Passo a passo da avaliação da aprendizagem

By 04/02/2016Avaliação

Com o recomeço do ano letivo, é interessante conversarmos sobre o bê-a-bá da avaliação da aprendizagem, de modo a continuarmos a desconstruir certas resistências que perduram em nosso meio educacional, uma vez que padrões de compreensão e de conduta herdados de séculos passados ainda são uma realidade em muitas salas de aula.

Via de regra, os exames escolares, desde que foram sistematizados no século XVI, carregam em si uma carga de ameaça e castigo sobre os alunos, cujo objetivo é pressioná-los para que disciplinadamente estudem, aprendam, e assumam certos tipos de comportamento.

Esses cinco séculos de uso das avaliações escolares como instrumentos de controle dos alunos na escola têm resultados difíceis de serem mudados, mas, como já dizia Albert Einstein, não há maior sinal de loucura do que fazer uma coisa repetidamente e esperar a cada vez um resultado diferente”.

Portanto, se queremos que o processo de educação escolar seja capaz de efetivamente garantir a aprendizagem dos alunos, então é necessário que alteremos nossas concepções sobre os processos, os instrumentos e os objetivos da avaliação da aprendizagem.

Por isso, não custa retomar alguns fundamentos.

Luckesi define os objetivos da avaliação nos seguintes pilares:

Juliana Miranda é gerente de Avaliação da Avalia Educacional e nossa parceira para o tema Avaliação

Conhecer o nível de desempenho do aluno (constatação da realidade)

Comparar essa informação com aquilo que é considerado importante no processo educativo (qualificação)

Tomar as decisões que possibilitem atingir os resultados esperados.

Dessa maneira, de maneira pontual ou contínua, para a avaliação atingir os objetivos descritos é essencial que ela seja preparada a partir dos seguintes passos básicos:

DEFINA OBJETIVOS

Pode ser um conteúdo, a compreensão de um procedimento, ou seja, algo claro, objetivo e, principalmente, passível de mensuração pelo instrumento que será utilizado (prova, trabalho, observação etc.).

ESTABELEÇA CRITÉRIOS

Refere-se ao nível de desenvolvimento e compreensão que o aluno deverá demonstrar para que consideremos que ele aprendeu o que era necessário e que está apto para seguir em frente.

PERCEBA AS EVIDÊNCIAS

Como o aluno pode demonstrar que domina o conhecimento que estamos avaliando? Respondendo a questões, fazendo um exercício, participando de um debate, desenvolvendo um projeto? Dependendo do objetivo, a percepção das evidências pode ser feita de maneiras diversas.

Obviamente, essas orientações não se limitam à aplicação de provas escritas. Diagnóstico inicial, observações de atividades realizadas em sala, tarefas de sondagem, trabalhos em grupo, seminários, exposições, lições de casa – em conjunto, essas e outras estratégias ajudam a enxergar os diferentes saberes e níveis de compreensão de cada aluno.

Tendo em mãos a descrição do que os alunos aprenderam e quais suas principais dificuldades, começa o processo de feedback e de intervenção pedagógica. Um exemplo de atuação possível é dividir a turma em grupos de acordo com a dificuldade apresentada sobre o conteúdo que foi ministrado até o momento. O agrupamento de alunos com problemas afins ajuda o professor a desenvolver algumas poucas estratégias de recuperação da aprendizagem de maneira mais dirigida e que cheguem “direto ao ponto” que os alunos precisam.

Vale destacar que caso o problema de aprendizagem detectado seja comum a maior parte dos alunos, talvez o problema esteja na metodologia utilizada pelo professor para ensiná-los. Nesses casos, é preciso retomar o conteúdo e utilizar técnicas didáticas diferentes. Afinal, a avaliação da aprendizagem também envolve a verificação da qualidade do próprio trabalho docente.

Prontos para 2016? Bom trabalho a todos nós!

Escrito por Juliana Miranda

Bacharel em Ciências Sociais/USP e mestre em Educação/PUC-SP e gerente de Avaliação da Avalia Educacional

Referências bibliográficas:

LUCKESI. Planejamento, execução e avaliação.
Disponível em: http://luckesi.blogspot.com.br/2014/09/planejamento-execucao-e-avaliacao.html. Acesso em: 2 fev. 2016.

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