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Oswald de Andrade: o artista da brasilidade

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Boa tarde, pessoal!

Há exatamente 122 anos, chegava ao mundo Oswald de Andrade, uma das maiores celebridades literárias do Brasil. Nascido em 11 de janeiro de 1890, em uma família rica paulista, Oswald sempre conviveu nas grandes rodas artísticas e sempre teve apreço pela boêmia. De vida pessoal movimentada, tendo se casado oito vezes, Oswald de Andrade viajou muitas vezes ao Velho Mundo para conhecer tendências artísticas na pintura, na música, na literatura e na estética.

Seu espírito aventureiro e sua personalidade marcante caracterizaram toda a sua obra e influenciaram toda a produção de sua geração. As ideias de Oswald foram cruciais para o desenvolvimento de movimentos artísticos famosos, como a tropicália (música), o concretismo (poesia) e a criação do Teatro Oficia e Cia Antropofágica (teatro), por exemplo.

Além de seus estigmas literários, Oswald de Andrade foi uma celebridade. Sua vida pessoal sempre estava estampada nos jornais de sua época. Foi casado com a pintora Tarsila do Amaral e com a escritora e jornalista, Patrícia Galvão, a Pagu. Na época, Oswald se separou da pintora para se casar com Pagu, o que foi considerado um escândalo para a sociedade conservadora da época.

Oswald de Andrade foi, acima de tudo, um apaixonado por São Paulo e via a capital paulista como a cidade do futuro. Ele faleceu em 22 de outubro de 1954, em São Paulo.

Que tal conhecermos um pouco mais dessa personalidade brilhante?

 

Um artista versátil

Oswald de Andrade navegou por diversas áreas da literatura. Foi prosador, poeta, dramaturgo e um grande amante da pintura e da música. Entre suas principais obras estão os romances  Memórias sentimentais de João Miramar (1924) e Serafim Ponte Grande(1933), a peça de teatro O rei da vela (1937), os manifestos Manifesto da poesia pau-brasil (1924) e Manifesto antropófago (1928) e diversas poesias.

 

O legado dos de Andrade: Oswald e Mario

Apesar de terem o mesmo sobrenome, Mario e Oswald de Andrade não eram parentes. Mas, quando se conheceram em 1917, perceberam que tinham muitas afinidades. Foram os gostos semelhantes que os tornaram grandes amigos e essa amizade foi fundamental para a introdução dos ideais e técnicas modernistas. Desta forma, ambos serviram de base para a provocação dos artistas da época rumo a uma literatura mais nacional, com a cara do Brasil.

Enquanto Mario de Andrade era um escritor mais técnico e que tinha suas obras voltadas ao amor que sentia pela cidade de São Paulo, Oswald de Andrade era o responsável pelas provocações e polêmicas nas rodas literárias paulistas. Foi um grande incentivador da busca pela alma brasileira. Nesse aspecto, não só os seus escritos como as suas aparições públicas serviram para moldar o ambiente modernista da década de 1920 e de 1930.

Juntos, os dois participaram do grupo de idealizadores da Semana de Arte Moderna de 1922, que definiu a identidade cultural brasileira e determinou a independência artística do nosso país em relação às fórmulas portuguesas. O evento deu as diretrizes de toda a criação cultural da primeira geração modernista.

O grande diferencial de Oswald de Andrade foi observar a cultura brasileira com toda a sua riqueza e miscigenação. Ele aproveitou em suas obras a influência negra, europeia e indígena como elementos formadores da cultura e alma nacional brasileira. Por esse motivo, podemos observar tantas referências ao “que é do Brasil” em seu legado, que conta com peças de teatro, poemas, manifestos e romances.

 

Manifestos do Modernismo

Os manifestos escritos por Oswald de Andrade refletem todos os ideais modernistas e busca pela identidade brasileira. Pintado por Tarsila de Amaral, o quadro Antropofagia é o símbolo maior da primeira geração modernista e ilustra o texto do Manifesto Antropófago.

