PANORAMA DOS RESULTADOS DO IDEB

Já conversamos aqui no blog sobre o Ideb e, como os resultados de 2015 foram liberados recentemente, vale a pena nos debruçarmos sobre esses dados e relembrar a importância desse indicador.

O Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) foi desenvolvido com o intuito de medir a qualidade da educação, estabelecendo metas bianuais de crescimento a todas as escolas públicas e redes de ensino municipais, estaduais, privadas e federal.

Esse indicador é formado por dois componentes importantes para a área da educação: Aprendizado (obtido a partir dos resultados da Prova Brasil e do Saeb, nas áreas de português e matemática) e fluxo escolar (que se refere ao quantitativo de alunos aprovados). Esses fatores têm “pesos” iguais na conta do Ideb, o que reforça a ideia de que um sistema educacional de qualidade é aquele que proporciona a muitos (ou todos) os alunos (e não a uma minoria) o direito de aprender com qualidade.

Portanto, o Ideb é útil a toda sociedade brasileira ao apresentar de maneira simples em que ponto se encontram desde uma unidade escolar até toda uma rede de ensino e quais as metas as mesmas devem buscar atingir.

Juliana Miranda é gerente de Avaliação da Avalia Educacional e nossa parceira para o tema Avaliação

Agora, falando especificamente dos resultados do Ideb 2015 para o país, os dados mostram que os anos iniciais do ensino fundamental avançaram, embora ainda tenhamos muitos alunos com resultados de aprendizagem aquém dos esperados. Para o Brasil, o Ideb da rede pública nessa etapa atingiu a nota 5,3, acima da meta esperada (5,0). É um bom resultado em direção à nota 6,0, desempenho que deve ser alcançado até o ano de 2021, segundo o Plano Nacional de Educação (PNE).

Os resultados dos anos finais do ensino fundamental, contudo, evidenciam um cenário mais desafiador: uma vez que as taxas de aprovação têm crescido de maneira muita lenta e o desempenho na Prova Brasil e no Saeb ainda são abaixo do desejável, em geral, o Ideb da rede pública para essa etapa é de 4,2, inferior à meta de 4,5.

Esses dados do ensino fundamental demonstram que apesar dos alunos que deixam o 5º ano atingirem níveis de proficiência maiores nas avaliações nacionais, essa eficiência é perdida com o passar dos anos de escolaridade.

O ensino médio, por sua vez, agrava os desafios já apresentados nos anos finais do ensino fundamental: as escolas públicas em 2015 atingiram Ideb 3,5, abaixo da meta esperada, que era de 4,0 – na verdade, nenhuma rede estadual do país foi capaz de atingir sua meta no Ideb.

Como podemos perceber, o Ideb tem o poder de nos mostrar que os desafios para conquistarmos uma educação de qualidade são bastantes profundos. Contudo, por mais que os resultados gerais sejam incômodos, o indicador foi desenvolvido para nos fazer refletir em como melhorar essa situação, para nos ajudar a pensar para frente.

Para isso, o Ideb também nos mostra que há escolas e até municípios com desempenho bem acima da média do país, como Sobral (CE), Centenário (RS) ou Novo Horizonte (SP), onde estudos sobre os motivos que fazem essas cidades serem mais eficientes podem ser realizados e estratégias de ação podem ser desdobradas. Já há publicações disponíveis, por exemplo, como a obra Excelência com Equidade, da Fundação Lemann.

Para fechar, gostaria de fazer uma última observação. Quando pensamos em um indicador, temos que ter em mente que este é um instrumento criado para nos ajudar a conhecer e a monitorar a evolução de determinados aspectos de uma realidade. Assim, por exemplo, o Ideb fala sobre educação, o Índice de Massa Corporal (IMC) fala sobre saúde, e o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), sobre a economia.

Mesmo que um indicador não tenha a capacidade de refletir todos os diferentes e importantes aspectos do mundo real, ele ainda é útil para que toda a sociedade compreenda pontos de melhoria e de sucesso de cenários complexos, como o educacional. É por isso que a ampla divulgação desses dados é tão importante: ela traz transparência às ações e aos investimentos que têm sido dirigidos à área, estabelecem metas de evolução e embasam o desenvolvimento de intervenções políticas e pedagógicas baseadas em dados.

Escrito por Juliana Miranda

Bacharel em Ciências Sociais/USP e mestre em Educação/PUC-SP e gerente de Avaliação da Avalia Educacional

Referências bibliográficas:

Portal Ideb: http://portal.inep.gov.br/web/portal-ideb/o-que-e-o-ideb

Portal Qedu: http://www.qedu.org.br/brasil/ideb?gclid=CO_ZiMOf9s8CFYIEkQodfZ4Cew

Fundação Lemann – Excelência com Equidade: http://www.fundacaolemann.org.br/excelencia-com-equidade/