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Afinal, o que é Educação Financeira?

Por | Educação Financeira | 3 Comentários

No último post, citamos 5 razões para a escola adotar a educação financeira como tema a ser trabalhado em sala de aula. Esperamos que os argumentos tenham lhe ajudado a refletir ou, quem sabe até, convencido você a inserir o assunto em sua prática pedagógica ou na escola de seus filhos.

No entanto, para garantir que a inserção deste tema seja adequada, é fundamental entender a sua origem e significado. Afinal, dinheiro é um assunto relevante e delicado que merece muito cuidado ao ser tratado em sala de aula.

Não faz muito tempo que o tema Educação Financeira começou a ser discutido no Brasil. Antes de 1994, convivíamos com altos índices de inflação e pacotes governamentais que tornavam a situação econômica do país bastante instável. Era impossível planejar a longo prazo e muito arriscado orientar pessoas em suas decisões econômicas. Após o Plano Real, a moeda foi estabilizada e a sociedade brasileira começou a entender melhor o valor do dinheiro, assim ficou mais fácil comparar preços, financiar produtos e planejar conquistas de longo prazo.

Andy de Santis é autora do livro Lições de Valor e parceira do blog para o tema Educação Financeira

Até o fim dos anos 1990, o assunto educação financeira concentrava-se nas “dicas de investimento” dos especialistas em produtos do mercado financeiro, ensinando pessoas que já tinham recursos disponíveis para investir a preservar ou multiplicar esses recursos. Com a melhora da situação econômica a partir de 1999, alguns fatores foram importantes para impulsionar a prática da educação financeira no Brasil: o controle da inflação, o aumento da bancarização e o maior acesso ao crédito.

Nos anos 2000, uma avalanche de obras de autores dedicados a orientar pessoas para aprimorar a gestão de seu patrimônio e suas finanças pessoais invadiu o mercado brasileiro, como o best-seller “Pai rico pai pobre”, dos autores americanos Robert T. Kiyosak e Sharon Lechter, “Seu futuro financeiro” de Louis Frankenberg e “Casais inteligentes enriquecem juntos” de Gustavo Cerbasi. Mas somente em 2010, o assunto foi elevado a política pública com a promulgação do decreto que instituiu a Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF) como política de estado que dá diretrizes para a inclusão do tema na educação de crianças, jovens e adultos.

Para a ENEF, Educação Financeira é um processo que colabora com os indivíduos a entender melhor conceitos e produtos financeiros; desenvolver valores e competências para entender riscos e oportunidades de cada decisão financeira; fazer escolhas bem informados; e agir para melhorar seu bem estar hoje e no futuro.

Entre as diretrizes para incluir o tema nas escolas, destacamos três:

#1 Conectar a educação financeira à dimensão espacial:

Significa que crianças e jovens devem ser estimulados a refletir sobre o impacto das suas ações individuais sobre as sociais, e vice-versa, congregando os níveis individual, local, regional, nacional e global. Ampliar essa consciência permite educar a criança para a cidadania, a ética e a responsabilidade no ato de consumir e poupar.

#2 Conectar a educação financeira à dimensão temporal:

Significa estimular a criança e o jovem a compreender as inter-relações do tempo nas decisões tomadas. Os espaços são atravessados por essa dimensão conectando passado, presente e futuro para ensinar a criança a planejar a curto, médio e longo prazos, desenvolver a cultura da prevenção e possibilitar o questionamento sobre sua condição atual.

#3 Inserir o tema de forma interdisciplinar e transversal

Significa que a Educação Financeira não precisa ser uma disciplina à parte, mas pode e deve ser integrada a outros temas como Meio Ambiente, Trabalho e Consumo e Educação Fiscal. É um tema que oferece oportunidades de aplicação prática a disciplinas essenciais do currículo como matemática, geografia, ciências e filosofia.