No ano de 1924, Oswald lançou na Europa o movimento nativista Pau-Brasil. Para dar continuidade a este movimento, ele fundou, em 1927, a Revista de Antropofagia com seu Manifesto Antropófago, que prega a “digestão” dos valores importados e a criação de uma identidade brasileira:

A poesia de Oswald

A poesia de Oswald de Andrade é marcada pela brasilidade, com senso de humor e ironia. Pela sua linguagem bem-humorada, ficou conhecido pelos poemas-piadas, textos curtos em que um trocadilho ou jogo verbal ligeiro desencadeia o efeito humorístico. Com a linguagem simples e direta, a poesia de Oswald de Andrade é marcante e provocativa e garantiu-lhe bastante sucesso.

 

Oswald como prosador

Os romances escritos por Oswald também trouxeram estruturas inovadoras à literatura nacional. Em Memórias Sentimentais de João de Miramar, por exemplo, Oswald de Andrade mantém o humor como lente pela qual a sociedade brasileira é examinada de modo impiedoso. A estrutura do romance, composto em 163 fragmentos, usa elementos da linguagem cinematográfica. Escrita com grande economia de linguagem, a obra é marcada pela presença de diferentes gêneros, oque se tornou a marca registrada da prosa do escritor.

 

Saiba mais

Confira o documentário “De Lá pra cá” especial Oswald de Andrade que conta grande parte da trajetória do escritor. O material foi produzido em 2010 em comemoração aos 120 anos de nascimento do autor:

Os adotantes da coleção Moderna Plus também têm a disposição o material complementar sobre a primeira geração do Modernismo no Brasil:

João Cabral de Melo Neto: o poeta arquiteto

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Boa tarde, amigos modernos.

Hoje vamos homenagear os 91 anos de João Cabral de Melo Neto, um dos maiores poetas da segunda metade do século XX no Brasil. Nascido em 09 de janeiro de 1920, em Recife, veio de uma família com tradição na literatura, sendo primo do poeta Manuel Bandeira e do sociólogo Gilberto Freyre.

O pequeno João Cabral vivia em meio aos engenhos de açúcar pernambucanos e realizou seus estudos na capital pernambucana, participando das rodas literárias de Willy Lewin, onde conheceu escritores, pintores e arquitetos importantes da sua época. Neste sentido, os estudiosos apontam a leitura das obras do arquiteto francês, Le Corbusier, como crucial para a sua formação poética e lírica.

Além da poesia, era um amante da política e seguiu carreira diplomática, em Londres, Dacar e Tegucigalpa. Todavia, sempre teve grande afinidade com a Espanha, em especial com a cidade de Sevilha, que acabou sendo homenageada em uma de suas poesias mais importantes: Sevilha andando, escrita já em 1990.

João Cabral de Melo Neto foi membro da Academia Brasileira de Letras, eleito em 1968. Faleceu em 09 de outubro de 1999, no Rio de Janeiro, aos 79 anos, com falência cardíaca. Na ocasião de sua morte, João Cabral estava quase cego, sofria de depressão e morreu ao lado de sua mulher, Marly de Oliveira.

“Dar a ver” a realidade

A construção poética de João Cabral de Melo Neto possui alguns elementos marcantes, considerados a assinatura do autor. Nesse sentido, podemos citar a linguagem seca e contida, a aversão ao lirismo e a proposta de obras cujas funções são construir a realidade.  Assim, o poeta investia na forma, construindo a poesia palavra a palavra.

Seu primeiro livro, Pedra do sono, foi publicado em 1942. Nele, é possível perceber a forte influência do surrealismo, vanguarda artística que estava em alta na época e que esteve presente em grande parte das obras dos artistas da geração de 45. Andarilho incansável e leitor voraz, João Cabral tornou-se referência fundamental para as vanguardas brasileiras do século XX, em particular para o Movimento da Poesia Concreta. Foi também grande amigo de Carlos Drummond de Andrade, tendo escrito o poema abaixo em sua homenagem:

Os estudiosos afirmam que as primeiras obras de João Cabral não foram bem aceitas pelo público, que o definiam como um poeta sem alma, muito frio e sem coração. Conforme o tempo passou, a crítica reconheceu os esforços do escritor e foi tornou a obra de João Cabral referência na poesia brasileira do século XX.

