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Tendências e desafios em educação financeira de crianças e jovens do Brasil e do mundo

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No início de dezembro, tive a oportunidade de participar da 3ª Conferência Educação Financeira e Comportamento do Investidor e do Seminário de Educação Financeira para crianças e jovens. Nesses eventos, especialistas brasileiros e internacionais discutiram as tendências e os desafios ligados a educação financeira ao redor do mundo. Compartilho agora com você os tópicos que mais chamaram a minha atenção e que nos ajudam a entender o contexto do tema.

Os principais desafios globais ligados à educação financeira apresentados foram:

Longevidade – muito se falou sobre o aumento da longevidade das populações ao redor do mundo e os esforços dos países para ampliar o hábito de poupar a longo prazo para garantir bem-estar e qualidade de vida depois da aposentadoria, reduzindo a dependência das pessoas pelas previdências sociais, sucateadas em praticamente todas as economias do planeta.

Andy de Santis é autora do livro Lições de Valor e parceira do blog para o tema Educação Financeira

Analfabetismo financeiro – Annamaria Lusardi, do Centro Global de Excelência em Letramento Financeiro (GFLEC), apresentou estudos mundiais sobre o nível de alfabetização financeira das populações. Uma delas, a S&P Global Financial Literacy Survey, apontou que dois em cada três adultos no mundo são analfabetos financeiros. No mapa abaixo, é possível notar as variações entres os diferentes países, dentre eles o Brasil que atualmente apresenta um índice de alfabetização financeira próximo à média mundial.

Figura 1 - Letramento financeiro ao redor do mundo. Fonte: GFLEC

Considerando que saber lidar com dinheiro e crédito é uma habilidade essencial para que os cidadãos estejam aptos a participar do século XXI, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) publicou em 2012 uma seção de educação financeira no PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos). A pesquisa, intitulada Estudantes e Dinheiro, avaliou o nível de alfabetização financeira de crianças e jovens. Os principais achados também foram apresentados pela palestrante, mostrando que apenas 1 em cada 7 estudantes de 15 ou 16 anos de idade é capaz de realizar operações simples e cotidianas relativas a finanças, como entender detalhes de uma fatura ou calcular o preço de um quilo de alimento no supermercado.

Públicos mais vulneráveis: Vários palestrantes mencionaram que há diferenças significativas no letramento financeiro das populações e alguns grupos são considerados mais vulneráveis que outros, tais como os jovens, as mulheres, as pessoas de baixa renda e escolaridade e os idosos. Crises econômicas, inflação e mudanças abruptas no cenário afetam esses grupos com mais severidade, por isso é fundamental investir esforços em sua educação financeira.

Para superar esses desafios, foram apontadas algumas tendências:

QUANTO MAIS CEDO COMEÇAR, MELHOR!

Investir em educação financeira desde os anos iniciais da formação educacional básica pode formar hábitos financeiros saudáveis durante a vida adulta. Várias nações já atuam nessa direção com programas governamentais específicos. No Brasil, a Estratégia Nacional de Educação Financeira oferece diretrizes para desenvolver programas e materiais do tema dirigidos a todas as faixas etárias e de renda.

IR ALÉM DOS MUROS DA ESCOLA

A educação financeira não precisa nem deve estar restrita às salas de aula. É preciso inserir o tema nos locais de trabalho, nas comunidades, nas bibliotecas, museus e outras instituições públicas e privadas. Em 2013, foi lançada a Federação Internacional dos Museus Financeiros, com a missão de reunir e integrar iniciativas do tema no mundo todo. No Brasil, o Museu de Valores em Brasília traz, além do acervo de moedas e notas históricas, uma nova sala chamada “Você já parou pra pensar?”, que oferece aos visitantes um ambiente experimental voltado à melhor compreensão dos componentes emocionais implícitos nas decisões econômicas. Vale a pena conferir!

