Hábitos da mente: Que competências os jovens precisam aprender?

Há anos participamos de discussões sobre caminhos que possam melhorar a qualidade da educação no Brasil, sempre buscando soluções que acreditamos ser as mais adequadas para ajudar a garantir o sucesso e a felicidade dos alunos na escola e na vida. Mas afinal de contas, quais são as competências os jovens precisam aprender para atuar na sociedade atual e se preparar para as profissões do futuro? Venha conhecer os hábitos da mente!

Um dos focos das discussões atuais são as competências socioemocionais, conceito que vem ganhando notoriedade por desenvolver atitudes essenciais para a autonomia e o protagonismo destas gerações de nativos digitais.

Neste mundo conectado e em constante transformação, muito se fala sobre reformular a estrutura da sala de aula e a dinâmica do processo de ensino-aprendizado, ficando em segundo plano a reflexão sobre a formação social e a consolidação das identidades.

Os inúmeros desafios que os jovens podem enfrentar dentro e fora da escola exigem que haja condições para o desenvolvimento das competências apropriadas para o seu êxito acadêmico e profissional. Dentre elas, estão a competência leitora e o raciocínio lógico-matemático, já reconhecidos pelo sistema educativo e essenciais para o sucesso em exames internacionais.

No entanto, algumas competências não são adequadamente registradas por testes de desempenho e não estão contempladas na maior parte do currículo das escolas, embora sejam igualmente relevantes para o completo desenvolvimento do ser humano.

Pesquisas recentes, realizadas por economistas, psicólogos e educadores, demonstram que competências socioemocionais como persistência, tomada de decisões conscientes, pensamento crítico, cooperação e capacidade de resolução de problemas impactam positivamente o desempenho dos estudantes dentro e fora da escola. Por isso, são tão importantes quanto as habilidades cognitivas tradicionalmente desenvolvidas no ambiente escolar.

“Com o acesso abundante ao conteúdo, o que a pessoa precisa é saber escolher, separar fatos de opiniões, saber navegar em meio a muitas informações não filtradas. Daí a importância do pensamento crítico. E a resiliência tem a ver com um mundo menos previsível. Se não sei que profissões existirão, preciso me adaptar.”
− Denis Mizne, diretor-executivo da Fundação Lemann

É consenso entre os educadores que estudantes mais organizados, focados e confiantes conseguem aprender mais e continuamente. Ao mesmo tempo, alunos persistentes e resilientes tendem a se comprometer mais com os objetivos de longo prazo e a lidar melhor com frustrações e conflitos.

O desenvolvimento multidimensional dos alunos, propiciado por essa abordagem socioemocional, já é reconhecido pelas escolas. Hoje se entende que o aprendizado envolve o domínio de competências que não são diretamente cognitivas. Entretanto, embora haja esse reconhecimento inclusive por parte dos pais, pouco esforço tem sido dedicado ao seu desenvolvimento intencional, bem como à avaliação da efetividade das intervenções para promovê-lo.

A principal causa dessa limitação está ligada à falta de conhecimentos e de recursos relacionados aos modos pelos quais essas competências podem ser desenvolvidas e avaliadas em diferentes contextos de aprendizagem.

NOVAS PERSPECTIVAS EM SALA DE AULA

Comprometida com o desafio de oferecer informação e recursos para o desenvolvimento pleno dos nossos jovens, destacamos nove atitudes para trabalharmos as ferramentas cognitivas necessárias ao seu desenvolvimento, tanto como estudantes quanto como cidadãos conscientes, preparados e seguros. Elas são apresentadas a seguir, no infográfico “Nossos alunos e as competências do século XXI“. (Clique na imagem para ampliar)

habitos_mente

Este trabalho partiu do estudo dos educadores norte-americanos Arthur L. Costa e Bena Kallick, a partir de pesquisas em desenvolvimento humano aliadas a suas experiências com alunos e equipes escolares. Desde a apresentação do resultado, os autores vêm contando com a colaboração de um grande número de professores nos Estados Unidos, Reino Unido e Austrália para ampliação do tema.

