Os primeiros teóricos e escritores viam a empatia como um traço ou característica que era estável e que podia ser medido, mas não ensinado. Essas convicções estão ultrapassadas. A ciência e a academia enxergam a empatia como habilidade fundamental para viver em um mundo diverso. A literatura indica que as pessoas, no geral têm disposição para ser empáticas, mas ser ou não empático pode depender de fatores situacionais.

Alguns autores identificam outras habilidades que andam juntas com a empatia. Essas seriam necessárias para desenvolvê-la, incluindo, por exemplo, a habilidade de escutar, de oferecer atenção plena e de se abster de julgamentos. Outros, destacam a empatia como componente da inteligência emocional, como é o caso do Goleman, famoso autor que ficou conhecido mundialmente pelo seu best-seller “Inteligência Emocional”. Ainda existem pesquisadores que destacam o autoconhecimento, as habilidades de comunicação (principalmente a de escuta ativa), a capacidade de perceber emoções em si e nos outros, junto com sentimentos ocultos, e o não julgamento dos outros como parte integrante da empatia.

A empatia é uma habilidade crucial para as relações, portanto, muitos autores discutem métodos mais efetivos de ensiná-la. Portanto, abordo aqui alguns pontos relevantes ao elaborar intencionalmente atividades com este fim.

Educação para a vida

Tonia Casarin é mestre em Educação pelo Teachers College Columbia University.

Enxergar o mundo pelo olhar do outro

A maioria das referências incluem a capacidade de olhar o mundo pelo olhar do outro como fator decisivo para o desenvolvimento da empatia, ou seja, sem isso a empatia não pode acontecer. Nessa capacidade está implícita também a habilidade de escutar o outro.

Compreender as emoções do outro

Outro fator é a capacidade de compreensão das emoções do outro como fundamental para o desenvolvimento da empatia. Ainda que a emoção tenha sido sentida no passado e seja relatada, é possível ser empático e reconhecê-la, mesmo que a pessoa não se sinta da mesma forma no presente.

Não julgamento

O “não julgamento” é outro atributo atribuído à empatia. Diz respeito à capacidade de não julgar o outro. Vale ressaltar que nem todos os autores concordam com esse atributo da empatia como fundamental, pois argumentam que é possível entender o outro e ainda assim julgar, o que seria uma característica humana. Porém, o “não julgamento” é hoje um atributo cada vez mais valorizado em uma sociedade reconhecidamente diversa.

Comunicar seu entendimento

A comunicação de entendimento parece vital se houver empatia. Seria, assim, o último estágio desta habilidade, em que, além de enxergar o mundo pelo olhar do outro, compreender suas emoções e não julgá-lo(a), é possível entender a posição colocada. Esta competência pode ser desenvolvida com debates em sala de aula, em que dois grupos de alunos defendam posições opostas. Depois de um primeiro debate, os alunos trocam de lado para defender os argumentos opostos. Esta atividade possibilita o entendimento do outro lado e o profundo envolvimento dos alunos com cada um dos lados.

Tonia Casarin empatia

Estudos sobre culturas e religiões diferentes da maioria também costumam ser um bom veículo de aprendizagem para os alunos. Isso pode envolver uma feira de culturas, com comidas típicas e até eventuais convidados estrangeiros em que as crianças possam interagir e fazer perguntas. Além de desenvolver empatia, essa atividade aguça a curiosidade dos alunos.

Além disso, a utilização de filmes e documentários como ferramentas pedagógicas pode ser o início de uma debate sobre questões vistas muitas vezes como polêmicas. Construir esse espaço seguro dentro de sala de aula, em que os alunos podem expor suas opiniões e questionamentos, sem medo de julgamentos, é chave para compreenderem e se permitirem entender o outro.

Como educadores, somos agentes de transformação, não somente de indivíduos, mas também da sociedade que nos cerca. E a empatia parece ser um dos caminhos para um mundo melhor.

O autoconhecimento também é considerado um antecedente, uma vez que vários programas que ensinam empatia começam com autoconhecimento. Isto foi rejeitado porque muitas pessoas são naturalmente empáticas – sem necessariamente serem conscientes disso.

As consequências de uma interação empática é que os “empatizados” têm a necessidade de compreensão satisfeita, sentem-se valorizados e melhor preparados para entender a si mesmos e mudar. A pessoa empática sente-se satisfeita por sentir que ajudou e cumpriu o dever de ser útil para os outros.

Hábitos da mente - ESCUTAR-OS-OUTROS

Eu sou Tonia Casarin, mestre em Educação pelo Teachers College Columbia University (NY). Escrevo neste espaço quinzenalmente sobre educação socioemocional e educação integral, assunto fundamental na pauta das escolas e das famílias.