Literatura Archives - Editora Moderna

Miguel de Cervantes e seu Dom Quixote

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Boa tarde, pessoal,

Muitos de vocês devem ter ouvido o termo “quixotesco” para classificar pessoas que tendem a serem levadas pela imaginação, são muito românticas ou até mesmo um pouco desligadas da realidade. A verdade é que o termo faz referência a uma das maiores obras da Literatura mundial: Dom Quixote de La Mancha.

O autor Miguel de Cervantes Saavedra nasceu em 29 de setembro de 1547. Apesar de não se ter comprovação sobre a data, este é o dia divulgado como oficial de seu nascimento, em Valladoid, Espanha. Cervantes teve passagens pelo exército espanhol e chegou a lutar na batalha de Lepanto, contra o império turco. Alguns historiadores contam que nessa passagem, ele acabou sofrendo um sério ferimento no braço esquerdo que fez com que ele perdesse os movimentos da mão.

Em 1585, Cervantes casa com Catalina de Salazar, 22 anos mais nova que ele, e escreve seus primeiros poemas e novelas, como “La Galatea”. A grande curiosidade que envolve o autor é que por muitos anos, ele foi considerado um escritor ruim, não conseguindo sobreviver de suas obras e, por isso, trabalhou como cobrador de impostos e prestador de serviços para um cardeal italiano.

Dom Quixote de La Mancha

Foi aos 58 anos que Cervantes virou a mesa. Em 1805, o escritor publica a primeira parte do seu livro mais famoso: Dom Quixote de La Mancha. Com ele, Cervantes passaria a se dedicar somente a escrever e marcaria o seu nome para sempre na Literatura mundial. O livro conta a história um fidalgo (Dom Quixote) e seu fiel escudeiro (Sancho Pança) em busca de aventuras trovadorescas.

Aqui vale lembrar que Cervantes foi contemporâneo às ideais renascentistas na Europa. Essa transição de pensamento influenciaria muito a sua obra. Dom Quixote conta com humor as histórias dos antigos cavaleiros trovadores, apaixonados e que idealizavam a mulher amada, pelos olhos de um fidalgo considerado louco pelas pessoas a sua volta. Foi por conta da inocência sonhadora, romântica e da ausência de realidade que surgiu o adjetivo quixotesco para classificar pessoas avoadas.

O sucesso de Dom Quixote foi tão intenso que a obra Miguel de Cervantes transgrediu séculos. Hoje, a língua castelhana, por exemplo, muitas vezes é citada como a “língua de Cervantes”, mostrando a importância da narrativa. A obra foi tão bem aceita pela crítica da época, que no seu primeiro ano, teve seis edições e deu vazão a outras produções do autor: “Novelas Exemplares” (1613), o livro “Viagem ao Parnaso” (1614) e uma coletânea com as suas melhores peças de teatro, “Oito Comédias e Oito Intermédios” (1615). Por toda a sua contribuição, Cervantes é considerado o precursor do realismo na Espanha.

Dom Quixote em outras linguagens

Não foi só Cervantes que obteve sucesso com a figura caricata de Dom Quixote. Pablo Picasso e Salvador Dalí, conceituados pintores também ilustraram em suas obras o fidalgo quixotesco:

Peças de teatro:

Balé:

Filmes:

Don Quixote – Nunca desista

Saiba mais:

Para quem quiser saber mais sobre Dom Quixote, a Biblioteca Nacional de Portugal possui um acervo completo sobre a obra do autor e sobre outros artistas que estiveram relacionados a ele. Vale a pena conferir:

Complemente suas aulas

O autor Walcyr Carrasco publicou uma tradução adaptada de Dom Quixote pela Editora Moderna. A obra ajuda a complementar as aulas de Literatura para os alunos do Ensino Fundamental II.

Conheça mais:

Dom Quixote - Walcyr Carrasco

Franz Kafka: realismo da estranheza

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Boa tarde, amigos modernos.

