MAPAS CONCEITUAIS: um caminho para um aprendizado eficiente

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Diversas estratégias didáticas auxiliam o professor a exercitar o pensamento dos alunos para que eles compreendam os conteúdos por completo e sejam capazes de elaborar suas próprias conclusões. Uma delas é a construção de mapas conceituais. Essa ferramenta propõe um modo organizado de expressar relações entre fatos, conceitos e princípios da disciplina, de maneira visual e hierarquizada. Assim, o aluno é levado a construir uma rede de significados sobre determinado tema. Os mapas conceituais também podem ser utilizados pelos próprios docentes para otimizar a sua prática pedagógica.

DESENVOLVENDO HABILIDADES PARA O APRENDIZADO E PARA A VIDA

Para os professores, os mapas conceituais ajudam a planejar o ano letivo, a elaborar a melhor sequência didática e a buscar estratégias assertivas para favorecer a construção e a interligação de conceitos numa aprendizagem significativa. Para os alunos, a elaboração dos mapas ajuda a distinguir as informações fundamentais das complementares. Também os auxilia a estabelecer a relação dos conceitos mais abrangentes com outros, deles decorrentes ou a eles subordinados. Conforme o aluno aprende o conteúdo, vai sendo estimulado a identificar os aspectos mais importantes, tornando-se assim protagonista de sua própria aprendizagem.

Espera-se que, com o auxílio do professor, os alunos adquiram gradual desenvoltura na interpretação dos mapas conceituais trabalhados em sala de aula e, posteriormente, fiquem à vontade para elaborar seus próprios mapas. Organizar informações por relevância, coerência, abrangência e especificidade é uma habilidade que os jovens usarão por toda a sua vida pessoal e profissional.

mapas conceituais

PASSO A PASSO PARA CONSTRUIR UM MAPA CONCEITUAL

Os passos descritos a seguir mostram uma das maneiras para elaborar um mapa com os conteúdos conceituais de um texto:

1. LISTE OS CONCEITOS MAIS IMPORTANTES

Após a leitura de um texto, levante as informações essenciais e importantes, sejam elas abrangentes ou específicas. Observe títulos, subtítulos e palavras destacadas em itálico ou negrito, pois frequentemente expressam fatos, conceitos ou princípios.

2. AGRUPE OS CONTEÚDOS CONCEITUAIS RELACIONADOS

Faça uma análise daquilo que você listou e junte os conceitos que estão mais próximos em grupos separados.

3. ORGANIZE OS CONCEITOS DE CADA GRUPO

Determine, dentro de cada série que você separou, a ordem de importância ou abrangência dos conceitos. Depois, escreva cada um deles em um retângulo (ou círculo, ou elipse etc.) e organize-os colocando os mais abrangentes acima e os mais específicos, abaixo.

4. LIGUE OS PONTOS RELACIONADOS

Interligue os retângulos com setas e escreva próximo a elas uma ou mais palavras de ligação que estabeleçam uma relação.

5. APERFEIÇOE SUAS IDEIAS MENTAIS

Analise o mapa para ver em que ele pode ser melhorado: remanejar blocos, estabelecer relações cruzadas, omitir partes menos importantes em prol da clareza, modificar a disposição para facilitar a visualização etc.

Dica: Ao montar um mapa com os alunos, é conveniente escrever os conteúdos conceituais em retângulos de papel, para que possam ser facilmente trocados de lugar.

MAPAS CONCEITUAIS EM LIVROS DIDÁTICOS

ciências naturais canto

A coleção Ciências Naturais – Aprendendo com o cotidiano, de Eduardo Canto, traz um trabalho consistente com mapas conceituais para o Ensino Fundamental 2. Todos os capítulos contam com um mapa pronto para que o aluno consulte durante ou ao final do estudo. O objetivo é que esse instrumento funcione como um guia da sua leitura, servindo de apoio para a compreensão global dos conceitos. O docente, por sua vez, poderá saber mais sobre como utilizar esta ferramenta pedagógica no Manual do Professor, além de encontrar mapas conceituais que também o guiarão na aplicação dos conteúdos do livro.

A coleção, aprovada pelo MEC para o PNLD 2017 também se destaca pela apresentação dos conteúdos em espiral, ou seja, retomando os conceitos já trabalhados enquanto insere gradativamente novos elementos da disciplina. As obras podem ser folheadas no nosso site, clicando aqui.

