Olimpíadas é mais do que esporte

No último domingo, 21 de agosto, terminou o maior evento esportivo do planeta, as Olimpíadas. Apesar das polêmicas e crises que precederam este grande acontecimento, também é possível encontrar excelentes exemplos de inspiração para utilizarmos no contexto escolar.  Partindo dessas situações, proponho voltar nossos olhares à aplicabilidade das competências socioemocionais no esporte e demonstrar como estes aprendizados permanecem conosco ao longo da vida.

Podemos observar a criatividade da Cerimônia de Abertura, comentada não somente pelos brasileiros, como também muito elogiada pela imprensa internacional. A equipe responsável, além de fazer um evento muito bonito, teve que ser capaz de realizá-lo com um orçamento muito menor do que o mesmo evento de edições anteriores dos Jogos. A criatividade, sem dúvida, fez com que fôssemos capazes de realizar mais com menos recursos financeiros.

A Seleção Brasileira de vôlei masculino também merece destaque. Não por ter sido medalhista olímpica, mas porque foi um exemplo de trabalho em equipe e de colaboração. A liderança do Bernardinho, técnico que levou o time para 4 finais olímpicas consecutivas, merece também a medalha de ouro. Por sua consistência e sua capacidade de fazer cada integrante da equipe dar seu melhor e buscar um objetivo comum. Destaco também o jogador Lucarelli pelo seu esforço e dedicação. O atleta jogou a semifinal e a final com um estiramento no músculo da coxa, lesão que causa bastante dor. Uma lição do quanto temos que lutar e nos sacrificar por um objetivo.

Educação para a vida

Tonia Casarin é mestre em Educação pelo Teachers College Columbia University.

A garra e a vontade da seleção feminina de futebol que conquistou o coração dos torcedores. Era nítido que elas lutavam contra o cansaço e que sabiam que representavam um país inteiro. Essa responsabilidade era vista em campo. Nossa seleção masculina também mostrou vontade e lutou até o final em um jogo histórico com a Alemanha – para apagar de ver o fantasma do 7 a 1. Conquistou mais do que medalha, reconquistou o respeito dos brasileiros.

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Legado das Olimpíadas

Surgiram novos heróis nacionais, que o esporte nomeia com orgulho: Rafaella Silva, Isaquias Queiroz, Erlon de Souza, Robson Conceição, Maicon Siqueira, Thiago Braz. Determinação e resiliência são palavras comuns para atletas que superam no seu dia a dia não somente a dura rotina de treinamentos, mas as dificuldades financeiras e a vulnerabilidade social em que se encontram.

A capacidade de aprender com o fracasso foi claro na trajetória de Diego Hypólito. O atleta que ganhou medalha de prata no Jogos Rio 2016, passou por duas Olimpíadas com quedas na prova de solo. Achou que nunca conseguiria superar, passou por depressão e mostrou ao mundo a importância de acreditar em si mesmo. Assim como o ginasta, os judocas Mayra Aguiar e Rafael Silva tiveram que dar a volta por cima ao disputar a medalha de bronze após serem derrotados. O judô mostra que, em pouco tempo, temos que ser capazes de controlar nossas emoções e focar no objetivo.

Pela primeira vez na história, tivemos um time de refugiados, representado pela bandeira olímpica. Uma equipe de dez atletas representou 60 milhões de pessoas, espalhadas por todo o mundo, que tiveram que abandonar suas casas para sobreviver. Os atletas vieram da Síria, do Sudão do Sul, da Etiópia e da República Democrática do Congo. Suas histórias pessoais de superação são um exemplo por si só. Tendo o esporte como pano de fundo, o Time Olímpico de Refugiados é o lembrete de que o mundo precisa de paz e compaixão.

Além desses exemplos, poderia escolher muitos outros. Ainda emocionada com o espírito olímpico, afirmo que o esporte é pilar fundamental no desenvolvimento das habilidades socioemocionais. E, por isso, as escolas e professores precisam manter viva a prática esportiva e propagar o conhecimento sobre as diversas modalidades, aproveitando para desenvolver as competências socioemocionais. Que tal irmos além de um simples “bater bola” durante a aula de Educação Física? Vamos manter a emoção dos Jogos Olímpicos Rio 2016 e transformar a realidade de nossas escolas!

Aproveitem esse momento histórico. E foco nas Paraolimpíadas que começam em breve.