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Efeito Tequila: o dominó mexicano

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Boa tarde a todos.

As crises econômicas marcam história das populações. Com certeza, você deve se lembrar da famosa crise de 1929, tão estudada na escola, com a quebra da Bolsa de Nova Iorque. Deve se recordar também do recente colapso imobiliário nos Estados Unidos que desencadearam uma série de problemas com as economias europeias. Hoje, vamos falar de uma crise menos conhecida, mas que afetou a economia da América Latina no início dos anos 90 e que ficou conhecida como Efeito Tequila.

O ano era 1994. O principal país envolvido foi o México. Naquele 20 de dezembro, o governo mexicano decidiu desvalorizar o peso mexicano em uma tentativa de estimular a sua economia internacionalmente. Todavia, o plano econômico deu muito errado e acabou desencadeando crises econômicas na Argentina, no Brasil e outros vizinhos latinoamericanos.

O México estava sem reservas internacionais e a balança comercial do país apresentava números preocupantes. Por isso, o presidente Carlos Salinas, em conjunto com o Ministério da Fazenda tentou realizar uma manobra econômica conhecida como crawling peg, desvalorizando progressivamente a moeda na tentativa de ajustar o câmbio às variáveis de inflação e juros. Desta forma, o peso ficava atrelado ao dólar e sofreria pequenas flutuações diárias.

O que o governo mexicano não esperava era que a inflação mexicana ficasse tão acima dos números registrados pelos EUA. Assim, as importações ficaram muito baratas e a economia mexicana não conseguia exportar na mesma medida. O parque industrial foi detonado pelos produtos importantes, melhores e mais baratos. Para cobrir o desequilíbrio comercial o Banco Central foi forçado a comprar grandes quantidades de dólares, o que por sua vez, exigiu que o Estado abrisse o mercando de títulos aos investidores externos.

Cenário político desfavorável

O governo de Carlos Salinas também foi marcado por escândalos de corrupção, o que acabou com o interesse de investidores estrangeiros na economia do país. Além disso, um dos candidatos a presidência, Luis Donaldo Colosio, foi brutalmente assassinado, instaurando a tensão no país.

A desconfiança fez com que os investidores não comprassem os títulos mexicanos. Por sua vez, o governo não conseguia cobrir os seus gastos. A situação fez com que o governo não pagasse os débitos aos investidores, provocando uma falha nos bancos e tornando o ciclo vicioso.

Quando Ernesto Zedillo assumiu a presidência, em 1994, também não conseguiu dar conta da situação e a crise se agravou. Em 20 de dezembro de 1994, apenas três semanas após o início do governo Ernesto Zedillo, o Ministério da Fazenda ampliou a banda cambial em 15,3%. O valor do peso imediatamente  voltou à metade de seu valor nominal, mergulhando o México numa depressão surpreendentemente profunda. Uma depressão que fez com que em todo o mundo caíssem as cotações dos títulos dos países emergentes. Mais de 200 mil mexicanos perderam seus empregos e milhares de empresas fecharam as portas. A taxa de desemprego era o dobro do ano anterior.

Para sanar o sangramento da economia, o então presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, em articulação com organizações multilaterais, garantiu um empréstimo de 50 bilhões de dólares ao México, dos quais 18 bilhões através do FMI.Entretanto, países da América do Sul, principalmente Brasil e Argentina, viram suas moedas serem extremamente desvalorizadas e ser instaurada uma crise de crédito.

Saiba mais

Quem quiser conhecer mais sobre as consequências da crise mexicana, a nossa dica é assistir o filme O Efeito Tequila: 

Gênero: Comédia Dramática

País / Ano: México / 2010

Duração: 100 minutos

Direção: Leon Serment

Censura: 16 anos

Sinopse: Jose Fierro é um jovem corretor da bolsa de valores. Em 1994, ele se rende à tentação do aparente boom da economia mexicana, que mais tarde se torna um desastre nacional. Jose se envolve em negociações financeiras ilícitas e se depara com grandes forças políticas e econômicas, enquanto sua mulher, Analuisa, inicia uma relação extraconjugal.

 

Hora de Clarice

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Boa tarde a todos!

Para tornar-se célebre, um escritor precisa construir ao longo de sua vida um legado de obras que o identifique e que mostrem a sua veia literária. Hoje, vamos homenagear a pequena Haia, que nasceu em Tchetchelnik, na Ucrânia, no dia 10 de dezembro de1920. Entretanto, ela ficaria conhecida no mundo pelo nome que recebeu no Brasil: Clarice Lispector.

