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PANORAMA DOS RESULTADOS DO IDEB

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Já conversamos aqui no blog sobre o Ideb e, como os resultados de 2015 foram liberados recentemente, vale a pena nos debruçarmos sobre esses dados e relembrar a importância desse indicador.

O Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) foi desenvolvido com o intuito de medir a qualidade da educação, estabelecendo metas bianuais de crescimento a todas as escolas públicas e redes de ensino municipais, estaduais, privadas e federal.

Esse indicador é formado por dois componentes importantes para a área da educação: Aprendizado (obtido a partir dos resultados da Prova Brasil e do Saeb, nas áreas de português e matemática) e fluxo escolar (que se refere ao quantitativo de alunos aprovados). Esses fatores têm “pesos” iguais na conta do Ideb, o que reforça a ideia de que um sistema educacional de qualidade é aquele que proporciona a muitos (ou todos) os alunos (e não a uma minoria) o direito de aprender com qualidade.

Portanto, o Ideb é útil a toda sociedade brasileira ao apresentar de maneira simples em que ponto se encontram desde uma unidade escolar até toda uma rede de ensino e quais as metas as mesmas devem buscar atingir.

Juliana Miranda é gerente de Avaliação da Avalia Educacional e nossa parceira para o tema Avaliação

Agora, falando especificamente dos resultados do Ideb 2015 para o país, os dados mostram que os anos iniciais do ensino fundamental avançaram, embora ainda tenhamos muitos alunos com resultados de aprendizagem aquém dos esperados. Para o Brasil, o Ideb da rede pública nessa etapa atingiu a nota 5,3, acima da meta esperada (5,0). É um bom resultado em direção à nota 6,0, desempenho que deve ser alcançado até o ano de 2021, segundo o Plano Nacional de Educação (PNE).

Os resultados dos anos finais do ensino fundamental, contudo, evidenciam um cenário mais desafiador: uma vez que as taxas de aprovação têm crescido de maneira muita lenta e o desempenho na Prova Brasil e no Saeb ainda são abaixo do desejável, em geral, o Ideb da rede pública para essa etapa é de 4,2, inferior à meta de 4,5.

Esses dados do ensino fundamental demonstram que apesar dos alunos que deixam o 5º ano atingirem níveis de proficiência maiores nas avaliações nacionais, essa eficiência é perdida com o passar dos anos de escolaridade.

O ensino médio, por sua vez, agrava os desafios já apresentados nos anos finais do ensino fundamental: as escolas públicas em 2015 atingiram Ideb 3,5, abaixo da meta esperada, que era de 4,0 – na verdade, nenhuma rede estadual do país foi capaz de atingir sua meta no Ideb.

Como podemos perceber, o Ideb tem o poder de nos mostrar que os desafios para conquistarmos uma educação de qualidade são bastantes profundos. Contudo, por mais que os resultados gerais sejam incômodos, o indicador foi desenvolvido para nos fazer refletir em como melhorar essa situação, para nos ajudar a pensar para frente.

Para isso, o Ideb também nos mostra que há escolas e até municípios com desempenho bem acima da média do país, como Sobral (CE), Centenário (RS) ou Novo Horizonte (SP), onde estudos sobre os motivos que fazem essas cidades serem mais eficientes podem ser realizados e estratégias de ação podem ser desdobradas. Já há publicações disponíveis, por exemplo, como a obra Excelência com Equidade, da Fundação Lemann.

Para fechar, gostaria de fazer uma última observação. Quando pensamos em um indicador, temos que ter em mente que este é um instrumento criado para nos ajudar a conhecer e a monitorar a evolução de determinados aspectos de uma realidade. Assim, por exemplo, o Ideb fala sobre educação, o Índice de Massa Corporal (IMC) fala sobre saúde, e o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), sobre a economia.

Mesmo que um indicador não tenha a capacidade de refletir todos os diferentes e importantes aspectos do mundo real, ele ainda é útil para que toda a sociedade compreenda pontos de melhoria e de sucesso de cenários complexos, como o educacional. É por isso que a ampla divulgação desses dados é tão importante: ela traz transparência às ações e aos investimentos que têm sido dirigidos à área, estabelecem metas de evolução e embasam o desenvolvimento de intervenções políticas e pedagógicas baseadas em dados.