Lições de Valor: Educação Financeira escolar

O livro “Lições de Valor – Educação financeira escolar”, lançado pela Editora Moderna para alunos do Ensino Fundamental II foi totalmente desenvolvido a partir das diretrizes da ENEF e conta com 12 unidades para estimular o jovem a refletir e tomar decisões que tragam mais qualidade de vida a si e sua família em harmonia com a sociedade e o ambiente em que vivem, hoje e no futuro.

Eu sou Andyara de Santis Outeiro, autora do livro e estou aqui para dialogar com você sobre os conteúdos da obra e trazer dicas sobre educação financeira para aplicar na escola e na vida. Aproveite o espaço, traga seus dilemas, dúvidas e experiências. Vamos aprender juntos?

Por que dialogar sobre educação financeira na escola?

Por | Sem Categoria | 7 Comentários

A inserção de novos conteúdos e disciplinas em sala de aula merece uma avaliação muito cuidadosa a respeito de sua relevância no contexto da sociedade. Acolher todos os assuntos “da moda” pode trazer riscos à escola que deseja manter a sua qualidade de ensino nos temas essenciais.

Por este motivo, vale a pena refletir sobre as razões que uma escola teria para adotar a educação financeira como problemática a ser discutida em sala de aula. Citamos 5 motivos para você discutir e avaliar com sua escola.

#1 – Tem relevância social

Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor em 2014 publicada pela CNC, mais de 60% das famílias brasileiras estão endividadas. Deste total, 19,4% atrasam os pagamentos, enquanto 6,3% estão inadimplentes, ou seja, não tem condições de cumprir com seus compromissos financeiros. Este é portanto, um tema presente na vida das famílias dos alunos, professores e funcionários das escolas e que afeta toda a comunidade escolar. Por esta relevância, o assunto entrou na agenda da educação básica e do ensino médio por meio da promulgação do decreto que instituiu Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF) como política de estado que dá diretrizes para a inclusão do tema na educação de crianças, jovens e adultos.

Andy de Santis é autora do livro Lições de Valor e parceira do blog para o tema Educação Financeira

#2 – Pode acelerar mudanças

O espaço da escola é precioso para despertar a consciência de crianças e adultos sobre assuntos novos, cuja disseminação de forma ampla pode beneficiar a toda a sociedade. Temas como ética, meio ambiente e diversidade, ao serem aplicados em sala de aula, vem gerando verdadeiras revoluções no cotidiano de alunos, pais e professores, contribuindo para desenvolver atitudes alinhadas com as demandas do século XXI. A educação financeira é um tema no qual somos todos aprendizes e a escola pode acelerar a conscientização dos alunos motivando a transformação dos adultos ao seu redor.

#3 – Contribui para o consumo consciente e a sustentabilidade

Educação financeira não trata apenas de números e planilhas de controle das finanças. Fala sobre tomar decisões de consumo, planejar o futuro e considerar os impactos de cada escolha para o bolso, a sociedade e o planeta. Ao propor ao jovem a reflexão sobre as seis perguntas do consumo consciente, seus sonhos e projetos de vida, a distinção entre desejos e necessidades, entre outras questões, o tema contribui para a construção de uma sociedade mais consciente e sustentável.

#4 – Está na boca do jovem

Dinheiro é um assunto que atrai e gera interesse, faz parte do cotidiano do jovem, especialmente a partir do Fundamental II quando as famílias começam a “liberar” recursos financeiros a ele frequentemente em forma de mesadas, semanadas ou ocasionalmente em datas especiais. Discutir situações concretas envolvendo dinheiro contribui para despertar a atenção dos alunos a diferentes disciplinas do currículo e a atividades complementares em turno extra.

#5 – Contribui para preparar o jovem a viver no século XXI

Para aprender a lidar melhor com suas escolhas de consumo e o uso do dinheiro, o aluno precisará desenvolver a disciplina, a persistência, a responsabilidade, o planejamento, o questionamento e o controle da impulsividade, entre outros hábitos necessários à preparação do jovem para atuar na sociedade do século XXI.

