PANORAMA DOS RESULTADOS DO IDEB

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Já conversamos aqui no blog sobre o Ideb e, como os resultados de 2015 foram liberados recentemente, vale a pena nos debruçarmos sobre esses dados e relembrar a importância desse indicador.

O Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) foi desenvolvido com o intuito de medir a qualidade da educação, estabelecendo metas bianuais de crescimento a todas as escolas públicas e redes de ensino municipais, estaduais, privadas e federal.

Esse indicador é formado por dois componentes importantes para a área da educação: Aprendizado (obtido a partir dos resultados da Prova Brasil e do Saeb, nas áreas de português e matemática) e fluxo escolar (que se refere ao quantitativo de alunos aprovados). Esses fatores têm “pesos” iguais na conta do Ideb, o que reforça a ideia de que um sistema educacional de qualidade é aquele que proporciona a muitos (ou todos) os alunos (e não a uma minoria) o direito de aprender com qualidade.

Portanto, o Ideb é útil a toda sociedade brasileira ao apresentar de maneira simples em que ponto se encontram desde uma unidade escolar até toda uma rede de ensino e quais as metas as mesmas devem buscar atingir.

Juliana Miranda é gerente de Avaliação da Avalia Educacional e nossa parceira para o tema Avaliação

Agora, falando especificamente dos resultados do Ideb 2015 para o país, os dados mostram que os anos iniciais do ensino fundamental avançaram, embora ainda tenhamos muitos alunos com resultados de aprendizagem aquém dos esperados. Para o Brasil, o Ideb da rede pública nessa etapa atingiu a nota 5,3, acima da meta esperada (5,0). É um bom resultado em direção à nota 6,0, desempenho que deve ser alcançado até o ano de 2021, segundo o Plano Nacional de Educação (PNE).

Os resultados dos anos finais do ensino fundamental, contudo, evidenciam um cenário mais desafiador: uma vez que as taxas de aprovação têm crescido de maneira muita lenta e o desempenho na Prova Brasil e no Saeb ainda são abaixo do desejável, em geral, o Ideb da rede pública para essa etapa é de 4,2, inferior à meta de 4,5.

Esses dados do ensino fundamental demonstram que apesar dos alunos que deixam o 5º ano atingirem níveis de proficiência maiores nas avaliações nacionais, essa eficiência é perdida com o passar dos anos de escolaridade.

O ensino médio, por sua vez, agrava os desafios já apresentados nos anos finais do ensino fundamental: as escolas públicas em 2015 atingiram Ideb 3,5, abaixo da meta esperada, que era de 4,0 – na verdade, nenhuma rede estadual do país foi capaz de atingir sua meta no Ideb.

Como podemos perceber, o Ideb tem o poder de nos mostrar que os desafios para conquistarmos uma educação de qualidade são bastantes profundos. Contudo, por mais que os resultados gerais sejam incômodos, o indicador foi desenvolvido para nos fazer refletir em como melhorar essa situação, para nos ajudar a pensar para frente.

Para isso, o Ideb também nos mostra que há escolas e até municípios com desempenho bem acima da média do país, como Sobral (CE), Centenário (RS) ou Novo Horizonte (SP), onde estudos sobre os motivos que fazem essas cidades serem mais eficientes podem ser realizados e estratégias de ação podem ser desdobradas. Já há publicações disponíveis, por exemplo, como a obra Excelência com Equidade, da Fundação Lemann.

Para fechar, gostaria de fazer uma última observação. Quando pensamos em um indicador, temos que ter em mente que este é um instrumento criado para nos ajudar a conhecer e a monitorar a evolução de determinados aspectos de uma realidade. Assim, por exemplo, o Ideb fala sobre educação, o Índice de Massa Corporal (IMC) fala sobre saúde, e o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), sobre a economia.

Mesmo que um indicador não tenha a capacidade de refletir todos os diferentes e importantes aspectos do mundo real, ele ainda é útil para que toda a sociedade compreenda pontos de melhoria e de sucesso de cenários complexos, como o educacional. É por isso que a ampla divulgação desses dados é tão importante: ela traz transparência às ações e aos investimentos que têm sido dirigidos à área, estabelecem metas de evolução e embasam o desenvolvimento de intervenções políticas e pedagógicas baseadas em dados.

