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Olimpíadas é mais do que esporte

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No último domingo, 21 de agosto, terminou o maior evento esportivo do planeta, as Olimpíadas. Apesar das polêmicas e crises que precederam este grande acontecimento, também é possível encontrar excelentes exemplos de inspiração para utilizarmos no contexto escolar.  Partindo dessas situações, proponho voltar nossos olhares à aplicabilidade das competências socioemocionais no esporte e demonstrar como estes aprendizados permanecem conosco ao longo da vida.

Podemos observar a criatividade da Cerimônia de Abertura, comentada não somente pelos brasileiros, como também muito elogiada pela imprensa internacional. A equipe responsável, além de fazer um evento muito bonito, teve que ser capaz de realizá-lo com um orçamento muito menor do que o mesmo evento de edições anteriores dos Jogos. A criatividade, sem dúvida, fez com que fôssemos capazes de realizar mais com menos recursos financeiros.

A Seleção Brasileira de vôlei masculino também merece destaque. Não por ter sido medalhista olímpica, mas porque foi um exemplo de trabalho em equipe e de colaboração. A liderança do Bernardinho, técnico que levou o time para 4 finais olímpicas consecutivas, merece também a medalha de ouro. Por sua consistência e sua capacidade de fazer cada integrante da equipe dar seu melhor e buscar um objetivo comum. Destaco também o jogador Lucarelli pelo seu esforço e dedicação. O atleta jogou a semifinal e a final com um estiramento no músculo da coxa, lesão que causa bastante dor. Uma lição do quanto temos que lutar e nos sacrificar por um objetivo.

Educação para a vida

Tonia Casarin é mestre em Educação pelo Teachers College Columbia University.

A garra e a vontade da seleção feminina de futebol que conquistou o coração dos torcedores. Era nítido que elas lutavam contra o cansaço e que sabiam que representavam um país inteiro. Essa responsabilidade era vista em campo. Nossa seleção masculina também mostrou vontade e lutou até o final em um jogo histórico com a Alemanha – para apagar de ver o fantasma do 7 a 1. Conquistou mais do que medalha, reconquistou o respeito dos brasileiros.

educação para a vida olimpíadas

Legado das Olimpíadas

Surgiram novos heróis nacionais, que o esporte nomeia com orgulho: Rafaella Silva, Isaquias Queiroz, Erlon de Souza, Robson Conceição, Maicon Siqueira, Thiago Braz. Determinação e resiliência são palavras comuns para atletas que superam no seu dia a dia não somente a dura rotina de treinamentos, mas as dificuldades financeiras e a vulnerabilidade social em que se encontram.

A capacidade de aprender com o fracasso foi claro na trajetória de Diego Hypólito. O atleta que ganhou medalha de prata no Jogos Rio 2016, passou por duas Olimpíadas com quedas na prova de solo. Achou que nunca conseguiria superar, passou por depressão e mostrou ao mundo a importância de acreditar em si mesmo. Assim como o ginasta, os judocas Mayra Aguiar e Rafael Silva tiveram que dar a volta por cima ao disputar a medalha de bronze após serem derrotados. O judô mostra que, em pouco tempo, temos que ser capazes de controlar nossas emoções e focar no objetivo.

Pela primeira vez na história, tivemos um time de refugiados, representado pela bandeira olímpica. Uma equipe de dez atletas representou 60 milhões de pessoas, espalhadas por todo o mundo, que tiveram que abandonar suas casas para sobreviver. Os atletas vieram da Síria, do Sudão do Sul, da Etiópia e da República Democrática do Congo. Suas histórias pessoais de superação são um exemplo por si só. Tendo o esporte como pano de fundo, o Time Olímpico de Refugiados é o lembrete de que o mundo precisa de paz e compaixão.

Além desses exemplos, poderia escolher muitos outros. Ainda emocionada com o espírito olímpico, afirmo que o esporte é pilar fundamental no desenvolvimento das habilidades socioemocionais. E, por isso, as escolas e professores precisam manter viva a prática esportiva e propagar o conhecimento sobre as diversas modalidades, aproveitando para desenvolver as competências socioemocionais. Que tal irmos além de um simples “bater bola” durante a aula de Educação Física? Vamos manter a emoção dos Jogos Olímpicos Rio 2016 e transformar a realidade de nossas escolas!