Pensando em tudo isso, lançamos o livro “Lições de Valor – Educação financeira escolar”, que estimula o envolvimento da família nas atividades propostas e a participação protagonista do aluno. Uma das 12 unidades do livro, por exemplo, propõe aos estudantes planejar financeiramente a feira da semana e refletir sobre os consumos de água e luz dentro de casa. Estimular este hábito pode resultar em escolhas que garantam mais qualidade de vida a esses jovens, assim como em economia no orçamento da família, fomentando, ainda, uma relação responsável entre consumo e sustentabilidade.

Eu sou Andyara de Santis Outeiro, autora do livro e a partir de agora irei dialogar neste espaço com você sobre os conteúdos da obra e trazer dicas sobre educação financeira para aplicar na escola e na vida. Aproveite o espaço, traga seus dilemas, dúvidas e experiências. Vamos aprender juntos?

Michael Faraday: o senhor da eletricidade

Por | Dicas | Sem comentários

Michael Faraday nasceu em 22 de setembro de 1791, em Londres, na Inglaterra e foi um dos maiores cientistas experimentais de todos os tempos. Suas contribuições à ciência vão desde as criações do motor elétrico, do gerador elétrico, do transformador e do dínamo até as leis da eletrólise e o efeito Faraday. Assuntos bastante comentados nas aulas de Física e Química.

Primeiros passos para a comodidade

Pare para pensar em algo simples: você passaria uma semana sem usar nenhum equipamento que usa eletricidade? Imagine como seria ficar sem utilizar computadores, celulares, televisão, ventilador, forno micro-ondas, lâmpadas e diversos outros equipamentos que facilitam em muito a nossa vida. Missão nada fácil, não é mesmo?

De onde vem a eletricidade?

A resposta mais simples é: dos experimentos do autodidata inglês Michael Faraday. Vindo de uma família pobre, Michael Faraday teve formação educacional deficiente e ficou órfão de pai em 1809. Como sua família – mãe e dois irmãos – vivia em função do salário de James Faraday, seu pai, o jovem Michael precisou começar a trabalhar. Aos 13 anos, Faraday só tinha noções básicas de leitura, escrita e matemática. Seu primeiro emprego foi em uma encadernadora, ajudando na distribuição de jornais e nas encadernações de uma livraria. O amplo contato que tinha com os livros, que lia quando autorizado, despertou seu interesse pelas ciências e o ajudou a conquistar mais clientes na livraria.

O químico Humphrey Davy teve papel fundamental na vida de Michael Faraday. Foi como assistente de Davy que, aos 22 anos, Faraday, iniciou sua carreira científica. Além de viajar por toda a Europa com Davy, Faraday pôde conhecer o trabalho de diversos físicos e químicos da época como Alessandro Volta e Joseph Gay-Lussac. Como assistente de laboratório aprendeu a conduzir experimentos e fazer análises qualitativas.

Após um tempo começou a obter destaque como experimentador e colaborou muito nos experimentos do laboratório de Davy. Aprendeu conceitos de observação científica e fez diversos estudos sobre a difusão de gases e liquefação, principalmente do cloro. Toda essa habilidade em experimentos o ajudou no desenvolvimento das leis básicas da eletrólise. Com a aposentadoria de seu mentor do laboratório tornou-se responsável por este e continuou seus trabalhos na área de eletricidade, muito mais em uma questão química do que física.

Michael Faraday: contribuições científicas

Os experimentos de Faraday trataram de diversas áreas do conhecimento químico e físico, tendo a eletricidade como grande figura. Faradey foi o responsável por notar as diversas formas de eletricidade conhecidas na época. Em uma citação do próprio Faraday temos:

"Os vários aspectos sob os quais as formas da matéria se manifestam têm uma origem comum. Em outras palavras, são tão diretamente relacionadas e naturalmente dependentes, que são conversíveis como tais entre si, possuindo uma equivalência de potência em todas as suas ações"

− Michael Faraday

Em vários experimentos de seus experimentos, o cientista inglês construiu as bases do que conhecemos hoje como eletroquímica. Ao lado de William Whewell estabeleceu a nomenclatura utilizada neste ramo da disciplina. Assim, os créditos de nomes como cátodo, ânodo, íons etc podem ser dados a ele.