Escrito por Juliana Miranda

Bacharel em Ciências Sociais/USP e mestre em Educação/PUC-SP e gerente de Avaliação da Avalia Educacional

Referências bibliográficas:

Portal Ideb: http://portal.inep.gov.br/web/portal-ideb/o-que-e-o-ideb

Portal Qedu: http://www.qedu.org.br/brasil/ideb?gclid=CO_ZiMOf9s8CFYIEkQodfZ4Cew

Fundação Lemann – Excelência com Equidade: http://www.fundacaolemann.org.br/excelencia-com-equidade/

58º Prêmio Jabuti: Moderna é finalista em 2 categorias

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A Câmara Brasileira do Livro (CBL) divulgou os livros finalistas do 58º Prêmio Jabuti na última sexta-feira. O maior prêmio de literatura do Brasil elege livros e autores de destaque em 27 categorias. A premiação final acontece no dia 24 de novembro, no Auditório Ibirapuera.

Nós da Editora Moderna estamos orgulhosos de ter 7 livros entre os finalistas nas categorias Juvenil e Didático e Paradidático. Parabenizamos nossa equipe editorial e os autores que dedicam sua sabedoria para escrever histórias e conteúdos que façam a diferença na vida das pessoas.

O destaque na categoria Didáticos e Paradidáticos mostra a nossa dedicação e respeito ao trabalho dos educadores, além da nossa preocupação em produzir conteúdos relevantes, oferecer recursos diferenciados e dar todo o suporte para que as aulas sejam sempre atualizadas e conectadas com as necessidades do professor e do mundo.

Já estamos na torcida por mais uma conquista =)

Conheça as obras finalistas

CATEGORIA DIDÁTICO E PARADIDÁTICO

CONVIVENDO EM GRUPO: ALMANAQUE DE SOBREVIVÊNCIA EM SOCIEDADE

Autora: Leusa Araújo
Edição: 1ª Edição
Faixa etária: A partir de 11 anos
Número de páginas: 80
Sinopse: Já somos mais de sete bilhões de seres humanos no planeta. Agora “globalizados”, ficou mais fácil encontrar pessoas e se relacionar com elas? Parece que não. Com toda a tecnologia disponível e os imensos progressos da ciência, conviver em sociedade e respeitar as diferenças individuais ainda parece ser um dos maiores desafios da humanidade. É das “dores e delícias” da convivência em grupo que fala a autora. Com muito humor e reflexões que mexem com nossas convicções, ela pergunta: “O que é que está faltando para se viver melhor em grupo?”. E nos oferece caminhos e questões que servirão para rever nosso modo de ser e agir, transformando o nosso entorno num lugar melhor para se viver. Está mais do que na hora de colocarmos em pauta “uma nova cidadania”, como propõe este livro. E podemos principiar com a regra básica e fundamental de convivência: colocar-se no lugar do outro.

KIESE: HISTÓRIA DE UM AFRICANO NO BRASIL

Autor: Ricardo Dreguer
Edição: 1ª Edição
Faixa etária: A partir de 9 anos
Número de páginas: 52
Sinopse: O livro narra a trajetória de Kiese, um menino que foi capturado ainda na infância em sua aldeia, na África, e trazido para o Brasil para ser escravizado. É também a história de muitos africanos que foram tirados de seu território, separados de seus familiares e amigos e trazidos para o Brasil ao longo do tempo que durou o regime escravista em nosso país. A história de Kiese é a história de um brasileiro que lutou para conquistar um lugar para ser feliz com sua família, seus amigos e sua gente. Sua história se confunde com a própria formação do Brasil.

PROJETO ARARIBÁ PLUS ARTE

Autores: Obra colaborativa da Editora Moderna
Edição: 1ª Edição
Faixa etária: A partir de 10 anos
Sinopse: O Araribá Plus Arte é um livro didático que conta com elementos de diferentes campos da expressão artística para que o aluno utilize a arte como linguagem individual e coletiva, desenvolvendo o respeito à diversidade, à produção dos colegas e à multiplicidade cultural do mundo.

