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Como planejar as aulas com o ensino híbrido

O ano de 2020 foi desafiador a todos e a Educação! A Unesco recentemente divulgou o relatório mundial que mostrou preocupação com o fechamento das unidades escolares em que o Brasil faz parte do grupo que está há mais tempo com escolas fechadas. Atualmente 101 países mantêm as escolas em funcionamento e 48 países de maneira parcial.

Passado o susto inicial e ambientação com as aulas mediadas por tecnologia, chegou o momento de planejar 2021 considerando as dificuldades do ano de 2020 e contemplando o ensino híbrido com experiências ainda não vivenciadas por nossos alunos através da criação de uma nova cultura.

O primeiro passo compreende em saber que o ensino híbrido mescla o ambiente presencial e o online, podendo e devendo ser adaptado conforme a necessidade escolar. Neste sentido, um importante aliado ao processo cognitivo, por permitir a mescla de estudantes em divisões por grupo, no formato presencial e outro com aulas mediadas por tecnologia para respeitar os protocolos de distanciamento social e combate a COVID-19.

Num segundo momento, este formato tende a contribuir com o processo da recuperação da aprendizagem, que já sabemos que devido ao longo período de aulas mediadas com o auxílio de tecnologias, não foi possível a participação de todos os estudantes e quando foi realizado, deixou lacunas e déficits no processo de ensino.

O ensino híbrido deve ter o foco no ambiente de aprendizado flexível, ativo e pautado no desenvolvimento de competências e habilidades que visam atividades por projetos e entre times. Este trabalho, antes imaginado somente na esfera presencial é possível de ser realizado na esfera online e com qualidade. O que precisamos é mesclar, experimentar estas possibilidades e dar ao estudante a oportunidade de ser protagonista e participar ativamente da construção do seu processo de aprendizagem. A seguir, apresentarei alguns caminhos que necessitam estar contemplado no planejamento docente.

Sobre a autora do post

Débora Garofalo

Débora Garofalo

Colunista

Débora Garofalo é formada em Letras e Pedagogia, com especialização em Língua Portuguesa pela Unicamp, Mestra em Educação pela PUC-SP e FabLearn Fellow, Columbia, EUA. Professora há 16 anos da rede publica de SP, sendo idealizadora do trabalho de Robótica com Sucata que se tornou uma política pública. Atualmente é Coordenadora do Centro de Inovação da Secretaria Estadual de Educação do Estado de São Paulo e colunista das Redes Inovadora na Editora Moderna.

Integrante da comissão de Direitos Humanos da Cidade de São Paulo e Palestrante em grandes eventos Nacionais e Internacionais entre eles, Latinoware, Campus Party, Bett Educar, Havard, EUA, Oxford em Londres, Buenos Aires na Argentina, Ecole Polytechnique, França. Pelo trabalho realizado na Educação Pública, recebeu diversos prêmios importantes, entre eles: Professores do Brasil 2018, Desafio de Aprendizagem Criativa do MIT 2019, Medalha de Pacificadores da ONU 2019 e considerada uma 10 melhores Professoras do Mundo pelo Global Teacher Prize 2019, Nobel da Educação.

Planejando ações híbridas

Para o Professor José Moran da USP, o ensino híbrido está na essência das ações docentes que preza por contribuições na visão ecossistêmica. Por isso, planejar ações requer desenhar combinações que integrem espaços, tempos, metodologias e tutoria para ofertar experiências que melhor atenda as necessidades e possibilidades aos estudantes.

             1. Currículo flexível

É necessário planejar em busca de um currículo flexível que considere a avaliação diagnóstica como ponto de partida e que contemple projetos integradores que visam integrar áreas do conhecimento, atividades, projetos, games em grupos ou individuais, de modo colaborativo ou personalizado.

Para realizar o ensino híbrido é preciso que o processo de aprendizagem seja contínuo e que os estudantes possam perceber e se envolver nesta construção.

            2. Escuta Ativa

Mesclar e diversificar propostas são fatores chaves e é preciso apostar nas que sejam  abertas e que permitam a escuta ativa, como por exemplo, realizar tempos combinados; itinerários e trilhas de aprendizagens personalizadas; utilizar outros espaços e  ambientes escolares, além da sala de aula; e fazer combinações e combinados com espaços virtuais na busca por  repensar o currículo através das metodologias ativas; adaptar e trabalhar com a diversidade de espaços por melhorias no processo avaliativo e na construção de conhecimento.

            3. Modelos síncronos e assíncronos

Os processos síncronos e assíncronos merecem um destaque especial no planejamento, através de um formato que busque a personalização do ensino e que contribua com o processo de ensino-aprendizagem. Modelos expositivos precisam sair de cena nos modelos presenciais, pois um dos papeis é formar os estudantes para serem curadores e atuarem de maneira central no desenvolvimento da cultura da participação ativa, ao acessar materiais, ler e reler quantas vezes forem necessárias, para que possam usufruir e potencializar os momentos presenciais aproveitando ao máximo estas novas experiências.

            4. Papel Docente

No ensino híbrido o papel docente ganha benefícios e destaque, como ter a possibilidade de dedicar mais as dúvidas dos alunos, realizar um acompanhamento mais próximo e individual em que consegue visualizar, coletar e analisar dados e intervir no processo de maneira mais assertiva. Para isso, é importante investir nas diferentes modalidades como a sala de aula invertida.

            5. Modalidades de Ensino

As modalidades híbridas permitem buscar a interação do ensino e também ousar nos modelos trazendo integração entre as aulas presenciais e a aulas mediadas por tecnologia, assim temos – a aula invertida, rotações por estações, rotações individuais e modelos personalizados como o modelo flex que permitem a construção de roteiros adaptados, na modalidade online, em que professor atua como o mediador. E o modelo a la carte que permite trilhas virtuais em que a hibridização dependerá da idade e do avanço do estudante ao currículo e da proposta pedagógica a ser ofertada.

O ensino híbrido é um caminho sem volta e que tende estar mais presente na educação básica por todos os seus benefícios e pelas oportunidades de estarmos avançando por igualdade, equidade e valores integrais que visam a criatividade.

E vocês queridos (as) professores (as), quais dicas podem acrescentar ao planejamento dos colegas? Não deixem de compartilhar aqui nos comentários e contribuir com práticas exitosas a Educação.

Um abraço e até mais!

Débora