Confira abaixo um exemplo de mapa conceitual presente no livro:

O poder do mindset: pensar diferente

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A pesquisadora da faculdade de Stanford, Carol Dweck, desenvolveu por anos o conceito de mindset, que basicamente significa a mentalidade que você possui em diversas situações da vida. Portanto, para fazer o ponto da sua pesquisa, ela diz que há dois tipos de mentalidade:

  1. Mentalidade de crescimento

  2. Mentalidade fixa

Em uma mentalidade fixa (fixed mindset), as pessoas acreditam que suas qualidades básicas, como sua inteligência ou talento, simplesmente são traços fixos, ou seja, que já nascemos com determinada “quantidade” de talento e inteligência e você não pode fazer muito para mudar isso. As pessoas com a mentalidade fixa tendem a ficar preocupadas em preservar sua autoimagem inteligente, em vez de se desenvolver. Eles também acreditam que o talento por si só é suficiente para ter sucesso, sem a necessidade de se colocar esforço. Para Carol Dweck, essas pessoas estão erradas.

Já em uma mentalidade de crescimento (growth mindset), as pessoas acreditam que suas habilidades mais básicas podem ser desenvolvidas através da dedicação e esforço. Acreditam que a inteligência pode ser desenvolvida e a entendem como um músculo. Ou seja, quando você coloca esforço e desafia-se a si mesmo, você pode ficar mais inteligente, assim como funcionam seus músculos. A inteligência e o talento são apenas pontos de partida. São pessoas que amam aprender e tendem a ter capacidade de resiliência bem desenvolvida, que é essencial para o alcance do sucesso.

Educação para a vida

Tonia Casarin é mestre em Educação pelo Teachers College Columbia University.

pensar diferente

O QUE ESTAMOS FAZENDO DENTRO DE SALA DE AULA PARA PROMOVER ESSA MENTALIDADE DE CRESCIMENTO?

Recentemente, tive a chance de ouvir um dos meus alunos me falar que não queria participar das Olimpíadas de Matemática. Aquilo me chamou muita atenção, porque, claramente, ele era o aluno mais provável da classe que poderia ser bem classificado. Depois de uma conversa com ele, repleta de emoções, capturei que o menino não via porque participar daquilo: simplesmente não queria perder a “fama” de mais inteligente da turma, caso fracassasse na sua colocação. Isso me fez lembrar dessa teoria e repensar algumas práticas de sala de aula.

O principal objetivo para os alunos com uma mentalidade fixa é mostrar como eles são espertos e inteligentes, ou para esconder e não arriscar o quão inteligentes eles são. Isso faz sentido se você acha que a inteligência é algo que se tem ou não se tem, e é natural querer parecer inteligente. Portanto, é natural que essas crianças não aceitem desafios, como o meu aluno. Participar desse evento significa colocar em risco toda a inteligência dele para todos os alunos da classe. E ele não estava disposto a qualquer possibilidade de falha ou erro que pudesse arranhar sua reputação. Assim como meu aluno, já ouvi casos de crianças que se destacavam em alguma modalidade esportiva na escola, mas evitavam ao máximo participar de eventos que envolvessem outras escolas. A criança não quer correr o risco de ter algum atleta melhor que ela em outro lugar. E, se tiver, que ninguém fique sabendo.

Quando traçamos uma meta – adultos ou crianças – sempre há um risco de ela não ser alcançada. Muitas vezes, não era o momento certo, mas talvez com mais tempo ou dedicação, aquela meta poderia ser atingida. Esse é o pensamento das pessoas que possuem mentalidade de crescimento. Elas conseguem aprender e crescer com a experiência.

Portanto, estudantes com uma mentalidade fixa tendem a evitar fazer perguntas quando não entendem alguma coisa, porque eles querem preservar a imagem de que são inteligentes. Mas o objetivo principal dos alunos com uma mentalidade de crescimento é aprender. Claro, se você acha que a inteligência é algo que se pode desenvolver, a maneira de desenvolvê-la é aprender novas coisas.

mentalidade fixa

Além disso, alunos com uma mentalidade fixa não gostam de desafios. Acreditam que colocar esforço é para aqueles que não são espertos. Quem realmente é inteligente não precisa se esforçar. Mas os estudantes com uma mentalidade de crescimento, na verdade, gostam de desafios. Se eles já sabiam como fazer alguma coisa, não seria uma oportunidade para aprender, para desenvolver sua inteligência.