Os movimentos relativos de ímãs e cabos condutores de eletricidade foram outros temas de suma importância estudados por Faraday. Nesse sentido, alguns segredos da natureza como a geração de forças magnéticas por correntes elétricas e por  movimentos de imãs próximos a cabos de eletricidade foram desvendados pelo inglês.

Sabendo da existência dessa relação entre imãs e eletricidade, Faraday desenvolveu muitas experiências que exploravam essa capacidade e desenvolveu as primeiras bobinas de geração de eletricidade – principal forma de geração de eletricidade utilizada em usinas de energia.

Além das primeiras bobinas, Faraday começou a desenvolver uma espécie de motor, ou seja, um equipamento onde ele transformava a eletricidade em energia mecânica, mais especificamente uma rotação de discos metálicos.

Conta-se que certa vez, um primeiro-ministro inglês foi ao laboratório de Faraday conhecer os equipamentos de eletricidade do cientista e o questionou qual seria a funcionalidade de seus gerados. Na ocasião, Michael Faraday lhe respondeu:

“Não sei, mas aposto que algum dia seu governo vai colocar um imposto sobre ele.”

E ele estava certo. Hoje, somos quase incapazes de viver sem os equipamentos que vieram a surgir usando as técnicas básicas que Faraday desenvolveu.

Como foi proposto no começo do texto, alguém ainda quer tentar o desafio?

Evento do Projeto Presente aborda Avaliação Formativa em Salvador

Por | Eventos | Sem comentários

No dia 8 de novembro, a equipe pedagógica da Editora Moderna na Bahia realizou um encontro com 55 professores do Ensino Fundamental I. O evento contou com a palestra “Avaliação Formativa”, ministrada por Ocimar Munhoz Alavarse, e com a apresentação do Projeto Presente.

A Editora Moderna agradece a todos os educadores pela atenção dispensada à nossa equipe e pela rica contribuição com opiniões e trocas pedagógicas.

Confira as imagens do evento:

Eventos 2015: Editora Moderna encerra o ciclo em Salvador (BA)

Por | Eventos, Lançamento Araribá Plus | Sem comentários

A equipe pedagógica da Editora Moderna na Bahia realizou o último encontro do ciclo de eventos 2015 no dia 08 de novembro. Professores de São Paulo assistiram à palestra “Nossos alunos e as competências socioemocionais“, ministrada por Maria del Carmem G. Chude, que abordou o uso pedagógico dos hábitos da mente e mostrou como inserir no dia a dia escolar atitudes transformadoras que preparam os alunos para a vida em sociedade.

Durante o encontro, os participantes puderam debater o perfil do novo professor e compartilhar experiências dentro da sala de aula. A equipe pedagógica apresentou a nova edição do Projeto Araribá Plus, mostrando com exemplos como aplicar o conteúdo da palestra na escola. Ao final, foi realizado sorteio de kits de prêmios.

A contribuição das professoras foi fundamental para o sucesso do evento. A Editora Moderna agradece pela participação e presença e a rica contribuição de todos .

Eventos 2015: Salvador – Fotos

Clique na foto abaixo e confira tudo o que rolou no evento em Salvador

Entenda os Hábitos da Mente

Os chamados Hábitos da mente são comportamentos inteligentes que nos permitem lidar com um mundo complexo e em constante mudança. São um conjunto de disposições e atributos utilizados por pessoas capazes de resolver problemas, de tomar decisões conscientes e de pensar de forma criativa e inovadora.

Evento do Projeto Presente aborda Avaliação Formativa

Por | Eventos | Sem comentários

No dia 29 de outubro, a equipe pedagógica da Editora Moderna em Pernambuco realizou um encontro com 150 professores do Ensino Fundamental I. O evento contou com a palestra “Avaliação Formativa”, ministrada por Ocimar Munhoz Alavarse, e com a apresentação do Projeto Presente.