Franz Kafka é um dos mais importantes nomes da literatura mundial. Nascido em 03 de julho de 1883, em Praga, na Tchecoslováquia, o escritor era filho de judeus e cresceu cercado de elementos da cultira judaica, tcheca e alemã. De acordo com alguns estudiosos, o falecimento dos seus irmãos, ainda na infância, justificam características importantes de suas obras como a culpa, a descrença e a angústia.

Fonte: The Telegraph

Socialista e ateu desde a juventude, Franz Kafka se formou em Direito em 1906. Durante sua graduação em Direito, fez parte da chamada Escola de Praga, movimento que incentivava a criação artística baseada no realismo, com inclinação metafísica, passagens marcadas pela lucidez racional e pela ironia.

Morreu em 03 de junho de 1924, em um sanatório na cidade de Kierling, na Áustria, em decorrência da tuberculose. Sua fama viria apenas depois da morte. Durante a vida, publicou apenas alguns textos, mas deixou instruções ao amigo e testamenteiro literário, Max Brod, para que os originais inéditos fossem queimados na ocasião de sua morte.

Obviamente, seu pedido não foi respeitado pelo amigo.

Estilo literário

A habilidade de tornar fatos impossíveis em realidades plausíveis é uma característica essencial do legado kafkiano. Acordar transformado em um inseto gigante ou ser preso sem nenhum motivo aparente ganham sentido em A Metamorfose (1915) e em O Processo (1925) pela capacidade de fazer o leitor entender e se relacionar com a angústia do narrador-personagem.

O impossível ganha vida com uma linguagem de descrição concisa e pela lucidez em situações incompreensíveis. Além disso, Kafka faz duras críticas aos governos burocratas que reprimem o povo com o poder e analisam a condição do ser humano dentro do sistema. Por esse motivo, é comum ouvir que as obras de Kafka são atemporais.

Para ler e, principalmente entender, os clássicos kafkianos, é necessária uma boa dose de atenção à construção da obra. Normalmente, o olhar de Kafka é direcionado à opressão das instituições, à justiça, à dor e à fragilidade do homem perante problemas do dia a dia.

Para os amantes da literatura, as obras de Kafka oferecem momentos de estranheza e de angústia com histórias envolventes. Se você gosta de finais felizes, os livros de Franz Kafka não são os mais indicados para a sua estante.

As obras de Franz Kafka também receberam adaptações para outros formatos. O famoso diretor Orson Welles produziu a versão cinematográfica em 1962. Confira:

 

Pré-Modernismo: a História de Canudos na Literatura de Euclides da Cunha

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Boa tarde, pessoal

As disciplinas de História e Literatura caminham lado a lado no registro dos acontecimentos de um lugar ou de uma nação. O Brasil do início do século XX foi marcado por diversas mudanças políticas e sociais que foram fundamentais para a formação da sociedade. Todos esses acontecimentos também tiveram reflexos na forma de se fazer literatura no Brasil, aproximando-a da realidade jornalística e instaurando a corrente literária que, mais tarde, seria conhecida como Pré-Modernismo.

A República, proclamada em 1889, a curto prazo não trouxe grandes mudanças na estrutura das famílias brasileiras. Mas, ao lado do processo de abolição dos escravos feito sem planejamento social, fez com que pequenos conflitos aflorassem em todo o território nacional. Um dos mais conhecidos foi a Guerra de Canudos, que durou cerca de um ano, de novembro de 1896 a outubro de 1897.  Apesar da importância histórica do movimento liderado por Antônio Conselheiro, a Guerra de Canudos também foi imortalizada pela literatura na obra Os sertões, de Euclides da Cunha.

 

Guerra de Canudos: Seguidores de Antônio Conselheiro Fonte: Google

Os Sertões: Linguagem jornalística na literatura

Um detalhe importante a ser observado sobre a evolução da literatura é a sua relação com as páginas de folhetins, gazetas e jornais diários. As funções de jornalista e escritor se cruzavam e, por isso, temos grandes nomes da nossa literatura associados a história do jornalismo. As novidades trazidas pela República e os conflitos da época eram de interesse da classe média brasileira que se informava através dos jornais. Por isso, obras como Os sertões, de Euclides da Cunha, apresentavam grande número de vendas quando colocadas em formato de livro. Para se ter uma ideia, estima-se que em menos de dois meses, a primeira edição da obra estava esgotada.