Como você deve ter refletido ao longo do texto, todos nós temos os dois tipos de mentalidade, para tarefas variadas. A boa notícia é que, quando aprendemos que nosso cérebro é muito mais maleável do que muitas pessoas pensam, percebemos que podemos desenvolver o growth mindset. Isso também funciona para nossos alunos.

pensar diferente

Em um estudo com alunos do Ensino Médio, os pesquisadores ensinaram a eles uma mentalidade de crescimento por meio de uma aula de neurociência. Aprenderam que o cérebro é feito de pequenas células chamadas neurônios, que estão ligados um ao outro, e quando as ligações são mais fortes, as pessoas podem pensar mais rápido. Isso é o que faz uma pessoa inteligente. Quando as pessoas trabalham duro no trabalho da escola, as conexões em seu cérebro ficam mais fortes, tornando-os mais inteligentes. Comparado a uma condição de controle, esses alunos expostos a esse conteúdo tiveram notas em matemática significativamente mais elevadas do que aqueles que não foram expostos a esse conteúdo.

Que tal contar para seus alunos sobre a maleabilidade do nosso cérebro?

Projeto Presente traz encontro sobre multiletramento

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No último dia 21 de maio, a Editora Moderna realizou um encontro especial entre professores de escolas particulares do estado de São Paulo e os autores do Projeto Presente. Mais de 180 educadores de instituições de ensino da capital e do interior de São Paulo participaram do evento e debateram o multiletramento e o trabalho com a oralidade nas salas de aula da Educação Infantil e de Ensino Fundamental I.

Durante o encontro, os educadores acompanharam a palestra Multiletramento e o trabalho em sala de aula, ministrada por Jacqueline Peixoto Barbosa, mestre e doutora em Línguística Aplicada ao Ensino da Língua pela PUC-SP. Ela apresentou dicas importantes para o trabalho significativo com foto, vídeo e áudio nos primeiros anos escolares.

O encontro contou também com a fala de Maria José Nóbrega, autora dos livros de Língua Portuguesa do Projeto Presente, que apresentou um panorama geral sobre o trabalho com oralidade na sala de aula nos primeiros anos do Ensino Fundamental.

Novo Projeto Presente Educação Infantil

Outra novidade do evento foi o lançamento do Projeto Presente Educação Infantil. Para apresentar a nova coleção, Miruna Kayano, uma das autoras, preparou uma palestra sobre oralidade e a importância deste conceito para a Educação Infantil.

Agradecemos a presença de todos os educadores que enriqueceram este encontro. Confira as fotos:

Evento PRojeto Presente 2016 - São Paulo

A Avaliação no ensino centrado no aluno

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No post de hoje, a proposta é conversarmos um pouco sobre a mudança de postura do professor que rompe com o formato tradicional de aula e de avaliação e decide se aventurar em um ambiente mais cheio de incertezas, que coloca no centro do trabalho pedagógico a efetiva aprendizagem do aluno.

Imaginem chegar em uma sala de aula normal e avisar que hoje é dia de avaliação. Certamente os alunos demonstrarão muita apreensão, alguns ficarão nervosos, perguntarão o que será cobrado, quanto valerá a prova etc. etc. Por mais que os alunos já estejam acostumados com o rito da escola relacionado à avaliação, e que eles saibam que o seu desempenho é continuamente verificado, esse momento é sempre tenso porque tradicionalmente as avaliações são utilizadas como um instrumento de seleção e de coerção, que difere os alunos entre os aprovados e os reprovados.

A ideia de colocar o aluno no centro do processo educacional necessariamente rompe com esse processo já naturalizado de aula e de verificação, e propõem uma nova postura para todos os atores escolares, especialmente para o professor.

Trocar o foco da aula centrada no professor para a centrada no aluno faz com que mudanças estratégicas no estabelecimento de critérios, na escolha de instrumentos, e no retorno para o aluno sejam determinantes no processo de avaliação. Vamos lá:

Juliana Miranda é gerente de Avaliação da Avalia Educacional e nossa parceira para o tema Avaliação

Avaliação centrada no aluno

Estabelecimento de critérios

A quantificação de questões respondidas corretamente para a determinação de uma nota ou de um conceito não é mais uma metodologia suficiente para a avaliação centrada no aluno. Nesse novo contexto, o uso de rubricas com a descrição qualitativa em níveis do que é esperado em determinada tarefa (que podem ir do excelente ao insuficiente, por exemplo, com explicação do que significa cada gradação) traz ao processo avaliativo mais transparência e objetividade, pois o professor já sabe de antemão o que verificar na produção dos alunos e esses já sabem o que será cobrado e em que medida.