INTEGRAR A PSICOLOGIA ECONÔMICA

A educação financeira não é feita só de números e planilhas, como já vimos nesse post. Cada vez mais, a psicologia econômica ou economia comportamental está presente nas ações de educação financeira, trazendo insights sobre processos mentais envolvidos nas decisões econômicas. Existe um esforço permanente de entender esses processos para apoiar consumidores e investidores no exato momento da escolha; esse é o papel do “nudge” (em português ‘cutucada’), conceito criado por Daniel Kahneman, que propõe ‘atalhos’ para auxiliar as decisões do indivíduo em diversos assuntos, inclusive dinheiro. No Brasil, a CVM lançou o Núcleo de Estudos Comportamentais com apoio de grandes especialistas na área, que divulga as novidades da área pelo blog Penso, Logo Invisto?

Lições de Valor: Educação Financeira escolar

Fico muito feliz quando leio sobre essas tendências, pois sei que estão totalmente alinhadas com o livro “Lições de Valor – Educação financeira escolar”, lançado pela Editora Moderna para alunos do Ensino Fundamental II. A obra aborda os aspectos emocionais ligados às escolhas, crenças, valores e sonhos e oferece ferramentas para apoiar estudantes, famílias e educadores a melhorar sua relação com os recursos ao seu redor, inclusive o dinheiro. No capítulo 5, “Ou isto ou aquilo”, sugerimos um teste para o aluno responder sobre o que leva em consideração na hora de fazer suas escolhas de consumo.

Eu sou Andyara de Santis Outeiro, autora do livro e estou aqui para dialogar com você sobre os conteúdos da obra e trazer dicas sobre educação financeira para aplicar na escola e na vida. Aproveite o espaço, traga seus dilemas, dúvidas e experiências. Vamos aprender juntos?

Como aproveitar a inflação para ensinar educação financeira em sala de aula?

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Em outubro de 2015, a inflação dos últimos 12 meses chegou a 9,93%*, maior patamar desde 2002. Na prática, isso significa que viver está quase 10% mais caro do que há um ano. Não é preciso ser economista para perceber o impacto da inflação na vida das pessoas, seja no supermercado, no posto de gasolina ou na conta de luz.

Quem já trabalhava antes do plano real sabe que já houve momentos piores, mas boa parte das famílias dos nossos alunos nunca vivenciou a experiência da inflação, o que pode ser uma ótima oportunidade de trazer educação financeira para a sala de aula. Aqui vão algumas sugestões para apoiar você a mostrar a seus alunos o que é e como driblar a inflação.

Andy de Santis é autora do livro Lições de Valor e parceira do blog para o tema Educação Financeira

1. Pesquisar os preços: Peça aos alunos para escolherem três itens favoritos do seu consumo diário e pesquisar os preços desses itens no supermercado ou na internet por três quinzenas seguidas, criando uma tabela como sugerida abaixo (clique na imagem e faça download da planilha):

2. Comparar e representar graficamente: Reúna os alunos com suas tabelas e proponha a criação de um gráfico com todos os itens e os preços pesquisados, para facilitar a visualização dos efeitos dos preços no tempo. Se houver itens similares pesquisados por alunos diferentes, incluir no gráfico da mesma forma, assim será possível comparar preços em diferentes locais.

3. Refletir: Fixe o gráfico na parede e proponha algumas reflexões, tais como:

  • Quais preços aumentaram, permaneceram iguais ou diminuíram?
  • Comparando os preços de itens iguais em lojas diferentes, o que vocês perceberam?
  • Como essas mudanças de preço influenciam a sua vida?

4. Conceito: Agora que os alunos já vivenciaram a ideia, apresente ou peça para pesquisarem no dicionário o conceito formal de inflação, ou seja, o aumento persistente e generalizado no valor dos preços, que pode ser causada por aumento na demanda ou nos custos dos produtos.

5. Chuva de ideias: Proponha aos alunos uma chuva de ideias sobre como podem contribuir no seu dia a dia para evitar, driblar ou reduzir a inflação. Anote as ideias e complemente com sugestões como: pesquisar preços, procurar produtos em promoção, adiar algumas compras quando os preços estiverem acima do esperado, comprar frutas da estação, evitar o desperdício, poupar para comprar à vista, negociar preços, trocar itens mais caros por similares mais baratos, comprar coletivamente para obter mais descontos, compartilhar itens duráveis e outras ideias.