Aproveitem esse momento histórico. E foco nas Paraolimpíadas que começam em breve.

COMPETÊNCIAS SOCIOEMOCIONAIS VÃO ALÉM DA SALA DE AULA

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A discussão em torno do desenvolvimento das competências socioemocionais está focada nas crianças. Porém, se esquecermos de todos os outros atores envolvidos no processo educacional de uma crianças, o processo fica capenga.

Estamos buscando desenvolver nas crianças, competências que os adultos não foram ensinados. Pelo menos, não de forma declarada, explícita e estruturada em forma de currículo.

Portanto, a forma mais coerente de tratar do desenvolvimento dessas competências é no âmbito escolar. Um projeto pedagógico coeso deve ser entendido como um todo, tendo alunos, educadores e pais/responsáveis como atores de uma cultura em torno dessas competências.

Educação para a vida

Tonia Casarin é mestre em Educação pelo Teachers College Columbia University.

Incentivar os adultos a aprender, refletir e praticar suas próprias competências sociais e emocionais torna-se fundamental para o sucesso da implementação desse currículo nas escolas. Não somente os professores, que estarão no cotidiano com as crianças, mas, principalmente, toda a equipe de educadores, como diretores e coordenadores.

Esse desenvolvimento pessoal envolve o desenvolvimento profissional contínuo dos educadores em todos os níveis da escola. Garantir que toda a equipe escolar modele atitudes positivas que seja evidente a utilização de inteligência emocional e social em suas relações, entre os colegas da escola, com os próprios alunos, professores e pais e responsáveis.

Mais do que fazer parte de uma grande transformação na educação, coordenadores e diretores são beneficiados com o aprendizado que levam para a própria vida. Pesquisas mostram que desenvolver a inteligência emocional e social é condição sine qua non para ter sucesso na vida. Mais do que isso, o que diferencia um líder de outro profissional não é seu QI (quoeficiente de inteligência), mas sim, seu QE (quoeficiente de inteligência emocional). Enquanto o QI é responsável por 4% da performance, o QE representa 25%. Além disso, grandes líderes tendem a ser sete vezes mais propensos a ter uma pontuação alta em autocontrole, três vezes mais propensos em ter essa pontuação alta em empatia e duas vezes e meia em trabalho em time.

Sem dúvida, além de fatos e dados, sabemos que as crianças copiam nossos comportamentos como ninguém. Ter em mente que somos exemplos para elas e carregar essa responsabilidade e agir de forma intencional, faz com que comecemos a criar dentro da escola a chama da cultura que queremos.

A proposta socioemocional na prática: Colégio Estadual Chico Anysio

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O Colégio Estadual Chico Anysio, no Rio de Janeiro, é um exemplo da implementação da educação integral no Ensino Médio enriquecida pelo desenvolvimento socioemocional. O projeto faz parte da parceria entre a Secretaria de Estado de Educação e o Instituto Ayrton Senna, iniciada em 2013, e prevê que, além das disciplinas obrigatórias, parte da rotina do aluno seja voltada para desenvolver competências como colaboração, curiosidade, persistência e responsabilidade.

Com o objetivo de solucionar questões como a evasão escolar, o desinteresse dos alunos pelos estudos e a dificuldade de conectar o conteúdo com a vida real, o Colégio Estadual Chico Anysio definiu seu projeto pedagógico com base em quatro momentos durante a semana:

ESTUDO ORIENTADO 

Nestas situações, enfatiza-se o aprender a estudar. Um educador orienta os jovens sobre como buscar informações relevantes e como sintetizá-las.

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Tonia Casarin é mestre em Educação pelo Teachers College Columbia University.

PROJETO DE VIDA 

Os professores se reúnem com pequenos grupos de alunos para ouvir angústias acadêmicas ou pessoais e ajudar a traçar metas maiores. O autoconhecimento e a empatia são trabalhados nesse momento, assim como o entendimento da relação com os colegas, a família e a comunidade.