Escolha de instrumentos de avaliação

Papel, lápis e caneta não são os recursos exclusivos para a realização de uma avaliação oficial na escola. O professor pode utilizar diferentes formas para captar os dados que deseja analisar, ao propor aos alunos pesquisas, trabalhos em grupo, atividades de comunicação em que eles têm que explicar algo oralmente. Para aqueles que têm à disposição alguns recursos tecnológicos, é possível ainda preparar vídeos, relatórios, testes online, páginas em redes sociais

Tudo depende dos objetivos de aprendizagem a serem verificados, mas ao se aventurar por diferentes instrumentos, o professor oferece aos alunos a oportunidade de expressar seus conhecimentos e de demonstrar suas habilidades de maneiras variadas e interessantes. Agora é a forma de avaliar que se adapta ao aluno, não mais o inverso.

Retorno para os alunos

Um dos mais importantes benefícios da aprendizagem centrada no aluno são as possibilidades de feedback e de intervenção pedagógica baseadas nos resultados da avaliação.

A partir da comunicação dos resultados da rubrica aos alunos, o professor tem a chance de definir as correções nas trajetórias de estudos. Ele pode, por exemplo, propor um trabalho de rotação por estações, em que grupos de alunos que demonstraram níveis diferentes de compreensão podem fazer atividades diversificadas, ou ainda, eleger o trabalho conjunto de alunos que já desenvolveram alguma habilidade com alunos que ainda precisam estudar mais. As opções são muitas.

Contudo, a mudança quanto à percepção sobre o que significado um erro do aluno é talvez uma das maiores rupturas com a postura tradicional de sala de aula. O erro, antes considerado uma falha passível de punição (perda de ponto, reprovação etc.), agora é encarada como uma oportunidade, um desafio, algo que o aluno ainda não conseguiu, mas que terá o apoio necessário para conseguir.

Assim, ao suplantar a inércia da vida escolar e se dedicar a verificar as lacunas no processo de aprendizagem que podem ser vencidas, o professor assume a responsabilidade de proporcionar momentos personalizados aos seus alunos, e faz uso do potencial total das avaliações que realiza.

E vocês, como planejam o processo de avaliação de suas turmas?

Escrito por Juliana Miranda

Bacharel em Ciências Sociais/USP e mestre em Educação/PUC-SP e gerente de Avaliação da Avalia Educacional

Referências bibliográficas:

ZABALA, Antoni. A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: Artmed, 2012.

Dica para os professores: http://rubistar.4teachers.org/index.php

A prevenção do bullying nas escolas

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Muitos funcionários e pais diversas vezes não são conscientes de como o bullying pode ser grave nas escolas até um incidente dramático chamar a atenção e mobilizar toda a comunidade escolar. A temática ganhou força nos anos mais recentes, principalmente com o documentário “Bully”, lançado em 2012, que retrata os efeitos trágicos que uma intimidação pode ter. Ele levou muitas escolas a tomar medidas e contribuiu para uma discussão sobre o bullying e as formas de evitá-lo.

O Centro para o Estudo e Prevenção da Violência Escolar usa três critérios para distinguir o bullying de outras ocorrências de mau comportamento ou casos isolados de agressão. Eles definem que é um comportamento agressivo ou intencional, de forma repetida e ao longo do tempo em uma relação interpessoal caracterizada por um desequilíbrio de poder. Assim, um aluno é intimidado quando é o alvo repetido de deliberadas ações negativas por um ou mais alunos que possuem maior poder verbal, físico, social ou psicológico.

Ainda existe o bullying direto – ataque físico ou verbal relativamente explícito – e o bullying indireto, que é mais sutil e difícil de detectar, como o isolamento social, a exclusão intencional, fofocas e rumores sobre a vítima, manipulação de amizades e outros relacionamentos, por exemplo. Isso sem falar no cyberbullying, que envolve o envio de mensagens instantâneas e/ou imagens pela internet, a fim de prejudicar a reputação e as relações da vítima. Esta forma de bullying pode ser muito difícil de detectar e acompanhar, e quase 50% das vítimas não sabe a identidade do agressor.