6. Plano de ação: Depois da chuva de ideias, peça aos alunos para que escolham uma das ideias e preparem um material para compartilhar com suas famílias, sensibilizando-as a conversar sobre o tema e adotar esta ação. Pode ser em vídeo, música, questionário, poema, história em quadrinho entre outros.

Com projetos interdisciplinares como esse, é possível trabalhar conceitos matemáticos, históricos, geográficos, artísticos e linguísticos por meio de um tema bastante atual que afeta diretamente a vida dos estudantes e pode promover mudanças positivas na sociedade.

Lições de Valor: Educação Financeira escolar

A obra Lições de valor: educação financeira escolar é toda centrada no aluno e desenvolvida com os princípios da aprendizagem por problemas ou desafios como esse. A unidade 1, “Onde está o dinheiro” convida os alunos a calcular o custo de um dia em suas vidas, e traz exercícios para categorizar e priorizar as despesas do dia a dia junto com suas famílias. As escolas que adotarem o livro também terão acesso ao portal com textos e planilhas, que ajudarão as famílias e os professores a mapear e planejar seus sonhos e objetivos.

Eu sou Andyara de Santis Outeiro, autora do livro e estou aqui para dialogar com você sobre os conteúdos da obra e trazer dicas sobre educação financeira para aplicar na escola e na vida. Aproveite o espaço, traga seus dilemas, dúvidas e experiências. Vamos aprender juntos?

* Fonte: IBGE

Educação financeira até nas férias escolares

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Entramos no último bimestre do ano letivo e os alunos (e suas famílias) já começam a pensar nas férias escolares. Esse é um ótimo momento para introduzir os conceitos de planejamento financeiro em sala de aula. Que tal propor a seus alunos um projeto de poupança para férias?

Já vimos em um post anterior que o sonho é fundamental para motivar as pessoas a controlarem seus gastos e pouparem seu dinheiro. E quem não sonha em viajar no verão? Pensando nisso, elaborei algumas sugestões para apoiar você a conduzir o projeto com seus alunos.

Andy de Santis é autora do livro Lições de Valor e parceira do blog para o tema Educação Financeira

Inspire-os a sonhar e viajar

Aproveite os conteúdos de história e geografia vistos ao longo do ano e peça a seus alunos que escrevam sobre os lugares que já visitaram e os destinos que sonham conhecer.

Incentive a escolher o lugar em família

Dentre os lugares que sonham visitar, peça para que façam uma lista em ordem de interesses e conversem com suas famílias para decidirem juntos o destino da viagem. É possível que as famílias já tenham clareza sobre as férias deste ano, nesse caso oriente-os a começar já a planejar as férias do ano que vem. Outra opção é combinar uma viagem coletiva para as férias de julho de 2016 organizada pela escola.

A data da viagem

Após conversar com as famílias e definir quais destinos estão ao alcance de seu poder aquisitivo, é importante definir uma data prevista para a viagem.

Fazer as contas

Decidido o destino, é o momento de pesquisar preços de pacotes e definir qual o valor e por quanto tempo será preciso economizar para poupar o suficiente para a viagem. Nesta etapa do projeto, é importante abordar as questões de variação cambial e inflação, pois podem afetar significativamente o custo da viagem ao longo do período de poupança.

Elaborar um cronograma

Peça aos alunos que dividam o valor total a ser poupado pelo número de semanas ou meses até o dia da viagem. Assim, saberão exatamente quanto deverá ser necessário poupar por semana ou mês.

Definir as fontes de recurso

Agora que já sabem quanto precisarão juntar por semana, incentive-os a pensar em formas de conseguir estes recursos, cortando gastos, negociando com a família ou gerando receitas. Alguns exemplos de ações: pedir aos avós que o presente de natal seja em dinheiro, vender algo que não usa mais, cortar o gasto com chocolate, entre outros.

Acompanhar e celebrar

Crie um painel e fixe na parede da sala de aula para acompanhar visualmente a evolução do valor poupado pelos alunos e aproximando-os da realização de seu objetivo. No último dia de aula, organize uma celebração com eles.