Outro fator importante está relacionado à linguagem direta e objetiva, utilizada pelo autor, e bastante similar a dos textos jornalísticos da época. Aqui, vale lembrar que o livro é baseado nas observações feitas por Euclides da Cunha durante a sua participação no conflito de Canudos. O livro é considerado uma obra-prima da Literatura e ajudou Euclides da Cunha a receber uma vaga na Academia Brasileira de Letras e no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Hoje, “Os Sertões” já é de domínio público e pode ser baixado pelo link:

O livro tem como característica a visão determinista de quem vive no sertão, relacionando a obra ao Naturalismo. O uso de expressões que sugerem um conflito interior aos personagens remete ao período Barroco. Esse resgate de características dá o impulso ao Modernismo que prioriza o conteúdo às formas. Considerada “a Bíblia da nacionalidade brasileira”, a obra pode ser considerada a precursora dos romances regionalistas imortalizados pela segunda geração do Modernismo e representados por Rachel de Queiroz, Graciliano Ramos e Guimarães Rosa.

 

Euclides da Cunha: um republicano descontente

Euclides da Cunha nasceu em 20 de janeiro de 1866, em Cantagalo, no estado do Rio de Janeiro. Estudou na Escola Militar, mas acabou sendo expulso após desacatar o Ministro de Guerra, em 1888, por conta das suas ideias republicanas. Somente após a Proclamação da República pode retomar seus estudos na Escola Superior de Guerra e formar-se em Engenharia Militar e Ciências Naturais. Trabalhou como engenheiro na superintendência de obras públicas do estado de São Paulo.

Euclides da Cunha Fonte: Google

Em 1897, foi convidado para cobrir o conflito de Canudos, como correspondente do jornal O Estado de S.Paulo. Lá, acompanhou os embates entre conselheristas e as tropas republicanas e teve a sua crença na República abalada pelo descaso das tropas governistas a dura vida no sertão nordestino.

O escritor teve uma morte trágica: no dia 15 de agosto de 1909, ele invadiu a residência do cadete Dilermando de Assis, amante de sua esposa Anna, e foi morto a tiros, num episódio que ficou conhecido como a tragédia da Piedade.

Saiba mais

Os adotantes da coleção Moderna Plus contam com um material multimídia exclusivo sobre o Pré-Modernismo para complementar os estudos da sala de aula. Confira:

Alexandre Dumas invade a sala de aula

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Boa tarde, pessoal!

Hoje, vamos abrir espaço no blog para a Literatura francesa.

Apesar de ser responsável por grandes obras como Os três mosqueteiros e O conde de Monte Cristo, o nome de Alexandre Dumas é pouco trabalhado nas aulas de Literatura. Contextualizado como autor do Romantismo, seus romances foram transformados em grandes produções teatrais e cinematográficas e Dumas foi um dos primeiros a explorar o romance episódico, combinando fatos e ficção em obras com apelo para o grande público.

Alexandre Dumas – Google

Nascido em 24 de julho de 1802, na França, Dumas era mulato – neto do marquês Antoine-Alexandre Davy de la Pailleterie com uma negra – e cresceu órfão de pai. Estudou nos melhores colégios e sempre teve grande apreço pelas peças de teatro. Em 1823, muda-se para Paris em busca de novas oportunidades para a carreira literária e teatral. Foi secretário do Duque de Orléans (futuro rei Luís Felipe da França) o que lhe abriu caminho para a “Comédie Française”, uma espécie de nata da literatura parisiense. As peças Henrique III e Sua Corte tiveram grande aceitação pública e garantiram liberdade financeira para que Alexandre Dumas vivesse integralmente de suas obras.