A autora, que completaria 91 anos no último sábado, faleceu um dia antes do seu aniversário de 57 anos, no dia 09 de dezembro de 1977, no Rio de Janeiro. Ao chegar ao Brasil, a família Lispector se instalou no Recife. Todo o legado construído ao longo de sua vida tornou Clarice uma das romancistas de maior renome da Língua Portuguesa.

Em seus romances, a escritora trata a fundo o sentido da existência e questiona os porquês do mundo. Além disso, navega pelas fronteiras da linguagem, interrogando e instigando o leitor a conhecer mais sobre si e tornar sua visão sistêmica: de dentro para fora. Foi uma das melhores escritoras a utilizar o fluxo de consciência como forma de revelar os pensamentos de seus personagens.

A construção do legado

A carreira profissional de Clarice começou aos 24 anos com o surpreendente romance Perto do coração selvagem. A estreia deixou a crítica estarrecida com a intensidade da linguagem e a forma intimista com que Clarice conversava com o leitor. Ainda neste ano, ela se casa com o diplomata Maury Gurgel e partiu para uma longa temporada no exterior, em que continuou escrevendo e teve contato com diferentes culturas. Os 15 anos de morada internacional renderam importantes obras como O Lustre (1946), Cidade sitiada (1949) e Alguns contos (1952).

De volta ao Brasil e recém-divorciada, em 1960, ela passa a escrever cada vez mais profundamente. Nos 17 anos que se seguiram, até a sua morte, Clarice produziu importantes obras como A maçã no escuro (1961), A paixão segundo G.H. (1964) – um marco em sua história literária -, Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres (1969), Água Viva (1973) e a A Hora da Estrela (1977), considerada a sua obra-prima. Além dos romances, Clarice é reconhecida como uma excepcional contista, cronista e autora de livros infantis.

Descoberta do “eu” e a busca da identidade

A grande assinatura das composições de Clarice Lispector está na construção de um enredo diferenciado pela ausência da cronologia. Clarice não se preocupa com a estrutura começo-meio-fim. Em sua produção, ela utiliza o tempo da consciência individual, marcada, principalmente, pela grande introspecção dos personagens. São pessoas que não se abrem, que preferem viver com o seu mundo de pensamentos, e que acabam passando por transformações que mudam as peculiaridades de suas vidas.

Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar.

Cada personalidade é construída através da consciência individual e da percepção da existência dessa consciência. Assim, certa vez, Clarice explicou: “os meus livros não se preocupam com os fatos em si, porque para mim o importante é a repercussão dos fatos no indivíduo”.

As temáticas de Clarice envolvem a hipocrisia dos papeis definidos pela sociedade, a busca pelo “eu”, a condição das mulheres no século XX e a dificuldade de relacionamento entre os seres humanos. Além disso, em vários momentos, as personagens de Clarice passam por momentos de epifania.

Quando se ama não é preciso entender o que se passa lá fora, pois tudo passa a acontecer dentro de nós.

O fio condutor e o grande diferencial da autora é a linguagem utilizada. Através da forma, é possível tornar leitor e personagem próximos e íntimos, fazendo com que o leitor entenda cada um dos momentos da personagem. Outra grande metáfora presente nas obras de Clarice é a presença de animais que representam o “coração selvagem” da vida, que não se submete às regras e expectativas da sociedade.

 

Hora de Clarice

Atualmente, os milhões de fãs de Clarice decretaram o dia de seu aniversário como Hora de Clarice. A ideia é ter um dia para recordar toda a obra de Clarice Lispector. Para isso, diversas ações culturais aconteceram em lugares públicos de sete cidades brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Curitiba, Belém e Recife.

Em 2011, os eventos envolveram atividades como exposições, debates, encontros, leituras de textos e encontro de ensaístas, biografistas e estudiosos da autora. A editora argentina Corregidor aproveitou a data para divulgar o lançamento em espanhol do volume de contos A Legião Estrangeira, provando a importância mundial da obra de Clarice. ´

 

Saiba mais

Confira a entrevista concedida por Clarice Lispector a TV Cultura em 1977:

Os adotantes da Coleção Moderna Plus de Literatura podem acompanhar um pouco mais sobre a obra e o contexto histórico e literário de Clarice Lispector no material complementar, disponível no Portal. Confira:

Ana Maria Machado é eleita presidente da ABL

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Boa tarde a todos,

Ontem à noite recebemos uma excelente notícia. Ana Maria Machado, autora de diversos livros infantis pela Editora Moderna, foi eleita a nova presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL). A escritora foi a escolhida para o exercício de 2012, substituindo Marcos Vinicius Vilaça.