A Editora Moderna agradece a todos os educadores pela atenção dispensada à nossa equipe e pela rica contribuição com opiniões e trocas pedagógicas.

Confira as imagens do evento:

Inscreva-se nos Eventos 2015

Confira as datas e os locais dos nossos eventos na sua região pelo nosso site www.moderna.com.br/eventos.

As inscrições são gratuitas!

Lima Barreto: o Pré-Modernismo no Brasil

Por | Aulas/Explicações, Dicas | 2 Comentários

Afonso Henrique de Lima Barreto, ou simplesmente Lima Barreto, foi um dos grandes representantes da corrente literária do Pré-Modernismo. Nascido em 13 de maio de 1881, Lima Barreto era mestiço e, durante a sua vida, sofreu com o preconceito da classe literária carioca. Apesar da sua condição social, frequentou colégios e cursou Engenharia na Escola Politécnica. Ainda estudante, publicou seus primeiros textos em revistas e jornais da comunidade estudantil.

Órfão de mãe, Lima Barreto foi criado por seu pai, que sofria de alguns distúrbios mentais. Por conta do agravamento da doença, Lima Barreto abandona os estudos de Engenharia para cuidar do pai e começa a trabalhar na Secretaria de Guerra, ocupando um cargo bastante burocrático. Foi este emprego que deu inspiração para algumas de suas crônicas sobre o cotidiano na capital carioca. Esses textos começaram a ser publicados em revistas literárias da época como “Careta”, “Fon-Fon” e “O Malho”.

Lima Barreto lutou contra as injustiças sociais e os preconceitos raciais. Sua influência na imprensa foi crucial nessa jornada. Porém, por conta disso também, teve problemas sérios com alcoolismo, ficando internado duas vezes no Hospício Nacional, para tratamento do vício. Lá, descreveu suas experiências no livro Cemitério dos Vivos. Em seu funeral, em 01 de novembro de 1921, ignorado pelos intelectuais da época, foi homenageado com a presença dos pobres anônimos e suburbanos sobre quem escreveu. Deixou um legado de 17 volumes entre contos, ensaios, crônicas, memórias, correspondências e críticas literárias, que, por conta da sua morte prematura, foram publicadas postumamente.

Contexto histórico e literário

Lima Barreto nasceu em 1881, quando D.Pedro I ainda era o imperador de nosso país. O autor viveu todo o processo de transição para a República e foi conterrâneo de autores realistas, como Machado de Assis e Aluízio Azevedo. A proposta realista focava sua temática no modo de vida e na hipocrisia de uma burguesia emergente nos grandes centros cariocas. Por conta de sua condição social, Lima Barreto marcou seu nome na história por dar vida e voz aos personagens dos subúrbios cariocas. Através de seus romances, podemos observar claramente os mecanismos de relacionamento social típicos da sociedade brasileira no início do século XX, fortemente marcada pela distinção por raça e classe social.

Em seu primeiro romance, Recordações do Escrivão Isaías Caminha, publicado em 1909, conta a história de um mulato que sonha em se tornar jornalista na cidade grande. O jovem Isaías acreditava no seu valor e queria provar que podia vencer na vida pelos seus esforços, superando, sobretudo, o preconceito racial pela cor de sua pele. Após diversas dificuldades, ele consegue um emprego como escrivão de um jornal, mas só consegue promoções por ter descoberto seu chefe em uma noitada de orgias.

De caráter autobiográfico, o livro defende que o meio massacra as condições de um indivíduo crescer através de méritos próprios. Assim como Lima Barreto, que por toda sua vida lutou contra o preconceito, Isaías narrou suas memórias com a convicção de ter vencido em parte os problemas e as humilhações que o meio social preconceituoso lhe delegava, mas mais consciente de estar vivendo uma situação falsa ou de exceção.