SETE JANELINHAS: MEUS PRIMEIROS SETE QUADROS

Autoras: Carla Caruso e May Shuravel
Edição: 1ª Edição
Faixa etária: A partir de 8 anos
Número de páginas: 40
Sinopse: Em Sete janelinhas: meus primeiros sete quadros, o pequeno leitor se depara com pinturas de importantes artistas brasileiros, poemas, ilustrações e informações num diálogo rico e criativo entre linguagens. As janelinhas conduzem e brincam com o olhar de quem se aventura a descobrir a beleza dos sete quadros apresentados. Vamos espiar?

SOLTANDO O SOM

Autores: Carolina Michelini e Michele Iacocca
Edição: 1ª Edição
Faixa etária: A partir de 8 anos
Número de páginas: 48
Sinopse: Jana e Dudu estão brincando e começam a perceber quantos sons diferentes eles produzem. E quantos outros barulhos, ruídos, músicas os rodeiam! Não só na cidade, em meio a buzinas e sirenes, mas também no campo, na praia, nas montanhas, de dia, à noite… Sons da natureza, sons humanos, sons que despertam a alegria, ou o medo, a saudade, a vontade de dançar etc. Os dois amigos vão nos mostrar como o som está presente o tempo todo na nossa vida, como tudo na natureza “canta” ou “toca”. Fazendo experiências com assobios, extraindo sons do próprio corpo, experimentando timbres e alturas de voz, eles vão descobrindo e nos contando os mistérios da música. Ajudados pelo tio Mozartino, aprendem as diferenças entre os instrumentos musicais e passeiam pela História da Música, entendendo como a linguagem musical se modificou. O tio lhes fala dos compositores famosos, da diversidade de composições e conta-lhes lendas e casos pitorescos sobre a música no mundo. Jana e Dudu ficam tão apaixonados pelo que ouvem, que se entusiasmam e começam a compor suas próprias e divertidas canções!

SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL: UMA QUESTÃO DE CONSCIÊNCIA

Autores: Denise Maria Elisabeth Formaggia, Luiz Roberto Magossi, Paulo Henrique Bonacella
Edição: 1ª edição
Faixa etária: A partir de 15 anos
Número de páginas: 112
Sinopse: Você sabia que para vivermos de modo sustentável (segundo os padrões de consumo da América do Norte e parte da Europa), a população do planeta não poderia ter ultrapassado 2 milhões de habitantes? Somos hoje 7,3 bilhões! Se mantivermos os números atuais de crescimento da economia e da população mundial, até 2030 necessitaremos de um segundo planeta Terra para viver… Por isso nunca se falou tanto sobre sustentabilidade como nos dias atuais. O ser humano está começando a constatar que ele próprio coloca em risco sua sobrevivência no planeta. Neste livro, os autores convidam o leitor para um passeio pela linha do tempo da história da humanidade e explicitam o porquê de necessitarmos mudar, urgentemente, conceitos e hábitos de vida que até hoje não questionamos, ou simplesmente ignoramos.

CATEGORIA JUVENIL

CASTELO DE AREIA

Autor: Menalton Braff
Edição: 1ª Edição
Faixa etária: A partir de 13 anos
Número de páginas: 104
Sinopse: Neste livro, Menalton Braff encontra espaço para discutir com muita delicadeza e respeito a questão da homossexualidade na adolescência. Com personagens cativantes, marcadas principalmente pela sinceridade com que lidam com os sentimentos, a obra levanta reflexões extremamente contundentes acerca do respeito pelas diferenças.

Lançamento! Projeto Presente Educação Infantil

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O Projeto Presente valoriza as diferentes etapas do aprendizado e, por isso, reuniu toda sua experiência em sala de aula para elaborar uma nova proposta que respeita as necessidades dos professores e alunos da Educação Infantil.

O Projeto Presente Educação Infantil permite guiar os primeiros desafios da aprendizagem com segurança e flexibilidade, valorizando a convivência e o brincar e desenvolvendo habilidades essenciais para a faixa etária.

O professor terá possibilidades para orientar seus alunos de forma lúdica e criativa, permitindo o trabalho com elementos culturais que agregam novas descobertas ao conhecimento do aluno, numa perspectiva de formação integral.

presente educação infantil

SAIBA POR QUE O PROJETO FARÁ A DIFERENÇA NA SUA ESCOLA

O Projeto Presente Educação Infantil traz diferenciais que valorizam os diversos momentos da aprendizagem, acionando habilidades sociocognitivas e estabelecendo conexões com o dia a dia.

