É errando que se aprende

No post anterior, falamos sobre a importância de oferecer aos alunos um feedback qualitativo que mostre a diferença entre o desempenho esperado e o real. Hoje, vamos falar sobre como usar os erros (diagnosticados pela avaliação e descritos no feedback) como base para uma nova oportunidade de aprendizagem.

Decidir usar o erro como suporte para o crescimento (como coloca Luckesi, 2002), antes de mais nada, significa quebrar definitivamente um paradigma da sala de aula, que considera o erro como motivo para um castigo, uma nota baixa, algo que sempre prejudica o aluno. Isso porque, quando um professor estabelece seus critérios de avaliação da aprendizagem e suas ações a partir dos resultados, ele não o faz de maneira aleatória. Pelo contrário, ele demonstra sua intencionalidade, suas concepções de educação, escola e sociedade. Assim, ao romper com o esperado e criar maneiras para transformar os erros em oportunidades, o professor demonstra aos seus alunos a importância do desenvolvimento de uma atitude exploratória, que valoriza a busca pelo conhecimento, a curiosidade, a superação de desafios e o pensamento autônomo.

Se a sabedoria popular profere que “é errando que se aprende”, então é nosso papel mostrar aos alunos que eles podem correr riscos, pensar em diferentes formas para resolver um problema, fazer experimentos e, quando nada disso chegar a uma resposta, sempre haverá uma nova hipótese para ser testada e estudada. A nossa proposta, portanto, é encarar o erro de maneira racional, como parte do processo de aprendizagem, e não de maneira emocional, como algo que causa frustração, vergonha e medo.

Aqui seguem algumas dicas de comportamentos em sala de aula que podemos fazer para alterar nossa postura sobre o erro:

Juliana Miranda é gerente de Avaliação da Avalia Educacional e nossa parceira para o tema Avaliação

Apontar os erros cometidos em provas e trabalhos escritos com um grande X vermelho não é mais suficiente. É preciso explicar o que e o motivo pelo qual a resposta dada está imprecisa.

Dê aos alunos a chance de refazer e corrigir provas e trabalhos. Atribua boas notas a esses trabalhos corrigidos, tanto quanto aos alunos que acertaram de primeira.

Nos momentos de feedback, ajude os alunos a perceberem os erros que conseguiram superar e corrigir, deixando evidente como o esforço deles resultou em uma aprendizagem bem-sucedida.

Quando um aluno cometer oralmente um erro, em um momento de discussão conjunta, por exemplo, não diga simplesmente frases como “Você está errado. Quem tem outra ideia?”. Ao invés, peça ao aluno que explique e dê exemplos que demonstrem porque ele pensa de determinado modo, ou proponha o uso da hipótese dele em outro contexto. Isso o fará perceber sozinho que talvez ele precise pensar melhor sobre sua colocação.

Crie mais oportunidades de trabalho em conjunto em que alunos que já dominaram certo conteúdo possam ajudar aqueles que ainda estão em desenvolvimento.

Conte para os seus alunos erros que você mesmo cometeu, especialmente se eles são engraçados, e explique o que você aprendeu com eles.

Como o seu aluno aprende?

Se a escola é um lugar em que todos entram para aprender – todos: alunos, professores, gestores, funcionários e famílias – então é nesse ambiente que o erro precisa ser valorizado, já que é por meio dele que melhorias e aprendizagens podem ser conquistadas.

E vocês? O que vocês aprenderam a partir dos erros que cometeram?

errando que se aprende

Escrito por Juliana Miranda

Bacharel em Ciências Sociais/USP e mestre em Educação/PUC-SP e gerente de Avaliação da Avalia Educacional

Referências bibliográficas:

LUCKESI, Cipriano C. Avaliação da aprendizagem escolar. 13º ed. São Paulo: Cortez, 2002.

MAATS, Hunter. O’BRIEN, Katie. Teaching students to embrace mistakes. Disponível em: http://www.edutopia.org/blog/teaching-students-to-embrace-mistakes-hunter-maats-katie-obrien. Acesso em: 15 jul. 2016.