AUTOGESTÃO

Os alunos ficam livres para fazerem o que quiserem, como participar de atividades artística ou corporal, realizar oficinas, estudar para a prova, entre outras. Nessa parte, o planejamento e a tomada de decisão são competências que ficam claras e são trabalhadas de forma intencional com a turma.

PROJETO DE INTERVENÇÃO E PESQUISA

Todos os alunos da escola são misturados para enfatizar a diversidade e exercitar a capacidade de relacionamento pessoal. Os estudantes formam grupos independentes de turma, idade ou série e ao longo do bimestre desenvolvem um projeto relacionado com o cotidiano. Eles se mobilizam em torno de um assunto de interesse comum, propõem ideias para resolver o problema, planejam, executam o trabalho e avaliam o projeto, e depois divulgam os resultados.

desenvolvimento socioemocional
Fachada do C.E. Chico  Anysio no Rio de Janeiro. 
Crédito: Marcia Costa/ Divulgação: SEEDUC RJ

RESULTADOS PRÁTICOS DA PROPOSTA SOCIOEMOCIONAL

A maior liberdade e participação dos alunos já deu frutos para Colégio Estadual Chico Anysio. Por exemplo, foi constatado um desperdício de alimentos na escola. A partir deste diagnóstico, uma banca composta por funcionários, alunos e professores propôs que os próprios alunos se servissem nas refeições, ao invés de receber os pratos prontos. Os estudantes foram incentivados a calcular o impacto financeiro decorrente dos oito quilos de alimentos que, diariamente, iam para o lixo e conseguiram reduzir para um quilo. Iniciativas como essa melhoram a prática escolar, o aprendizado e podem inclusive ser incorporadas no plano político pedagógico da escola.

As iniciativas melhoraram a relação entre alunos e professores e entre os próprios jovens. Os professores começaram a se sentir mais desafiados e entusiasmados com o trabalho e os estudantes passaram a se sentir mais confiantes e interessados pelos estudos. Começaram a gostar da escola e a respeitar seu espaço. Além disso, a escola teve um desempenho médio 50% melhor nas diversas disciplinas da matriz curricular do Ensino Médio, comparado às escolas avaliadas pelo Sistema de Avaliação Bimestral do Processo de Ensino e Aprendizagem (Saerjinho), evidenciando que o desenvolvimento de habilidades socioemocionais melhora a performance cognitiva. Esse exemplo parece ser um caminho promissor que muitas escolas estão buscando para desenvolver as habilidades e competências dos alunos.

Que tal iniciar um projeto parecido em sua escola?

CONHEÇA MAIS

Confira o depoimento da equipe pedagógica da escola sobre o projeto realizado no Colégio Estadual Chico Anysio e como é feito na prática o trabalho com as competências socioemocionais:

Escrito por Tônia Casarin, mestre em Educação pelo Teachers College Columbia University.

MAPAS CONCEITUAIS: um caminho para um aprendizado eficiente

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Diversas estratégias didáticas auxiliam o professor a exercitar o pensamento dos alunos para que eles compreendam os conteúdos por completo e sejam capazes de elaborar suas próprias conclusões. Uma delas é a construção de mapas conceituais. Essa ferramenta propõe um modo organizado de expressar relações entre fatos, conceitos e princípios da disciplina, de maneira visual e hierarquizada. Assim, o aluno é levado a construir uma rede de significados sobre determinado tema. Os mapas conceituais também podem ser utilizados pelos próprios docentes para otimizar a sua prática pedagógica.

DESENVOLVENDO HABILIDADES PARA O APRENDIZADO E PARA A VIDA

Para os professores, os mapas conceituais ajudam a planejar o ano letivo, a elaborar a melhor sequência didática e a buscar estratégias assertivas para favorecer a construção e a interligação de conceitos numa aprendizagem significativa. Para os alunos, a elaboração dos mapas ajuda a distinguir as informações fundamentais das complementares. Também os auxilia a estabelecer a relação dos conceitos mais abrangentes com outros, deles decorrentes ou a eles subordinados. Conforme o aluno aprende o conteúdo, vai sendo estimulado a identificar os aspectos mais importantes, tornando-se assim protagonista de sua própria aprendizagem.