Escrito por Juliana Miranda

Bacharel em Ciências Sociais/USP e mestre em Educação/PUC-SP e gerente de Avaliação da Avalia Educacional

Referências bibliográficas:

Portal Ideb: http://portal.inep.gov.br/web/portal-ideb/o-que-e-o-ideb

Portal Qedu: http://www.qedu.org.br/brasil/ideb?gclid=CO_ZiMOf9s8CFYIEkQodfZ4Cew

Fundação Lemann – Excelência com Equidade: http://www.fundacaolemann.org.br/excelencia-com-equidade/

O que aconteceu com a Avaliação da Alfabetização Infantil – Provinha Brasil?

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A Avaliação da Alfabetização Infantil – Provinha Brasil era uma avaliação destinada aos alunos do 2º ano do ensino fundamental das escolas públicas com o objetivo de diagnosticar o desenvolvimento do letramento em Língua Portuguesa e Matemática.

Comumente aplicada duas vezes ao aluno (no início e no final do segmento), a ideia da Provinha era proporcionar um diagnóstico inicial da aprendizagem das crianças, fornecendo dados para que os professores e as escolas adaptassem seu plano pedagógico à realidade de cada uma das turmas de alunos, e uma avaliação final para comparação, que indicasse os avanços e os pontos de atenção remanescentes após os alunos estarem quase dois anos envolvidos com o processo de alfabetização.

A Provinha, portanto, nunca teve a intenção de classificar ou punir aluno, escola ou o professor. Seus resultados não eram considerados para composição do IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) e, apesar de as provas serem preparadas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira (Inep/MEC), elas eram aplicadas pela própria equipe das escolas e seu principal objetivo era que os dados funcionassem como mais uma fonte de informação para o professor, como um instrumento complementar de sua avaliação da aprendizagem.

A participação na Provinha era facultativa – as secretarias de educação indicavam ao Inep/MEC seu interesse em aderir ao programa e recebiam kits com instruções sobre o objetivo do exame, a forma como deveriam ser aplicadas as provas, e como as mesmas deveriam ser corrigidas e analisadas.

Juliana Miranda é gerente de Avaliação da Avalia Educacional e nossa parceira para o tema Avaliação

Provinha Brasil Avaliação ad Alfabetização Infantil

Diferentemente das avaliações externas que têm seu processamento estatístico feito pelo Inep/MEC a partir de modelos como o da Teoria de Resposta ao Item (que se tornou bastante popular após o Exame Nacional do Ensino Médio – Enem), a correção da Provinha Brasil era baseada na simples contagem dos acertos dos alunos e sua alocação em níveis de desempenho que variavam de 1 a 5. Dentre esses, apenas os alunos classificados entre os níveis 4 e 5 seriam considerados com uma aprendizagem adequada, ao demonstrem autonomia para ler e interpretar textos simples (localizando informações, fazendo inferências e identificando o assunto ou a finalidade).

Infelizmente, neste ano, o Inep informou que, por restrições , a Provinha Brasil não terá versão impressa. Assim, fica a cargo das Secretarias estaduais ou municipais a despesa com a impressão dos kits. E para 2017, o exame terá sua aplicação suspensa até que sejam publicadas novas Matrizes de Referência para a Avaliação da Alfabetização (documentos que explicitam o que será avaliado), provavelmente já alinhadas com a Base Nacional Comum Curricular.

Dessa maneira, deixamos de ter (espera-se que temporariamente) um importante instrumento de avaliação das crianças que passam pela alfabetização, processo esse em que temos muitos desafios para superar em todo o Brasil, com pessoas de todas as idades. Para termos uma ideia da amplitude do problema, segundo dados do IBGE, 8,3% da população brasileira com 15 anos ou mais se declara analfabeta, o que equivale a cerca de 13 milhões de pessoas (mais do que os habitantes da cidade de São Paulo, que somam cerca de 12 milhões). Além disso, o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) desenvolvido pelo Instituto Paulo Montenegro, mostra que apenas 73% da população brasileira pode ser considerada funcionalmente alfabetizada, isto é, com capacidade de compreender textos simples.

Este alerta sobre a suspensão da Provinha Brasil serve, portanto, para mostrarmos que cada vez mais está nas mãos do professor e da gestão das escolas o desenvolvimento de avaliações que realmente informem sobre as habilidades e os conhecimentos das crianças, que ultrapassem a função burocrática de atribuir notas, sirvam para inclusão dos alunos no processo educacional e a garantia de uma aprendizagem significativa.