Lições de Valor: Educação Financeira escolar

Uma boa forma de ensinar conceitos de educação financeira na escola é integrar o tema às outras disciplinas e partir de situações concretas da vida dos estudantes. A obra Lições de valor: educação financeira escolar é toda centrada no aluno e desenvolvida com os princípios da aprendizagem por problemas ou desafios como esse.

A unidade 4, “Aonde você quer chegar”, traz inspiração para estimular os alunos a sonhar, além de exercícios e métodos para apoia-los no planejamento de seus sonhos, passo a passo. As escolas que adotarem o livro também terão acesso ao portal com textos e planilhas, que ajudarão as famílias e os professores a mapear e planejar seus sonhos e objetivos.

Eu sou Andyara de Santis Outeiro, autora do livro e estou aqui para dialogar com você sobre os conteúdos da obra e trazer dicas sobre educação financeira para aplicar na escola e na vida. Aproveite o espaço, traga seus dilemas, dúvidas e experiências. Vamos aprender juntos?

Ensinar a cuidar do que é seu também é dar educação financeira

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À medida que cresce e se desenvolve, aumenta o contato da criança com objetos de uso pessoal e coletivo. Brinquedos, uniformes, materiais escolares, carteiras, aparelhos odontológicos, smartphones, instrumentos musicais, livros, mesas de estudo, cadeiras, jardins, lixeiras serão elementos presentes na vida escolar e oferecem grandes oportunidades de trabalhar a questão da educação financeira.

Ainda não encontrei pesquisas a respeito, mas desconfio que a criança que não aprendeu desde cedo a cuidar dos pertences pessoais e coletivos terá menos chance de construir uma vida financeira equilibrada no futuro. O raciocínio parte de três pressupostos, o primeiro mais simples e imediato: tudo à nossa volta custa dinheiro. Quando perdemos ou quebramos algo que precisa de conserto ou reposição, isso resulta em prejuízo que poderia ter sido evitado se houvesse mais atenção ou cuidado.

Andy de Santis é autora do livro Lições de Valor e parceira do blog para o tema Educação Financeira

A segunda premissa diz respeito à forma como pais e professores educam as crianças a assumirem gradativamente a responsabilidade por cuidar de seus pertences. Alguns adultos fazem tudo pela criança, ‘liberando-a’ de cuidar de sua higiene, seus objetos e seus animais de estimação, afinal “ela é muito nova para ter responsabilidades”. É importante lembrar que a responsabilidade é um valor a ser ensinado e quando não há espaço para exercê-la, a criança simplesmente não irá desenvolvê-la. Como não aprendeu a tomar conta do que é seu (e consequentemente do que é de todos), esse adulto poderá culpar o chefe, o governo, a esposa e até o clima pela falta de dinheiro, de água ou pelos imprevistos que surgirem no caminho. Será que uma pessoa nessa posição de ‘vítima’ terá disposição e disciplina para controlar seu orçamento e fazer uma reserva para imprevistos? Tenho minhas dúvidas.

O terceiro aspecto está ligado à reação dos adultos quando algo que pertence à criança é perdido ou quebrado. É muito doloroso ver sua expressão de choro e frustração, o que nos faz correr para acalmar a criança e devolver a ela sua alegria e bem-estar. Por outro lado, lidar com as consequências da sua falta de atenção é uma lição de valor fundamental para que as crianças aprendam atitudes de prevenção, precaução e cuidado com seus pertences e com tudo que representa o patrimônio material ou cultural construído pelo homem, assim como o patrimônio natural disponível para a sobrevivência de todos nós. Futuramente, será mais fácil ensinar a esse adulto a importância de proteger o patrimônio da família, prevenir imprevistos, planejar e calcular seus riscos, pois ele saberá desde cedo as consequências da falta de cuidado.

Aqui vão algumas dicas para estimular o senso responsabilidade da criança e do jovem.

Delegue responsabilidades na medida certa

É saudável delegar à criança algumas responsabilidades ao seu alcance, como cuidar de seus brinquedos, organizar o quarto, administrar sua mesada, ajudar nas tarefas domésticas e escolares, organizar seus materiais, apontar seus lápis e cuidar do ambiente em sala de aula.

