Mapas conceituais no ensino-aprendizagem de Química

Foi publicado recentemente neste blog o artigo “Mapas Conceituais: um caminho para um aprendizado eficiente” em que há um interessante tutorial de 5 passos para a construção de um Mapa Conceitual (MC) no Ensino Fundamental. Mas, como efetivamente usar esses mapas com seus alunos no Ensino Médio? Há inúmeras possibilidades e, neste artigo, iremos sugerir algumas delas.

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 REVISÃO DE CONTEÚDOS

Que professor nunca ouviu a famosa pergunta: “Professor, faz uma revisão antes da prova?”. Pois bem, os mapas conceituais podem ser utilizados na retomada de conceitos, ou até mesmo no estudo das relações entre eles.

Veja a seguir um exemplo de MC presente na coleção QUÍMICA dos autores CISCATO, PEREIRA e CHEMELLO da Editora Moderna.

CISCATO, PEREIRA e CHEMELLO. QUÍMICA. Volume 1,
Capítulo 2: O mundo microscópico da matéria, p. 155.
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DIAGNÓSTICO DE APRENDIZAGEM E AVALIAÇÃO

Em uma aula de estrutura atômica, você, professor(a), discorre sobre cátions, ânions, íons como se fossem seus amigos de longa data, mas o aluno está estudando aquilo tudo pela primeira vez! São conceitos muito abstratos, inter-relacionados, e que são fundamentais para a compreensão de muitos fenômenos da química. Em vez de aguardar uma avaliação para verificar a aprendizagem efetiva destes temas, que tal uma atividade rápida para diagnosticar no aluno eventuais equívocos conceituais usando a construção de mapas conceituais? Peça aos seus alunos, por exemplo, para montar um MC com cinco conceitos relacionado ao tema. São eles: átomo, íon, cátion, ânion e elétrons. Uma possível “montagem equivocada” é mostrada a seguir:

Note que ficam claros dois equívocos: a partir de um átomo neutro pode-se formar um íon pelo ganho ou perda de elétrons; íon não é sinônimo de cátion e ânion, mas cátion e ânion são tipos de íons. Neste momento, o professor pode questionar o aluno e indicar os erros conceituais, fornecendo-lhe mais detalhes sobre os conceitos. Por fim, pode-se solicitar ao aluno que refaça o mapa conceitual. Se o aluno construiu um mapa com relações corretas, pode-se pedir que ele vá além, e relacione os conceitos com as representações simbólicas de cátions e ânions. A seguir, uma possível reformulação do MC:

CISCATO, PEREIRA e CHEMELLO. QUÍMICA. Volume 1,
Capítulo 2: O mundo microscópico da matéria, p. 83.

Sobre os autores

Luís Fernando Pereira

Luís Fernando Pereira

Professor e autor

Químico industrial formado e licenciado pela USP. Leciona no Curso Intergraus desde 1995. É o químico consultor do programa Bem Estar, da Rede Globo.

Emiliano Chemello

Emiliano Chemello

Professor e autor

Licenciado em Química e Mestre em Ciência e Engenharia de Materiais pela UCS. Professor de química no Ensino Médio e cursos Pré-Vestibulares.

Patrícia Proti

Patrícia Proti

Professora e autora

Bacharel e licenciada em Química pelo IQ-USP. Bolsista FAPESP de Iniciação Científica e Doutorado Direto com projetos desenvolvidos no Laboratório de Química de Peptídeos do IQ-USP. Atualmente leciona na Escola Móbile e no Cursinho Intergraus.

Claro que há diversos outros layouts de mapas possíveis e certos. “Considerando mapas onde os conceitos estão de acordo com o que é aceito pela comunidade científica sobre determinado tema, não existe um mapa certo ou mapa errado.” (Tavares, 2007).

Apesar de não existirem, em princípio, mapas conceituais errados, pode-se avaliar a correção das inter-relações entre os conceitos, porém de forma diferente da avaliação tradicional. “(…) o professor é desafiado frente a uma tarefa pouco usual: avaliar os alunos de uma forma diferente, por meio de um instrumento subjetivo que não apresenta um gabarito para auxiliar o processo de correção” (CORREIA, 2010).

De todo modo, trata-se de uma interessante ferramenta (frequentemente subutilizada), que pode ser de grande valia para que o aluno compreenda, relacione e revise conceitos fundamentais do assunto ora estudado, desde que bem mediado pela orientação do professor.

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ENSINO

A desenvoltura na construção de mapas conceituais por parte do aluno exige, obviamente, que ele domine os conceitos fundamentais e as habilidades necessárias para construí-lo. As primeiras tentativas podem gerar dúvidas, mas se o aluno já teve contato com mapas construídos pelo professor, sua tarefa será facilitada. A mediação do professor, como sempre, é essencial!

CISCATO, PEREIRA e CHEMELLO. QUÍMICA. Volume 2,
Capítulo 2: Termoquímica, p. 135.

Note que se pode também recorrer aos mapas conceituais como estratégia de ensino. Por exemplo, no estudo da termoquímica, saber que um processo endotérmico absorve calor e apresenta variação de entalpia positiva (DH > 0) é fundamental para o prosseguimento da matéria. O MC a seguir pode ser uma boa forma de organizar e relacionar esses conceitos fundamentais de modo hierarquizado, facilitando a compreensão e o prosseguimento nos estudos.

A coleção QUÍMICA dos autores CISCATO, PEREIRA e CHEMELLO contém vários outros mapas conceituais distribuídos pelos três volumes e um maior ao final de cada capítulo. O professor adotante pode utilizá-los em sala de aula e estimular seus alunos a produzirem seus próprios mapas, o que, sem dúvida, irá contribuir na visualização das relações conceituais e agregação de novos saberes.

CmapTools: software gratuito para construção de mapas conceituais

Frequentemente alunos e professores ficam diante de uma construção “sem saída”, pois se precipitaram nas relações que fizeram, ou gostariam de reorganizar os conceitos de outra forma. Por essa razão, fazer mapas conceituais em papel pode ser trabalhoso. No entanto, há diversos softwares dedicados à construção de mapas conceituais. Recomendamos o uso do CmapTools. Ele é resultado de pesquisa realizada pelo Institute for Human & Machine Cognition (IHMC) da Flórida, EUA. Seu uso é gratuito e, para realizar seu download, clique aqui.

Esperamos que tenham gostado do post! Deixem dúvidas, sugestões e dicas nos comentários =)

PNLD 2018 | Química Ciscato – Pereira – Chemello  – Proti

A nova coleção valoriza a contextualização, a interdisciplinaridade e a experimentação como formas de conscientizar o aluno sobre a presença da Química no dia a dia. Por isso, os conteúdos tradicionais da disciplina são apresentados por meio de temas bastante significativos para a vida em sociedade, dando ao professor segurança e recursos para um ensino conectado com as expectativas dos alunos e as habilidades para o século XXI.

Confira abaixo mais sobre a coleção inscrita no PNLD 2018:

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Programa CmapTools: http://cmap.ihmc.us/cmaptools.

Mapas conceituais: um caminho para um aprendizado eficiente. Disponível em: http://redes.moderna.com.br/2016/06/03/mapas-conceituais-aprendizado-eficiente.

TAVARES, Romero. Construindo Mapas Conceituais.Ciênc. cogn.,  Rio de Janeiro ,  v. 12, p. 72-85, nov.  2007.

CORREIA, P. R. M., SILVA, A. C. JUNIOR, J. G. R. Mapas Conceituais como ferramenta de avaliação na sala de aula. Revista Brasileira de Ensino de Física, v. 32, n. 4, 4402 (2010).

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