Quem é o educador financeiro da escola?

Quando uma escola decide trabalhar com educação financeira, em geral ela se depara com um dilema: quem deve ser o professor mais indicado para assumir o papel de educador financeiro?

A resposta mais óbvia, apoiada por uma visão simplificada do tema, seria associar a educação financeira à disciplina de Matemática. Afinal, para contabilizar e controlar entradas e saídas de dinheiro, é necessário que os alunos tenham conhecimentos básicos desta matéria. Entretanto, como vimos no último post, educação financeira vai muito além de falar sobre dinheiro, números e planilhas, pois se fosse apenas isso, não haveria um só estatístico, economista, bancário ou professor de matemática endividado, não é mesmo?

Mas, se não é o professor de matemática, então quem é?

Antes de responder a esta pergunta, vale refletir sobre os temas que se pretende abordar. Com base nos estudos de Psicologia Econômica, entendemos que a relação das pessoas com o dinheiro deriva da forma com elas lidam no seu cotidiano com as seguintes questões:

Andy de Santis é autora do livro Lições de Valor e parceira do blog para o tema Educação Financeira

  • Valores – individuais, familiares, sociais
  • Escolhas – coerentes ou não com seus valores
  • Impactos – das escolhas na vida, na sociedade e no ambiente</p>
  • Limites – na relação com seus impulsos, desejos e necessidades
  • Prioridades – que impõem escolhas e tomada de decisão
  • Sonhos – projetos de vida
  • Tempo – visões de curto, médio e longo prazo
  • Disciplina – para concretizar os planos, passo a passo
  • Riscos – relacionados às escolhas
  • Ganhos e perdas – como parte das consequências de cada decisão tomada

Ou seja, trabalhar com as decisões econômicas dos estudantes é um desafio amplo e interdisciplinar que oferece ótimas oportunidades para promover uma articulação entre as diferentes disciplinas.

As Ciências e a Geografia, por exemplo, podem contribuir com a educação financeira na medida que promovem o estudo da natureza, das relações ecossistêmicas e sua importância para o homem, os fenômenos naturais e as questões socioambientais, temas que ampliam a consciência dos estudantes sobre os impactos de suas escolhas de consumo para a sociedade e o planeta.

Já a História traz o reconhecimento das relações sociais, da cultura e do trabalho, o que amplia a visão do jovem sobre seu papel protagonista no mundo, na construção de uma atitude empreendedora, na identificação de suas fontes de realização e geração de renda no futuro.

A Filosofia e a Sociologia, com seus questionamentos podem trazer profundas contribuições às reflexões sobre valores, sonhos, tempo, limites, prioridades, o significado do dinheiro na sociedade e outros aspectos que desenvolvem jovens mais preparados para lidar com seus recursos em harmonia com o mundo ao seu redor.

As Artes e as Línguas podem estimular que os jovens expressem seus dilemas, angústias, reflexões e aprendizados sobre a relação com seu consumo e o dinheiro de formas criativas e impactantes.

Em resumo, todos os professores podem se apropriar dos desafios que a educação financeira traz para o cotidiano dos alunos e todas as disciplinas podem contribuir com estes desafios. A escola pode até escolher um único professor ou disciplina para trabalhar este tema, mas talvez perca a riqueza de ter várias perspectivas diferentes reunidas sob um mesmo problema.

Lições de Valor: Educação Financeira escolar

O livro “Lições de Valor – Educação financeira escolar”, lançado pela Editora Moderna para alunos do Ensino Fundamental II foi concebido como uma ferramenta transversal e integradora, que pode ser aproveitada por diferentes professores e disciplinas. Que tal reunir os professores de sua escola para folhear as 12 unidades da obra com as seguintes perguntas em mente:

  •  Que conexões eu enxergo entre as unidades do livro e a minha disciplina?
  •  Qual(is) unidade(s) oferece(m) mais insumos para eu trabalhar a minha disciplina?
  •  Como a educação financeira pode contribuir para minha disciplina?
  •  Como a minha disciplina pode contribuir com a educação financeira dos meus alunos?

Talvez este exercício revele que a superação de grandes desafios educacionais depende não de um único educador, mas da união de todos, com seus diferentes olhares em torno de um objetivo comum.

Eu sou Andyara de Santis Outeiro, autora do livro e estou aqui para dialogar com você sobre os conteúdos da obra e trazer dicas sobre educação financeira para aplicar na escola e na vida. Aproveite o espaço, traga seus dilemas, dúvidas e experiências. Vamos aprender juntos?

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