Espera-se que, com o auxílio do professor, os alunos adquiram gradual desenvoltura na interpretação dos mapas conceituais trabalhados em sala de aula e, posteriormente, fiquem à vontade para elaborar seus próprios mapas. Organizar informações por relevância, coerência, abrangência e especificidade é uma habilidade que os jovens usarão por toda a sua vida pessoal e profissional.

mapas conceituais

PASSO A PASSO PARA CONSTRUIR UM MAPA CONCEITUAL

Os passos descritos a seguir mostram uma das maneiras para elaborar um mapa com os conteúdos conceituais de um texto:

1. LISTE OS CONCEITOS MAIS IMPORTANTES

Após a leitura de um texto, levante as informações essenciais e importantes, sejam elas abrangentes ou específicas. Observe títulos, subtítulos e palavras destacadas em itálico ou negrito, pois frequentemente expressam fatos, conceitos ou princípios.

2. AGRUPE OS CONTEÚDOS CONCEITUAIS RELACIONADOS

Faça uma análise daquilo que você listou e junte os conceitos que estão mais próximos em grupos separados.

3. ORGANIZE OS CONCEITOS DE CADA GRUPO

Determine, dentro de cada série que você separou, a ordem de importância ou abrangência dos conceitos. Depois, escreva cada um deles em um retângulo (ou círculo, ou elipse etc.) e organize-os colocando os mais abrangentes acima e os mais específicos, abaixo.

4. LIGUE OS PONTOS RELACIONADOS

Interligue os retângulos com setas e escreva próximo a elas uma ou mais palavras de ligação que estabeleçam uma relação.

5. APERFEIÇOE SUAS IDEIAS MENTAIS

Analise o mapa para ver em que ele pode ser melhorado: remanejar blocos, estabelecer relações cruzadas, omitir partes menos importantes em prol da clareza, modificar a disposição para facilitar a visualização etc.

Dica: Ao montar um mapa com os alunos, é conveniente escrever os conteúdos conceituais em retângulos de papel, para que possam ser facilmente trocados de lugar.

MAPAS CONCEITUAIS EM LIVROS DIDÁTICOS

ciências naturais canto

A coleção Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano, de Eduardo Canto, traz um trabalho consistente com mapas conceituais para o Ensino Fundamental 2. Todos os capítulos contam com um mapa pronto para que o aluno consulte durante ou ao final do estudo. O objetivo é que esse instrumento funcione como um guia da sua leitura, servindo de apoio para a compreensão global dos conceitos. O docente, por sua vez, poderá saber mais sobre como utilizar esta ferramenta pedagógica no Manual do Professor, além de encontrar mapas conceituais que também o guiarão na aplicação dos conteúdos do livro.

A coleção, aprovada pelo MEC para o PNLD 2017 também se destaca pela apresentação dos conteúdos em espiral, ou seja, retomando os conceitos já trabalhados enquanto insere gradativamente novos elementos da disciplina. As obras podem ser folheadas no nosso site, clicando aqui.

Confira abaixo um exemplo de mapa conceitual presente no livro:

O poder do mindset: pensar diferente

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A pesquisadora da faculdade de Stanford, Carol Dweck, desenvolveu por anos o conceito de mindset, que basicamente significa a mentalidade que você possui em diversas situações da vida. Portanto, para fazer o ponto da sua pesquisa, ela diz que há dois tipos de mentalidade:

  1. Mentalidade de crescimento

  2. Mentalidade fixa

Em uma mentalidade fixa (fixed mindset), as pessoas acreditam que suas qualidades básicas, como sua inteligência ou talento, simplesmente são traços fixos, ou seja, que já nascemos com determinada “quantidade” de talento e inteligência e você não pode fazer muito para mudar isso. As pessoas com a mentalidade fixa tendem a ficar preocupadas em preservar sua autoimagem inteligente, em vez de se desenvolver. Eles também acreditam que o talento por si só é suficiente para ter sucesso, sem a necessidade de se colocar esforço. Para Carol Dweck, essas pessoas estão erradas.