Casa-se com a costureira Catarina Labay, com quem teve seu primeiro filho, Alexandre Dumas, que, mais tarde, seria conhecido pela obra “A Dama das Camélias”. Apesar do casamento, o escritor tinha várias amantes com quem gastava sua fortuna. Em 1844, após se divorciar de sua segunda esposa, Ida Ferrier, Alexandre Dumas começa a publicar o folhetim Os três mosqueteiros. A história conta as aventuras do cavaleiro D’Artagnan e os três amigos, Athos, Porthos e Aramis, a serviço do rei Luís XIII e da rainha Ana da Áustria, enfrentado as ciladas do Cardeal Richelieu.

À medida que a situação política na França se acalmava, com a erradicação da censura, a carreira literária de Alexandre passou a ser caracterizada pela publicação de romances e artigos, que ajudavam a cobrir seus gastos excessivos e sua vida excêntrica. Começou a usar colaboradores nos romances, sendo que o mais famoso deles foi Auguste Maquet, que embora nunca tenha recebido créditos, esboçou a estrutura dos seriados e trabalhou nas tramas de Os três mosqueteiros e O conde de Monte Cristo, enquanto Dumas se dedicava ao detalhamento e ao desenvolvimento dos diálogos. Ao todo, estima-se que Alexandre Dumas tenha pelo menos 177 materiais publicados.

A sorte de Dumas começou a mudar com a deposição do rei Luís Felipe e ascensão de Napoleão III, que não simpatizava com ele. Por conta disso, acaba deixando a França em 1850, durante o Segundo Império, e refugia-se em Bruxelas. Ainda passa um tempo na Rússia, onde suas obras foram bastante contempladas, e participa da unificação proposta por Garibaldi na Itália. Acaba falecendo em 05 de dezembro de 1870, em Puys, na França. Em 2002 ele foi reconhecido postumamente pelo governo francês, sob o governo de Jacques Chirac. Seu corpo foi retirado do sepulcro, exumado e homenageado em uma cerimônia transmitida pela TV, conduzido por um cortejo até o Panteão de Paris.

Saiba mais

Os Três Mosqueteiros

Autor: Alexandre Dumas

Tradução: Luciano Vieira Machado
Ilustração: Rubén
Faixa etária: A partir de 12 anos
Área: Ficção
Número de páginas: 208
ISBN: 9788516070069
A obra é uma excelente referência para as aulas de História para contextualizar a França durante a Guerra dos Trinta Anos contra a Espanha e a formação dos Estados Nacionais na Europa.
Nas aulas de Literatura, juntamento com o filme O Conde de Monte Cristo, as obras de Dumas podem ser ótimas opções para a exemplificação dos ideais do Romantismo.

A vida e a obra de Tatiana Belinky

Por | Geral | 12 Comentários

Boa tarde, amigos modernos.

No último sábado, 15 de junho, a literatura infantojuvenil do Brasil perdeu um de seus maiores ícones: a escritora Tatiana Belinky. A autora faleceu aos 94 anos de idade. Toda a equipe da Editora Moderna, por onde a autora também fez grande escola, prestigia e guarda saudades da grande profissional e ser humano que foi Tatiana Belinky. Hoje, dedicamos um espaço especial para uma singela homenagem.

Nascida em 18 de março de 1919, em São Petersburgo, antiga União Soviética, Tatiana Belinky veio com a família para o Brasil com dez anos de idade. Iniciou sua vida literária em 1948, com o apoio de seu marido Júlio Gouveia, com quem se casara em 1940 e com quem teve dois filhos, cinco netos e três bisnetos. Seus primeiros projetos literários eram pequenas peças de teatro e textos traduzidos para crianças, realizados em conjunto com a Secretaria de Cultura da Prefeitura de São Paulo.

Entre 1951 e 1964, o grupo de teatro coordenado por Tatiana e Julio começou a realizar espetáculo de tele-teatro ao vivo pela TV Tupi. Os roteiros, adaptados da literatura nacional e internacional, eram escritos pela autora. Assim, surgiria também a adaptação de o Sítio do Pica-pau Amarelo, obra de Monteiro Lobato, com cerca de 350 capítulos.

