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119 anos de Graciliano Ramos

By 27/10/2011Dicas

Boa tarde a todos,

Há exatos 119 anos nascia o escritor brasileiro Graciliano Ramos, em Quebrangulo, no sertão de Alagoas. O primeiro filho de dezesseis filhos de Sebastião Ramos de Oliveira e Maria Amélia Ferro Ramos veio ao mundo em 27 de outubro de 1892 e passou a infância convivendo com os problemas da seca nordestina e da violência. Seu pai, um homem violento, acreditava que os filhos deveriam ser corrigidos com surras e espancamentos. Esse comportamento do pai influenciou as ideias de Graciliano Ramos, que, ao longo da vida, acreditava que todas as relações humanas se movem pela violência. Em suas obras, o pessimismo e a falta de caráter dos personagens refletem um autor que desacredita nas boas intenções dos indivíduos.

Os primeiros passos literários de Ramos aconteceram aos 12 anos, quando cria o jornal O Dilúculo, dedicado às crianças, e começa a escrever histórias. Durante a sua adolescência, o escritor colaborou em diversas publicações, utilizando na maioria delas, pseudônimos como Feliciano de Olivença (com o qual começou a publicar sonetos na revista O Malho), Almeida Cunha, S. de Almeida, Soares Lobato, Soares de Almeida Cunha e Lambda.

Aos 23 anos, casa-se com Maria Augusta Ramos e muda-sedo Rio de Janeiro para o município de Palmeira dos Índios. Cinco anos mais tarde, sua esposa veio a falecer, deixando-o viúvo com quatro filhos pequenos. Nessa época, o escritor também começa a se envolver com político e torna-se prefeito da pequena cidade, em 1928. Em 1932, renuncia o cargo e passa a se dedicar à literatura e começa a escrever o romance São Bernardo, um dos mais importantes de sua carreira. Seu primeiro livro publicado foi Caetés, em 1933.

Por conta de suas ideias comunistas, foi preso pelas tropas do governo e as experiências dessa época são relatadas na obra Memórias do Cárcere. Ao sair da prisão, lança o livro Angústia e com ele recebe o prêmio Lima Barreto pela Revista Acadêmica. A premiação trouxe grande visibilidade ao autor que teve vários artigos publicados na revista. Porém, o livro que o consagrou no cenário literário brasileiro foi Vidas Secas, publicado em 1938.

A vida literária de Graciliano Ramos sempre teve muita relação com o seu posicionamento político. Reconhecido como comunista, Ramos sempre teve a preocupação de denunciar problemas sociais do Brasil, principalmente as questões sobre a seca no Nordeste. Sua filiação política também o ajudou a se aproximar de outros literatos de sua época: Jorge Amado, José Lins do Rego, Aníbal Machado e Rachel de Queiroz. Os cinco publicaram o livro Brandão entre o mar e o amor, escrito a dez mãos.

Em seu aniversário de 60 anos, Jorge Amado, Peregrino Júnior, Miécio Tati, Heraldo Bruno, José Lins do Rego e outros escritores contemporâneos fizeram uma homenagem em uma sessão solene na Câmara Municipal do Rio de Janeiro e falaram sobre a sua importância para a Literatura brasileira. Um ano depois, em 20 de março de 1953, Graciliano Ramos falece, vítima de um câncer.

Contexto Histórico

Graciliano Ramos está posicionado na segunda fase do Modernismo no Brasil. Esta geração de escritores ficou conhecida como geração de 30. Aqui, vale lembrar que Graciliano Ramos era um romancista e não um poeta. A segunda fase do movimento consolidou as ideias da fase anterior, que buscava ressaltar as virtudes do Brasil, mas lutar contra as coisas que estavam erradas.

Desta forma, os romances desta geração, eram voltados principalmente para as causas sociais, exercendo um papel de denúncia e crítica social. Nessa época, a região da seca nordestina estava muito visada e, por isso, tornou-se um tema bastante corriqueiro nas obras. Por conta desse papel social, alguns especialistas consideram essa fase como “neorrealista”, já que resgata ideais consagrados pelos romances de Machado de Assis, como, por exemplo, o condicionamento do caráter humano pelo meio em que ele vive.

No contexto político, os autores desta geração modernista passaram pelo Golpe de Estado que deu início a Era Vargas, ditadura do Estado Novo, em que o Brasil passou a ser governado por Getúlio Vargas.

Saiba mais

Para quem quiser um material extra para explicar o livro Vidas Secas, a dica é o filme homônimo, dirigido por Nelson Pereira Santos. Em seguida, indicamos uma breve análise para entendimento do contexto histórico e das características de Graciliano Ramos:

Vidas Secas – Brasil 1963

• Direção: Nelson Pereira dos Santos
• Roteiro: Nelson Pereira dos Santos (roteiro)Graciliano Ramos (romance)
• Gênero: Drama
• Origem: Brasil
• Duração: 103 minutos
• Tipo: Longa-metragem

Os adotantes da Coleção Moderna Plus de Literatura podem contar com um conteúdo digital sobre o romance de 1930, período em que Graciliano Ramos está inserido. Quem quiser conhecer mais sobre a coleção, pode clicar aqui.


Mais informações sobre a vida e a obra de Graciliano Ramos:

 

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