Escrito por Juliana Miranda

Bacharel em Ciências Sociais/USP e mestre em Educação/PUC-SP e gerente de Avaliação da Avalia Educacional

Referências bibliográficas:

Agência Brasil. Provinha Brasil terá apenas versão digital por restrições financeiras, diz Inep. Disponível em: http://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2016-08/provinha-brasil-tera-apenas-versao-digital-por-restricoes-financeiras-diz. Acesso em: 08 out. 2016.

Anuário Brasileiro da Educação Básica: 2016. Todos pela Educação. Moderna. Disponível em: http://www.moderna.com.br/lumis/portal/file/fileDownload.jsp?fileId=8A808A825504C11A01550D626BD50F82. Acesso em: 08 out. 2016.

Inep. Provinha Brasil. Disponível em: http://portal.inep.gov.br/web/provinha-brasil. Acesso em: 08 out. 2016.

Um breve histórico da avaliação

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Hoje, vamos contar um pouco sobre a história da avaliação educacional.

Os exames escolares, da forma como conhecemos hoje, foram sistematizados ao longo do século XVI e primeira metade do século XVII, mais especificamente quando os jesuítas elaboraram um documento publicado em 1599, intitulado Ratio atque Institutio Studiorum Societatis Jesus, que em bom português, significa Ordenamento e Institucionalização dos Estudos na Sociedade de Jesus, popularmente conhecido como Ratio Studiorum.

Esse documento formalizava o modo como deveriam ser administradas as práticas pedagógicas das escolas jesuítas e descrevia, dentre muitas instruções, como os alunos deveriam ser examinados ao final de um ano letivo vigente (prática ainda bastante comum em nossas escolas).

Segundo Cipriano Luckesi, 1998, nesse documento está normatizado que, no momento das provas, os estudantes não poderão solicitar nada que necessitem (nem aos seus colegas, nem ao profissional que toma conta da turma); não deverão sentar-se em carteiras conjugadas (mas caso isso ocorresse, o professor deveria prestar muita atenção ao comportamento dos dois alunos, para que um não copiasse a resposta do outro); o tempo da prova deverá ser previamente estabelecido e não eram permitidos acréscimos de tempo. Essa organização parece bem familiar, não é?

Juliana Miranda é gerente de Avaliação da Avalia Educacional e nossa parceira para o tema Avaliação

Ainda no século XVII, John Amós Comênio, um bispo protestante da Morávia, região atualmente conhecida como República Tcheca, publicou um livro chamado Didática Magna: ou da arte universal de ensinar tudo a todos, totalmente. Nessa obra de título bastante audacioso, Comênio argumentava “que aluno não se preparará suficientemente bem para as provas se ele souber que as provas são para valer? ”.

Nesse contexto, portanto, foi dado início ao uso da verificação da aprendizagem como recurso de castigo e imposição do medo para obter dos estudantes a devida atenção às lições dadas em sala de aula. (LUCKESI, 1998).

Com o passar dos anos, claro, inúmeros foram os aperfeiçoamentos na modalidade dos exames. A partir da constituição da Psicologia da Educação, no final do século XIX e início do século XX, em união com a Pedagogia, surgiu a preocupação com a elaboração de testes metodológicos e científicos.

histórico avaliação

Já nos anos 1960 e 1970, nos Estados Unidos, ganharam força os debates relacionados ao desenvolvimento de avaliações dos programas educacionais resultantes do investimento público. No governo de John F. Kennedy, nasceram os modelos de avaliação aplicados em larga escala, que chegaram ao Brasil entre os anos de 1980 e 1990, e que ainda hoje são bastante relevantes, ao buscarem reconhecer a efetividade e eficiência dos resultados escolares.

Pelo breve histórico aqui colocado, é possível perceber que uma lógica ainda predominante em muitas salas de aula do país teve origem em práticas bastante tradicionais preocupadas muito mais em disciplinar o comportamento do aluno, do que em efetivamente garantir sua aprendizagem.

Apenas recentemente, já no final do século XX e início do século XXI, a área educacional passou a se preocupar mais profundamente com as consequências da aplicação de avaliações para os alunos e as diferentes possibilidades de uso dos resultados para a garantia da aprendizagem. Essas avaliações estão relacionadas às funções diagnóstica e formativa, que preveem tanto o acompanhamento do trabalho do aluno, mas principalmente, a flexibilização da didática e do planejamento pedagógico do professor, que tem como foco priorizar que os alunos realmente aprendam e não acumulem dificuldades ao longo dos anos do que simplesmente cumprir com o programa escolar pré-estabelecido.

E vocês? Que tipos de avaliação realizam em suas salas de aula.

