Érico Verissimo: Vida e obra

By 28/11/2011Dicas

Foi na cidade de cruz Alta, no Rio Grande do Sul, que nasceu o nosso homenageado de hoje, em 17 de dezembro de 1905. Érico Veríssimo foi um dos maiores exemplares da literatura brasileira do século XX. No dia 28 de novembro de 1975, aos 70 anos, ele falecia, vítima de um infarto fulminante.

Desde cedo, os pais de Erico Verissimo o incentivaram a leitura de grandes autores nacionais e de alguns nomes estrangeiros como Dostoievski, Tolstoi e Eça de Queiroz. Foi a partir de suas influências literárias que ainda jovem começou a escrever. Já mais velho, ele passa a dar aulas particulares de Literatura e inglês e tem contato com outros escritores, como Oscar Wilde e Bernard Shaw. Começa a sedimentar seus conhecimentos da literatura mundial lendo, também, Anatole France, Katherine Mansfield, Margareth Kennedy, Francis James, Norman Douglas e muitos outros.

Em 1929, tem seu primeiro conto publicado na revista mensal “Cruz Alta em Revista”. Após isso, um colega de trabalho e escritor passa a enviar alguns dos textos de Verissimo ao editor da Revista do Globo, que se interessa pelo jovem e passa a publicar seus pequenos textos. Mais tarde, em 1930, Erico Verissimo se muda de vez para Porto Alegre com o sonho de viver de suas obras e passa a trabalhar na revista.

Na capital gaúcha, passa a conviver com importantes nomes do cenário literário do Rio Grande do Sul, como Mario Quintana e Augusto Meyer. Como diretor da Revista do Globo, lança o livro de contos Fantoches, considerado sua primeira obra. Deste livro foram impressas 1.500 cópias e foram vendidas 400. A sobra acabou sendo destruída em um incêndio.

O sucesso de Erico Verissimo viria um ano mais tarde, em 1933, com a publicação de Clarissa. Depois deste livro, passa a ganhar uma série de prêmios literários da época como o Prêmio Machado de Assis, da Cia. Editora Nacional, em 1934;  o Prêmio Fundação Graça Aranha, em 1935; Prêmio Jabuti – Categoria “Romance”, da Câmara Brasileira de Livros, em 1965, com o livro “O senhor embaixador”;  Prêmio “Intelectual do ano”, em 1968, em concurso promovido pela “Folha de São Paulo” e pela “União Brasileira de Escritores”.

Em 1936, publica seu primeiro livro infantil, “As aventuras do avião vermelho”.  Neste ano também elabora o programa de auditório para crianças, “Clube dos três porquinhos”, na Rádio Farroupilha, no Rio Grande do Sul. Dessa idéia surge a “Coleção Nanquinote”, com os livros “Os três porquinhos pobres”, “Rosa Maria no castelo encantado” e “Meu ABC”. Nesse ano, nasce seu segundo filho, Luis Fernando, que, mais tarde, seguiria seus passos na Literatura.

Nas décadas de 1940 e 1950 foi com a família para os EUA, onde deu aulas de literatura brasileira na Universidade da Califórnia. O Mills College, de Oakland, Califórnia, onde dava aulas de Literatura e História do Brasil, confere-lhe o título de doutor Honoris Causa, em 1944. É publicado o compêndio “Brazilian Literature: An Outline”, baseado em palestras e cursos ministrados durante sua estada na Califórnia. Esse livro foi publicado no Brasil, em 1955, com o título “Breve história da literatura brasileira”.

De volta ao Brasil, em 1945, tornou-se um dos raros escritores a viver apenas da literatura que produzia.

As fases literárias de Érico Verissimo

A obra de Erico Verissimo é muito ampla e aborda diversas temáticas ao longo dos anos. Desta forma, os estudiosos definem toda a sua produção em três fases que, apesar de serem divididas por tempo, poderiam facilmente ser repensadas quanto aos temas tratados.

Nas primeiras narrativas de Veríssimo, entre 1930 e 1955, podemos identificar sua preocupação com a crise moral e espiritual que o homem e a sociedade da época viviam. A segunda fase de sua produção literária busca investigar a relação entre o presente degradado por crises e revoluções e o passado histórico marcado pelo heroísmo do povo gaúcho na defesa de seu território.

