fbpx

COMPETÊNCIAS SOCIOEMOCIONAIS VÃO ALÉM DA SALA DE AULA

Educação Socioemocional | Qual o seu QI?

Por anos a educação teve como base o chamado QI (quociente de inteligência)! Descobrimos esse quociente por meio de testes desenvolvidos para avaliar as capacidades cognitivas de um sujeito. É a expressão do nível de habilidade de um indivíduo num determinado momento em relação ao padrão comum à sua faixa etária. Herdamos da sociedade a premissa de que as habilidades cognitivas, em especial atribuídas à matemática e linguagens, eram os parâmetros ideais para definir o quanto uma pessoa era inteligente.

Esse discurso perde força a partir da década de 1980 quando uma equipe de investigadores da Universidade de Harvard, liderada pelo psicólogo Howard Gardner, apresentam ao mundo a possibilidade das Inteligências Múltiplas. Essa teoria foi desenvolvida buscando analisar e descrever melhor o conceito de inteligência.

Entre as inteligências elencadas por Gardner, provoco você educador a refletir como anda sua Inteligência Intra e Interpessoal. Como podemos garantir o desenvolvimento dessa inteligência em nossos alunos?

A discussão em torno do desenvolvimento das competências socioemocionais está focada nas crianças. Porém, se esquecermos de todos os outros atores envolvidos no processo educacional de uma crianças, o processo fica capenga.

Estamos buscando desenvolver nas crianças, competências que os adultos não foram ensinados. Pelo menos, não de forma declarada, explícita e estruturada em forma de currículo.

Portanto, a forma mais coerente de tratar do desenvolvimento dessas competências é no âmbito escolar. Um projeto pedagógico coeso deve ser entendido como um todo, tendo alunos, educadores e pais/responsáveis como atores de uma cultura em torno dessas competências.

Educação para a vida

Tonia Casarin é mestre em Educação pelo Teachers College Columbia University.

Incentivar os adultos a aprender, refletir e praticar suas próprias competências sociais e emocionais torna-se fundamental para o sucesso da implementação desse currículo nas escolas. Não somente os professores, que estarão no cotidiano com as crianças, mas, principalmente, toda a equipe de educadores, como diretores e coordenadores.

Esse desenvolvimento pessoal envolve o desenvolvimento profissional contínuo dos educadores em todos os níveis da escola. Garantir que toda a equipe escolar modele atitudes positivas que seja evidente a utilização de inteligência emocional e social em suas relações, entre os colegas da escola, com os próprios alunos, professores e pais e responsáveis.

Mais do que fazer parte de uma grande transformação na educação, coordenadores e diretores são beneficiados com o aprendizado que levam para a própria vida. Pesquisas mostram que desenvolver a inteligência emocional e social é condição sine qua non para ter sucesso na vida. Mais do que isso, o que diferencia um líder de outro profissional não é seu QI (quoeficiente de inteligência), mas sim, seu QE (quoeficiente de inteligência emocional). Enquanto o QI é responsável por 4% da performance, o QE representa 25%. Além disso, grandes líderes tendem a ser sete vezes mais propensos a ter uma pontuação alta em autocontrole, três vezes mais propensos em ter essa pontuação alta em empatia e duas vezes e meia em trabalho em time.

Sem dúvida, além de fatos e dados, sabemos que as crianças copiam nossos comportamentos como ninguém. Ter em mente que somos exemplos para elas e carregar essa responsabilidade e agir de forma intencional, faz com que comecemos a criar dentro da escola a chama da cultura que queremos.