Na verdade, é preciso entender que João Cabral de Melo Neto é o que chamamos de poeta cerebral. Isso quer dizer que ele buscar a reflexão sobre o próprio fazer poético, dando importância ao significado de cada uma das palavras usadas. Essa busca pela perfeição de significados fez com que ele se tornasse o maior exemplo da geração de 45.

As principais obras dele são: O engenheiro (1945), Psicologia da composição (1947), O cão sem plumas (1950), Morte e vida Severina (1954), A educação pela pedra (1966), Museu de tudo( 1975), A escola de facas (1980), Sevilha andando (1990), entre outras.

Morte e vida Severina

A poesia mais famosa de João Cabral de Melo Neto é Morte e Vida Severina, escrita em 1954. Apesar de ter tornado o seu nome imortal, esta era a obra de que o autor menos gostava. O material foi encomendado por Maria Clara Machado, que precisava de um auto de Natal, o poema narra a cena bíblica do nascimento de Cristo, representada pelo nascimento de filho de um carpinteiro pernambucano. A história se passa em um manguezal do Recife.

Severino, o protagonista, é um nordestino que sai do interior do sertão em direção ao litoral, em busca de melhores condições. Na sua fala inicial, percebe-se o drama da personagem: incapaz de encontrar características pessoais ou sociais que o diferenciem de tantos outros retirantes, Severino torna-se uma espécie de símbolo do drama vivido nas regiões assoladas pela seca.

O retirante chega ao Recife com uma dúvida: “será que vale a pena uma pessoa como ele permanecer viva, tendo que enfrentar tanta dificuldade?”. No momento em que ele faz essa pergunta a José, um carpinteiro com quem conversava no cais do rio Capiberibe, é interrompido por uma mulher, que vem avisar José do nascimento de seu filho. Severino testemunha, então, a solidariedade dos outros habitantes do manguezal, dispostos a dividir o pouco que têm com a criança recém-nascida. Naquele momento, ele encontra a resposta que procurava. Mesmo sendo difícil e, muitas vezes, cruel, a vida merece ser vivida.

Confira a série especial que a Rede Globo produziu em 1981 baseada na história de Morte e Vida Severina. Confira algumas cenas com José Dumont e Tânia Alves, que entoa trecho do poema musicado por Chico Buarque.
Levou prêmios internacionais nos EUA e Europa, como o Emmy, o Oscar da TV.

 

Saiba mais

A Editora Alfaguara, um dos selos da Fundação Santillana, relançou grandes clássicos de João Cabral de Melo Neto. Confira alguns (clique nas imagens para mais informações):

Morte e Vida Severina


 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dia de Reis e o Fim do Natal

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Boa tarde, pessoal.

Como vocês estão?

Hoje é 06 de janeiro e muitas famílias cristãs aproveitam esta data para desmontar os enfeites de Natal. Mas vocês sabem quais são os motivos da tradição?

Que tal conhecermos essa história?

A Estrela de Belém guia os Reis Magos

A tradição cristã conta que, na época do Natal, surgiu uma grande estrela no ceu com um brilho inigualável. O corpo celeste indicava onde acabara de nascer o Messias e reluzia, especialmente, para três reis da época. Baltazar (rei da Arábia), Melchior (rei da Pérsia) e Gaspar (Rei da Índia) observaram a bela estrela de Belém e, guiados por ela, viajaram para saudades a chegada do Rei dos Reis, o filho de Deus na Terra: Jesus Cristo.