Convide a criança a tomar decisões

Convidá-la a decidir coletivamente sobre um passeio da escola ou sobre o tema da peça de final de ano, deixa-la assumir alguns riscos e lidar com as consequências das decisões tomadas terá efeito pedagógico importante no desenvolvimento de sua responsabilidade.

Não elimine ou tente compensar frustrações

Se ela quebrar ou perder algo, tirar notas baixas, esquecer um compromisso ou gastar todo seu dinheiro, não reponha imediatamente nem tente compensar a frustração com presentes ou doces. Acolha e ampare sua tristeza, mas aproveite a oportunidade como lição para lembrá-la da importância de ser responsável por seus pertences e tarefas.

Incentive-a a preservar o que é de todos

Lixeiras, bancos, carteiras da escola, jardins, praças, estátuas, ruas e canteiros da cidade devem ser preservados e cuidados por todos nós. Quanto antes a consciência das crianças e jovens for chamada para a importância dessa preservação, menos recursos privados ou públicos precisarão ser gastos com a manutenção deste patrimônio.

Lições de Valor: Educação Financeira escolar

Na unidade 10 da obra Lições de valor: educação financeira escolar, ofereço dicas e orientações para auxiliar educadores a estimular a gestão de riscos e imprevistos pelos jovens com o exercício da responsabilidade por seus pertences, da família e da escola. No guia do professor, você também terá atividades e textos para auxiliá-lo a cuidar do seu patrimônio e se prevenir de riscos em sua vida financeira.

Eu sou Andyara de Santis Outeiro, autora do livro e estou aqui para dialogar com você sobre os conteúdos da obra e trazer dicas sobre educação financeira para aplicar na escola e na vida. Aproveite o espaço, traga seus dilemas, dúvidas e experiências. Vamos aprender juntos?

Ser um educador financeiro na escola requer cuidados

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No post passado, comentamos sobre o quanto é difícil conversar sobre dinheiro em família e na sociedade, o que faz desse assunto um verdadeiro tabu. Por essa razão, muitos educadores sentem insegurança em trazer este tema para a sala de aula por receio de não saber lidar adequadamente com as reações de seus alunos. Pensando nisso, preparei algumas dicas para ajudá-los a conduzir a educação financeira de forma construtiva e sem constrangimentos na sua prática educativa.

Informe a família: antes de iniciar qualquer trabalho de educação financeira na escola, avise os pais ou responsáveis por seus alunos. É muito importante comunica-los sobre as atividades planejadas e a forma como elas serão conduzidas em sala de aula. Deixe claro que alguns exercícios propõem cálculos de despesas e receitas reais da família, mas que essas atividades serão conduzidas de forma a proteger o sigilo e a privacidade das informações pessoais e familiares acima de tudo.

Preserve o sigilo e a privacidade: Em vez de estimular as trocas sobre as rendas e despesas entre os alunos, faça perguntas que os estimule a trazer o foco para o processo de descoberta e as ideias sobre seus hábitos de consumo. Por exemplo, ao invés de levantar questões do tipo “Quanto você gasta com lazer” ou “Qual a renda da sua família”, prefira dialogar sobre questões como “Qual foi o grupo de despesas mais difícil de calcular”, “Como foi a experiência”, “O que mais o surpreendeu” ou “Que ideias você poderia colocar em prática para reduzir alguma despesa”? Assim você estará trabalhando o tema sem expor a vida financeira das famílias.

Andy de Santis é autora do livro Lições de Valor e parceira do blog para o tema Educação Financeira

Crie um ambiente seguro: Jamais julgue as preferências, sonhos e hábitos de seus alunos. Se deseja construir um ambiente de confiança para que eles se sintam seguros a compartilhar suas dúvidas e dilemas, evite expressões faciais e verbais de desaprovação ou crítica a respeito dos comportamentos ou decisões de seus alunos. Repudie atitudes preconceituosas ou falta de respeito entre os próprios estudantes. Reforce a riqueza da diversidade de respostas e de estratégias de cada um para encontrar suas próprias soluções, pontuando seus riscos e oportunidades com cuidado e responsabilidade.

Nunca compare situações financeiras ou pessoais, suas ou de seus alunos, e cuide para que tais comparações sejam eliminadas do ambiente de aula. Cada família tem suas referências, projetos e prioridades, portanto o respeito é um valor fundamental para o êxito deste projeto.