Educação para a vida

Tonia Casarin é mestre em Educação pelo Teachers College Columbia University.

bullying

O bullying é um problema generalizado em muitas escolas. Tomar medidas específicas para melhorar o clima escolar e incentivar interações positivas destinadas ajuda a reduzir e/ou preveni-lo. Escolas usando uma aprendizagem social e emocional podem promover um clima geral de inclusão, calor e respeito, e promover o desenvolvimento do núcleo de habilidades sociais e emocionais entre os alunos e funcionários.

No Brasil, já existe uma lei que institui o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying) – Lei nº 13.185 de novembro de 2015. Por mais que exista essa lei para prevenção de bullying, não há solução rápida ou fácil. Pesquisas sugerem uma abordagem sistêmica para abordar esse problema. A aprendizagem social e emocional pode ser uma forma eficaz de reduzir a ocorrência de bullying nas escolas, porque promove habilidades, comportamentos, atitudes e fatores ambientais que são considerados incompatíveis com essa prática.

bullying

A abordagem sistemática nas escolas pressupõe vê-la como um ambiente seguro e acolhedor. Esse ambiente é caracterizado por relações de apoio entre professores e alunos, além de relações de suporte e apoio entre os próprios alunos, em busca de solucionar problemas e resolver conflitos. Outro aspecto importante é o estabelecimento de relações positivas entre as escolas e as famílias, de forma que aconteça uma troca na comunicação sobre o desenvolvimento do aluno.

A cultura da escola também é estabelecida por seus valores e políticas, que devem enfatizar o respeito pelos outros e valorização das diferenças. Os alunos que estão cientes e capazes de demonstrar carinho e preocupação com os outros podem virar referência para os colegas.

Pesquisas demonstram que o desenvolvimento das competências sociais e emocionais nas escolas é eficaz no combate ao bullying. Em comparação com grupos de controle, não só os alunos que participam de programas SEL demonstram ganhos significativos em suas habilidades sociais e emocionais; como também demonstram comportamentos mais sociais e atitudes mais favoráveis em relação à escola e aos colegas. Tendem a ter níveis mais baixos de problemas de comportamento e angústia emocional. Programas com objetivo de desenvolver essas competências podem promover as condições educacionais e sociais que tornam o bullying muito menos provável no ambiente escolar.

Confira mais sobre as competências socioemocionais e a sua presença em livros didáticos, clicando aqui.

Eu sou Tonia Casarin, mestre em Educação pelo Teachers College Columbia University (NY). Escrevo neste espaço quinzenalmente sobre educação socioemocional e educação integral, assunto fundamental na pauta das escolas e das famílias.

Multiletramento e a oralidade na sala de aula é tema de evento com autores do Projeto Presente

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No próximo dia 21 de maio, os professores de São Paulo terão um encontro especial com os autores da coleção Projeto Presente. O tema central do evento será o multiletramento e o trabalho com a oralidade nas salas de aula da Educação Infantil e de Ensino Fundamental I.

Para tornar o debate ainda mais interessente, Jacqueline Peixoto Barbosa, mestre e doutora em Línguística Aplicada ao Ensino da Língua pela PUC-SP, ministra a palestra Multiletramento e o trabalho em sala de aula. Ela traz dicas sobre como trabalhar de forma significativa o trabalho com foto, vídeo e áudio no currículo.

Já na segunda parte do encontro, Maria José Nóbrega, autora dos livros de Língua Portuguesa do Projeto Presente, traz um panorama geral sobre o trabalho com oralidade na sala de aula nos primeiros anos do Ensino Fundamental.

O encontro acontecerá no Teatro Eva Herz, em São Paulo, no dia 21 de maio de 2016, a partir das 9h00. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas através do email apoiopedagogia@moderna.com.br ou pelo telefone 0800 13 0033.

Esperamos por você!

PROGRAMAÇÃO

evento projeto presente

PNLD 2017 – A PRODUÇÃO COLABORATIVA NO PROJETO ARARIBÁ

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Aprender e ensinar são atos coletivos. Ninguém aprende sozinho, sem referências ou exemplos prévios. Todos nós, alunos e professores, precisamos de mediação para aprender, ou seja, antes de aprender de fato, desenvolvemos a habilidade de reter conteúdos. Ao sermos estimulados por nossa família a falar nossas primeiras palavras, estamos adquirindo nossos primeiros conhecimentos e traçando a nossa própria rede de significados.