A Estrela de Belém foi avistada pelos Três Reis Magos no dia 06 de janeiro e os guiaram ao estábulo onde Maria e José cuidavam do pequeno Menino Jesus. Emocionados, cada um deles se ajoelhou e ofereceu um pequeno presente. Melchior ofereceu mirra para perfumar e embalsamar; Baltazar entregou ouro, símbolo da realeza; e, por último, Gaspar deu ao menino um pouco de incenso para saudar os deuses. Os presentes demonstravam que os Reis Magos aceitavam o Menino Jesus como rei (ouro), como Deus (incenso) e como homem (mirra).

Mas afinal por que desmontamos os enfeites em 06 de janeiro?

Enfim, O dia 06 de janeiro, ou Folia de Reis, é considerado o final das comemorações natalinas. Por isso, desmontamos todos os enfeites da festa nesta data.

 

FELIZ 2012 para todos vocês!

Umberto Eco: 80 anos

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Boa tarde, pessoal!

Hoje, vamos entender um pouco do papel sociológico da comunicação através do trabalho de Humberto Eco, o aniversariante do dia.

Nascido em 05 de janeiro de 1932, na cidade de Alessandria, na Itália, Eco é um dos maiores professores de semiótica do mundo. Além de ser referência no estudo de signos, Humberto Eco é reconhecido como um grande escritor, crítico e teórico dos fenômenos relacionados com a comunicação de massa no século XX e XXI.

A carreira de Humberto Eco começou enquanto cursava Filosofia na Universidade de Turim. Lá, em 1961, ele conquista seu Doutorado em estudos sobre a estética medieval. Sua obra mais famosa é O Nome da Rosa, seu primeiro romance, escrito em 1980. O livro, ambientado em um mosteiro na Idade Média, ganhou um versão para o cinema em 1986.

 

Humberto Eco e a comunicação em massa

Humberto Eco criou diversas teorias sobre os fenômenos da comunicação da cultura em massa. Juntamente com Roland Barthes e Michael Foucault, segue uma corrente que valoriza o texto para o entendimento das mensagens e do conteúdo transmitido através de códigos, regras e signos lingüísticos específicos carregados de simbolismos.

Humberto Eco procura entender em suas obras o processo de criação dos símbolos e de suas regras de combinação. Assim, o escritor também leva em consideração o tempo e o espaço para entender a comunicação. Isso faz com que a evolução da tecnologia esteja diretamente relacionada com a evolução da comunicação.

Dentro do contexto da comunicação, um bom exemplo é a publicação de Obra Aberta (1962), em que afirma que a música moderna, a poesia e a literatura despertam nos ouvintes e leitores a vontade de participar do processo de criação e interpretação.

Outra obra importante é Apocalípticos e Integrados (1964), em que analisa o conceito de kitsch, teorizando o significado estético do mau gosto. Entre suas obras ensaísticas destacam-se também A Estrutura Ausente (1968), As Formas do Conteúdo (1971), Tratado Geral de Semiótica (1975), Seis Passeios pelos Bosques da Ficção (1994) e Sobre a Literatura (2003) Também possui textos jornalísticos reunidos em Diário Mínimo (1963), O Segundo Diário Mínimo (1990) e A Coruja de Minerva (2000).

Saiba mais

Assista ao filme O Nome da Rosa e entenda mais sobre os conceitos aplicados nas obras de Umberto Eco:

Título original: (Der Name Der Rose)

Lançamento: 1986 (Alemanha)

Direção: Jean-Jacques Annaud

Atores: Sean Connery, Christian Slater, Helmut Qualtinger, Elya Baskin.