Além dela, outros renomados para comporão a diretoria da Academia. Entre eles estão Geraldo Holanda Cavalcanti como secretário-geral, Domício Proença Filho como primeiro-secretário, Marco Lucchesi no posto de segundo-secretário e Evanildo Bechara como tesoureiro.

De acordo com o jornal  O Estado de S.Paulo, a posse acontece na próxima sexta-feira, 16, em solenidade na sede da ABL, no centro do Rio de Janeiro. Ocupante da cadeira 1, desde de 24 de abril de 2003, quando substituiu Evandro Lins e Silvam, Ana Maria Machado é carioca e está próxima de completar 70 anos.

Formada em Letras pela atual Universidade Federal do Rio de Janeiro, a escritora tem 40 anos de carreira e começou a atividade com artigos e traduções. Hoje, seu legado chega a mais de 100 livros publicados, mais de 18 milhões de exemplares vendidos no Brasil e em mais de 18 países onde seus livros foram publicados.

Ao saber da eleição, Ana Maria Machado declarou que a nova equipe “dará continuidade à linha de atividades voltadas para a promoção dos melhores valores da cultura nacional e da língua portuguesa. Dirigiremos nossa ênfase para duas celebrações em particular: o centenário de morte do Barão do Rio Branco e a celebração do centenário de nascimento de Jorge Amado”.

Parabéns a Ana Maria Machado por mais essa consagração de uma bela carreira e de uma vida de trabalho dedicada à literatura. 

Martins Pena: comédia de costumes

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Boa tarde a todos,

Ir ao teatro é um programa educativo e muito cultural. Bastante comum, o teatro é uma atividade considerada tradicional dentro das escolas brasileiras e pode ser utilizada como complemento de assuntos trabalhados dentro da sala ou pode ilustrar os conteúdos retidos pelos estudantes.

Muito do teatro como conhecemos foi fruto do trabalho de um autor romântico do século XIX. Luiz Carlos Martins Pena nasceu, em 1815, no Rio de Janeiro, de uma família humilde e ficou órfão de pai e mãe aos 10 anos. A partir dessa idade foi criado por tutores que o ensinaram a trabalhar com comércio. Entretanto, ao longo de sua vida estudou paralelamente diversos tipos de artes como teatro, literatura, desenho, outras línguas, músicas, arquitetura e história, que o levou inclusive a manter uma breve carreira diplomática em Londres, pouco antes de falecer, vítima de tuberculose, em 1848.

É considerado o maior comediógrafo brasileiro do século XIX, imortalizou-se com peças como O juiz de paz da roça (1838), Os dous ou O inglês maquinista (1845), O Judas em sábado de aleluia (1848) e O noviço (1845), sua obra mais conhecida.

 

Criador da comédia brasileira: a comédia de costumes

Martins Pena é reconhecido como o primeiro autor teatral a desenvolver temas nacionais com observações irônicas e satíricas sobre a realidade da sociedade brasileira. Antes dele, a produção teatral no nosso país estava relacionada a temas religiosos e tinha função moralizante, feita quase sempre em tom solene, que se afastava da população mais simples.

Martins Pena deu um novo olhar ao teatro ao acrescentar elementos opostos como o homem urbano e o rural, ou a vida na Corte e na província. Assim, utilizando uma estrutura simples e encenações leves com personagens caricatos, as peças provocavam o riso da plateia e apontavam aspectos reprováveis em diferentes setores da sociedade brasileira. Dentre os principais temas das comédias de Martins Pena estão as questões políticas, as diferenças entre os tipos roceiros e metropolitanos e o conflito entre as realidades e valores aplicados nos grandes centros urbanos e nas províncias.

Outra característica das obras de Martins Pena foi a criação das chamadas comédias de costumes que podem ser vistas em programas como A Praça é Nossa. Muito antes de Manuel da Nóbrega (criador da Praça do SBT), Martins Pena já havia criado muito dos personagens caricatos que vemos hoje.

Apesar de sua obra estar inserida em um período antes do Romantismo, por conta das temáticas e abordagens utilizadas, os estudiosos o consideram um autor romântico. Além dos personagens, podemos destacar também os temas presentes em suas peças frequentemente como as festas típicas da roça e da cidade, os casamentos e dotes, além de temas religiosos, divisão de fortunas e questões políticas.