Já em uma mentalidade de crescimento (growth mindset), as pessoas acreditam que suas habilidades mais básicas podem ser desenvolvidas através da dedicação e esforço. Acreditam que a inteligência pode ser desenvolvida e a entendem como um músculo. Ou seja, quando você coloca esforço e desafia-se a si mesmo, você pode ficar mais inteligente, assim como funcionam seus músculos. A inteligência e o talento são apenas pontos de partida. São pessoas que amam aprender e tendem a ter capacidade de resiliência bem desenvolvida, que é essencial para o alcance do sucesso.

Educação para a vida

Tonia Casarin é mestre em Educação pelo Teachers College Columbia University.

pensar diferente

O QUE ESTAMOS FAZENDO DENTRO DE SALA DE AULA PARA PROMOVER ESSA MENTALIDADE DE CRESCIMENTO?

Recentemente, tive a chance de ouvir um dos meus alunos me falar que não queria participar das Olimpíadas de Matemática. Aquilo me chamou muita atenção, porque, claramente, ele era o aluno mais provável da classe que poderia ser bem classificado. Depois de uma conversa com ele, repleta de emoções, capturei que o menino não via porque participar daquilo: simplesmente não queria perder a “fama” de mais inteligente da turma, caso fracassasse na sua colocação. Isso me fez lembrar dessa teoria e repensar algumas práticas de sala de aula.

O principal objetivo para os alunos com uma mentalidade fixa é mostrar como eles são espertos e inteligentes, ou para esconder e não arriscar o quão inteligentes eles são. Isso faz sentido se você acha que a inteligência é algo que se tem ou não se tem, e é natural querer parecer inteligente. Portanto, é natural que essas crianças não aceitem desafios, como o meu aluno. Participar desse evento significa colocar em risco toda a inteligência dele para todos os alunos da classe. E ele não estava disposto a qualquer possibilidade de falha ou erro que pudesse arranhar sua reputação. Assim como meu aluno, já ouvi casos de crianças que se destacavam em alguma modalidade esportiva na escola, mas evitavam ao máximo participar de eventos que envolvessem outras escolas. A criança não quer correr o risco de ter algum atleta melhor que ela em outro lugar. E, se tiver, que ninguém fique sabendo.

Quando traçamos uma meta – adultos ou crianças – sempre há um risco de ela não ser alcançada. Muitas vezes, não era o momento certo, mas talvez com mais tempo ou dedicação, aquela meta poderia ser atingida. Esse é o pensamento das pessoas que possuem mentalidade de crescimento. Elas conseguem aprender e crescer com a experiência.

Portanto, estudantes com uma mentalidade fixa tendem a evitar fazer perguntas quando não entendem alguma coisa, porque eles querem preservar a imagem de que são inteligentes. Mas o objetivo principal dos alunos com uma mentalidade de crescimento é aprender. Claro, se você acha que a inteligência é algo que se pode desenvolver, a maneira de desenvolvê-la é aprender novas coisas.

mentalidade fixa

Além disso, alunos com uma mentalidade fixa não gostam de desafios. Acreditam que colocar esforço é para aqueles que não são espertos. Quem realmente é inteligente não precisa se esforçar. Mas os estudantes com uma mentalidade de crescimento, na verdade, gostam de desafios. Se eles já sabiam como fazer alguma coisa, não seria uma oportunidade para aprender, para desenvolver sua inteligência.