Duração: 130 min

Gênero: Ficção

Sinopse:  Em 1327 William de Baskerville (Sean Connery), um monge franciscano, e Adso von Melk (Christian Slater), um noviço que o acompanha, chegam a um remoto mosteiro no norte da Itália. William de Baskerville pretende participar de um conclave para decidir se a Igreja deve doar parte de suas riquezas, mas a atenção é desviada por vários assassinatos que acontecem no mosteiro. William de Baskerville começa a investigar o caso, que se mostra bastante intrincando, além dos mais religiosos acreditarem que é obra do Demônio. William de Baskerville não partilha desta opinião, mas antes que ele conclua as investigações Bernardo Gui (F. Murray Abraham), o Grão-Inquisidor, chega no local e está pronto para torturar qualquer suspeito de heresia que tenha cometido assassinatos em nome do Diabo. Considerando que ele não gosta de Baskerville, ele é inclinado a colocá-lo no topo da lista dos que são diabolicamente influenciados. Esta batalha, junto com uma guerra ideológica entre franciscanos e dominicanos, é travada enquanto o motivo dos assassinatos é lentamente solucionado.

Efeito Tequila: o dominó mexicano

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Boa tarde a todos.

As crises econômicas marcam história das populações. Com certeza, você deve se lembrar da famosa crise de 1929, tão estudada na escola, com a quebra da Bolsa de Nova Iorque. Deve se recordar também do recente colapso imobiliário nos Estados Unidos que desencadearam uma série de problemas com as economias europeias. Hoje, vamos falar de uma crise menos conhecida, mas que afetou a economia da América Latina no início dos anos 90 e que ficou conhecida como Efeito Tequila.

O ano era 1994. O principal país envolvido foi o México. Naquele 20 de dezembro, o governo mexicano decidiu desvalorizar o peso mexicano em uma tentativa de estimular a sua economia internacionalmente. Todavia, o plano econômico deu muito errado e acabou desencadeando crises econômicas na Argentina, no Brasil e outros vizinhos latinoamericanos.

O México estava sem reservas internacionais e a balança comercial do país apresentava números preocupantes. Por isso, o presidente Carlos Salinas, em conjunto com o Ministério da Fazenda tentou realizar uma manobra econômica conhecida como crawling peg, desvalorizando progressivamente a moeda na tentativa de ajustar o câmbio às variáveis de inflação e juros. Desta forma, o peso ficava atrelado ao dólar e sofreria pequenas flutuações diárias.

O que o governo mexicano não esperava era que a inflação mexicana ficasse tão acima dos números registrados pelos EUA. Assim, as importações ficaram muito baratas e a economia mexicana não conseguia exportar na mesma medida. O parque industrial foi detonado pelos produtos importantes, melhores e mais baratos. Para cobrir o desequilíbrio comercial o Banco Central foi forçado a comprar grandes quantidades de dólares, o que por sua vez, exigiu que o Estado abrisse o mercando de títulos aos investidores externos.

Cenário político desfavorável

O governo de Carlos Salinas também foi marcado por escândalos de corrupção, o que acabou com o interesse de investidores estrangeiros na economia do país. Além disso, um dos candidatos a presidência, Luis Donaldo Colosio, foi brutalmente assassinado, instaurando a tensão no país.

A desconfiança fez com que os investidores não comprassem os títulos mexicanos. Por sua vez, o governo não conseguia cobrir os seus gastos. A situação fez com que o governo não pagasse os débitos aos investidores, provocando uma falha nos bancos e tornando o ciclo vicioso.

Quando Ernesto Zedillo assumiu a presidência, em 1994, também não conseguiu dar conta da situação e a crise se agravou. Em 20 de dezembro de 1994, apenas três semanas após o início do governo Ernesto Zedillo, o Ministério da Fazenda ampliou a banda cambial em 15,3%. O valor do peso imediatamente  voltou à metade de seu valor nominal, mergulhando o México numa depressão surpreendentemente profunda. Uma depressão que fez com que em todo o mundo caíssem as cotações dos títulos dos países emergentes. Mais de 200 mil mexicanos perderam seus empregos e milhares de empresas fecharam as portas. A taxa de desemprego era o dobro do ano anterior.