O noviço (1845)*

O noviço trata do casamento por interesse. Ambrósio, o vilão, casa-se com a rica viúva Florência para tomar posse de sua fortuna. Entre ele e seu objetivo, encontram-se os dois filhos dela, Emília e Juca, e o sobrinho Carlos, o noviço do título, de quem Florência é tutora. A solução encontrada por Ambrósio é providenciar que todos ingressem na vida religiosa. Com Carlos, esse objetivo já tinha sido alcançado: Florência, convencida pelo esposo, enviara o sobrinho para um seminário, Mas os planos de Ambrósio serão frustrados pelo jovem noviço, que foge do seminário para seguir carreira militar e casar-se com Emília, por quem está apaixonado. No final, Ambrósio é desmascarado, preso por bigamia, e os dois jovens podem, finalmente, ficar juntos.

Saiba mais

Para exemplificar os personagens descritos por Martins Pena, uma dica é conferir algumas esquetes da Praça é Nossa:

Quem quiser fazer download do livro O Noviço, pode acessar o site Livros Grátis e baixar a obra gratuitamente:

 

 

 

 

 

 

 

 

Os adotantes da coleção Moderna Plus contam com um material complementar sobre a vida e obra de Martins Pena no Portal. Vale a pena acessar para saber mais sobre o contexto histórico em que o autor está inserido:

 

* Trecho retirado do livro didático Português – Contexto, interlocução e sentido, escrito por Maria Luiza Abaurre, Maria Bernadete M. Abaurre e Marcela Pontara. 

Irlanda: 90 anos de divisão

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Boa tarde a todos.

Há exatamente 90 anos, a Irlanda conquistou a independência parcial de seu território através da assinatura do Tratado Anglo-Irlandês. Assinado em 06 de dezembro de 1921, o acordo passava a reconhecer a Irlanda, como Estado Livre Irlandês e mantinha a Irlanda do Norte fora do processo separatista.  Em 1937, a nova Constituição declarava o fim do domínio inglês e trocava o nome da região para Eire (Irlanda, em irlandês).

Aqui vale a pena ressaltar que os irlandeses sempre tiveram origem católica, porém a mistura com os protestantes ingleses, durante a dinastia Tudor, incentivou a cultura religiosa da região de Ulster, no norte da Irlanda e colonizada por ingleses. Assim, podemos dizer que o conflito tem cunho religioso e, desta forma, os católicos ficaram na parte independente (EIRE), enquanto os protestantes se mantiveram na Irlanda do Norte.

Que tal entender um pouco mais sobre todo o processo de divisão?

A rivalidade entre irlandeses e ingleses remete ao século XVIII. O controle exercido pela Coroa Inglesa incomodava os irlandeses que armavam revoltas e pequenas guerras concentradas. Esses conflitos fizeram com que o governo inglês criasse o Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda em 1801. Entretanto, ao invés de melhorar a situação, a união aumentou a rivalidade entre católicos (ao sul) e protestantes (ao norte). Como forma de escapar da fome e das agitações sociais constantes, mais de 2 milhões de irlandeses migraram para os Estados Unidos, financiados pelos emigrantes que conquistaram a independência norte-americana e precisavam criar mercados consumidores e desenvolver a economia do país.

Nas terras irlandesas, o controle conservador da Inglaterra se mantinha e, com ele, os problemas sociais e a pobreza. Somente em 1906, quando o Partido Liberal venceu as eleições parlamentares e conseguiu reduzir os poderes dos lordes ingleses, que a situação econômica pareceu melhorar. Todavia, os irlandeses unionistas da região do Ulster (ao norte), apoiados pelos ingleses, iniciaram uma campanha contra as leis nacionalistas aprovadas pelo Parlamento irlandês, chegando mesmo a declarar a constituição de um governo provisional no Ulster em 1912.

Apesar de parecer benéfica, a divisão da Irlanda não satisfez a todos. Os católicos que moravam na região de Ulster foram forçados a continuar sob domínio britânico. Esse movimento fez nascer o IRA – Exército Republicano Irlandês -, formado pelos irlandeses católicos da região. A principal ideologia do IRA era resistir ao controle da Inglaterra e conquistar direitos próprios para a Irlanda do Norte. Porém, com o passar do tempo, o Exército passou a utilizar ações terroristas para difundir suas ideias e atingir seus objetivos. Estima-se que, desde 1969, quase 4 mil pessoas morreram por causa da luta entre os dois lados.