Escrito por Juliana Miranda

Bacharel em Ciências Sociais/USP e mestre em Educação/PUC-SP e gerente de Avaliação da Avalia Educacional

Referências bibliográficas:

LUCKESI, C. Avaliação da Aprendizagem Escolar. 8. ed. São Paulo: Cortez, 1998.

É errando que se aprende

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No post anterior, falamos sobre a importância de oferecer aos alunos um feedback qualitativo que mostre a diferença entre o desempenho esperado e o real. Hoje, vamos falar sobre como usar os erros (diagnosticados pela avaliação e descritos no feedback) como base para uma nova oportunidade de aprendizagem.

Decidir usar o erro como suporte para o crescimento (como coloca Luckesi, 2002), antes de mais nada, significa quebrar definitivamente um paradigma da sala de aula, que considera o erro como motivo para um castigo, uma nota baixa, algo que sempre prejudica o aluno. Isso porque, quando um professor estabelece seus critérios de avaliação da aprendizagem e suas ações a partir dos resultados, ele não o faz de maneira aleatória. Pelo contrário, ele demonstra sua intencionalidade, suas concepções de educação, escola e sociedade. Assim, ao romper com o esperado e criar maneiras para transformar os erros em oportunidades, o professor demonstra aos seus alunos a importância do desenvolvimento de uma atitude exploratória, que valoriza a busca pelo conhecimento, a curiosidade, a superação de desafios e o pensamento autônomo.

Se a sabedoria popular profere que “é errando que se aprende”, então é nosso papel mostrar aos alunos que eles podem correr riscos, pensar em diferentes formas para resolver um problema, fazer experimentos e, quando nada disso chegar a uma resposta, sempre haverá uma nova hipótese para ser testada e estudada. A nossa proposta, portanto, é encarar o erro de maneira racional, como parte do processo de aprendizagem, e não de maneira emocional, como algo que causa frustração, vergonha e medo.

Aqui seguem algumas dicas de comportamentos em sala de aula que podemos fazer para alterar nossa postura sobre o erro:

Juliana Miranda é gerente de Avaliação da Avalia Educacional e nossa parceira para o tema Avaliação

Apontar os erros cometidos em provas e trabalhos escritos com um grande X vermelho não é mais suficiente. É preciso explicar o que e o motivo pelo qual a resposta dada está imprecisa.

Dê aos alunos a chance de refazer e corrigir provas e trabalhos. Atribua boas notas a esses trabalhos corrigidos, tanto quanto aos alunos que acertaram de primeira.

Nos momentos de feedback, ajude os alunos a perceberem os erros que conseguiram superar e corrigir, deixando evidente como o esforço deles resultou em uma aprendizagem bem-sucedida.

Quando um aluno cometer oralmente um erro, em um momento de discussão conjunta, por exemplo, não diga simplesmente frases como “Você está errado. Quem tem outra ideia?”. Ao invés, peça ao aluno que explique e dê exemplos que demonstrem porque ele pensa de determinado modo, ou proponha o uso da hipótese dele em outro contexto. Isso o fará perceber sozinho que talvez ele precise pensar melhor sobre sua colocação.

Crie mais oportunidades de trabalho em conjunto em que alunos que já dominaram certo conteúdo possam ajudar aqueles que ainda estão em desenvolvimento.

Conte para os seus alunos erros que você mesmo cometeu, especialmente se eles são engraçados, e explique o que você aprendeu com eles.

Como o seu aluno aprende?

Se a escola é um lugar em que todos entram para aprender – todos: alunos, professores, gestores, funcionários e famílias – então é nesse ambiente que o erro precisa ser valorizado, já que é por meio dele que melhorias e aprendizagens podem ser conquistadas.

E vocês? O que vocês aprenderam a partir dos erros que cometeram?

errando que se aprende

Escrito por Juliana Miranda

Bacharel em Ciências Sociais/USP e mestre em Educação/PUC-SP e gerente de Avaliação da Avalia Educacional

Referências bibliográficas:

LUCKESI, Cipriano C. Avaliação da aprendizagem escolar. 13º ed. São Paulo: Cortez, 2002.

MAATS, Hunter. O’BRIEN, Katie. Teaching students to embrace mistakes. Disponível em: http://www.edutopia.org/blog/teaching-students-to-embrace-mistakes-hunter-maats-katie-obrien. Acesso em: 15 jul. 2016.

Como dar um feedback aos alunos?