Lima Barreto acreditava que a literatura devia ajudar a difundir as “grandes e altas emoções humanas” e a construir a comunhão entre as pessoas de todas as raças e classes. Leitor apaixonado, usou a voz de diferentes personagens para espalhar essa crença no poder dos livros.

Em seu primeiro romance, Recordações do Escrivão Isaías Caminha, publicado em 1909, conta a história de um mulato que sonha em se tornar jornalista na cidade grande. O jovem Isaías acreditava no seu valor e queria provar que podia vencer na vida pelos seus esforços, superando, sobretudo, o preconceito racial pela cor de sua pele. Após diversas dificuldades, ele consegue um emprego como escrivão de um jornal, mas só consegue promoções por ter descoberto seu chefe em uma noitada de orgias.

Triste Fim de Policarpo Quaresma

A obra-prima de Lima Barreto veio com Triste Fim de Policarpo Quaresma, publicado em 1915. A narrativa conta a história do major Policarpo Quaresma, um patriota exacerbado e fanático pelos assuntos que envolvem o Brasil, desde a fauna e a flora do país, até a cultura e o folclore do povo. O patriotismo desmedido é criticado por todos a sua volta, que o tarjam de louco.

Com Policarpo Quaresma, Lima Barreto consegue colocar em xeque o duelo entre o que é real e o que é ideal. Enquanto o patriotismo do major é ideal, a descrença dos que o cercam é real. Influenciado pelos livros que lê, Policarpo Quaresma traça um projeto para tornar o país uma grande potência mundial. Inicialmente, Quaresma mergulha no estudo das tradições brasileiras, aprendendo inclusive a língua tupi e os costumes dos nossos indígenas. Depois passa a se dedicar ao trabalho agrícola. Compra o Sítio Sossego e resolve pôr em prática as orientações científicas que encontrava nos livros. Mas as terras não se revelam tão férteis como diziam os livros, as pragas são terríveis e há muitas dificuldades na comercialização dos produtos.

Quaresma começa a perceber que o problema, na verdade, está na corrupção dos políticos, que não fazem leis que ajudem esse desenvolvimento. Dedica-se, então, a seu terceiro projeto: a reforma política. A oportunidade para isso surge por ocasião da Revolta da Armada. Quaresma vai ao Rio de Janeiro, engaja-se voluntariamente nas tropas do marechal Floriano Peixoto e luta pelos ideais republicanos. Vê em Floriano o reformador enérgico e patriota que sonhara e entrega-lhe um documento em que expõe seus planos de salvação do país. Mas o marechal responde-lhe secamente: “Você, Quaresma, é um visionário…”. Desilude-se mais uma vez. Compreende então que não há patriotismo, e que os governantes só estão preocupados com seus interesses pessoais.

Triste fim de Policarpo Quaresma

  • Coleção Travessias – Editora Moderna
  • Autor: Lima Barreto
  • Faixa etária: A partir de 15 anos
  • Indicação: 1º Ano (EM), 2º Ano (EM), 3º Ano (EM)
  • Assunto: Crítica social e política, EJA, Sátira, Violência
  • Tema transversal: Ética
  • Número de páginas: 168

A desilusão final de Quaresma faz referência à desilusão que Lima Barreto teve durante toda a sua vida. O autor morreu acreditando que o dever dos escritores era “deixar de lado todas as velhas regras, toda a disciplina exterior dos gêneros e aproveitar de cada um deles o que puder e procurar, conforme a inspiração própria para tentar reformar certas usanças”.

Saiba mais

O filme Policarpo Quaresma: Herói do Brasil (1988), do diretor Paulo Thiago, traz a hstória desse homem que acreditava com voracidade no potencial do nosso país. É excelente para trabalhar o filme e o contexto histórico com os alunos

Policarpo Quaresma, Herói do Brasil – Brasil (1988)

  • Duração: 120 min
  • Direção: Paulo Thiago
  • Sinopse: O major Policarpo Quaresma é um sonhador. Um visionário que ama o seu país e deseja vê-lo tão grandioso quanto, acredita, o Brasil pode ser. A sua luta se inicia no Congresso. Policarpo quer que o tupi-guarani seja adotado como idioma nacional. Ele tem o apoio de sua afilhada Olga por quem nutre um afeto especial e Ricardo Coração dos Outros trovador e compositor de modinhas que conta a história do nosso herói do Brasil.