Lições de Valor: Educação Financeira escolar

Ao longo das 12 unidades da obra Lições de valor: educação financeira escolar, ofereço dicas e orientações para auxiliar educadores a conduzirem de forma respeitosa e adequada as diferentes atividades e exercícios propostos para conscientizar alunos e famílias a aprimorar sua relação com o dinheiro e o consumo.

No guia do professor, estão disponíveis os exercícios comentados para ajudá-lo a conduzir as atividades em sala de aula e você ainda pode acessar o portal do professor com planilhas, leituras complementares e dicas para aprimorar a sua própria relação com o dinheiro.

Eu sou Andyara de Santis Outeiro, autora do livro e estou aqui para dialogar com você sobre os conteúdos da obra e trazer dicas sobre educação financeira para aplicar na escola e na vida. Vamos aprender juntos?

Dinheiro (não) se discute

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Um levantamento recente feito pela Serasa com mais de 2000 pessoas revelou um dado assustador: apenas 3% dos participantes do teste afirmaram que não escondem ou não esconderiam nada do parceiro quando o assunto é dinheiro. A pesquisa, disponível no site do Serasa Consumidor trouxe à tona a reflexão sobre o dinheiro como um grande tabu na nossa sociedade.

A falta de diálogo aberto e transparente sobre salários, bens de família, despesas e patrimônio é um fenômeno típico de um país com alta desigualdade social e insegurança. As classes mais altas receiam que a circulação de informações sobre suas rendas e bens possam despertar a cobiça de pessoas mal-intencionadas, expondo suas vidas a risco. Nas instituições e empresas, a alta desigualdade salarial entre os cargos e a falta de clareza sobre os critérios adotados para reconhecer financeiramente os funcionários com melhor desempenho, também desestimulam a troca de informações sobre remuneração entre as pessoas. Em países desenvolvidos, é comum que todos tenham acesso às faixas salariais dos diferentes cargos, desde a base até o topo da hierarquia.

Andy de Santis é autora do livro Lições de Valor e parceira do blog para o tema Educação Financeira

É possível compreender a discrição das pessoas para falar sobre dinheiro em seus ambientes de trabalho e em locais públicos; entretanto, é estarrecedor perceber que o assunto é um tabu mesmo dentro de casa. Pessoas que pretendem dividir a vida, suas alegrias e tristezas, comprar imóveis e constituir família se preocupam em fazer exames pré-nupciais, mas se esquecem ou simplesmente se recusam a conversar sobre seus hábitos e sua saúde financeira.

Em um cenário de tanto segredo, não é de se admirar que muitos conflitos familiares e até divórcios sejam motivados por questões financeiras. Por falta do hábito de dialogar sistematicamente sobre dinheiro, este assunto só vem à tona quando as dívidas começam a inviabilizar os projetos da família, e aí o tom da conversa não é nada amigável. Cobranças e acusações mútuas podem levar a desfechos irrecuperáveis na relação. As crianças são diretamente afetadas por estes conflitos, manifestando diversos sintomas como tristeza, depressão, baixo desempenho nas notas da escola, isolamento, entre outros. Além disso, nas famílias em que não se conversa sobre dinheiro, é mais comum que as crianças e jovens não tenham a educação financeira que seria tão útil para aprenderem a lidar com seus recursos no futuro.

Lições de Valor: Educação Financeira escolar

No livro “Lições de Valor – Educação financeira escolar”, lançado pela Editora Moderna, oferecemos diversas atividades para estimular o diálogo familiar sobre dinheiro, além de dicas sobre como falar sobre este assunto sem estremecer as relações. Em todas as unidades, o aluno é convidado a entrevistar familiares, conhecer as contas da casa, participar das decisões e oferecer ideias para solucionar desafios financeiros de sua família. O livro dispõe de um portal exclusivo para a família com ferramentas, planilhas, textos e orientações para melhorar sua relação com o consumo e o dinheiro.

Eu sou Andyara de Santis Outeiro, autora do livro, e estou aqui para dialogar com você sobre os conteúdos da obra e trazer dicas sobre educação financeira para aplicar na escola e na vida. Vamos aprender juntos?

