O que uma torneira pingando tem a ensinar sobre educação financeira?

Você já parou para pensar em todos os recursos que utiliza no seu dia a dia? Desde o momento em que acorda até a hora de dormir, você consome recursos que sustentam e nutrem a sua vida e suas relações. Alguns são essenciais para a sobrevivência e atravessam as gerações, como água e alimentos. Outros são mais recentes, mas já fazem parte da nossa vida, como a energia elétrica, a telefonia celular e a conexão wi-fi. Por sua complexidade, o ser humano é uma espécie que precisa de estruturas fora do seu próprio corpo para sobreviver. Precisamos de moradia, roupas adequadas, meios de transporte e uma série de equipamentos para garantir a nossa satisfação pessoal e comunitária.

Mas será que estamos fazendo o uso mais racional de todos estes recursos? Será que tudo que compramos e acumulamos está de fato sendo utilizado em todo seu potencial? Imagine uma pessoa que acabou de comprar um carro por R$ 30 mil só para utilizar aos finais de semana. Sem sair da garagem, este carro, mesmo quitado, custará anualmente cerca de R$ 8.100 somente com seguro, IPVA, manutenção, depreciação e ainda o custo de oportunidade*[1]. Dividindo este valor pelos 52 fins de semana do ano, significa que este carro custará R$ 155,00 para cada ocasião de uso, sem considerar os custos de combustível, estacionamento, lavagens e multas.

Andy de Santis é autora do livro Lições de Valor e parceira do blog para o tema Educação Financeira

[1] Custo de oportunidade: É o valor que você receberia como rendimento de um valor investido. Por exemplo, no caso do carro, se ao invés de usar o dinheiro para comprar o veículo, a pessoa tivesse investido R$ 30 mil na poupança, ela teria um retorno estimado de R$ 1.800 por ano.

Outra situação comum é a da pessoa que compra um pacote de serviços de telefonia celular que oferece mais recursos do que ela necessita e paga por eles mensalmente um valor excedente que só gera mais despesas em sua conta, sem retornar em benefícios concretos. O que dizer então do desperdício de alimentos no Brasil? Cerca de 30% de tudo que é comprado é simplesmente “jogado fora”. Torneiras pingando, luzes acesas sem necessidade e banhos demorados são exemplos da falta de cuidado que temos com nossos recursos, cuja consequência é dinheiro indo embora ‘pelo ralo’.

Os japoneses chamam isso de “Mottainai”. É uma expressão usada em casa e nas escolas para educar as crianças a eliminar o desperdício do dia a dia.

Falando em escola, como educamos nossos alunos a usar os recursos de forma racional no dia a dia? Será que a escola é um ambiente que educa para evitar e eliminar o desperdício e poupar os recursos financeiros e naturais?

Lições de Valor: Educação Financeira escolar

O livro “Lições de Valor – Educação financeira escolar”, dirigido a alunos do Ensino Fundamental II foi todo elaborado a partir da lógica do uso mais racional e inteligente dos recursos que nos rodeiam, como o dinheiro. Na unidade 1, o aluno é convidado a contabilizar os recursos e os custos de um dia na sua vida, percorrendo todas as suas atividades cotidianas, desde o café da manhã até a hora de dormir. Na unidade 12, um dos projetos propostos para a turma é percorrer sua escola com o olhar crítico, mapeando oportunidades e desenvolvendo um plano de ação para aumentar a eficiência e reduzir o desperdício no ambiente escolar.

As escolas que adotarem o livro também terão acesso ao portal com textos e planilhas, que ajudarão as famílias e os professores a identificar possíveis desperdícios em sua vida pessoal. Um exemplo de exercício já está disponível aqui para você experimentar.

Eu sou Andyara de Santis Outeiro, autora do livro e estou aqui para dialogar com você sobre os conteúdos da obra e trazer dicas sobre educação financeira para aplicar na escola e na vida. Aproveite o espaço, traga seus dilemas, dúvidas e experiências. Vamos aprender juntos?

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