Belinky também escreveu críticas literárias para diversos jornais durante a vida, como “O Estado de S.Paulo”, “Folha de São Paulo” e “Jornal da Tarde”;  e trabalhou em diversos programas da “TV Cultura”.

Escreveu mais de 250 obras de literatura infanto-juvenil durante toda a sua carreira, tendo recebido importantes prêmios nacionais e internacionais, como o Prêmio Jabuti (1989). Pela Editora Moderna, Tatiana Belinky tem grandes obras publicadas como “Olhos de ver”, “O caso do bolinho”, “O grande rabanete”, “Tatu na casca”, “Transplante de menina” e “O livro das tatianices”.

Em 2009, Tatiana Belinky foi eleita para uma das cadeiras da Academia Paulista de Letras e agora passa a ser imortalizada por suas obras:

Sinopse: Que tal um passeio pela São Paulo de algumas décadas atrás? É o que este apanhado de crônicas nos proporciona. Por suas histórias desfilam cenas e tipos que marcaram o dia-a-dia paulistano. Um mendigo pede apenas “a medida exata do seu querer”; crianças de rua vendem colchetes e barbatanas para colarinho, ou devolvem o troco de uma generosa esmola. E uma cidade diferente, bem mais tranquila e humana, vai surgindo diante de nós, na elegância poética da crônica de Tatiana Belinky.

Sinopse: Neste livro, Tatiana Belinky narra as memórias de sua terra natal e como a deixou para vir morar em um lugar desconhecido, que se chamava Brasil. Conta sobre sua chegada e primeiras impressões. Entre lembranças, brincadeiras e cenas da infância e juventude, mostra com delicadeza e talento como é que é que, com amor, se constrói um brasileiro por dentro.

Sinopse: Neste livro, entre séria e brincando (mais brincando do que séria, para dizer a verdade), Tatiana Belinky revela sua saborosa filosofia, construída em mais de oito décadas de existência. São limeriques e outros poemas, cheios de humor e absurdos, mas que levam o leitor a pensar seriamente sobre coisas muito importantes da vida.

 

EDUCATRIX: O MUNDO ATRAVÉS DA LEITURA DAS IMAGENS

Por | Dicas, Novidades | Sem comentários

Bom dia, amigos modernos.

Vocês já se perguntaram quantas leituras fazemos todos os dias? Além de reportagens, livros e e-mails, tente se lembrar de alguma mensagem que você absorveu sem fazer esforço algum. Pode ser uma nova placa de trânsito, um anúncio de revista ou uma propaganda. Percebeu? Toda imagem contém uma mensagem que, muitas vezes, pode ser lida apenas com um olhar.

Poluição visual em Nova Iorque

A compreensão de imagens remete imediatamente à semiótica, ciência que estuda os signos – não do horóscopo, mas os “sinais” e como nós os decodificamos. De acordo com diversos estudiosos da disciplina, toda interpretação passa pelos conceitos de significante e significado, em que o primeiro se refere ao objeto em exposição e, o segundo, à imagem acústica que ele projeta, ou seja, ao próprio processo de decodificação da imagem, que é realizado conforme experiência e repertório de quem está vendo.

MAIS QUE MIL PALAVRAS

Nenhuma outra área explorou tão bem o mundo das imagens quando a arte. Na pintura, as formas foram levadas à perfeição por Leonardo Da Vinci e Rembrandt, desconstruídas por Picasso e subvertidas de lógica por Salvador Dali e Escher. Mesmo na música, ao nos depararmos com as canções sinestésicas da Bossa Nova ou repletas de cenas como as músicas da Tropicália, as imagens estão presentes.

“Relatividade”, de M. C. Escher.