Nesse breve exemplo, nossos pais ou familiares assumem o papel de mediadores do conhecimento. Essa simples mediação é necessária para o desenvolvimento de uma habilidade que será utilizada por toda a nossa vida. Aprendemos a falar pela referência e pela repetição de tal competência no dia a dia com a nossa família, tempos antes das nossas experiências escolares.

O diálogo com os nossos pares é tão fundamental para o processo de aprendizagem quanto para a produção de conhecimento. Trocar experiências com amigos, ler materiais de distintos autores sobre um mesmo tema, assistir a um documentário, ouvir opiniões… tudo isso tem um valor inestimável para a construção daquilo que sabemos, das nossas visões de mundo e da nossa bagagem cultural. Assim, podemos afirmar que produzimos diferentes conteúdos, com diversas pessoas, o tempo todo.

O conceito de produção colaborativa tem ganhado força nos debates sobre a qualidade dos materiais didáticos utilizados nas escolas. Enquanto os livros didáticos tradicionalmente traziam um único autor especialista assinando a obra, as obras de autoria coletiva trazem um número maior de especialistas em diferentes áreas da disciplina.

proposta-colaborativa

Mais do que a criação de um conteúdo por várias mentes e mãos, a produção colaborativa envolve compartilhar tomadas de decisão e responsabilidades. Quando transportamos esse conceito para o universo educacional, repleto de personagens e linguagens tão distintos, atribuímos ainda mais valor à troca de experiências entre professores e alunos.

No caso dos materiais didáticos, temos uma infinidade de conteúdos que circulam diariamente na sala de aula: livros, vídeos, animações, planos de aula, fotografias, artigos produzidos pelos estudantes etc. Traçar propostas para uma aprendizagem significativa, que partam da elaboração de conteúdos considerando as experiências vividas por professores e alunos pode ser interessante para prática docente e para a democratização do conhecimento na sala de aula, estimulando e ensinando os jovens a participarem da construção de sua própria rede de significados.

Conheça a proposta do Projeto Araribá para escolas públicas em www.moderna.com.br/pnld

ENTENDA A PRODUÇÃO COLABORATIVA NO PROJETO ARARIBÁ

Levando em conta todas as vantagens da produção colaborativa, que vão desde uma proposta pedagógica disciplinar completa, com linguagem sistematizada, até a valorização da aplicação dos conceitos e conteúdos de cada campo do conhecimento na vida do aluno, a Editora Moderna entende que produzir projetos pedagógicos de autoria coletiva é essencial para atender a multiplicidade exigida por um processo de ensino-aprendizagem que converse com as novas demandas do século XXI.

A produção do Projeto Araribá para escolas públicas, por exemplo, reúne equipes de especialistas de diferentes áreas do conhecimento com o objetivo de criar uma coleção consistente no trabalho interdisciplinar com temas transversais e que leve à sala de aula múltiplos olhares sobre cada conteúdo. A coleção conta com a contribuição de profissionais dedicados à produção de ferramentas e recursos mais eficientes, que garantam ao professor novas possibilidades de uso da tecnologia.

Com a produção colaborativa dos livros didáticos, a Editora Moderna oferece aos professores uma nova abordagem disciplinar, baseada nas relações entre diferentes campos de estudo e entre a diversidade de temas de cada disciplina, além da aplicação desses conhecimentos no mundo do trabalho e na relação do aluno com a família e a comunidade.

Confira alguns exemplos: (clique na imagem para ampliar)

Projeto Araribá Ciências

No início de cada volume, a seção PROJETO traz uma sugestão de trabalho coletivo para ser construído ao longo do ano letivo por toda a turma.

Retirado do Projeto Araribá Ciências 9ºano – aprovado no PNLD 2017

Projeto Araribá História

A seção APRENDA A FAZER traz roteiros detalhados para o aluno realizar procedimentos fundamentais e produzir conteúdos.

Retirado do Projeto Araribá História 6ºano – aprovado no PNLD 2017

Projeto Araribá Matemática

A seção TRABALHO EM EQUIPE estimula o espírito de pesquisa e a integração social por meio de propostas colaborativas.

Retirado do Projeto Araribá Matemática 8ºano – aprovado no PNLD 2017

Mais empatia, por favor!

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Os primeiros teóricos e escritores viam a empatia como um traço ou característica que era estável e que podia ser medido, mas não ensinado. Essas convicções estão ultrapassadas. A ciência e a academia enxergam a empatia como habilidade fundamental para viver em um mundo diverso. A literatura indica que as pessoas, no geral têm disposição para ser empáticas, mas ser ou não empático pode depender de fatores situacionais.

