetização, com o projeto Escrevendo com Lengalenga.