Assim como outros autores da segunda fase do Modernismo, Erico Verissimo se preocupou com os problemas sociais de sua região natal, o Rio Grande do Sul. Desta forma, é possível enxergar na trilogia de O tempo e o vento, composta por O continente (1949), O retrato (1951) e O arquipélago (1961), retratos de uma região rica, bem diferente do Nordeste árido.  A maior diferença da obra está na ocupação do território. Até a última parte da trilogia, o estado do Rio Grande do Sul ainda não estava totalmente povoado. Assim, a obra de Erico Veríssimo retrata a formação da sociedade gaúcha. Em geral, o autor procura ressaltar a importância do elemento humano como parte da formação de um povo.

Diferente dos autores contemporâneos, os romances de Verissimo se preocupam com o comportamento coletivo e com a reflexão sobre a relação entre o indivíduo e a sociedade; entre o individual e o coletivo. A trilogia é considerada a sua obra-prima.

Já a terceira fase da produção literária é caracterizada pela ênfase a temas políticos como em O senhor embaixador (1965), O prisioneiro (1967) e Incidente em Antares (1971).

A trilogia O tempo e o vento

Veríssimo inicia a produção de O tempo e o vento em 1947. Inicialmente, ele escreveria apenas um livro com 800 páginas. Porém, ao longo de quase três anos de produção, a obra acabou ganhando mais de 2.200 páginas, o que obrigou o autor a repensá-la como trilogia. Verissimo demorou pouco menos de 15 anos para finalizar os três volumes, mas obviamente, nesse período lançou outros livros e contos.

A primeira parte é chamada de ”O continente” e foi publicada em 1949. A crítica fez excelentes elogios ao material.

Dois anos mais tarde, Verissimo publicava “O retrato”, segundo volume da trilogia. Entretanto, as críticas a respeito da obra não foram tão positivas quanto às da primeira parte.

A terceira e última parte, “O arquipélago”, foi publicada em 1962 e levou mais de 4 anos para ser escrita por Verissimo.

Por conta da importância da obra, “O tempo e o vento” ganhou uma versão televisiva, na extinta TV Excelsior, em 1967, e contou com a atuação de  Carlos Zara, Geórgia Gomide e Walter Avancini. Além disso, a Rede Globo também produziu uma adaptação da trilogia, em 1985, com direção de Paulo José, e atuação de Glória Pires, Armando Bogus, Tarcísio Meira e Lima Duarte, entre outros. Confira:

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Saiba mais

A série De lá pra cá, homenageou Erico Verissimo em 17 de outubro de 2010. Vale a pena conferir para entender melhor a vida, a obra e o contexto histórico acerca de Verissimo:

 

A Editora Companhia das Letras publicou todos os volumes da trilogia O tempo e o vento. Confira:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fundação Erico Verissimo

Atualmente, a casa onde Erico Verissimo nasceu, em Cruz Alta, é a sede da Fundação Erico Verissimo, que toma conta de toda a produção literária do escritor.

O museu fica na Av. General Osório, 380 – Centro – Cruz Alta – RS. Quem quiser visitar, a Fundação fica aberta de segunda a sexta, das 8h15 às 11h15, e das 13h às 17h. A entrada é gratuita.

Mais informações pelo site da secretaria de Turismo do Rio Grande do Sul – http://www.estado.rs.gov.br/erico/

O autor Carlos Drummond de Andrade era grande amigo de Erico Verissimo. Na ocasião de sua morte, Drummond escreveu algumas linhas sobre o companheiro:

A falta de Erico Verissimo 

Carlos Drummond de Andrade

Falta alguma coisa no Brasil
depois da noite de sexta-feira.
Falta aquele homem no escritório
a tirar da máquina elétrica
o destino dos seres,
a explicação antiga da terra.

Falta uma tristeza de menino bom
caminhando entre adultos
na esperança da justiça
que tarda – como tarda!
a clarear o mundo.

Falta um boné, aquele jeito manso,
aquela ternura contida, óleo
a derramar-se lentamente.
Falta o casal passeando no trigal.

Falta um solo de clarineta.

Join the discussion One Comment

  • Andre disse:

    Olá, gostaria de receber exemplar para análise do livro Moderna Plus – Geografia.

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