A luta continua

Mesmo depois de 90 anos, os conflitos continuam. A verdade é que os católicos da Irlanda do Norte querem fazer o mesmo que o Eire e se separar do Reino Unido. A ideia é restituir o território inicial da Irlanda, unindo as duas partes da ilha. Aqui vale destacar um fato curioso. Até 1998, a própria Constituição da República da Irlanda (EIRE) estabelecia que era um dever do país lutar pela anexação do norte protestante.

Em contrapartida, os protestantes da Irlanda do Norte estão bem satisfeitos com a situação, obrigada. Eles querem permanecer unidos à Grã-Bretanha e continuar sendo vistos como cidadãos britânicos. Mas não querem, para isso, deixar o território irlandês, onde, apesar de sua origem britânica, muitas famílias estão estabelecidas há séculos.

Mas tem solução?

Em 8 de maio de 2007, o protestante Ian Paisley e o católico Martin McGuiness assumiram o gabinete como primeiro-ministro e vice-primeiro-ministro respectivamente, e deram início à mais promissora tentativa de governo conjunto na Irlanda do Norte. Não apenas o Executivo passou para as mãos dos irlandeses do norte, como também o Legislativo – a Assembléia de Stormont, na capital Belfast, voltou a funcionar.

 

Saiba mais

Quem quiser conhecer mais sobre a história da Irlanda, pode assistir o filme Ventos da Liberdade, de 2006.

“Ventos da Liberdade” (“The Wind That Shakes the Barley”, Irlanda / Inglaterra, 2006)

O filme que guarda no título original uma tradicional canção irlandesa rendeu ao diretor britânico Ken Loach a Palma de Ouro de Cannes. As estonteantes colinas do Condado de Cork servem de cenário para a história do jovem Damien (Cillian Murphy), estudante de medicina que se junta às fileiras republicanas no intuito de combater a ocupação britânica em terras irlandesas, nos anos 1920.

Com a divisão da ilha em duas e, consequentemente, com a manutenção do norte do território sob jugo da Inglaterra, Damien e parte de seus companheiros de guerrilha descontentes com o desdobramento do conflito se voltam não apenas contra as tropas britânicas, mas também contra seus antigos companheiros, que aceitaram os termos do governo inglês.

 

Walcyr Carrasco: Parceiro Moderna

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Boa tarde a todos.

Estamos em festa.

Hoje, 1º de dezembro, é um dia muito especial para a Editora Moderna. É aniversário de Walcyr Carrasco, um dos mais importantes escritores contemporâneos da literatura infantojuvenil, e também é a data em que comemoramos uma bela parceria com ele, que agora é nosso autor exclusivo!

Em 2012, festejaremos os 25 anos de literatura com a publicação de seus livros com novo projeto gráfico e editorial, além de um trabalho de marketing específico para a sua obra.

Com mais de 60 livros publicados, incluindo traduções e adaptações, Walcyr Carrasco é conhecido também por seus textos para teatro e televisão. Tamanho sucesso com as palavras lhe rendeu importantes prêmios (como o Altamente Recomendável, da FNLIJ) e a cadeira número 14 na Academia Paulista de Letras.

Formado em Jornalismo pela USP, começou a vida profissional trabalhando em redações de jornais. Talentoso e persistente, Walcyr Carrasco iniciou a carreira de escritor publicando contos infantis na revista Recreio e não parou mais. Escritor em tempo integral, coisa rara no Brasil, ele nos oferece um texto inteligente, envolvente e bem-humorado, encantando leitores de todas as idades.

A partir de agora, esse homem múltiplo, que escreve como poucos e adora culinária, artes plásticas e bichos, nos dá a honra de reunir em nossa casa todos os seus livros infantojuvenis.

Seja bem-vindo, Walcyr Carrasco!

Conheça as obras

Clique na imagem abaixo e conheça todas as obras de Walcyr Carrasco já publicadas pela Editora Moderna

Divisão da Palestina

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O mundo via emergir um novo país no dia 29 de novembro de 1947. Há exatamente 63 anos, a Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) se reunia para definir o destino do território da Palestina. Por 33 votos a favor, 13 contra e 10 abstenções, os países reunidos aprovaram a proposta russo-americana de dividir a Palestina entre judeus e árabes. Era a assinatura de um conflito que dura até hoje.

