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Há diferença de gênero nos resultados das avaliações?

By 03/07/2015Avaliação

No post passado iniciamos uma conversa sobre como as avaliações educacionais em larga escala podem trazer indícios sobre a influência que fatores externos à escola exercem nos resultados da aprendizagem. A relação entre esses dois pontos é tranquila, né? Se avaliamos o nível de aquisição de competências nos alunos, isto é, características que o ser humano desenvolve ao longo de toda sua vida, enquanto se relaciona com a família, com as pessoas da escola, com a sociedade etc., então, fatores que envolvem sua história e seu meio social interferem na trajetória de aprimoramento de suas habilidades.

Um dos pontos que chama a atenção nas análises das avaliações é a diferença de resultados entre meninos e meninas. Tradicionalmente, as meninas têm notas maiores em leitura, enquanto os meninos se dão melhor em matemática. Vamos pegar essa última área para uma análise mais detalhada.

No Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica), dos anos de 2011 e 2013, o percentual de meninas com aprendizagem proficiente (ou adequada) em matemática foi menor em todos os anos escolares. Em 2013, apenas 7,2% das meninas terminaram a educação básica demonstrando saber o que lhes era esperado nessa competência. Já para os meninos, o valor foi de 12,4% (muito baixo também, mas maior que o das meninas).

Juliana Miranda é gerente de Avaliação da Avalia Educacional e nossa parceira para o tema Avaliação

Por sua vez, na avaliação do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) de 2014, que enfatizou a verificação da competência matemática, a nota média dos meninos foi 440, enquanto das meninas, 418.

Já deu para ver que as avaliações nos dão pistas sobre aspectos que devem chamar a atenção dos estudiosos e interessados em educação, mas elas não trarão as respostas de por que isso acontece. As hipóteses que justificariam essa diferença de gênero são objetos de estudo relacionados à pedagogia, à antropologia e à sociologia.

Segundo Gláucia Torres Franco Novaes, Doutora da Fundação Carlos Chagas (em reportagem do G1), há um forte componente cultural nesses resultados – e não biológico. Tradicionalmente, as meninas são mais estimuladas para certas atividades e os meninos para outras. Apesar de essa divisão de papéis sociais não estar restrita à escola, ela reverbera em muitos dos exemplos e contextos que passamos por meio do conteúdo de livros, vídeos, músicas, de modo muitas vezes inconsciente. Em conjunto, essas influências direcionam os projetos das crianças ao longo da trajetória escolar e, posteriormente, na escolha da carreira profissional a seguir. E por isso, ainda hoje temos mais homens do que mulheres nas profissões da área de exatas.

Um estudo de Lindamir Casagrande (2011), sobre a representação de gêneros em livros didáticos de matemática, observou que por meio de ilustrações ou problemas, as mulheres normalmente aparecem como costureiras, cozinheiras, artesãs, mães, ou seja, desempenhando papéis em que só é preciso conhecer a matemática elementar. Já em problemas que apareciam profissões como administradores, executivos, cientistas, na maioria das vezes, a representação era masculina.

Essas discussões sobre diferenças de gênero na educação são hoje possíveis por meio da realização de estudos quantitativos (como as avaliações) e qualitativos (pedagógicos, antropológicos e sociológicos). Constatamos a diferença, mas o que podemos fazer sobre ela? Quando estão em uma mesma sala de aula, oferecemos o mesmo conteúdo para meninos e meninas, mas será que nossas representações sobre os gêneros já estariam tão profundamente enraizadas que nem percebemos a mensagem que estamos reproduzindo? Se queremos uma sociedade mais justa entre homens e mulheres, em que as oportunidades sejam distribuídas de modo mais igualitário, então temos que começar, desde cedo, a refletir sobre o tipo de mensagem que passamos para os meninos e as meninas.

Escrito por Juliana Miranda

Bacharel em Ciências Sociais/USP e Mestre em Educação/PUC-SP e gerente de Avaliação da Avalia Educacional

Referências bibliográficas:

A matemática das meninas e dos meninos. Disponível em: http://www.todospelaeducacao.org.br/reportagens-tpe/33918/a-matematica-das-meninas-e-dos-meninos/. Acesso em: 01 jul. 2015.

Brasil tem 3ª maior diferença a favor dos meninos em teste do Pisa. Disponível em: http://g1.globo.com/educacao/noticia/2014/04/brasil-tem-3-maior-diferenca-favor-dos-meninos-em-teste-do-pisa.html. Acesso em: 01 jul. 2015.

CASAGRANDE, Lindamir Salete. Entre silenciamentos e invisibilidades: relações de gênero no cotidiano das aulas de Matemática. (Tese). Paraná: UTFPR, 2011.

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