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Martins Pena: comédia de costumes

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Boa tarde a todos,

Ir ao teatro é um programa educativo e muito cultural. Bastante comum, o teatro é uma atividade considerada tradicional dentro das escolas brasileiras e pode ser utilizada como complemento de assuntos trabalhados dentro da sala ou pode ilustrar os conteúdos retidos pelos estudantes.

Muito do teatro como conhecemos foi fruto do trabalho de um autor romântico do século XIX. Luiz Carlos Martins Pena nasceu, em 1815, no Rio de Janeiro, de uma família humilde e ficou órfão de pai e mãe aos 10 anos. A partir dessa idade foi criado por tutores que o ensinaram a trabalhar com comércio. Entretanto, ao longo de sua vida estudou paralelamente diversos tipos de artes como teatro, literatura, desenho, outras línguas, músicas, arquitetura e história, que o levou inclusive a manter uma breve carreira diplomática em Londres, pouco antes de falecer, vítima de tuberculose, em 1848.

É considerado o maior comediógrafo brasileiro do século XIX, imortalizou-se com peças como O juiz de paz da roça (1838), Os dous ou O inglês maquinista (1845), O Judas em sábado de aleluia (1848) e O noviço (1845), sua obra mais conhecida.

 

Criador da comédia brasileira: a comédia de costumes

Martins Pena é reconhecido como o primeiro autor teatral a desenvolver temas nacionais com observações irônicas e satíricas sobre a realidade da sociedade brasileira. Antes dele, a produção teatral no nosso país estava relacionada a temas religiosos e tinha função moralizante, feita quase sempre em tom solene, que se afastava da população mais simples.

Martins Pena deu um novo olhar ao teatro ao acrescentar elementos opostos como o homem urbano e o rural, ou a vida na Corte e na província. Assim, utilizando uma estrutura simples e encenações leves com personagens caricatos, as peças provocavam o riso da plateia e apontavam aspectos reprováveis em diferentes setores da sociedade brasileira. Dentre os principais temas das comédias de Martins Pena estão as questões políticas, as diferenças entre os tipos roceiros e metropolitanos e o conflito entre as realidades e valores aplicados nos grandes centros urbanos e nas províncias.

Outra característica das obras de Martins Pena foi a criação das chamadas comédias de costumes que podem ser vistas em programas como A Praça é Nossa. Muito antes de Manuel da Nóbrega (criador da Praça do SBT), Martins Pena já havia criado muito dos personagens caricatos que vemos hoje.

Apesar de sua obra estar inserida em um período antes do Romantismo, por conta das temáticas e abordagens utilizadas, os estudiosos o consideram um autor romântico. Além dos personagens, podemos destacar também os temas presentes em suas peças frequentemente como as festas típicas da roça e da cidade, os casamentos e dotes, além de temas religiosos, divisão de fortunas e questões políticas.

O noviço (1845)*

O noviço trata do casamento por interesse. Ambrósio, o vilão, casa-se com a rica viúva Florência para tomar posse de sua fortuna. Entre ele e seu objetivo, encontram-se os dois filhos dela, Emília e Juca, e o sobrinho Carlos, o noviço do título, de quem Florência é tutora. A solução encontrada por Ambrósio é providenciar que todos ingressem na vida religiosa. Com Carlos, esse objetivo já tinha sido alcançado: Florência, convencida pelo esposo, enviara o sobrinho para um seminário, Mas os planos de Ambrósio serão frustrados pelo jovem noviço, que foge do seminário para seguir carreira militar e casar-se com Emília, por quem está apaixonado. No final, Ambrósio é desmascarado, preso por bigamia, e os dois jovens podem, finalmente, ficar juntos.

Saiba mais

Para exemplificar os personagens descritos por Martins Pena, uma dica é conferir algumas esquetes da Praça é Nossa:

Quem quiser fazer download do livro O Noviço, pode acessar o site Livros Grátis e baixar a obra gratuitamente:

 

 

 

 

 

 

 

 

Os adotantes da coleção Moderna Plus contam com um material complementar sobre a vida e obra de Martins Pena no Portal. Vale a pena acessar para saber mais sobre o contexto histórico em que o autor está inserido:

 

* Trecho retirado do livro didático Português – Contexto, interlocução e sentido, escrito por Maria Luiza Abaurre, Maria Bernadete M. Abaurre e Marcela Pontara.