Educação financeira de pai para filho

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Em maio, dediquei um post ao papel das mães na educação financeira das crianças. Chegou a vez de homenagear os pais pelo seu dia e aproveitar o momento para discutir um pouco seu papel neste processo. Afinal, com tantas mudanças na sociedade, em que os homens já não são os únicos provedores da família, como podem contribuir para que seus filhos tenham uma boa relação com o dinheiro?

Em primeiro lugar, é fundamental incentivar os talentos e respeitar os sonhos de seus filhos. Muitos pais projetam suas frustrações em seus filhos, esperando que eles escolham a profissão que os pais sonhavam quando crianças. Outro fenômeno comum é esperar que os filhos sejam mais bem-sucedidos do que eles foram na vida. Ter mais sucesso do que seu pai acaba se tornando uma carga muito pesada, que pode levar o filho a demorar mais tempo para decidir seu caminho e aceitar seus erros, aumentando a sensação de fracasso.

Andy de Santis é autora do livro Lições de Valor e parceira do blog para o tema Educação Financeira

E como geralmente a fonte do recurso financeiro vem do trabalho, quanto mais tempo o jovem perder com indecisão, dúvida e angústia, mais ele irá demorar para gerar frutos significativos da sua atuação profissional. Esta confiança necessária para fazer escolhas, errar e aprender com os erros vem da infância, daí a importância do incentivo. Segundo o futurista Thomas Frey, “60% das profissões dos próximos dez anos ainda não foram inventadas”. Portanto, não tenha receio de que a profissão escolhida por seu filho não traga o reconhecimento financeiro que espera. O mercado está mudando muito rapidamente e as profissões de sucesso no passado não garantem êxito no futuro.

Outro exemplo importante que deveria ser transmitido de pai para filho diz respeito à ética. Será que vale tudo para se tornar rico ou conseguir o que se deseja? Vale a pena passar alguém para trás para obter uma promoção no trabalho? O que devemos levar em conta para fazer dinheiro de uma forma que beneficie a sociedade? Estas reflexões são fundamentais para desenvolver o caráter e o espírito cidadão da criança em formação. Mas não basta só falar, é fundamental praticar o que se diz, ou a criança perceberá a inconsistência e se sentirá insegura, mais suscetível às práticas da trapaça, da mentira e da desonestidade desde cedo.

A partir de certa idade, a mesada pode ser uma forma de ajudar seu filho a entender o valor do dinheiro e administrá-lo. Se você deseja experimentar a mesada, uma boa forma de começar é pedir a seu filho que faça ele próprio uma pesquisa dos preços do lanche na escola, salgadinhos, passeios e outros itens que você imagina que podem compor um conjunto de despesas que serão administradas por ele. Juntos, vocês podem definir e priorizar as finalidades do dinheiro, assim como as ações que serão tomadas caso haja sobra ou falta.

No começo, é comum que ele se perca nas contas, gaste mais do que o planejado ou faça alguma extravagância. Permita um pouco de experimentação e entenda que estes erros são importantes para o aprendizado. Usando perguntas, ajude-o a pensar em estratégias para organizar suas “contas” de forma diferente nas próximas vezes. Quando sentir que ele está pronto para cuidar sozinho do processo, delegue esta responsabilidade e evite compensar as possíveis distrações. Assim, você estará ensinando que recursos limitados devem ser bem gerenciados, ou podem faltar.

Lições de Valor: Educação Financeira escolar

Se você tem filhos no 6º a 9º ano do Ensino Fundamental II, indique à escola o livro “Lições de Valor – Educação financeira escolar” lançado pela Editora Moderna. Além das atividades para o aluno, o livro também dispõe de um portal exclusivo para a família com ferramentas, planilhas, textos e orientações para melhorar sua relação com o consumo e o dinheiro.

Eu sou Andyara de Santis Outeiro, autora do livro e estou aqui para dialogar com você sobre os conteúdos da obra e trazer dicas sobre educação financeira para aplicar na escola e na vida. Desejo a você um dia mais que especial com seus filhos e sua família. Parabéns e feliz Dia dos Pais!