No cinema, entre as mais diversas obras, destacamos o documentário Janela da Alma, filme que explora diversas questões relacionadas à visão com uma série de entrevistas com artistas e intelectuais com deficiências visuais que vão da miopia à cegueira. Entre nomes como José Saramago, Hermeto Pascoal e Manoel de Barros, o cineasta Wim Wenders dá um enriquecedor depoimento – veja aqui – sobre a relação das imagens com seus filmes e com sua própria forma de enxergar o mundo.

 

NA SALA DE AULA

A leitura visual é um assunto que tangencia todas as disciplinas, podendo ser abordada de maneiras diferentes e complementares. Os conceitos das matérias de exatas podem servir como base para a interpretação das formas em história da arte, história e geografia. Mesmo em língua portuguesa, as formas assumem papel importante dentro de alguns movimentos literários, como o concretismo.

“Lixo é luxo”, de Augusto de Campos.

É importante que os alunos tenham contato desde cedo com esta visão mais analítica das imagens, uma vez que a escola tem papel fundamental na formação de crianças e jovens. Estimular o aluno a refletir sobre as mensagens a que é exposto faz desenvolver seu senso crítico e tece uma rede de conexões com o mundo, o que contribui com seu crescimento intelectual e maturidade.

A revista Educatrix apresenta uma matéria sobre a importância de se exercitar a leitura visual. Confira:

V Congresso ICLOC: sugestões de projetos na Educação Infantil

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Bom dia, amigos modernos.

O V Congresso ICLOC de Práticas na Sala de Aula está chegando. O evento, inteiramente gratuito, conta com a apresentação de 420 trabalhos de escolas públicas e particulares, distribuídos em 147 diferentes sessões. Para aquecer os motores, fizemos a seleção de alguns trabalhos nos diversos segmentos de educação. Vamos dividir os posts pelos segmentos: Educação Infantil, Ensino Fundamental I, Ensino Fundamental II, Ensino Médio e Educação de Jovens e Adultos.

Hoje, indicaremos três trabalhos para a Educação Infantil. Confira:

1º Horário – das 8h30 às 10h30

Sessão 006 – As sequências didáticas por meio da Literatura infantil

Mediador: Márcia Sprenger Dalla Stella (Lourenço Castanho)
Apresentador: Jeanne de Alencar Viana Júdice de Andrade / E-mail: jeannebh@terra.com.br
Instituição: Colégio Pentágono

Resumo: O trabalho realizado pela Prof.ª Jeanne de Alencar Viana Júdice de Andrade, do Colégio Pentágono, fala sobre a organização dos conteúdos escolares através do estudo das Sequências Didáticas. A apresentação traz algumas possibilidades dessa modalidade didática de ensino, tendo como base o livro: CHAPÉU, de Paul Hoppe.

Fonte: Divulgação

2º Horário – das 11h às 13h

Sessão 056 – A exploração do ambiente natural: o pátio como recurso para a formação das crianças de 0 a 3 anos.

Apresentadores:  Regina Moraes Abreu / E-mail:  remoraesabreu@gmail.com

                                         Cacau Lopes da Silva / E-mail:  cacau@singularidades.com.br
Instituição: 
Instituto Singularidades

Resumo: O trabalho teve como foco principal a observação do comportamento de crianças de 0 a 3 anos em ambientes naturais. A motivação de utilizar o espaço fora das salas de aula como mais um recurso educacional e mostrar que, à medida que propicia desafios físicos e cognitivos, promove a criação de vínculos afetivos entre as crianças, entre elas e o ambiente e favorece a compreensão das inter-relações entre os fatos (atitudes, ações e seus efeitos).

Fonte: Google

 

3º Horário – das 15h às 17h

Sessão 106 – Contar para encantar – A magia de contar histórias

Mediador: Cilene Iatalesi Ferrari – cilene@escolavillare.com.br (Escola Villare)
Apresentador:  Vanessa Finck / E-mail:  vanessafinck@bol.com.br
Instituição: Externato Santo Antônio

Resumo: O projeto destaca a importância da Literatura Infantil para despertar o interesse e atenção das crianças e desenvolver imaginação, a criatividade, a expressão das ideias e o prazer pela leitura e escrita.  Cabe ressaltar também que a leitura infantil oportuniza situações, nas quais as crianças podem interagir em seu processo de construção do conhecimento, possibilitando, assim, o seu desenvolvimento e aprendizagem.

