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Em Busca do Eldorado: Expedições Bandeiristas Brasileiras

A temática da mineração no território brasileiro se repete com freqüência em vários momentos de nossa história. A corrida do ouro na região da Serra Pelada, no estado do Pará, durante a década de 1980, apesar de contemporânea às expedições bandeiristas, reflete um imaginário semelhante ao que os homens daquela época tinham em relação aos ganhos e perdas de explorações compulsivas de minerais.

Trabalhadores Migrantes em busca do Sonho Dourado

No caso de Serra Pelada, a mão de obra dos migrantes, que buscavam melhores condições de vida, foi utilizada de maneira exploratória. Já com os bandeirantes, durante os séculos XVII e XVIII, a história foi diferente. Em primeiro lugar, as bandeiras eram expedições armadas que adentravam o interior do país à procura de metais preciosos, com objetivo de aprisionar índios e destruir quilombos, locais de refúgio dos escravos. E, como fator mais importante, as bandeiras eram incentivadas pela Coroa Portuguesa.

Os bandeiristas ou bandeirantes eram os homens dessas expedições. As viagens costumavam partir de São Paulo – na época, conhecida como Capitania de São Vicente -, em direção ao interior, ultrapassando a linha do Tratado de Tordesilhas. Durante as jornadas, por diversas vezes, os exploradores encontravam grupos de índios, organizados em Aldeias.

Aqui vale lembrar que muitas tribos indígenas foram catequizadas pelas missões jesuítas e, por isso, já possuíam organizações da vida coletiva como plantações, oficinas, meios de transporte e até o comércio. Apesar disso, os índios representaram uma ameaça às bandeiras exploratória e, apesar da resistência dos indígenas, tiveram sua estrutura abalada pelos ataques bandeiristas. No mapa abaixo[1], podemos identificar as rotas percorridas pelos bandeirantes que tiveram destaque no período.


O descobrimento maciço do ouro foi concretizado somente no final do século XVII. As primeiras regiões que iniciaram a exploração foram Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. Para atender a demanda, mais de 30 milhões de homens de todas as partes do Brasil serviram de mão de obra para a extração dos metais preciosos das jazidas. Sob a motivação de enriquecimento, os pólos de mineração se tornaram verdadeiros caldeirões urbanos, repletos de grande fluxo populacional.

“COMBATE CONTRA BOTOCUDOS” - OBRA DE JEAN BAPTISTE DEBRET, de 1827. Guerra dos bandeirantes contra tribos de Piratininga

Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera

Esse contexto histórico nos permite chegar a um personagem ícone desse momento do Brasil: Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera. O bandeirante foi o responsável pelas expedições aos sertões goianos em 1722, que encontraram as jazidas de ouro no rio Vermelho. Sua trajetória foi parecida com a de seu pai, Bartolomeu Bueno da Silva, contudo, este pertenceu ao “bandeirismo defensivo”, cujo objetivo era a posse e colonização das terras. Já Anhanguera participou do auge do movimento bandeirista, marcado pela degradação dos solos, pelo surgimento de pólos urbanos e também pela exploração da força de trabalho de homens atraídos por mitos difundidos no imaginário brasileiro.

Em 1942, na cidade de Goiás Velho, fruto da urbanização intensificada pelo descobrimento das jazidas no rio Vermelho, foi erguido o Monumento ao Bandeirante, escultura em bronze com três metros e meio de altura, doado aos habitantes de Goiás.

Monumento ao Bandeirante, em Goiânia

O Parque Ibirapuera, em São Paulo, abriga o Monumento às Bandeiras, obra esculpida por Victor Brecheret, em 1954. Localizado em frente ao Palácio Nove de Julho, sede da Assembléia Legislativa, e ao Parque do Ibirapuera, o monumento foi encomendado pelo governo de São Paulo em 1921, após a Primeira Guerra Mundial. A escultura, em granito, com cinquenta metros de comprimento e dezesseis de altura, foi inaugurada em 1954, juntamente com o Parque do Ibirapuera para as comemorações do quarto centenário de fundação da cidade no ano seguinte.

E, para você? 

O que significa a construção desse monumento mais de dois séculos após o acontecimento de fato? Essa memória difundida em pleno século XX durante o governo desenvolvimentista de Getúlio Vargas lhe parece sem propósitos? Deixarei em aberto essas reflexões e outras que certamente surgirão após a leitura desse texto!


[1]  Podemos encontrá-lo no livro “História: Das Cavernas ao Terceiro Milênio”, 2° volume.

 Escrito por Melanie Lauro, assessora especialista de História da Editora Moderna.

Saiba mais

Para entender mais sobre o contexto histórico das bandeiras, nós indicamos a minissérie brasileira A Muralha, produzida pela Rede Globo, em 2000. Baseada na obra homônima de Dinah Silveira de Queiroz, A Muralha explora a saga dos desbravadores rumo ao interior do Brasil. A trama se passa por volta de 1600, época em que os bandeirantes buscavam terras cultiváveis, riquezas e índios para serem vendidos como escravos. A muralha do título refere-se à serra do Mar, o maior obstáculo às incursões ao centro do país.

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