DESIGN EXCLUSIVO
Trabalho sensorial nas capas incentiva a curiosidade do aluno, além de possuir espiral que facilita o uso dos cadernos durante a realização de atividades.

ATIVIDADES POR TEMA
Resultados de práticas pedagógicas fundamentadas em vasta experiência docente, que enriquecem as interações do aluno com o professor, com os colegas e com o espaço escolar.

JOGOS
Desenvolvem o raciocínio lógico-matemático de forma motivadora.

LITERATURA
Uma seleção de contos enriquece e estimula o prazer pela leitura.

ENVELOPES ESPECIAIS
Materiais temáticos que propõem atividades divertidas e criativas para apoiar e ampliar os conceitos aprendidos.

GUIA E RECURSOS DIDÁTICOS
Orienta o trabalho do professor em cada uma das atividades, além de dar dicas de projetos para aplicação em sala de aula.

O ALUNO ENVOLVIDO COM O APRENDIZADO

As obras estão divididas em três disciplinas: Linguagem, Matemática e Natureza e Sociedade. Todos os livros apresentam seções que trazem propostas dirigidas para cada etapa do aprendizado, estimulando a curiosidade e facilitando a assimilação de cada sequência didática.

CONHECIMENTOS PRÉVIOS
Avaliando a imagem, respondendo a questões e conversando com os colegas, o aluno conhece o tema que será trabalhado logo na abertura de cada unidade, fazendo referência ao que já conhece, e se prepara para novas situações de aprendizagem.

SISTEMATIZAÇÃO
A seção Refletindo mais encerra cada uma das unidades, ampliando o tema trabalhado por meio da socialização entre os alunos, classes e, quando possível, com a comunidade escolar.

RODA
Momento de diálogo mediado e análise de um tema específico.

LINGUAGEM

A coleção promove um trabalho com as diferentes linguagens, garantindo situações que favoreçam, progressivamente, o desenvolvimento da capacidade de falar, escutar, ler e escrever. Para isso, contempla a atuação do aluno como usuário da língua de forma integral.

ERA UMA VEZ…
Proporciona o contato do aluno com narrativas tradicionais da literatura infantil e estimula o gosto pela leitura.

MEU NOME E O SEU
Situação para registro de nomes e preferências com a construção de um repertório, incluindo palavras de referência que trabalham a identidade individual e social.

MATEMÁTICA

O projeto promove um trabalho com os conteúdos matemáticos por meio de atividades lúdicas que contribuem para que os alunos ampliem e aprofundem o que já vêm aprendendo naturalmente em contextos sociais reais.

ATIVIDADES
Conteúdos organizados de modo progressivo, com atividades envolventes.

O QUE APRENDEMOS?
Aqui, o aluno sistematiza os conceitos trabalhados.

NA PRÁTICA
Além de desenvolver a cooperação com o preparo de receitas culinárias, essa seção permite aos alunos explorar medidas não convencionais por meio de propostas culinárias.

NATUREZA E SOCIEDADE

O trabalho nesta área do conhecimento traz os principais conceitos relacionados às Ciências Naturais e Sociais organizados de forma interdisciplinar e com atividades que aproximam os alunos dos primeiros conceitos científicos.

MEU TEMPO, MEU LUGAR
Por meio de um tema específico, o aluno se aproxima de conceitos de Geografia e História que têm o objetivo de estimular a aquisição, a construção e a ampliação dos conhecimentos sobre tempo e espaço.

ATIVIDADE PRÁTICA
Da confecção de brinquedos ao preparo de receitas culinárias, os alunos vivenciam na prática conceitos importantes.

Problematização em sala de aula: o caso do balão com “gás hélio” que explodiu

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Em um artigo anterior sugerimos o uso de mitos como tema para a utilização da metodologia da problematização, explorando o caso do suposto carro movido a água. Neste artigo, partiremos do caso do balão de gás que explodiu queimando um garoto de quatro anos, em abril deste ano, em Itumbiara (GO). A mãe da criança postou o vídeo abaixo, mostrando o acidente.

O vídeo “viralizou”, deixando pais e mães preocupados – afinal, quem poderia imaginar que um balão desses feitos com material metalizado e cheio com gás hélio, pudesse explodir?! Mito ou verdade?