Serviço

V Congresso ICLOC de Práticas na Sala de Aula

Local: FECAP – Campus Liberdade

Endereço: Av. da Liberdade, 532 – Liberdade – São Paulo

Data: 18/05/2013

Horário: a partir das 8h30

Inscrições gratuitas: http://www.icloc.org.br/congressoicloc/inscricao.php

 

Oscar Wilde e as polêmicas da vida vitoriana

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Boa tarde, amigos modernos.

Hoje, vamos homenagear um grande escritor irlandês. Oscar Wilde nasceu em 16 de outubro de 1854, em Dublin, em uma rica família de origem anglo-irlandesa. Além de uma vida pessoal polêmica, Wilde deixou um legado de frases e obras que incentivavam movimentos estéticos e abordavam assuntos bastante polêmicos para a sua época.

Vamos conhecer mais sobre esse grande nome da literatura?

Breve biografia

Por conta da boa condição financeira de sua família, Oscar Wilde sempre teve contato com a elite intelectual e com os grandes clássicos da literatura e com a alta sociedade irlandesa. Com grande interesse no movimento estético, muda-se para Londres em 1879 e dá início a sua longa jornada na literatura mundial.

Durante toda a sua vida, o escritor se envolveu em inúmeras polêmicas particulares, chegando a ser preso, em 1895, por atentado ao pudor. Wilde ficou doía anos na cadeia e perdeu grande parte de seu prestígio na sociedade londrina. Mas, apesar disso, não se pode colocar em voga o seu talento literário, marcado pela sagacidade e pela temática de suas obras.

Embora fosse casado e tivesse dois filhos, Wilde teve uma série de casos homossexuais. A última obra do escritor a ser publicada, De Profundis, é baseada em uma carta escrita para Alfred Douglas durante a temporada na prisão. O título se refere ao salmo 130 da Bíblia e quer dizer “Das Profundezas”. Nele, Wilde fala da sua vida, da humilhação durante o processo, do sofrimento na prisão e das crenças religiosas.

Após ser libertado, Wilde passou seus últimos três anos de vida na França, sob o pseudônimo de Sebastian Melmoth. Veio a falecer em 30 de novembro de 1900, após problemas de saúde relacionados à vida na cadeia.

Estilo literário

Apesar da carreira relativamente curta, Oscar Wilde se aventurou em diversos gêneros, como poesias, contos, peças, ensaios e romance. Sua primeira poesia foi publicada em 1881 e deu início a uma década de obras como O Príncipe feliz (conto de fadas), O leque de lady Windermere, peça que satirizava os hábitos e costumes londrinos e O retrato de Dorian Gray, seu único e mais famoso romance que abordava o homossexualismo.

Em suas obras, defendia a estética e o “belo”, como solução para a sociedade. Esse movimento estético defendido por Wilde pode ter dado início às primeiras ideias das vanguardas artísticas da Europa. Quando foi viver na França, o escritor dedicou-se mais à literatura e seu movimento estético acabou sendo abafado também pelas sua história de vida.

O Retrato de Dorian Gray

Sua obra-prima foi lançada em 1891. Em O Retrato de Dorian Gray, o foco é a decadência da sociedade londrina através da história de Dorian, um rapaz que se encanta com seu próprio retrato. O jovem passa a desenvolver o interesse pelos prazeres da vida mundana e começa a viver desregradamente, entregando-se ao hedonismo. Wilde estabeleceu um paralelo entre a arte e a juventude fugaz vivida plenamente.

Oscar Wilde foi considerado um dos maiores escritores da história da literatura e sua obra ganhou versões para o teatro e para o cinema:

 

Saiba mais

Confira mais sobre a vida e a obra de Oscar Wilde nos episódio da série “Histórias de Oscar Wilde