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Já conversamos bastante aqui no Redes Moderna sobre avaliação formativa. E hoje, gostaria de aprofundar um dos aspectos mais importantes desse tipo de verificação: o feedback. Isto é, o retorno que o professor dá ao aluno sobre o seu desempenho, que pode ser verbal, escrito ou até gestual.

Fornecer feedbacks de qualidade para os alunos é a chave para obter melhores resultados, afinal, esse recurso tem o objetivo de ressaltar as diferenças entre o desempenho esperado e o real, de modo a incentivar mudanças no processo de aprendizagem. E quando essas mudanças ocorrem, então a aprendizagem foi significativa – e é isso que todos queremos!

Feedback

Enganam-se aqueles que pensam que o feedback serve apenas para apontar aspectos negativos para os alunos. Esse momento pode muito bem ser utilizado para ressaltar pontos em que o aluno superou uma dificuldade, encontrou um caminho diferente do esperado para resolver uma situação-problema, ou ainda, por mais que os objetivos esperados ainda não tenham sido alcançados, destacar o esforço, a dedicação e a criatividade colocados no processo.

Juliana Miranda é gerente de Avaliação da Avalia Educacional e nossa parceira para o tema Avaliação

Vamos tratar sobre alguns aspectos e técnicas do feedback:

1. FÓRMULA: FEEDBACK = ELOGIO + CORREÇÃO + PLANO DE AÇÃO

Um feedback tem que ser educativo por natureza. Significa, portanto, que os estudantes precisam receber uma explicação sobre o que estão fazendo corretamente e o que precisam melhorar, e, mais do que isso, como ele deve fazer para melhorar. É mais produtivo e motivador quando ao aluno são fornecidas explicações e exemplos sobre o seu trabalho. Por isso, uma modelagem interessante do feedback é estrutura-lo a partir da fórmula “elogio + correção + plano de ação.

2. FAÇA ELOGIOS REALISTAS

O feedback envolve elogios, mas estes são sempre realistas e com exemplos claros. Para isso, mais do que foi coletado pelos diferentes instrumentos de avaliação utilizados, a observação do aluno em sala de aula é essencial. Os comentário e sugestões nesse momento, portanto, devem ser práticos para que o aluno entenda o potencial que tem em si.

3. FEEDBACK DEVE SER DADO RAPIDAMENTE

É importante não demorar muito para dar um feedback. Ao dar uma resposta rápida, os alunos têm chance maior de relacionarem a informação dada com a experiência da atividade que fizeram, e o professor, por sua vez, terá mais chance de adequar seu planejamento de aula sem interromper completamente um outro projeto já iniciado.

4. CONSIDERE AS DIFERENTES FORMAS DE APRENDER DOS ALUNOS

As salas de aula são caracterizadas pela diversidade de alunos que aprendem de diferentes maneiras. Assim, o plano de ação exposto no feedback que conterá o que deverá ser feito para que o aluno avance em seu processo de aprendizagem também deve considerar esses diferentes estilos.

5. REALIZE MOMENTOS DE ATENDIMENTO INDIVIDUAL

Momentos de atendimento individual são úteis principalmente para aqueles alunos que precisam de mais ajuda, pois estabelece uma relação de confiança e as correções de rota podem ser tratadas mais profundamente em uma conversa.

6. PEÇA PARA OS ALUNOS TOMAREM NOTA NOS MOMENTOS DE FEEDBACK

Pedir aos alunos para anotarem o que é tratado em um momento de feedback ajudará com que eles se lembrem dos planos de ação propostos e, além disso, poderão perceber quando alguma questão apontada como incorreta for superada ao longo do tempo.

7. O FEEDBACK PODE SER VERBAL, POR ESCRITO OU GESTUAL

Quem dá um feedback precisa ter muito cuidado com a seleção de suas palavras e gestos. Uma postura muito negativa ou inúmeras críticas vazias de exemplos podem levar a perder todo o processo de avaliação iniciado, pois estabelecerá com os alunos uma relação de combate, não de confiança.

E vocês, como costumam dar o feedback para seus alunos?

Escrito por Juliana Miranda

Bacharel em Ciências Sociais/USP e mestre em Educação/PUC-SP e gerente de Avaliação da Avalia Educacional

Referências bibliográficas:

ZEFERINO, Angélica Maria Bicudo; DOMINGUES, Rosângela Curvo Leite; AMARAL, Eliana. Feedback como estratégia de aprendizado no ensino médico. Rev. bras. educ. med.,  Rio de Janeiro ,  v. 31, n. 2, p. 176-179,  Aug.  2007 .