Seus estudos demonstram que as competências socioemocionais, ao serem trabalhadas de maneira sistemática com crianças e jovens, vão sendo interiorizadas por eles até serem empregadas de forma habitual. Esses comportamentos rotineiros, ou hábitos, são disposições que partem da consciência e do intelecto, daí o nome Hábitos da mente.

Assim, mais do que competências para trabalhar no século XXI, os Hábitos da mente são disposições que favorecem as relações humanas e a tomada de decisões responsáveis; ações que pessoas conscientes apresentam ao lidar com problemas ou situações incertas em qualquer esfera da vida: em casa, na escola, nas atividades esportivas, em instituições acadêmicas, governamentais ou em corporações.

EXPERIÊNCIAS NA PRÁTICA

O relatório “Educação: um tesouro a descobrir”, realizado para a UNESCO pela Comissão Internacional sobre Educação do Século XXI, coordenada por Jacques Delors, é um dos documentos que representam a mudança de discurso educacional em resposta aos desafios atuais, e sugere um sistema de ensino fundado em quatro pilares:

Aprender a conhecer, para compreender o mundo.
Aprender a fazer, para melhor atuar no mundo.
Aprender a conviver, para saber participar e a cooperar.
Aprender a ser, que integra as três aprendizagens anteriores.

EXERCITE OS HÁBITOS DA MENTE NO DIA A DIA

Confira algumas dicas de atividades para desenvolver competências socioemocionais dentro dos currículos das diferentes áreas do conhecimento:

Dica 1

Debater sobre o cotidiano da cidade e estabelecer relações com os conteúdos abordados.

Dica 2

Valorizar não só as respostas orais mais rápidas, mas também as contribuições daqueles que pararam para refletir antes de oferecer uma resposta

Dica 3

Explorar simuladores, objetos digitais interativos e outros recursos multimídia

Dica 4

Organizar projetos interdisciplinares de forma colaborativa com os alunos.

Dica 5

Inserir jogos educacionais e cooperativos na programação de aulas.

Dica 6

Estimular a criatividade e a originalidade ao longo das atividades, colocando a teoria em prática

Dica 7

Estruturar atividades coletivas com grupos heterogêneos, despertando a necessidade de escutar os outros, resolver conflitos e pensar com flexibilidade.

Dica 8

Analisar periódicos para valorizar o estudo de atualidades e desenvolver a clareza na exposição das ideias.

Dica 9

Estimular os alunos a questionar e a desenvolver estratégias próprias para resolução de questões pessoais ou relacionadas às disciplinas.

Dica 10

Incentivar a continuidade do estudo para além do ambiente escolar, para estabelecer conexões com os conteúdos já estudados e em novos contextos.

Dica 11

Perseverar para atingir seus objetivos acadêmicos, pessoais e profissionais.

Dica 12

Estruturar momentos de pesquisa bibliográfica, de campo e documental.

Dica 13

Aceitar o erro como parte do processo de descoberta, em vez de valorizar somente a resposta correta

Dica 14

Incentivar a exposição dos conhecimentos prévios dos alunos, a fim de formalizá-los e transformar as informações do cotidiano em conhecimento e em prática

Dica 15

Despertar momentos de humor e descontração a fim de criar uma perspectiva positiva para o andamento das aulas

Dica 16

Sistematizar momentos de aprendizagem que despertem os diferentes sentidos: gustativo, olfativo, tátil, cinestésico, auditivo e visual.

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Hábitos da Mente: Projeto Araribá

Join the discussion 14 Comments

  • Argeu disse:

    Muito legal!

  • Geisa Lopes disse:

    Olá achei o tema interessante e pertinente,pois hoje temos nos deparado com situações diversas e resolvê-las de forma a valorizar além dos conhecimentos prévios as emoções,pensamentos e ações reveladas diante dos acontecimentos dentro e fora da sala de aula.

  • Heloísa Resende disse:

    A lista de dicas para não faltar ideias é muito boa!

  • Iniciei o ano letivo trabalhando diretamente com o conteúdo de Hábitos da mente, dessa forma, consigo lincar as atitudes no planejamento dos meus planos de aula, dessa forma torna-se possível propor práticas de estudo focando no desenvolvimento empreendedor dos alunos.

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