Para sanar o sangramento da economia, o então presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, em articulação com organizações multilaterais, garantiu um empréstimo de 50 bilhões de dólares ao México, dos quais 18 bilhões através do FMI.Entretanto, países da América do Sul, principalmente Brasil e Argentina, viram suas moedas serem extremamente desvalorizadas e ser instaurada uma crise de crédito.

Saiba mais

Quem quiser conhecer mais sobre as consequências da crise mexicana, a nossa dica é assistir o filme O Efeito Tequila: 

Gênero: Comédia Dramática

País / Ano: México / 2010

Duração: 100 minutos

Direção: Leon Serment

Censura: 16 anos

Sinopse: Jose Fierro é um jovem corretor da bolsa de valores. Em 1994, ele se rende à tentação do aparente boom da economia mexicana, que mais tarde se torna um desastre nacional. Jose se envolve em negociações financeiras ilícitas e se depara com grandes forças políticas e econômicas, enquanto sua mulher, Analuisa, inicia uma relação extraconjugal.

 

Hora de Clarice

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Boa tarde a todos!

Para tornar-se célebre, um escritor precisa construir ao longo de sua vida um legado de obras que o identifique e que mostrem a sua veia literária. Hoje, vamos homenagear a pequena Haia, que nasceu em Tchetchelnik, na Ucrânia, no dia 10 de dezembro de1920. Entretanto, ela ficaria conhecida no mundo pelo nome que recebeu no Brasil: Clarice Lispector.

A autora, que completaria 91 anos no último sábado, faleceu um dia antes do seu aniversário de 57 anos, no dia 09 de dezembro de 1977, no Rio de Janeiro. Ao chegar ao Brasil, a família Lispector se instalou no Recife. Todo o legado construído ao longo de sua vida tornou Clarice uma das romancistas de maior renome da Língua Portuguesa.

Em seus romances, a escritora trata a fundo o sentido da existência e questiona os porquês do mundo. Além disso, navega pelas fronteiras da linguagem, interrogando e instigando o leitor a conhecer mais sobre si e tornar sua visão sistêmica: de dentro para fora. Foi uma das melhores escritoras a utilizar o fluxo de consciência como forma de revelar os pensamentos de seus personagens.

A construção do legado

A carreira profissional de Clarice começou aos 24 anos com o surpreendente romance Perto do coração selvagem. A estreia deixou a crítica estarrecida com a intensidade da linguagem e a forma intimista com que Clarice conversava com o leitor. Ainda neste ano, ela se casa com o diplomata Maury Gurgel e partiu para uma longa temporada no exterior, em que continuou escrevendo e teve contato com diferentes culturas. Os 15 anos de morada internacional renderam importantes obras como O Lustre (1946), Cidade sitiada (1949) e Alguns contos (1952).

De volta ao Brasil e recém-divorciada, em 1960, ela passa a escrever cada vez mais profundamente. Nos 17 anos que se seguiram, até a sua morte, Clarice produziu importantes obras como A maçã no escuro (1961), A paixão segundo G.H. (1964) – um marco em sua história literária -, Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres (1969), Água Viva (1973) e a A Hora da Estrela (1977), considerada a sua obra-prima. Além dos romances, Clarice é reconhecida como uma excepcional contista, cronista e autora de livros infantis.

Descoberta do “eu” e a busca da identidade

A grande assinatura das composições de Clarice Lispector está na construção de um enredo diferenciado pela ausência da cronologia. Clarice não se preocupa com a estrutura começo-meio-fim. Em sua produção, ela utiliza o tempo da consciência individual, marcada, principalmente, pela grande introspecção dos personagens. São pessoas que não se abrem, que preferem viver com o seu mundo de pensamentos, e que acabam passando por transformações que mudam as peculiaridades de suas vidas.

Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar.

Cada personalidade é construída através da consciência individual e da percepção da existência dessa consciência. Assim, certa vez, Clarice explicou: “os meus livros não se preocupam com os fatos em si, porque para mim o importante é a repercussão dos fatos no indivíduo”.

