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A importância de incentivar meninas nas Ciências e nas Tecnologias

Temos vivenciando uma mudança cultural, em que temos visto, mulheres ocupando espaços que antes era tido como impossível a elas. Recentemente tivemos mulheres que através da tecnologia sequenciaram o coronavírus, auxiliando entender a doença e o seu comportamento no mundo. Que orgulho!

A minha história, como mulher e educadora também se confunde com as de muitas outras mulheres que lutam para conquistar espaços na sociedade. Tive uma infância muito difícil, criada por minha mãe, que exerceu também o papel de pai e me deixou uma das coisas mais importante da minha vida, a Educação!

No meio de um cenário difícil, em que cresci ouvindo que não seria ninguém pela separação dos meus pais, ela combatia essas duras palavras me dizendo “estude muito, somente o estudo pode transformar sua vida”.

Ainda na minha infância, já fazia coisas que eram tabus para a época, desmontar coisas, brincar com carrinhos, em que sofri minhas primeiras frustrações, ouvia que isso era coisa de menino e não de menina e muitas foram vezes que fui repreendida. Aquelas marcas que recarregamos para vida e que procuro sempre desmitificar com meus alunos.

Durante minha vida profissional, teve um período que atuei como professora e na indústria, descobrindo minha paixão por tecnologias e compreendendo  que a tecnologia não podia ficar do lado de fora de escola, que ela pode alavancar a aprendizagem. 

É essencial que as jovens tenha contato com as tecnologias ainda na educação básica, para que aprenda experimentando e que também idealize o seu projeto de vida.

Sobre a autora do post

Débora Garofalo

Débora Garofalo

Colunista

Débora Garofalo é Assessora Especial de Tecnologias da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo (SEE SP) e professora da rede pública de ensino de São Paulo. Formada em Letras e Pedagogia, mestranda em Educação pela PUC-SP, vencedora na temática Especial Inovação na Educação no Prêmio Professores do Brasil, Vencedora no Desafio de Aprendizagem Criativa do MIT e considerada uma das dez melhoras professoras do mundo pelo Global Teacher Prize, o Nobel da Educação.

Quando surgiu oportunidade de ser professora de Tecnologias, não pensei, duas vezes, me candidatei e fui aprovada pelo conselho de escola. Fiz uma proposta ousada entre ela trabalhar com a cultura maker, programação e robótica, em uma comunidade de extrema pobreza e sem possuir conhecimentos sólidos, porém, com ideal, transformar a vida de crianças e jovens, potencializando o ensino,  trabalhando com problemas reais, raciocínio lógico, colaboração e empatia.

Junto dos alunos criamos o trabalho de Robótica com Sucata, que nasceu do problema do lixo, que através de aulas públicas sensibilizamos a comunidade sobre a sustentabilidade, recolhemos lixo das ruas e levamos a sala de aula para transformar, aplicando os conhecimentos do currículo de forma interdisciplinar em protótipos com sucata e que além do resultados escolares, contribuiu para levantar a autoestima dos estudantes e principalmente das meninas, que falam com segurança de sua expectativa para futuro. 

Decidi ser professora para transformar vidas, romper com paradigmas e acredito que podemos promover uma educação com qualidade e com equidade, mesmo diante de tanto desafios. 

A escola exerce um papel fundamental para trabalhar a tecnologia como uma propulsora a aprendizagem e fomentar ações para envolver e desmistificar a ideia que computação é uma área masculina, muito pelo contrário, a tecnologia é uma área plural, que necessita da diversidade para torná-la cada vez mais democratizada e acessível.

É essencial incentivar nossas estudantes a seguirem carreiras na área de Ciências e também na de Tecnologias, para que ocupem espaços como mulheres de referência como Alda Lovelace que criou a primeira linguagem de algoritmos, Margareth Hamilton responsável pelo sucesso da operação Apollo 11. 

A vocês meninas que sonham com o espaço das Tecnologias, Ciências e Engenharia, vá! É preciso romper velhos paradigmas e se apropriar destes espaços, aliás, esses espaços é de vocês!

Um abraço,

Débora