Presidida pelo brasileiro Oswaldo Aranha, a Assembleia ficou acalorada pela posição dos países da Liga Árabe – Egito, Síria, Líbano e Jordânia – que se manifestaram terminantemente contra a partilha e não reconheceram o novo Estado. O problema eclodiria seis meses mais tarde, quando o mandato britânico sobre a Palestina se encerrava e foi declarada a Independência do Estado de Israel, em 14 de maio de 1948. Neste dia, os exércitos dos países da Liga Árabe invadiram o território palestino e davam início à primeira guerra árabe-israelense.

No dia do acordo, o delegado do Líbano apresentou uma proposta às pressas para tentar impedir a partilha palestina. De acordo com a proposição, seria criado um estado federado dentro do território do país, em que houve coexistência dos parlamentos árabe e hebreu. A ideia não foi aceita pelos países membros e a partilha do território foi definida.

Durante o período de transição entre a decisão da Assembleia e a independência dos dois Estados, a ONU definiu que o controle da Terra Santa ficaria a cargo de cinco países e as fronteiras ficariam demarcadas entre o Rio Jordão e o Mediterrâneo.  Na ocasião, o secretário-geral da Liga Árabe, Abdul Haman Azzá Pashá, afirmou que a decisão das Nações Unidas significava guerra aos judeus.

“Que esta sessão resulte em contribuições memoráveis para o ajuste pacífico e construtivo dos problemas mundiais”

Oswaldo Aranha, durante o encerramento da Assembleia, em 1947.

 

Histórico do conflito

O mundo pós-Segunda Guerra Mundial estava bagunçado. O início da Guerra Fria com a bipolarização entre URSS e Estados Unidos trouxe novas perspectivas a regiões que antes estavam abandonadas ou sob influência dos países envolvidos na guerra. O holocausto aos judeus, causado pela Alemanha nazista, dizimou a população que clamava por um território próprio cujas crenças e tradições fossem respeitadas. Esse território já havia sido prometido aos judeus pela Declaração de Balfour e pela Liga das Nações, em 1922.

A Palestina, cuja religião predominante era muçulmana, era um dos domínios da Grã-Bretanha e foi a escolhida para a criação do lar judeu, por conta da Terra Santa, clamada pelos hebreus. Assim, em maio de 1947, o governo do Reino Unido solicitou à ONU um plano de partição da área entre dois Estados – um judeu e um árabe – e estabelecendo que Jerusalém e Belém ficassem sob controle internacional. Dessa forma, os 700 mil judeus ficariam com 53% do território, enquanto os cinco milhões de árabes que já moravam no lugar, passariam a ficar abrigados nos 47% restantes.

Desde 1948, com a independência do Estado de Israel, a região não teve paz absoluta. Após  primeira guerra árabe-israelense, seguiram-se a Guerra de Suez (1956), a Guerra dos Seis Dias (1967) e a Guerra do Yom Kippur (1973).

Em 1967, Israel ampliou-se ainda mais, capturando vários territórios vizinhos, inclusive a Cisjordânia, a Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental — territórios hoje reivindicados pelos palestinos para a criação do seu Estado. Israel já desocupou a Faixa de Gaza, hoje sob controle do grupo islâmico Hamas, mas diz que nunca irá abrir mão do lado leste de Jerusalém.

Até hoje, não houve a proclamação do Estado da Palestina.

 

Saiba mais

Aproximação – França/Israel – 2007

Diretor: Amos Gitai

Duração: 115 min.

Ano: 2007

País: Alemanha/ Itália/ Israel/ França

Gênero: Drama

Sinopse: Após a morte de seu pai, Ana (Juliette Binoche), uma mulher francesa de origem israelense, sai em busca de sua filha, que ela abandonara quando era adolescente. Essa jornada a leva à Gaza, durante a desocupação de Israel.

 

 

Lemon Tree – França/Israel/Alemanha – 2008

Diretor: Eran Riklis

Duração: 106 min.

Ano: 2008

País: Israel/ Alemanha/ França

Gênero: Drama

Sinopse: Salma (Hiam Abbass), uma viúva Palestina, vê sua plantação ser ameaçada quando seu novo vizinho, o Ministro de Defesa de Israel (Doron Tavory), se muda para a casa ao lado. A Força de Segurança Israelense logo declara que os limoeiros de Salma colocam em risco a segurança do ministro e por isso precisam ser derrubados. Salma leva o caso à Suprema Corte de Israel para tentar salvar a plantação.