Como você deve ter refletido ao longo do texto, todos nós temos os dois tipos de mentalidade, para tarefas variadas. A boa notícia é que, quando aprendemos que nosso cérebro é muito mais maleável do que muitas pessoas pensam, percebemos que podemos desenvolver o growth mindset. Isso também funciona para nossos alunos.

pensar diferente

Em um estudo com alunos do Ensino Médio, os pesquisadores ensinaram a eles uma mentalidade de crescimento por meio de uma aula de neurociência. Aprenderam que o cérebro é feito de pequenas células chamadas neurônios, que estão ligados um ao outro, e quando as ligações são mais fortes, as pessoas podem pensar mais rápido. Isso é o que faz uma pessoa inteligente. Quando as pessoas trabalham duro no trabalho da escola, as conexões em seu cérebro ficam mais fortes, tornando-os mais inteligentes. Comparado a uma condição de controle, esses alunos expostos a esse conteúdo tiveram notas em matemática significativamente mais elevadas do que aqueles que não foram expostos a esse conteúdo.

Que tal contar para seus alunos sobre a maleabilidade do nosso cérebro?

Projeto Presente traz encontro sobre multiletramento

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No último dia 21 de maio, a Editora Moderna realizou um encontro especial entre professores de escolas particulares do estado de São Paulo e os autores do Projeto Presente. Mais de 180 educadores de instituições de ensino da capital e do interior de São Paulo participaram do evento e debateram o multiletramento e o trabalho com a oralidade nas salas de aula da Educação Infantil e de Ensino Fundamental I.

Durante o encontro, os educadores acompanharam a palestra Multiletramento e o trabalho em sala de aula, ministrada por Jacqueline Peixoto Barbosa, mestre e doutora em Línguística Aplicada ao Ensino da Língua pela PUC-SP. Ela apresentou dicas importantes para o trabalho significativo com foto, vídeo e áudio nos primeiros anos escolares.

O encontro contou também com a fala de Maria José Nóbrega, autora dos livros de Língua Portuguesa do Projeto Presente, que apresentou um panorama geral sobre o trabalho com oralidade na sala de aula nos primeiros anos do Ensino Fundamental.

Novo Projeto Presente Educação Infantil

Outra novidade do evento foi o lançamento do Projeto Presente Educação Infantil. Para apresentar a nova coleção, Miruna Kayano, uma das autoras, preparou uma palestra sobre oralidade e a importância deste conceito para a Educação Infantil.

Agradecemos a presença de todos os educadores que enriqueceram este encontro. Confira as fotos:

Evento PRojeto Presente 2016 - São Paulo

Multiletramento e a oralidade na sala de aula é tema de evento com autores do Projeto Presente

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No próximo dia 21 de maio, os professores de São Paulo terão um encontro especial com os autores da coleção Projeto Presente. O tema central do evento será o multiletramento e o trabalho com a oralidade nas salas de aula da Educação Infantil e de Ensino Fundamental I.

Para tornar o debate ainda mais interessente, Jacqueline Peixoto Barbosa, mestre e doutora em Línguística Aplicada ao Ensino da Língua pela PUC-SP, ministra a palestra Multiletramento e o trabalho em sala de aula. Ela traz dicas sobre como trabalhar de forma significativa o trabalho com foto, vídeo e áudio no currículo.

Já na segunda parte do encontro, Maria José Nóbrega, autora dos livros de Língua Portuguesa do Projeto Presente, traz um panorama geral sobre o trabalho com oralidade na sala de aula nos primeiros anos do Ensino Fundamental.

O encontro acontecerá no Teatro Eva Herz, em São Paulo, no dia 21 de maio de 2016, a partir das 9h00. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas através do email apoiopedagogia@moderna.com.br ou pelo telefone 0800 13 0033.

Esperamos por você!

PROGRAMAÇÃO

evento projeto presente

Mais empatia, por favor!

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Os primeiros teóricos e escritores viam a empatia como um traço ou característica que era estável e que podia ser medido, mas não ensinado. Essas convicções estão ultrapassadas. A ciência e a academia enxergam a empatia como habilidade fundamental para viver em um mundo diverso. A literatura indica que as pessoas, no geral têm disposição para ser empáticas, mas ser ou não empático pode depender de fatores situacionais.