As temáticas de Clarice envolvem a hipocrisia dos papeis definidos pela sociedade, a busca pelo “eu”, a condição das mulheres no século XX e a dificuldade de relacionamento entre os seres humanos. Além disso, em vários momentos, as personagens de Clarice passam por momentos de epifania.

Quando se ama não é preciso entender o que se passa lá fora, pois tudo passa a acontecer dentro de nós.

O fio condutor e o grande diferencial da autora é a linguagem utilizada. Através da forma, é possível tornar leitor e personagem próximos e íntimos, fazendo com que o leitor entenda cada um dos momentos da personagem. Outra grande metáfora presente nas obras de Clarice é a presença de animais que representam o “coração selvagem” da vida, que não se submete às regras e expectativas da sociedade.

 

Hora de Clarice

Atualmente, os milhões de fãs de Clarice decretaram o dia de seu aniversário como Hora de Clarice. A ideia é ter um dia para recordar toda a obra de Clarice Lispector. Para isso, diversas ações culturais aconteceram em lugares públicos de sete cidades brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Curitiba, Belém e Recife.

Em 2011, os eventos envolveram atividades como exposições, debates, encontros, leituras de textos e encontro de ensaístas, biografistas e estudiosos da autora. A editora argentina Corregidor aproveitou a data para divulgar o lançamento em espanhol do volume de contos A Legião Estrangeira, provando a importância mundial da obra de Clarice. ´

 

Saiba mais

Confira a entrevista concedida por Clarice Lispector a TV Cultura em 1977:

Os adotantes da Coleção Moderna Plus de Literatura podem acompanhar um pouco mais sobre a obra e o contexto histórico e literário de Clarice Lispector no material complementar, disponível no Portal. Confira:

Ana Maria Machado é eleita presidente da ABL

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Boa tarde a todos,

Ontem à noite recebemos uma excelente notícia. Ana Maria Machado, autora de diversos livros infantis pela Editora Moderna, foi eleita a nova presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL). A escritora foi a escolhida para o exercício de 2012, substituindo Marcos Vinicius Vilaça.

Além dela, outros renomados para comporão a diretoria da Academia. Entre eles estão Geraldo Holanda Cavalcanti como secretário-geral, Domício Proença Filho como primeiro-secretário, Marco Lucchesi no posto de segundo-secretário e Evanildo Bechara como tesoureiro.

De acordo com o jornal  O Estado de S.Paulo, a posse acontece na próxima sexta-feira, 16, em solenidade na sede da ABL, no centro do Rio de Janeiro. Ocupante da cadeira 1, desde de 24 de abril de 2003, quando substituiu Evandro Lins e Silvam, Ana Maria Machado é carioca e está próxima de completar 70 anos.

Formada em Letras pela atual Universidade Federal do Rio de Janeiro, a escritora tem 40 anos de carreira e começou a atividade com artigos e traduções. Hoje, seu legado chega a mais de 100 livros publicados, mais de 18 milhões de exemplares vendidos no Brasil e em mais de 18 países onde seus livros foram publicados.

Ao saber da eleição, Ana Maria Machado declarou que a nova equipe “dará continuidade à linha de atividades voltadas para a promoção dos melhores valores da cultura nacional e da língua portuguesa. Dirigiremos nossa ênfase para duas celebrações em particular: o centenário de morte do Barão do Rio Branco e a celebração do centenário de nascimento de Jorge Amado”.

Parabéns a Ana Maria Machado por mais essa consagração de uma bela carreira e de uma vida de trabalho dedicada à literatura. 

Martins Pena: comédia de costumes

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Boa tarde a todos,

Ir ao teatro é um programa educativo e muito cultural. Bastante comum, o teatro é uma atividade considerada tradicional dentro das escolas brasileiras e pode ser utilizada como complemento de assuntos trabalhados dentro da sala ou pode ilustrar os conteúdos retidos pelos estudantes.