 

 

Os autores Beatriz Canepa e Nelson Bacic Olic organizaram várias ideias sobre o conflito no livro Oriente Médio e a Questão Palestina, que pode ser utilizado para tirar dúvidas que porventura surjam sobre a evolução do conflito e a participação mundial com propostas de paz.

Oriente Médio e a Questão Palestina

Coleção Polêmica

Autor: Beatriz Canepa, Nelson Bacic Olic

Faixa etária: A partir de 15 anos

Trabalho interdisciplinar: História, Português, Sociologia

Assunto: A OLP, Árabes x israelenses, Irã x Iraque, Islamismo, Os conflitos e a geopolítica do Oriente Médio, Palestina

Número de páginas: 112

Érico Verissimo: Vida e obra

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Foi na cidade de cruz Alta, no Rio Grande do Sul, que nasceu o nosso homenageado de hoje, em 17 de dezembro de 1905. Érico Veríssimo foi um dos maiores exemplares da literatura brasileira do século XX. No dia 28 de novembro de 1975, aos 70 anos, ele falecia, vítima de um infarto fulminante.

Desde cedo, os pais de Erico Verissimo o incentivaram a leitura de grandes autores nacionais e de alguns nomes estrangeiros como Dostoievski, Tolstoi e Eça de Queiroz. Foi a partir de suas influências literárias que ainda jovem começou a escrever. Já mais velho, ele passa a dar aulas particulares de Literatura e inglês e tem contato com outros escritores, como Oscar Wilde e Bernard Shaw. Começa a sedimentar seus conhecimentos da literatura mundial lendo, também, Anatole France, Katherine Mansfield, Margareth Kennedy, Francis James, Norman Douglas e muitos outros.

Em 1929, tem seu primeiro conto publicado na revista mensal “Cruz Alta em Revista”. Após isso, um colega de trabalho e escritor passa a enviar alguns dos textos de Verissimo ao editor da Revista do Globo, que se interessa pelo jovem e passa a publicar seus pequenos textos. Mais tarde, em 1930, Erico Verissimo se muda de vez para Porto Alegre com o sonho de viver de suas obras e passa a trabalhar na revista.

Na capital gaúcha, passa a conviver com importantes nomes do cenário literário do Rio Grande do Sul, como Mario Quintana e Augusto Meyer. Como diretor da Revista do Globo, lança o livro de contos Fantoches, considerado sua primeira obra. Deste livro foram impressas 1.500 cópias e foram vendidas 400. A sobra acabou sendo destruída em um incêndio.

O sucesso de Erico Verissimo viria um ano mais tarde, em 1933, com a publicação de Clarissa. Depois deste livro, passa a ganhar uma série de prêmios literários da época como o Prêmio Machado de Assis, da Cia. Editora Nacional, em 1934;  o Prêmio Fundação Graça Aranha, em 1935; Prêmio Jabuti – Categoria “Romance”, da Câmara Brasileira de Livros, em 1965, com o livro “O senhor embaixador”;  Prêmio “Intelectual do ano”, em 1968, em concurso promovido pela “Folha de São Paulo” e pela “União Brasileira de Escritores”.

Em 1936, publica seu primeiro livro infantil, “As aventuras do avião vermelho”.  Neste ano também elabora o programa de auditório para crianças, “Clube dos três porquinhos”, na Rádio Farroupilha, no Rio Grande do Sul. Dessa idéia surge a “Coleção Nanquinote”, com os livros “Os três porquinhos pobres”, “Rosa Maria no castelo encantado” e “Meu ABC”. Nesse ano, nasce seu segundo filho, Luis Fernando, que, mais tarde, seguiria seus passos na Literatura.

Nas décadas de 1940 e 1950 foi com a família para os EUA, onde deu aulas de literatura brasileira na Universidade da Califórnia. O Mills College, de Oakland, Califórnia, onde dava aulas de Literatura e História do Brasil, confere-lhe o título de doutor Honoris Causa, em 1944. É publicado o compêndio “Brazilian Literature: An Outline”, baseado em palestras e cursos ministrados durante sua estada na Califórnia. Esse livro foi publicado no Brasil, em 1955, com o título “Breve história da literatura brasileira”.

De volta ao Brasil, em 1945, tornou-se um dos raros escritores a viver apenas da literatura que produzia.

As fases literárias de Érico Verissimo

A obra de Erico Verissimo é muito ampla e aborda diversas temáticas ao longo dos anos. Desta forma, os estudiosos definem toda a sua produção em três fases que, apesar de serem divididas por tempo, poderiam facilmente ser repensadas quanto aos temas tratados.