Alguns autores identificam outras habilidades que andam juntas com a empatia. Essas seriam necessárias para desenvolvê-la, incluindo, por exemplo, a habilidade de escutar, de oferecer atenção plena e de se abster de julgamentos. Outros, destacam a empatia como componente da inteligência emocional, como é o caso do Goleman, famoso autor que ficou conhecido mundialmente pelo seu best-seller “Inteligência Emocional”. Ainda existem pesquisadores que destacam o autoconhecimento, as habilidades de comunicação (principalmente a de escuta ativa), a capacidade de perceber emoções em si e nos outros, junto com sentimentos ocultos, e o não julgamento dos outros como parte integrante da empatia.

A empatia é uma habilidade crucial para as relações, portanto, muitos autores discutem métodos mais efetivos de ensiná-la. Portanto, abordo aqui alguns pontos relevantes ao elaborar intencionalmente atividades com este fim.

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Tonia Casarin é mestre em Educação pelo Teachers College Columbia University.

Enxergar o mundo pelo olhar do outro

A maioria das referências incluem a capacidade de olhar o mundo pelo olhar do outro como fator decisivo para o desenvolvimento da empatia, ou seja, sem isso a empatia não pode acontecer. Nessa capacidade está implícita também a habilidade de escutar o outro.

Compreender as emoções do outro

Outro fator é a capacidade de compreensão das emoções do outro como fundamental para o desenvolvimento da empatia. Ainda que a emoção tenha sido sentida no passado e seja relatada, é possível ser empático e reconhecê-la, mesmo que a pessoa não se sinta da mesma forma no presente.

Não julgamento

O “não julgamento” é outro atributo atribuído à empatia. Diz respeito à capacidade de não julgar o outro. Vale ressaltar que nem todos os autores concordam com esse atributo da empatia como fundamental, pois argumentam que é possível entender o outro e ainda assim julgar, o que seria uma característica humana. Porém, o “não julgamento” é hoje um atributo cada vez mais valorizado em uma sociedade reconhecidamente diversa.

Comunicar seu entendimento

A comunicação de entendimento parece vital se houver empatia. Seria, assim, o último estágio desta habilidade, em que, além de enxergar o mundo pelo olhar do outro, compreender suas emoções e não julgá-lo(a), é possível entender a posição colocada. Esta competência pode ser desenvolvida com debates em sala de aula, em que dois grupos de alunos defendam posições opostas. Depois de um primeiro debate, os alunos trocam de lado para defender os argumentos opostos. Esta atividade possibilita o entendimento do outro lado e o profundo envolvimento dos alunos com cada um dos lados.

Tonia Casarin empatia

Estudos sobre culturas e religiões diferentes da maioria também costumam ser um bom veículo de aprendizagem para os alunos. Isso pode envolver uma feira de culturas, com comidas típicas e até eventuais convidados estrangeiros em que as crianças possam interagir e fazer perguntas. Além de desenvolver empatia, essa atividade aguça a curiosidade dos alunos.

Além disso, a utilização de filmes e documentários como ferramentas pedagógicas pode ser o início de uma debate sobre questões vistas muitas vezes como polêmicas. Construir esse espaço seguro dentro de sala de aula, em que os alunos podem expor suas opiniões e questionamentos, sem medo de julgamentos, é chave para compreenderem e se permitirem entender o outro.

Como educadores, somos agentes de transformação, não somente de indivíduos, mas também da sociedade que nos cerca. E a empatia parece ser um dos caminhos para um mundo melhor.

O autoconhecimento também é considerado um antecedente, uma vez que vários programas que ensinam empatia começam com autoconhecimento. Isto foi rejeitado porque muitas pessoas são naturalmente empáticas – sem necessariamente serem conscientes disso.

As consequências de uma interação empática é que os “empatizados” têm a necessidade de compreensão satisfeita, sentem-se valorizados e melhor preparados para entender a si mesmos e mudar. A pessoa empática sente-se satisfeita por sentir que ajudou e cumpriu o dever de ser útil para os outros.

Hábitos da mente - ESCUTAR-OS-OUTROS

Eu sou Tonia Casarin, mestre em Educação pelo Teachers College Columbia University (NY). Escrevo neste espaço quinzenalmente sobre educação socioemocional e educação integral, assunto fundamental na pauta das escolas e das famílias.