Em nossa proposta, a exibição do vídeo aos alunos constitui a (1) observação da realidade. A atividade aqui proposta pretende criar condições para que os alunos detectem o que pode, ou não, ser real nessa história, estimulados pela atividade investigativa em que eles são os protagonistas, enquanto que o professor atua como mediador, indicando caminhos, mas jamais fornecendo respostas prontas.

Depois da apresentação do vídeo, segue-se a etapa de (2) identificação dos pontos-chave, em que o professor pode levantar uma discussão sobre o ponto central: a suposta explosão do gás hélio. Sugerimos que a discussão seja encaminhada de modo que se note o quanto a afirmação é suspeita: um aluno do 9° ano do Ensino Fundamental já deve (ou deveria) desconfiar da queima de um gás nobre. Lembre-se, porém, colega professor, de apenas mediar o debate. Indique caminhos, mas deixe que os alunos encontrem as suas respostas.

Cá entre nós, professores de Química, sem sombra de dúvida, dentro do balão não poderia haver apenas gás hélio, se é que havia algum gás hélio ali – o que não impediu a imprensa de produzir algumas manchetes sofríveis, tais como “balões com gás hélio podem explodir e causar danos à saúde”.

Problematização: Exercitando a autonomia do aluno

Em seguida, pode-se iniciar a etapa de (3) teorização, em que os alunos executam a pesquisa propriamente dita. Para isso, sugerimos direcionar os alunos a pesquisarem sobre: (a) a regra do octeto, que estabelece uma relação frequente – apesar de apresentar diversas exceções (o próprio hélio é uma delas!) – entre a presença de oito elétrons na camada de valência de um átomo e sua estabilidade química; (b) a densidade dos gases e sua relação com a flutuação no ar.

Lembramos os professores que a densidade (d) de um gás pode ser calculada a partir da expressão matemática abaixo derivada da equação dos gases ideais:

em que P é a pressão, M a massa molar, R a constante dos gases e T a temperatura em kelvin. Considerando-se que o ar é constituído por 78,1 % de gás nitrogênio, 20,97 % de gás oxigênio e 0,93 % de argônio, pode-se calcular a massa molar do ar:

Note que nas mesmas condições de temperatura e pressão, basta comparar a massa molar (M) de um gás com a do ar para prever sua capacidade de flutuação! Essa deverá ser, espera-se, uma das principais conclusões dos alunos em suas pesquisas.

Cálculos relativos à densidade permitem que os alunos constatem que o gás hélio (M = 4 g/mol) apresenta apenas cerca de 1/7 da densidade do ar (M = 28,95 g/mol)! Assim como o gás hélio, outros gases menos densos que o ar também podem fazer o balão subir, é claro. Mas, então, como descobrir qual o gás existia dentro do balão?

Levantando teorias com os alunos

Apesar de no vídeo não ser possível saber se o balão realmente flutuava no ar, pois ele está preso pelo pé do menino, em entrevistas o pai afirmou que, ao comprá-lo, o balão flutuava, mas poucas horas depois começou a murchar e perder seu poder de ascensão.

Se o professor achar interessante, ele poderá pedir aos alunos que verifiquem a possibilidade do gás utilizado no balão que explodiu ser o GLP (gás liquefeito de petróleo). Ele é inflamável, mas poderia causar o mesmo efeito flutuante do gás hélio? Para isso, a investigação deverá revelar que, considerando por simplificação que o GLP seja constituído por iguais quantidades (em mol) de propano (C3H8M = 44 g/mol) e butano (C4H10M = 58 g/mol) – massa molar média aproximada de 51 g/mol -, nota-se que se trata de uma gás mais denso que ar, o que invalida sua escolha como o gás causador do acidente.

Outras opções que o professor pode apresentar para direcionar as pesquisas dos alunos são o gás hidrogênio (M= 2 g/mol) e gás metano (M= 16 g/mol), sendo este último o principal constituinte do gás natural veicular (GNV) ao qual se tem fácil acesso. Ambos são menos densos que o ar (M < 28,95 g/mol) e, portanto, flutuam, podendo substituir, com lucro para o vendedor de balões, o caro gás hélio.

