VIVA ANA MARIA MACHADO

By 11/09/2018Novidades

Ana Maria Machado é uma das principais autoras brasileiras. Em 2000 recebeu o prêmio Hans Christian Andersen (2000), o Nobel da Literatura Infantil; de 2011 a 2013 foi presidente da Academia Brasileira de Letras, onde ainda ocupa a cadeira número 1; além de ter recebido muitos outros prêmios importantes, nacionais e internacionais, ao longo de mais de 40 anos dedicados à literatura.

Autora de renomados livros, como a Coleção Mico Maneco, Bisa Bia, Bisa Bel e Era uma vez um tirano, nos últimos dias Ana Maria Machado tornou-se protagonista de uma polêmica com o livro “O menino que espiava pra dentro”, publicado pela primeira vez em 1983 (Global Editora).

É uma pena que hoje, 35 anos depois da primeira edição, ainda existam adultos que não consigam perceber a literatura infantil como ferramenta de construção de caráter e de repertório das crianças.

Em seu livro Uma rede de casas encantadas (Editora Moderna), a autora explica a importância e o poder da literatura infantil:

As narrativas de ficção possibilitam que as crianças tenham contato com outras realidades além da sua e vivenciem coisas muito diferentes daquelas que seu quotidiano lhes oferece. Isso permite que projetem seus temores e seus desejos, adquiram experiências emocionais que as ajudem a crescer. Permite também que saiam de si mesmas, indo além dos limites individuais de cada um. Propicia oportunidades para que se identifiquem com os outros, sintam solidariedade e compaixão, admiração e carinho por pessoas que nem conhecem (e que muitas vezes são apenas imaginárias, puros personagens), mas nem por isso as emoções que trazem são menos intensas. Ou que enfrentam medos, vergonhas, sentimentos difíceis, sem precisar passar por eles de verdade.

Essa é uma possibilidade magnífica, quase mágica, que a literatura oferece às pessoas e, se vivida desde a infância, pode representar uma série de portas abertas para o pleno florescimento emocional e intelectual. Os leitores podem viver todos esses sentimentos de maneira simbólica e, com isso, trabalha-los dentro de si próprios, para serem mais felizes. A linguagem simbólica permite que se vivam várias vidas, com intensidade afetiva, e isso é um ganho fantástico para cada um – além de representar sempre uma excelente oportunidade de adquirir informação e construir conhecimento.

Toda criança tem direito a essa experiência. Todo adulto tem o dever de colaborar e fazer sua parte para que isso aconteça. (p. 14-15).

A Moderna e Salamandra colocam-se ao lado da autora neste momento de retrocesso, com a certeza de que a bibliografia de Ana Maria Machado continuará merecendo lugar de destaque na história da Literatura infantil – brasileira e mundial.