Nas primeiras narrativas de Veríssimo, entre 1930 e 1955, podemos identificar sua preocupação com a crise moral e espiritual que o homem e a sociedade da época viviam. A segunda fase de sua produção literária busca investigar a relação entre o presente degradado por crises e revoluções e o passado histórico marcado pelo heroísmo do povo gaúcho na defesa de seu território.

Assim como outros autores da segunda fase do Modernismo, Erico Verissimo se preocupou com os problemas sociais de sua região natal, o Rio Grande do Sul. Desta forma, é possível enxergar na trilogia de O tempo e o vento, composta por O continente (1949), O retrato (1951) e O arquipélago (1961), retratos de uma região rica, bem diferente do Nordeste árido.  A maior diferença da obra está na ocupação do território. Até a última parte da trilogia, o estado do Rio Grande do Sul ainda não estava totalmente povoado. Assim, a obra de Erico Veríssimo retrata a formação da sociedade gaúcha. Em geral, o autor procura ressaltar a importância do elemento humano como parte da formação de um povo.

Diferente dos autores contemporâneos, os romances de Verissimo se preocupam com o comportamento coletivo e com a reflexão sobre a relação entre o indivíduo e a sociedade; entre o individual e o coletivo. A trilogia é considerada a sua obra-prima.

Já a terceira fase da produção literária é caracterizada pela ênfase a temas políticos como em O senhor embaixador (1965), O prisioneiro (1967) e Incidente em Antares (1971).

A trilogia O tempo e o vento

Veríssimo inicia a produção de O tempo e o vento em 1947. Inicialmente, ele escreveria apenas um livro com 800 páginas. Porém, ao longo de quase três anos de produção, a obra acabou ganhando mais de 2.200 páginas, o que obrigou o autor a repensá-la como trilogia. Verissimo demorou pouco menos de 15 anos para finalizar os três volumes, mas obviamente, nesse período lançou outros livros e contos.

A primeira parte é chamada de ”O continente” e foi publicada em 1949. A crítica fez excelentes elogios ao material.

Dois anos mais tarde, Verissimo publicava “O retrato”, segundo volume da trilogia. Entretanto, as críticas a respeito da obra não foram tão positivas quanto às da primeira parte.

A terceira e última parte, “O arquipélago”, foi publicada em 1962 e levou mais de 4 anos para ser escrita por Verissimo.

Por conta da importância da obra, “O tempo e o vento” ganhou uma versão televisiva, na extinta TV Excelsior, em 1967, e contou com a atuação de  Carlos Zara, Geórgia Gomide e Walter Avancini. Além disso, a Rede Globo também produziu uma adaptação da trilogia, em 1985, com direção de Paulo José, e atuação de Glória Pires, Armando Bogus, Tarcísio Meira e Lima Duarte, entre outros. Confira:

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Saiba mais

A série De lá pra cá, homenageou Erico Verissimo em 17 de outubro de 2010. Vale a pena conferir para entender melhor a vida, a obra e o contexto histórico acerca de Verissimo:

 

A Editora Companhia das Letras publicou todos os volumes da trilogia O tempo e o vento. Confira:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fundação Erico Verissimo

Atualmente, a casa onde Erico Verissimo nasceu, em Cruz Alta, é a sede da Fundação Erico Verissimo, que toma conta de toda a produção literária do escritor.

O museu fica na Av. General Osório, 380 – Centro – Cruz Alta – RS. Quem quiser visitar, a Fundação fica aberta de segunda a sexta, das 8h15 às 11h15, e das 13h às 17h. A entrada é gratuita.

Mais informações pelo site da secretaria de Turismo do Rio Grande do Sul – http://www.estado.rs.gov.br/erico/

O autor Carlos Drummond de Andrade era grande amigo de Erico Verissimo. Na ocasião de sua morte, Drummond escreveu algumas linhas sobre o companheiro:

A falta de Erico Verissimo 

Carlos Drummond de Andrade

Falta alguma coisa no Brasil
depois da noite de sexta-feira.
Falta aquele homem no escritório
a tirar da máquina elétrica
o destino dos seres,
a explicação antiga da terra.

Falta uma tristeza de menino bom
caminhando entre adultos
na esperança da justiça
que tarda – como tarda!
a clarear o mundo.

Falta um boné, aquele jeito manso,
aquela ternura contida, óleo
a derramar-se lentamente.
Falta o casal passeando no trigal.

Falta um solo de clarineta.