A Química no cotidiano

Mas onde conseguir gás hidrogênio? Infelizmente, há na internet vários tutoriais que ensinam a produzi-lo (nesses vídeos, ele costuma ser chamado de “hélio caseiro”). Trata-se, porém, de algo extremamente perigoso (alerte seus alunos!), pois esse gás pode causar fortes explosões. Há casos de explosões de casas inteiras que funcionavam como laboratórios clandestinos de “hélio caseiro”! Mostre isso aos seus alunos de modo que eles se sintam completamente desencorajados a tentar reproduzir esse perigosíssimo experimento.

Os gases hidrogênio e natural são combustíveis, mas de onde terá vindo a energia de ativação para sua explosão? Uma possibilidade é a eletricidade estática gerada pelo atrito do balão metalizado com o chão. Teoria do octeto, densidade gasosa, energia de ativação… Note o quanto se tem a ganhar com atividades como essa!

Mas, afinal, terá sido gás hidrogênio ou gás metano o gás do acidente? Jamais saberemos, pois o vendedor do balão nunca foi encontrado. No entanto, imagine a riqueza desse trabalho de investigação exercido pelos alunos. Quais gases eles irão propor na etapa de (4) hipóteses de solução? Quais serão suas argumentações?

Como última etapa, a (5) aplicação à realidade, que tal o desmascaramento de um mito relacionado, muito frequente na internet, que diz ser possível encher balões com “hélio caseiro” utilizando-se apenas de bicarbonato de sódio e vinagre? Sugerimos a produção de um vídeo em que os alunos, figurando como cientistas, expliquem por que não é possível produzir gás hélio apenas com bicarbonato de sódio e vinagre, reação que, de fato, produz um gás, dióxido de carbono (M = 44 g/mol), mas que é cerca de uma vez e meia mais denso que o ar… Flutuar? Nem pensar!

Escrito pelos autores Emiliano Chemello Luís Fernando Pereira. Ambos são coautores, juntamente com Alberto Ciscato, da coleção QUÍMICA, da Editora Moderna.

Emiliano Chemello é Licenciado em Química e Mestre em Ciência e Engenharia de Materiais pela UCS. Professor de química no Ensino Médio e cursos Pré-Vestibulares.

Luís Fernando Pereira é químico industrial formado e licenciado pela USP. Leciona no Curso Intergraus desde 1995. É o químico consultor do programa Bem Estar, da Rede Globo.

Ensino Fundamental 2 | Novo Estudar História

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A coleção Estudar História foi pensada para que os jovens do século XXI percebam a história como ciência em construção e compreendam que os acontecimentos do passado dialogam com a sociedade atual. Além disso, proporciona o estudo das múltiplas culturas e uma educação voltada à autonomia e atuação do aluno como cidadão do mundo.

POR QUE A NOVA EDIÇÃO FARÁ A DIFERENÇA NA SUA ESCOLA? 

CONTEÚDOS NA MEDIDA CERTA para o professor com linguagem adequada à idade dos alunos.
NOVO PROJETO GRÁFICO que valoriza as imagens para garantir a compreensão
dos conteúdos.
VALORIZAÇÃO DO TRABALHO COM DIVERSAS FONTES HISTÓRICAS para desenvolver a capacidade investigativa na análise dos fatos e dos processos históricos.
PROGRAMA DE ATIVIDADES com foco na formação cidadã e nos procedimentos de pesquisa.
Destaque para HISTÓRIA E CULTURA AFRO-BRASILEIRA E INDÍGENA em todos os volumes da coleção.
NOVAS ATIVIDADES com diferentes linguagens como infográficos, tirinhas, mapas ilustrados, pinturas, fotografias e textos.

CONHEÇA A AUTORA

PATRÍCIA RAMOS BRAICK é mestre em História das Sociedades Ibéricas e Americanas pela PUC/RS. Há muitos anos, é autora de livros didáticos que são reconhecidos em todo o Brasil e refletem sua longa experiência como professora em Belo Horizonte.

CONTEÚDO ATUAL E MOTIVADOR

ABERTURA DO CAPÍTULO
Histórias em quadrinhos, canções, fotografias e outros tipos de imagens e textos que relacionam o passado com o presente são alguns recursos selecionados para instigar o interesse pelo tema e iniciar o trabalho.