Alguns autores identificam outras habilidades que andam juntas com a empatia. Essas seriam necessárias para desenvolvê-la, incluindo, por exemplo, a habilidade de escutar, de oferecer atenção plena e de se abster de julgamentos. Outros, destacam a empatia como componente da inteligência emocional, como é o caso do Goleman, famoso autor que ficou conhecido mundialmente pelo seu best-seller “Inteligência Emocional”. Ainda existem pesquisadores que destacam o autoconhecimento, as habilidades de comunicação (principalmente a de escuta ativa), a capacidade de perceber emoções em si e nos outros, junto com sentimentos ocultos, e o não julgamento dos outros como parte integrante da empatia.

A empatia é uma habilidade crucial para as relações, portanto, muitos autores discutem métodos mais efetivos de ensiná-la. Portanto, abordo aqui alguns pontos relevantes ao elaborar intencionalmente atividades com este fim.

Educação para a vida

Tonia Casarin é mestre em Educação pelo Teachers College Columbia University.

Enxergar o mundo pelo olhar do outro

A maioria das referências incluem a capacidade de olhar o mundo pelo olhar do outro como fator decisivo para o desenvolvimento da empatia, ou seja, sem isso a empatia não pode acontecer. Nessa capacidade está implícita também a habilidade de escutar o outro.

Compreender as emoções do outro

Outro fator é a capacidade de compreensão das emoções do outro como fundamental para o desenvolvimento da empatia. Ainda que a emoção tenha sido sentida no passado e seja relatada, é possível ser empático e reconhecê-la, mesmo que a pessoa não se sinta da mesma forma no presente.

Não julgamento

O “não julgamento” é outro atributo atribuído à empatia. Diz respeito à capacidade de não julgar o outro. Vale ressaltar que nem todos os autores concordam com esse atributo da empatia como fundamental, pois argumentam que é possível entender o outro e ainda assim julgar, o que seria uma característica humana. Porém, o “não julgamento” é hoje um atributo cada vez mais valorizado em uma sociedade reconhecidamente diversa.

Comunicar seu entendimento

A comunicação de entendimento parece vital se houver empatia. Seria, assim, o último estágio desta habilidade, em que, além de enxergar o mundo pelo olhar do outro, compreender suas emoções e não julgá-lo(a), é possível entender a posição colocada. Esta competência pode ser desenvolvida com debates em sala de aula, em que dois grupos de alunos defendam posições opostas. Depois de um primeiro debate, os alunos trocam de lado para defender os argumentos opostos. Esta atividade possibilita o entendimento do outro lado e o profundo envolvimento dos alunos com cada um dos lados.

Tonia Casarin empatia

Estudos sobre culturas e religiões diferentes da maioria também costumam ser um bom veículo de aprendizagem para os alunos. Isso pode envolver uma feira de culturas, com comidas típicas e até eventuais convidados estrangeiros em que as crianças possam interagir e fazer perguntas. Além de desenvolver empatia, essa atividade aguça a curiosidade dos alunos.

Além disso, a utilização de filmes e documentários como ferramentas pedagógicas pode ser o início de uma debate sobre questões vistas muitas vezes como polêmicas. Construir esse espaço seguro dentro de sala de aula, em que os alunos podem expor suas opiniões e questionamentos, sem medo de julgamentos, é chave para compreenderem e se permitirem entender o outro.

Como educadores, somos agentes de transformação, não somente de indivíduos, mas também da sociedade que nos cerca. E a empatia parece ser um dos caminhos para um mundo melhor.

O autoconhecimento também é considerado um antecedente, uma vez que vários programas que ensinam empatia começam com autoconhecimento. Isto foi rejeitado porque muitas pessoas são naturalmente empáticas – sem necessariamente serem conscientes disso.

As consequências de uma interação empática é que os “empatizados” têm a necessidade de compreensão satisfeita, sentem-se valorizados e melhor preparados para entender a si mesmos e mudar. A pessoa empática sente-se satisfeita por sentir que ajudou e cumpriu o dever de ser útil para os outros.

Hábitos da mente - ESCUTAR-OS-OUTROS

Eu sou Tonia Casarin, mestre em Educação pelo Teachers College Columbia University (NY). Escrevo neste espaço quinzenalmente sobre educação socioemocional e educação integral, assunto fundamental na pauta das escolas e das famílias.