Muito do teatro como conhecemos foi fruto do trabalho de um autor romântico do século XIX. Luiz Carlos Martins Pena nasceu, em 1815, no Rio de Janeiro, de uma família humilde e ficou órfão de pai e mãe aos 10 anos. A partir dessa idade foi criado por tutores que o ensinaram a trabalhar com comércio. Entretanto, ao longo de sua vida estudou paralelamente diversos tipos de artes como teatro, literatura, desenho, outras línguas, músicas, arquitetura e história, que o levou inclusive a manter uma breve carreira diplomática em Londres, pouco antes de falecer, vítima de tuberculose, em 1848.

É considerado o maior comediógrafo brasileiro do século XIX, imortalizou-se com peças como O juiz de paz da roça (1838), Os dous ou O inglês maquinista (1845), O Judas em sábado de aleluia (1848) e O noviço (1845), sua obra mais conhecida.

 

Criador da comédia brasileira: a comédia de costumes

Martins Pena é reconhecido como o primeiro autor teatral a desenvolver temas nacionais com observações irônicas e satíricas sobre a realidade da sociedade brasileira. Antes dele, a produção teatral no nosso país estava relacionada a temas religiosos e tinha função moralizante, feita quase sempre em tom solene, que se afastava da população mais simples.

Martins Pena deu um novo olhar ao teatro ao acrescentar elementos opostos como o homem urbano e o rural, ou a vida na Corte e na província. Assim, utilizando uma estrutura simples e encenações leves com personagens caricatos, as peças provocavam o riso da plateia e apontavam aspectos reprováveis em diferentes setores da sociedade brasileira. Dentre os principais temas das comédias de Martins Pena estão as questões políticas, as diferenças entre os tipos roceiros e metropolitanos e o conflito entre as realidades e valores aplicados nos grandes centros urbanos e nas províncias.

Outra característica das obras de Martins Pena foi a criação das chamadas comédias de costumes que podem ser vistas em programas como A Praça é Nossa. Muito antes de Manuel da Nóbrega (criador da Praça do SBT), Martins Pena já havia criado muito dos personagens caricatos que vemos hoje.

Apesar de sua obra estar inserida em um período antes do Romantismo, por conta das temáticas e abordagens utilizadas, os estudiosos o consideram um autor romântico. Além dos personagens, podemos destacar também os temas presentes em suas peças frequentemente como as festas típicas da roça e da cidade, os casamentos e dotes, além de temas religiosos, divisão de fortunas e questões políticas.

O noviço (1845)*

O noviço trata do casamento por interesse. Ambrósio, o vilão, casa-se com a rica viúva Florência para tomar posse de sua fortuna. Entre ele e seu objetivo, encontram-se os dois filhos dela, Emília e Juca, e o sobrinho Carlos, o noviço do título, de quem Florência é tutora. A solução encontrada por Ambrósio é providenciar que todos ingressem na vida religiosa. Com Carlos, esse objetivo já tinha sido alcançado: Florência, convencida pelo esposo, enviara o sobrinho para um seminário, Mas os planos de Ambrósio serão frustrados pelo jovem noviço, que foge do seminário para seguir carreira militar e casar-se com Emília, por quem está apaixonado. No final, Ambrósio é desmascarado, preso por bigamia, e os dois jovens podem, finalmente, ficar juntos.

Saiba mais

Para exemplificar os personagens descritos por Martins Pena, uma dica é conferir algumas esquetes da Praça é Nossa:

Quem quiser fazer download do livro O Noviço, pode acessar o site Livros Grátis e baixar a obra gratuitamente:

 

 

 

 

 

 

 

 

Os adotantes da coleção Moderna Plus contam com um material complementar sobre a vida e obra de Martins Pena no Portal. Vale a pena acessar para saber mais sobre o contexto histórico em que o autor está inserido:

 

* Trecho retirado do livro didático Português – Contexto, interlocução e sentido, escrito por Maria Luiza Abaurre, Maria Bernadete M. Abaurre e Marcela Pontara.