Uma das preocupações centrais da coleção é expor os CONTEÚDOS DE FORMA EQUILIBRADA,
sem simplificar o processo histórico nem introduzir fatos e datas à exaustão.

ABORDAGEM SIGNIFICATIVA DA HISTÓRIA

INTEGRAÇÃO DAS DIFERENTES DIMENSÕES DA EXPERIÊNCIA HUMANA (social, econômica, política, cultural e tecnológica), com a preocupação de promover o pensamento crítico e a aprendizagem significativa dos alunos.

Quadro CONVERSA COM…
Apresenta ao aluno o diálogo entre os conteúdos de história e de outras disciplinas.

LEITURA DE TEXTOS VERBAIS E NÃO VERBAIS

Seção AMPLIE SEU CONHECIMENTO
Novos conteúdos, imagens (ilustrações, mapas, infográficos e fotografias) e atividades para aprofundar os temas dos capítulos.

A SIMULTANEIDADE DA HISTÓRIA

Seção ENQUANTO ISSO…
Novos textos e atividades que trabalham a noção de simultaneidade, mostrando ao aluno eventos históricos que aconteceram ao mesmo tempo em lugares diferentes.

PENSAMENTO CRÍTICO E RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS

Subseções INVESTIGAR e DEBATER
Atividades de pesquisa que estimulam o aluno a argumentar e fundamentar pontos de vista, contribuindo para que sua
formação seja crítica e consistente.

Subseção HISTÓRIA FEITA COM ARTE
Conteúdos e atividades aprimorados, com grande diversidade de linguagens (dança, teatro, música, além das artes visuais) para enriquecimento da aula.

PROGRAMA DE ATIVIDADES

Nossas ATIVIDADES permitem que os alunos utilizem os conteúdos conceituais de História para refletir criticamente sobre a sua realidade, sendo preparados a intervir nela com autonomia.

Seção ALUNO CIDADÃO
Debates e planos de ação relacionados a questões sociais, políticas e ambientais para estimular o protagonismo dos alunos.

Subseção COMPREENDER OS CONTEÚDOS
Ajuda o aluno a revisar o estudo do capítulo, ao mesmo tempo que desenvolve a capacidade de sintetizar, organizar e explicar os processos históricos.

Subseção AMPLIAR O APRENDIZADO
Estimula o aluno a interpretar textos e imagens, relacionar conceitos, formular hipóteses e elaborar argumentos e conclusões.

LIVRO DO PROFESSOR

Inserção de grande quantidade de comentários adicionais para o professor e as respostas das questões associadas às imagens nas próprias páginas do livro para facilitar a visualização.

No SUPLEMENTO DO PROFESSOR, ao final do livro, há sugestões e sequências didáticas completas para o professor trabalhar com os conteúdos dos livros ao longo das páginas.

LIVRO DIGITAL

Disponível em todos os volumes da coleção, o livro digital foi pensado para a sala de aula do século XXI. Alunos e professores podem interagir com os textos e explorar uma diversidade de objetos educacionais digitais, com uma linguagem atraente e de fácil usabilidade para um estudo mais dinâmico e interativo.

Preparado para COMPUTADORES, NOTEBOOKS, TABLETS E LOUSAS ELETRÔNICAS!
JOGOS, ANIMAÇÕES, SIMULADORES, VÍDEOS, ÁUDIOS, EXPOSIÇÕES VIRTUAIS E OUTROS RECURSOS INTERATIVOS enriquecem os conteúdos do livro digital.
Todo conteúdo digital vem acompanhado de ORIENTAÇÕES E SUGESTÕES para o professor.
RECURSOS EXTRAS permitem ao usuário fazer marcações, anotações e buscas de maneira fácil e ágil.

NAVEGUE PELAS OBRAS

O que aconteceu com a Avaliação da Alfabetização Infantil – Provinha Brasil?

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A Avaliação da Alfabetização Infantil – Provinha Brasil era uma avaliação destinada aos alunos do 2º ano do ensino fundamental das escolas públicas com o objetivo de diagnosticar o desenvolvimento do letramento em Língua Portuguesa e Matemática.