A Avaliação no ensino centrado no aluno

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No post de hoje, a proposta é conversarmos um pouco sobre a mudança de postura do professor que rompe com o formato tradicional de aula e de avaliação e decide se aventurar em um ambiente mais cheio de incertezas, que coloca no centro do trabalho pedagógico a efetiva aprendizagem do aluno.

Imaginem chegar em uma sala de aula normal e avisar que hoje é dia de avaliação. Certamente os alunos demonstrarão muita apreensão, alguns ficarão nervosos, perguntarão o que será cobrado, quanto valerá a prova etc. etc. Por mais que os alunos já estejam acostumados com o rito da escola relacionado à avaliação, e que eles saibam que o seu desempenho é continuamente verificado, esse momento é sempre tenso porque tradicionalmente as avaliações são utilizadas como um instrumento de seleção e de coerção, que difere os alunos entre os aprovados e os reprovados.

A ideia de colocar o aluno no centro do processo educacional necessariamente rompe com esse processo já naturalizado de aula e de verificação, e propõem uma nova postura para todos os atores escolares, especialmente para o professor.

Trocar o foco da aula centrada no professor para a centrada no aluno faz com que mudanças estratégicas no estabelecimento de critérios, na escolha de instrumentos, e no retorno para o aluno sejam determinantes no processo de avaliação. Vamos lá:

Juliana Miranda é gerente de Avaliação da Avalia Educacional e nossa parceira para o tema Avaliação

Avaliação centrada no aluno

Estabelecimento de critérios

A quantificação de questões respondidas corretamente para a determinação de uma nota ou de um conceito não é mais uma metodologia suficiente para a avaliação centrada no aluno. Nesse novo contexto, o uso de rubricas com a descrição qualitativa em níveis do que é esperado em determinada tarefa (que podem ir do excelente ao insuficiente, por exemplo, com explicação do que significa cada gradação) traz ao processo avaliativo mais transparência e objetividade, pois o professor já sabe de antemão o que verificar na produção dos alunos e esses já sabem o que será cobrado e em que medida.

Escolha de instrumentos de avaliação

Papel, lápis e caneta não são os recursos exclusivos para a realização de uma avaliação oficial na escola. O professor pode utilizar diferentes formas para captar os dados que deseja analisar, ao propor aos alunos pesquisas, trabalhos em grupo, atividades de comunicação em que eles têm que explicar algo oralmente. Para aqueles que têm à disposição alguns recursos tecnológicos, é possível ainda preparar vídeos, relatórios, testes online, páginas em redes sociais

Tudo depende dos objetivos de aprendizagem a serem verificados, mas ao se aventurar por diferentes instrumentos, o professor oferece aos alunos a oportunidade de expressar seus conhecimentos e de demonstrar suas habilidades de maneiras variadas e interessantes. Agora é a forma de avaliar que se adapta ao aluno, não mais o inverso.

Retorno para os alunos

Um dos mais importantes benefícios da aprendizagem centrada no aluno são as possibilidades de feedback e de intervenção pedagógica baseadas nos resultados da avaliação.

A partir da comunicação dos resultados da rubrica aos alunos, o professor tem a chance de definir as correções nas trajetórias de estudos. Ele pode, por exemplo, propor um trabalho de rotação por estações, em que grupos de alunos que demonstraram níveis diferentes de compreensão podem fazer atividades diversificadas, ou ainda, eleger o trabalho conjunto de alunos que já desenvolveram alguma habilidade com alunos que ainda precisam estudar mais. As opções são muitas.

Contudo, a mudança quanto à percepção sobre o que significado um erro do aluno é talvez uma das maiores rupturas com a postura tradicional de sala de aula. O erro, antes considerado uma falha passível de punição (perda de ponto, reprovação etc.), agora é encarada como uma oportunidade, um desafio, algo que o aluno ainda não conseguiu, mas que terá o apoio necessário para conseguir.

Assim, ao suplantar a inércia da vida escolar e se dedicar a verificar as lacunas no processo de aprendizagem que podem ser vencidas, o professor assume a responsabilidade de proporcionar momentos personalizados aos seus alunos, e faz uso do potencial total das avaliações que realiza.

E vocês, como planejam o processo de avaliação de suas turmas?

Escrito por Juliana Miranda

Bacharel em Ciências Sociais/USP e mestre em Educação/PUC-SP e gerente de Avaliação da Avalia Educacional

Referências bibliográficas:

ZABALA, Antoni. A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: Artmed, 2012.

Dica para os professores: http://rubistar.4teachers.org/index.php