Baixe já! Livro “5 Atitudes pela Educação” apoia trabalho de coordenadores pedagógicos

Por | Novidades | 2 Comentários

O movimento Todos Pela Educação (TPE) e a Editora Moderna, com o apoio da Comunidade Educativa Cedac, lançaram em outubro o livro “5 Atitudes pela Educação – Orientações para Coordenadores Pedagógicos”, que visa estimular a reflexão sobre atitudes que podem ajudar na aprendizagem das crianças e jovens e no maior envolvimento da família e da comunidade com a vida escolar.

O material reúne crônicas especiais de Ana Maria Machado, Ilan Brenman, Pedro Bandeira, Ricardo Azevedo e Walcyr Carrasco, que visam contribuir, principalmente, com o trabalho dos coordenadores pedagógicos na formação continuada dos professores no âmbito da escola. Trata-se de propor ações de formação com os professores que incentivem a comunidade escolar a colocar em prática as 5 Atitudes do TPE.

"As 5 Atitudes e as orientações propostas no material são apenas um ponto de partida para uma série de discussões que podem ser estimuladas pelo coordenador pedagógico no grupo de professores de uma escola, ampliando o debate sobre como melhorar a aprendizagem dos alunos."

− Ricardo Falzetta, gerente de Conteúdo do Todos Pela Educação

"Propomos que em cada capítulo eles reflitam sobre o autor e seu estilo literário, façam antecipações a respeito da forma como o tema poderá ser abordado no texto que vão ler e, depois da leitura, comentem o que a obra apresenta, fazendo uma relação com o que tinha sido dito previamente. Essa é uma das formas de estimular o envolvimento e a construção de sentido de um texto."

− Luciano Monteiro, diretor de Relações Institucionais da Editora Moderna

A versão digital do livro está disponível para download e impressão nos sites do Todos Pela Educação e da Editora Moderna. Baixe já o seu e coloque suas atitudes em prática!

O movimento Todos Pela Educação (TPE) e a Editora Moderna, com o apoio da Comunidade Educativa Cedac, lançaram em outubro o livro “5 Atitudes pela Educação – Orientações para Coordenadores Pedagógicos”, que visa estimular a reflexão sobre atitudes que podem ajudar na aprendizagem das crianças e jovens e no maior envolvimento da família e da comunidade com a vida escolar.

O material reúne crônicas especiais de Ana Maria Machado, Ilan Brenman, Pedro Bandeira, Ricardo Azevedo e Walcyr Carrasco, que visam contribuir, principalmente, com o trabalho dos coordenadores pedagógicos na formação continuada dos professores no âmbito da escola. Trata-se de propor ações de formação com os professores que incentivem a comunidade escolar a colocar em prática as 5 Atitudes do TPE.

As 5 Atitudes pela educação

O projeto 5 Atitudes, desenvolvido pelo Todos Pela Educação, foi fundamentado em um estudo realizado em 2013, que contemplou entrevistas com pais, alunos, professores, diretores de escolas e especialistas de diversas áreas, em cidades das 5 regiões brasileiras. O objetivo da mobilização é ser um apoio à sociedade para que todos possam contribuir para o aprendizado das crianças e jovens por meio de ações cotidianas, como conversar com o aluno sobre o que ele aprendeu, ler com a criança e dialogar com o jovem sobre seu projeto de vida.

  • 1- Valorizar os professores, a aprendizagem e o conhecimento

  • 2- Promover habilidades importantes para a vida e para a escola

  • 3- Colocar a Educação escolar no dia a dia

  • 4- Apoiar o projeto de vida e o protagonismo dos alunos

  • 5- Ampliar o repertório cultural e esportivo das crianças e dos jovens