Comumente aplicada duas vezes ao aluno (no início e no final do segmento), a ideia da Provinha era proporcionar um diagnóstico inicial da aprendizagem das crianças, fornecendo dados para que os professores e as escolas adaptassem seu plano pedagógico à realidade de cada uma das turmas de alunos, e uma avaliação final para comparação, que indicasse os avanços e os pontos de atenção remanescentes após os alunos estarem quase dois anos envolvidos com o processo de alfabetização.

A Provinha, portanto, nunca teve a intenção de classificar ou punir aluno, escola ou o professor. Seus resultados não eram considerados para composição do IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) e, apesar de as provas serem preparadas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira (Inep/MEC), elas eram aplicadas pela própria equipe das escolas e seu principal objetivo era que os dados funcionassem como mais uma fonte de informação para o professor, como um instrumento complementar de sua avaliação da aprendizagem.

A participação na Provinha era facultativa – as secretarias de educação indicavam ao Inep/MEC seu interesse em aderir ao programa e recebiam kits com instruções sobre o objetivo do exame, a forma como deveriam ser aplicadas as provas, e como as mesmas deveriam ser corrigidas e analisadas.

Juliana Miranda é gerente de Avaliação da Avalia Educacional e nossa parceira para o tema Avaliação

Provinha Brasil Avaliação ad Alfabetização Infantil

Diferentemente das avaliações externas que têm seu processamento estatístico feito pelo Inep/MEC a partir de modelos como o da Teoria de Resposta ao Item (que se tornou bastante popular após o Exame Nacional do Ensino Médio – Enem), a correção da Provinha Brasil era baseada na simples contagem dos acertos dos alunos e sua alocação em níveis de desempenho que variavam de 1 a 5. Dentre esses, apenas os alunos classificados entre os níveis 4 e 5 seriam considerados com uma aprendizagem adequada, ao demonstrem autonomia para ler e interpretar textos simples (localizando informações, fazendo inferências e identificando o assunto ou a finalidade).

Infelizmente, neste ano, o Inep informou que, por restrições , a Provinha Brasil não terá versão impressa. Assim, fica a cargo das Secretarias estaduais ou municipais a despesa com a impressão dos kits. E para 2017, o exame terá sua aplicação suspensa até que sejam publicadas novas Matrizes de Referência para a Avaliação da Alfabetização (documentos que explicitam o que será avaliado), provavelmente já alinhadas com a Base Nacional Comum Curricular.

Dessa maneira, deixamos de ter (espera-se que temporariamente) um importante instrumento de avaliação das crianças que passam pela alfabetização, processo esse em que temos muitos desafios para superar em todo o Brasil, com pessoas de todas as idades. Para termos uma ideia da amplitude do problema, segundo dados do IBGE, 8,3% da população brasileira com 15 anos ou mais se declara analfabeta, o que equivale a cerca de 13 milhões de pessoas (mais do que os habitantes da cidade de São Paulo, que somam cerca de 12 milhões). Além disso, o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) desenvolvido pelo Instituto Paulo Montenegro, mostra que apenas 73% da população brasileira pode ser considerada funcionalmente alfabetizada, isto é, com capacidade de compreender textos simples.

Este alerta sobre a suspensão da Provinha Brasil serve, portanto, para mostrarmos que cada vez mais está nas mãos do professor e da gestão das escolas o desenvolvimento de avaliações que realmente informem sobre as habilidades e os conhecimentos das crianças, que ultrapassem a função burocrática de atribuir notas, sirvam para inclusão dos alunos no processo educacional e a garantia de uma aprendizagem significativa.

Escrito por Juliana Miranda

Bacharel em Ciências Sociais/USP e mestre em Educação/PUC-SP e gerente de Avaliação da Avalia Educacional

Referências bibliográficas:

Agência Brasil. Provinha Brasil terá apenas versão digital por restrições financeiras, diz Inep. Disponível em: http://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2016-08/provinha-brasil-tera-apenas-versao-digital-por-restricoes-financeiras-diz. Acesso em: 08 out. 2016.

Anuário Brasileiro da Educação Básica: 2016. Todos pela Educação. Moderna. Disponível em: http://www.moderna.com.br/lumis/portal/file/fileDownload.jsp?fileId=8A808A825504C11A01550D626BD50F82. Acesso em: 08 out. 2016.

Inep. Provinha Brasil. Disponível em: http://portal.inep.gov.br/web/provinha-brasil. Acesso em: 08 out. 2016.