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Professor, o que vai cair na prova?

Em um comentário no post anterior, uma leitora sugeriu o tema descritores para a nossa conversa. Então, vamos lá!

Quando nosso objetivo é avaliar a qualidade de um fato, como, por exemplo, a aprendizagem de um educando ou qualidade de uma rede de escolas, precisamos, necessariamente, passar pelos seguintes três passos:

Definir objetivos: o que queremos avaliar?

Pode ser um conteúdo, a compreensão de um procedimento, ou seja, algo claro, objetivo e, principalmente, passível de mensuração pelo instrumento que será utilizado (prova, trabalho, observação etc.).

Estabelecer critérios: qual deverá ser a compreensão do aluno? 

Refere-se ao nível de desenvolvimento e compreensão que o aluno deverá demonstrar para que consideremos que ele aprendeu o que era necessário e que está apto para seguir em frente.

Perceber as evidências: como o aluno pode demonstrar que domina o conhecimento que estamos avaliando?

Respondendo a questões, fazendo um exercício, participando de um debate, desenvolvendo um projeto? Dependendo do objetivo, a percepção das evidências pode ser feita de maneiras diversas.

Juliana Miranda é gerente de Avaliação da Avalia Educacional e nossa parceira para o tema Avaliação

No contexto de um processo educacional voltado ao desenvolvimento de competências, os descritores estão diretamente relacionados ao primeiro passo do processo avaliativo, isto é, à definição de objetivos, à descrição de ações que, esperamos, sejam realizadas pelos alunos de maneira eficaz e pertinente. Portanto, não se trata de um conteúdo a ser cobrado, mas sim, um comportamento ou uma habilidade que o aluno deve demonstrar.

Educação de resultado

Em processos de verificação externos aplicados em larga escala, como a Prova Brasil, o Saeb, a ANA ou o Enem, o conjunto de descritores de cada área do conhecimento são organizados em documentos intitulados Matrizes de Referência. É comum encontrarmos nomenclaturas diferentes em cada um desses materiais relacionados a programas específicos de avaliação, por isso, usualmente, os descritores também são chamados de habilidades.

As informações contidas nas Matrizes de Referência, portanto, proporcionam transparência ao processo avaliativo e são muito interessantes para o estudo de gestores educacionais e professores interessados pelo assunto.

Você sabia?

Philippe Perrenoud, sociólogo suíço, é uma das principais referências sobre o termo competência. Ao considerar aspectos e necessidades atuais, como as possibilidades oferecidas pela sociedade globalizada, o desenvolvimento tecnológico, o maior acesso aos meios de informação e comunicação, as exigências do mercado de trabalho, o perfil das crianças e jovens das novas gerações, o autor define competência como a faculdade de mobilizar um conjunto de recursos cognitivos (saberes, capacidades, informações, habilidades etc.) para solucionar com pertinência e eficácia uma série de situações.

Através dos links a seguir, você pode ter acesso às Matrizes de Referência das principais avaliações nacionais:

Avaliação Nacional da Aprendizagem (ANA): goo.gl/Bw1OME

Enem: goo.gl/aBfFIi

Escrito por Juliana Miranda

Bacharel em Ciências Sociais/USP e mestre em Educação/PUC-SP e gerente de avaliação da Avalia Educacional

Referências bibliográficas:

ALVES, Julia Falivene. Avaliação educacional: da teoria à prática. Rio de Janeiro: LTC, 2013.

LUCKESI, Cipriano. Avaliação da aprendizagem escolar. 19ª ed. São Paulo: Cortez, 2008.

Join the discussion 2 Comments

  • Lis Gomes disse:

    Como sempre muito didático e com informaçoes de muita relevância. Um post que certamente contribuirá muitíssimo com o conhecimento de educadores comprometidos com uma educação de resultado. Obrigada por atender a solicitação.

  • José Amilton disse:

    Atualmente, uma das temáticas mais relevantes é a Avaliação. Se considerarmos que necessitamos de uma educação de qualidade, o primeiro passo é a questão dos resultados (externos e internos) o que demanda habilidades e competências.

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