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Aulas presenciais transmitidas ao vivo: guia de sobrevivência para professores

By 09/03/2021ATIVAR

Já faz um ano que muitos educadores tiveram que transformar o formato de suas aulas, levar a sala de aula para casa e adaptar seus planejamentos, mas os efeitos da pandemia ainda estão presentes em nosso cotidiano e 2021 nos traz provas disso. Se antes, precisávamos nos adequar ao formato de ensino remoto emergencial, agora, muitas escolas brasileiras se adaptam na divisão entre estudantes que estão presencialmente, na escola, e outros que estão em casa, assistindo às aulas via transmissão ao vivo.

Algumas das muitas perguntas que tenho recebido nas formações e em mentorias para escolas e professores são: como dar atenção para quem está na sala de aula sem prejudicar quem está em casa? Como criar atividades que funcionem para ambos? Como engajar quem está em casa e com muito menos estímulos do que quem está no presencial? Como posicionar a câmera de modo que quem esteja em casa me acompanhe enquanto caminho pela sala? Dividi essas perguntas em duas grandes áreas, com o objetivo de lhe ajudar, na prática, a ter mais clareza em mente. Vamos lá?

Planejamento

  1. Divisão da aula por blocos: você já percebeu que os programas de TV são apresentados em blocos? Na área da comunicação, isso tem vários nomes e eu gosto de pensá-los como “áreas de respiro”, ou seja, há várias etapas e o público, no nosso caso, os estudantes, conhecem as etapas e esperam por elas. Mas agora você deve estar se perguntando: que blocos eu posso criar? Aí vão algumas ideias básicas para você adaptar ao seu contexto e planejamento específico:
  • Bloco 1: explicação e explanação de um conceito, contexto, conteúdo novo: é a exposição, através de uma história, apresentação de uma situação, perguntas instigantes. É o momento de apresentar algo novo aos estudantes, um novo objeto de conhecimento.
  • Bloco 2: Momento destinado ao lançamento de um desafio: questionário, construção de algo, produção de um desenho, criação de um infográfico, responder um questionário, fazer a leitura e interpretação de um texto, por exemplo.
  • Bloco 3: dividido em dois momentos – tira dúvidas para quem está online e tira dúvidas para quem está na sala de aula, auxiliando os estudantes no processo e explorando as dúvidas pontuais de um para todos, já que a dúvida de alguém que está online pode ser a mesma de alguém que está na sala de aula.

Outros blocos poderiam ser: momento de explanação dos trabalhos feitos; momento de avaliação diagnóstica via google formulários, por exemplo.

  1. Combinados: já percebeu que para que os blocos funcionem é preciso que tenhamos alguns combinados, não é? Para isso, sugiro que você use 3 a 5 minutos do início da aula ressaltando e relembrando os combinados, que podem ser, por exemplo: quem está na sala de aula e precisa de ajuda, que use a placa de ajuda e fique no aguardo do professor (essa placa pode ser feita com papel sulfite e reutilizado em todas as aulas). Quem está online e precisa de ajuda pode deixar sua pergunta no chat, por exemplo, enquanto aguarda sua vez de ser atendido.
  2. Comunicação clara e objetiva: Para que as duas etapas anteriores funcionem, é fundamental que todos os estudantes conheçam as etapas do processo em que estão envolvidos: os blocos, os momentos de serem atendidos, o respeito aos colegas e ao professor, a paciência enquanto aguarda para ser auxiliado, por exemplo. Para isso, os combinados precisam ser claros e reforçados em todas as aulas, para que se construa, de fato, uma cultura de pessoas adaptadas aos desafios do momento.

Atenção coordenadores: sua ajuda e apoio nesse momento será fundamental aos professores, já que terão demandas de pessoas que estão em ambientes e experiências de aprendizagem completamente diferentes. Seu suporte é essencial para que se faça o melhor trabalho possível. 

Ferramentas digitais

  1. Jamboard: pode ser uma ótima forma de integrar as atividades que são feitas por todos, já que você pode criar no computador, enquanto espelha a tela para quem está online e projeta para quem está na sala de aula. Nele, você pode criar painel semântico, brainstorming, apresentar atividades, etc. Veja um painel semântico criado por mim, em aula, sobre Egito Antigo:

A partir dessa criação, feita com elementos icônicos dessa civilização, entramos nos tópicos elencados com as figuras e cada estudante criou seu painel semântico como desafio, apresentando em um segundo momento. Ah, dica bacana: quem está em casa pode apresentar os seus painéis compartilhando a tela, o que torna visível para quem está em sala de aula e vice-versa.

2. Flippty: uma ótima forma de criar desafios envolvendo roletas, bingos, quizzes e outros jogos, que podem ser feitos durante a aula ou como desafio para casa.

3. Kahoot: o site queridinho dos professores em 2020, por propiciar a criação de quizzes envolvendo ranking e gamificação continua forte em 2021. Dica: aproveite para criar perguntar que sirvam como revisão dos conteúdos vistos ou como diagnóstico sobre o que eles já sabem acerca do assunto. Ah, fique de olho nas questões que mais apresentam erros e revise essas questões com os estudantes. Importante: para criar uma experiência realmente interativa e unir os alunos que estão em sala de aula e os que estão online, solicite que os alunos que estão em sala tragam seus smartphones ou disponibilize tablets da escola, em um ambiente que conte com wifi, para que todos possam jogar.

É claro que muitas outras iniciativas podem ser tomadas, sempre com o apoio dos coordenadores e orientadores, que devem estar atentos às demandas e desafios que professores e estudantes estão enfrentando. A união e suporte de toda a equipe é fundamental para que a aprendizagem seja construída com qualidade e significado. Espero que essas sugestões lhe ajudem na sua prática e propiciem outras ideias baseadas no que viu por aqui.

Seguimos compartilhando e aprendendo, juntos. 😀

Prof. Emilly Fidelix

Sobre a autora do post

Emilly Fidelix

Emilly Fidelix

Colunista

Emilly Fidelix é criadora do @seligaprof, onde impacta milhares de professores de todo o Brasil, palestrante e formadora de professores. É doutoranda em História Cultural (UFSC), especialista em Tecnologias, Comunicação e Técnicas de Ensino (UTFPR), colunista no blog Redes Moderna e professora de pós-graduação no Instituto Singularidades. Atua nas áreas de metodologias ativas, storytelling aplicado à educação e BNCC.