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Teoria de Resposta ao Item? A gente explica!

Nas mais relevantes avaliações educacionais externas aplicadas em larga escala, as “notas” (na verdade, o termo mais adequado aqui seria proficiência – a representação numérica do grau de domínio do sujeito em determinada área do conhecimento) dos alunos e das redes educacionais são calculadas por meio da Teoria de Resposta ao Item (TRI). Podemos citar como exemplos avaliações brasileiras como o Saeb, a Prova Brasil, o Enem, além de programas estaduais e municipais realizados pelo país afora, assim como iniciativas internacionais, como o Pisa, da OCDE (Programa Internacional de Avaliação de Alunos, da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

Elaboramos uma série de perguntas para ajudar a entender a importância e o método da TRI. Esperamos que este material ajude a desvendar alguns mistérios sobre a aplicação das notas nas principais avaliações nacionais, nos vestibulares e em concursos públicos.

Clique nas perguntas para abrir as respostas

Juliana Miranda é gerente de Avaliação da Avalia Educacional e nossa parceira para o tema Avaliação

1- Mas para que serve a TRI?

A TRI é muito mais eficiente para avaliação de uma grande quantidade de pessoas, pois ela garante que avaliações feitas em diferentes períodos, com diferentes populações, sejam comparáveis

2- Resultados comparáveis? Mas todas as avaliações não são assim?

Não, nem todas as avaliações podem para ser comparadas entre si. Em vestibulares, concursos públicos, ou seja, na maioria das avaliações classificatórias, a nota do aluno/candidato é estabelecida a partir da quantidade de questões que ele responde corretamente. Contudo, dependendo da dificuldade da prova, uma mesma pessoa pode acertar mais ou menos questões – por exemplo, em uma prova fácil com 20 exercícios, um aluno acerta 14, mas em uma prova difícil, ele acerta apenas 8 questões. Nesse tipo clássico de análise, a comparabilidade dos dois resultados é impossibilitada porque estes são muito dependente da dificuldade das provas aplicadas e, ao final, não conseguimos responder se esse aluno sabe muito ou sabe pouco sobre o assunto tratado.

Justamente para superar limitações desse tipo, foi desenvolvida a TRI, um conjunto de modelos matemáticos que, para calcular a nota de estudantes em avaliações, leva em consideração a dificuldade das questões que ele responde corretamente, assim como a coerência do mesmo ao responder a prova.


3- Como a TRI leva em consideração a dificuldade das questões?

É mais ou menos assim: aquelas questões com baixos índices de acertos (consideradas difíceis) têm um peso maior na pontuação final do que questões com altos índices de acertos (consideradas fáceis) – para determinar esse índice de dificuldade, são realizados eventos conhecidos como pré-testes, em que muitas pessoas respondem aos exercícios e os “calibram” antes da aplicação da avaliação oficial.

Dessa maneira, aqueles estudantes que acertam mais questões consideradas difíceis demonstram um maior nível de conhecimento sobre o assunto avaliado.


4- Entendi, mas por que é necessário responder a prova de uma maneira coerente?

Porque o modelo matemático da TRI considera que aquela pessoa que erra questões fáceis, mas acerta questões difíceis, está “chutando” suas respostas (acertos ao acaso), e assim, essas questões recebem um peso menor na pontuação final.

5- Hummm.... Ok! Mas como a TRI torna as provas comparáveis, afinal?

Com a TRI, as avaliações passaram a ser estrategicamente montadas com questões fáceis, médias e difíceis, isto é, variados graus de dificuldade, e, independentemente de quantas questões o aluno acerta, o que interessa para a determinação do resultado é saber quais questões ele responde corretamente.

Portanto, a nota do aluno não é mais alterada pela dificuldade inerente ao instrumento de avaliação. Agora, com as questões já pré-calibradas, o que interessa é descobrir qual o valor máximo de dificuldade das questões que ele é capaz de responder corretamente. E a nota, assim, passa a ser uma medida da capacidade do aluno, não mais de sua relação com o instrumento de medida aplicado.


6- E por que é tão importante que as avaliações sejam comparáveis?

Com avaliações comparáveis ao longo do tempo é possível estabelecer diversos diagnósticos sobre os resultados do trabalho educacional que está sendo desenvolvido na escola, na rede, no município, no estado, no país… E responder questões como: será que temos mais alunos com aprendizagem adequada do que há alguns anos? Será que os jovens estão chegando melhor preparados para os anos finais da educação básica? Quais são as áreas de conhecimento que necessitam de maiores investimentos? E assim por diante…

Você tem mais dúvidas sobre a TRI? Escreva para gente! 😉

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